terça-feira, 31 de outubro de 2017

Catalunhices

Aqui há uns 3 anos estava na Escócia quando aconteceu o referendo pela independência da Escócia. Nessa altura considerei que havia grandes vantagens para a Escócia em que o Reino se mantivesse Unido. Para além disso, havia vantagens para a Europa e o mundo que os "independentismos" não se tornassem numa moda.
Não falo apenas de um ponto de vista ideológico. Se bem que não posso negar que a ideia de uma União Europeia cada vez mais unida, desde que no respeito pela diversidade, me é simpática. Falo também de um ponto de vista pragmático. A economia Britânica (e Europeia) perdeu devido à incerteza sobre o futuro político da Escócia. Os mercados gostam de estabilidade política e de certezas e não pode haver maior incerteza do que a fragmentação de um Estado.
Questões como: "como é que os Estados sucessores repartirão a dívida?" ou "de que organizações regionais e internacionais os novos Estados farão parte?" ou ainda "que moeda adotará o novo país e que banco central a garantirá?" são questões que afetam o quotidiano das empresas, das famílias e dos seus negócios e investimentos.
O processo a que assistimos agora demonstra bem isto. Num claro caso de egoísmo xenófobo, o maior argumento Catalão para pedir maior autonomia foi sempre que cada Catalão pagava mais para o orçamento do Estado Espanhol que cada Andaluz ou cada Estremenho. Depois, a reboque desse, vêm queixas históricas motivadas por agressões mais velhas que este humilde escritor. E este humilde escritor já não vai para novo... Por último, o clássico argumento de que "nós não somos iguais aos Espanhóis". Este, obviamente, é o argumento mais irrisório. Mesmo num país tão homogéneo quanto Portugal, os tripeiros gozam com a forma supostamente afetada de falar dos alfacinhas, estes com o tom arrastado dos alentejanos que, por sua vez, torcem o nariz à imperceptibilidade dos açoreanos.*
Se pegarmos nestes argumentos Catalães, as independências alastrariam pela Europa, pela Ásia e nem falemos de África, que ficaria reduzida a microestados. O que isto afetaria a vida do comum dos cidadãos não tem nem explicação. Este mapa abaixo, que eu recebi de um saudoso amigo de Macau, apenas dá uma pequeno exemplo do que este caos seria. Claro que este mapa nem menciona que dizer refugado, cabide ou imperial em vez de estrugido, cruzeta ou fino poderia ser um argumento para os lisboetas se tornarem independentes dos nortenhos que, com a ajuda dos bárbaros Ingleses e Flamengos os subjugaram com requintes de malvadez.** Por sua vez os Alentejanos veriam na proibição dos touros de morte uma prova da subjugação cultural dos do Norte do Tejo. ETC... 


* Diz-me quem conhece melhor os Açores que eu que apenas os miquelinos são imperceptíveis.
** Como se pode ler na célebre carta "De expugnatione Lyxbonensi".

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