E pronto, aconteceu! Cheguei ao Zimbábue (Zimba para os amigos) na passada quarta-feira. Há meses que sabia que vinha para cá mas a data parecia tão distante... Nesses meses ia lendo tudo o que aparecia na imprensa internacional sobre o Zimba e as notícias iam sendo cada vez mais alarmantes. Desde a inflação galopante à repressão de demonstrações, à prisão de líderes da oposição... A ideia passada é que aquele que costumava ser um paraíso de prosperidade em África estava reduzido a um buraco.
Quando a data da partida começou a estar cada vez mais próxima, eu já estava muitíssimo pessimista. Tão pessimista que comecei a comprar carregamentos de tudo o que poderia necessitar num país onde ou as coisas não existiam ou eram vendidas a preços da Noruega ou Suíça. Alguns exemplos dessas compras: não sei quantas embalagens de gel de barbear e after-shaves, champôs, pastas e escovas de dentes, colónias, desodorizantes... Acima de tudo, o absolutamente fundamental seria manter os níveis de higiene pessoal aceitáveis em qualquer corte Europeia. Nunca se sabe quando uma pessoa vai a andar pelas ruas de Harare e se cruza com um Saxe-Coburg-Gotha...
Entretanto cheguei e, aos poucos, fui conhecendo mais da cidade. Tenho vindo a notar que estava demasiado pessimista. Quer dizer, não vou dourar a pílula neste blog lido por pessoas inteligentíssimas, cultíssimas e, acima de tudo, viajadíssimas: as coisas aqui estão muito mal. Para dar uma ideia desse mal, de acordo com as estimativas da ONU, estão 2,5 milhões de pessoas a passar fome no país. Na rua vê-se pobreza, ou antes, miséria. Vê-se muita gente a vender bugigangas nos sinais de trânsito ou, pior ainda, a não fazer nada e esperar o tempo passar porque não há nada a fazer; vêem-se crianças andrajosas a pedir esmola e adolescentes com fotografias deles próprios em fardas escolares a pedir dinheiro para poderem voltar à escola; só há electricidade das 10 da noite às 5 da manhã o que leva a que o preço do petróleo para os geradores aumente constantemente - apesar disso, as filas de carros para abastecer são enormes! E tudo isto em Harare, a capital... Não imagino como será no resto do país.
Então porque é que eu acho que estava demasiado pessimista? Porque eu achava que mesmo para os que tinham dinheiro era difícil comprar o que quer que seja. E não é. Há supermercados, restaurantes, farmácias, lojas de mobiliário, stands automóveis... Tudo a funcionar! E os preços...? Bem, as poucas coisas produzidas no Zimba (milho branco, carne...) são a preços bastante razoáveis. O resto das coisas (como por exemplo os tais produtos de higiene que me permitirão conversar com os Saxe-Coburg-Gothas que se cruzem comigo em Harare) são mais caros do que em Portugal mas estão ainda longe dos preços da Noruega. Claro que, dados os cortes energéticos, a electricidade e o petróleo também são caros e só posso adivinhar que os produtos nacionais comecem a ser cada vez mais caros porque é cada vez mais difícil produzi-los e transportá-los até aos consumidores.
Quanto a segurança, devo dizer que não me sinto minimamente inseguro. Claro que tenho tido as necessárias cautelas mas as pessoas com quem me cruzo são genuinamente tão simpáticas e acolhedoras que não consigo mesmo sentir qualquer ameaça.
Estas observações, claro está, são meramente pessoais. Não são baseadas em índices e estatísticas. Mas basta fazer as contas: se um quilo de arroz num supermercado (não sei quanto é num mercado, por exemplo) custa cerca de €1 e o ordenado de um polícia anda à volta dos €30, eu fico sem entender como é que ele poderá sustentar-se e à sua família... Em resumo, a vida no Zimba não está má para quem tem dinheiro (apesar dos cortes eléctricos e das filas para gasolina que afectam todos). Mas não é sempre assim? Já para os outros... Acho que as observações acima já respondem a isso.
Quando a data da partida começou a estar cada vez mais próxima, eu já estava muitíssimo pessimista. Tão pessimista que comecei a comprar carregamentos de tudo o que poderia necessitar num país onde ou as coisas não existiam ou eram vendidas a preços da Noruega ou Suíça. Alguns exemplos dessas compras: não sei quantas embalagens de gel de barbear e after-shaves, champôs, pastas e escovas de dentes, colónias, desodorizantes... Acima de tudo, o absolutamente fundamental seria manter os níveis de higiene pessoal aceitáveis em qualquer corte Europeia. Nunca se sabe quando uma pessoa vai a andar pelas ruas de Harare e se cruza com um Saxe-Coburg-Gotha...
Entretanto cheguei e, aos poucos, fui conhecendo mais da cidade. Tenho vindo a notar que estava demasiado pessimista. Quer dizer, não vou dourar a pílula neste blog lido por pessoas inteligentíssimas, cultíssimas e, acima de tudo, viajadíssimas: as coisas aqui estão muito mal. Para dar uma ideia desse mal, de acordo com as estimativas da ONU, estão 2,5 milhões de pessoas a passar fome no país. Na rua vê-se pobreza, ou antes, miséria. Vê-se muita gente a vender bugigangas nos sinais de trânsito ou, pior ainda, a não fazer nada e esperar o tempo passar porque não há nada a fazer; vêem-se crianças andrajosas a pedir esmola e adolescentes com fotografias deles próprios em fardas escolares a pedir dinheiro para poderem voltar à escola; só há electricidade das 10 da noite às 5 da manhã o que leva a que o preço do petróleo para os geradores aumente constantemente - apesar disso, as filas de carros para abastecer são enormes! E tudo isto em Harare, a capital... Não imagino como será no resto do país.
Então porque é que eu acho que estava demasiado pessimista? Porque eu achava que mesmo para os que tinham dinheiro era difícil comprar o que quer que seja. E não é. Há supermercados, restaurantes, farmácias, lojas de mobiliário, stands automóveis... Tudo a funcionar! E os preços...? Bem, as poucas coisas produzidas no Zimba (milho branco, carne...) são a preços bastante razoáveis. O resto das coisas (como por exemplo os tais produtos de higiene que me permitirão conversar com os Saxe-Coburg-Gothas que se cruzem comigo em Harare) são mais caros do que em Portugal mas estão ainda longe dos preços da Noruega. Claro que, dados os cortes energéticos, a electricidade e o petróleo também são caros e só posso adivinhar que os produtos nacionais comecem a ser cada vez mais caros porque é cada vez mais difícil produzi-los e transportá-los até aos consumidores.
Quanto a segurança, devo dizer que não me sinto minimamente inseguro. Claro que tenho tido as necessárias cautelas mas as pessoas com quem me cruzo são genuinamente tão simpáticas e acolhedoras que não consigo mesmo sentir qualquer ameaça.
Estas observações, claro está, são meramente pessoais. Não são baseadas em índices e estatísticas. Mas basta fazer as contas: se um quilo de arroz num supermercado (não sei quanto é num mercado, por exemplo) custa cerca de €1 e o ordenado de um polícia anda à volta dos €30, eu fico sem entender como é que ele poderá sustentar-se e à sua família... Em resumo, a vida no Zimba não está má para quem tem dinheiro (apesar dos cortes eléctricos e das filas para gasolina que afectam todos). Mas não é sempre assim? Já para os outros... Acho que as observações acima já respondem a isso.
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