Já há muito tempo que aqui não falava de política, mas hoje vou aproveitar uma intervenção minha num fórum de que faço parte e vou copiá-la aqui. O tema deste tópico no fórum era: "porque é que os jovens não se interessam pela política?" E a minha contribuição foi:
Em primeiro lugar devo dizer que já estive numa juventude partidária e que saí convencido que as juventudes partidárias mais não são que escolas de vícios políticos: quem consegue ser mais trapaceiro, angariar mais amigos para se filiarem, fazer mais festas, etc. é que ganha. O que se passa nas ditas juventudes afugenta a maioria dos jovens bem formados e com vontade de fazer alguma coisa pelo bem comum... Por isso estou 100% de acordo com o Francisco: quem é que são os políticos de hoje em dia com menos de 50 anos que não passaram por essas escolas de vícios?
Em segundo lugar o déficit de cidadania de que o Rui fala também é patente. Na geração dos meus Pais discutia-se a Guerra Ultramarina; na geração dos meus primos mais velhos discutia-se as opções políticas e internacionais do Portugal pós-ultramarino (Social Democracia? Democracia Cristã? Comunismo? Europa?). Hoje em dia o que é que há para discutir que motive verdadeiramente a população em geral? O Aborto? A eutanásia? O casamento homossexual? Esses é que são as magnas soluções para os problemas que a as nossas sociedades atravessam?
Por último devo confessar uma certa aversão aos políticos "carismáticos". O "carisma" fabrica-se com boa influência nos meios de comunicação social e seguindo o caminho do políticamente correcto que os lobbies ditam. Porque é que na Europa não há nenhum grande político a propor medidas destabilizadoras (mas sem dúvida benéficas) como o fim da PAC? Porque é que nos EUA nenhum dos candidatos defende uma substancial diminuição do orçamento da defesa em prol da protecção ambiental? Pura e simplesmente porque os lobbies da agricultura na Europa e do armamento nos EUA constroem e desfazem a imagem "carismática" de um político à sua bela vontade.
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