quinta-feira, 14 de abril de 2011

O que o emigra vê...

Não é novidade para ninguém que lê este blog que eu já há quase 4 anos que vivo fora de Portugal, pelo que não apanhei aí nada da actual turbulência política que aí se vive. Mas a verdade é que nada me conseguia preparar para o que eu leio agora nos jornais Portugueses.
O cenário que nos é apresentado não é negro, é negro pintado de preto. Pelo cenário que a comunicação social nos faz passar, já não há empregos em Portugal e as pessoas esgravatam pelos últimos grãos de arroz antes de se decidirem a sentar no chão (porque os sofás já foram vendidos) das suas casas penhoradas a olhar as paredes (porque a TV também já teve de ir) e a esperar morrer.
Ante este cenário negro pintado de preto, seria de esperar que os Portugueses se unissem para sair da crise. Note-se como os Ingleses se tornaram unidos durante a guerra ou, mais recentemente, os Japoneses a seguir ao terramoto + tsunami + catástrofe nuclear. Parece-me que é uma coisa natural que quando os povos vêem o cenério negro pintado de preto, dão as mãos e esquecem dissensões passadas para, em conjunto fazer face às dificuldades.
Mas o que eu vejo em Portugal é o PS a culpar a oposição pela crise, a oposição a culpar o PS, o governo a querer negociar o resgate em segredo, toda a gente a criticar um antigo candidato presidencial por se candidatar às legislativas pela lista de um partido...
Por isso só consigo tirar uma de duas conclusões. Ou a comunicação social está a exagerar e reporta um cenário negro pintado de preto onde ninguém o vê, ou todo o povo Português está sob o efeito de alucinogénicos (terá sido uma vitória do BE que eu não notei?).

quinta-feira, 31 de março de 2011

Uma família de pesadelo

Ontem a aula de Mandarim foi sobre família e graus de parentesco e só há uma conclusão a tirar: na China a família é um pesadelo! Veja-se bem como este pesadelo se aplica à minha família:
- eu tenho dois ge ge (irmãos mais velhos): o Tiago, que é o meu yi ge (1º irmão mais velho) e o Qin Long (aka Gonçalo), o meu er ge (2º irmão mais velho);
- també tenho uma jie jie (irmã mais velha, a Mariana);
- no entanto não tenho nenhum di di (irmão mais novo) nem nenhuma mei mei (irmã mais nova);
- tenho quatro bo fu (tios irmãos mais velhos do Pai), três shu fu (tios irmãos mais novos do Pai), três gu ma (tias irmãs mais velhas que o Pai) e duas gu gu (tias irmãs mais novas do Pai);
- também tenho um jiu fu (tio irmão mais velho da Mãe), um jiu jiu (tio irmão mais novo da Mãe) e duas yi ma (tias irmãs mais velhas da Mãe).
- os meus zu fu (avô paterno), wai zu fu (avô materno), zu mu (avó paterna) e wai zu mu (avó materna) já morreram;
- tenho uma yi sao (cunhada casada com o irmão mais veho) e uma er sao (cunhada casada com o 2º irmão);
- também tenho um zhi zi (sobrinho Martim) e uma zhi nu (sobrinha Constança);
- dado que a Mariana não é casada, eu não tenho nem um jie fu (cunhado casado com a irmã mais velha), nem wai sheng (sobrinho filho da irmã) nem wai sheng nu (sobrinha filha da irmã);
- já nem aqui vou falar de ter uma di xi (cunhada casada com o irmão mais novo) ou um mei fu (cunhado casado com uma irmã mais nova) porque, como disse em cima, não tenho nem um didi nem uma mei mei.
Mas não pensem que as complicações familiares Chinesas se ficam por aqui. Os primos mais velhos que eu pelo lado do pai e os primos mais velhos que eu pelo lado da mãe têm nomes diferentes, bem como os mais novos, as primas... Cada uma dessas categorias de primos é casado com uma categoria diferente de pessoa. Os netos são diferentes consoante sejam filhos de filhos ou de filhas...
Tudo o que é pelo lado feminino, tipo avós maternos ou netos pelas filhas são considerados wai, ou seja, de fora da família, porque dentro da família só mesmo por varonia. Os outros não são verdadeiramente família, são mais relações de parentesco fora da família.
Foi aí que eu entendi o porquê desta malta ter adoptado a política do filho único: era demasiado complicado continuar a ter famílias numerosas.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Guia em Macau

Este Sábado estava cá um amigo Austríaco em Macau. Conheci-o no ano passado enquanto viajava pelas Filipinas com a Victoria e o Christiaan e ele agora veio por poucos dias e ficou em casa da Victoria. Ela disse logo que não conhecia o suficiente de Macau para ser guia, pelo que colocou-me em frente às operações e eu devo confessar que lidei bem com a responsabilidade. Entre mostrar alguns dos sítios mais bonitos (é impossível ver tudo o que é giro em Macau em apenas 1 dia), contar as histórias dos lugares e levá-lo a comer as especialidades da cidade. Fiquei orgulhoso de mim mesmo, mas isto só significa que quem quer que me visite em Macau pode contar com um bom guia!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Consequências do São Valentim

Há já duas semanas que ando com uma irritação no pescoço que não percebo muito bem o que é. É tipo a pele seca e encarniçada numa pequena área. Tenho posto creme hidratante e tudo isso, mas nada tem resultado.
A verdade é que não se tem notado muito porque eu não tenho feito muito a barba e porque tenho andado de camisa, mas como amanhã vou para Banguecoque, hoje decidi fazer a barba e, por mero acaso, decidi usar tshirt. Isso torna a irritação bem mais visível. Sim, e fazer a barba não deve ter dado muita saúde à minha já irritada pele, certo?
Como consequência já recebi duas bocas aqui na Universidade de pessoas que com um ar cúmplice e um piscar de olhos me disseram: "o dia de São Valentim correu-te bem, hein?"

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Informação absolutamente irrelevante do dia

Tenho observado ao longo de muitas idas à casa de banho (enquanto trabalho bebo chá ou água...) que, ao chegar à casa de banho, os Chineses lavam sempre as mãos ANTES de fazer xixi. Pergunto-me se será para não sujar o instrumento...
No entanto nem sempre lavam as mãos DEPOIS de fazerem o que os levou lá. Será que os pingos, mesmo que minúsculos, que podem chegar às mãos de um homem durante a actividade urinatória não fazem tanta confusão aos filhos do Império do Meio quanto sujar o instrumento?
Fiquei a pensar se deveria também passar a lavar a mão antes da actividade, mas como está frio tento reduzir essa actividade ao mínimo indispensável.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Ano Novo Chinês

Pois é, todos os anos ele regressa: o Ano Novo Chinês!
Mas este ano o ANC teve alguma coisa nova, foi a 1a vez que estive em Macau nesta altura. Em 2008 fui a Hunan, onde passei em casa do Alexandre, em 2009 fui a Bali e no ano passado estive nas Filipinas.
Este ano tinha muito trabalho, não podia viajar, pelo que fiquei por Macau. E gostei? Não, nem por isso!
Em primeiro lugar porque, como La Palice observaria, se eu fiquei em casa é porque não estava a viajar e eu gosto de viajar.
Em segundo lugar é porque, ou para espantar os maus espíritos do ano anterior ou só para dar sorte, os Chineses sentem-se obrigados a fazer um barulhão e a incomodar os vizinhos como se não houvesse amanhã na primeira semana do ano. Por esse motivo, desde lançarem fogo de artifício até às 2 da manhã até começarem a explodir panchões às 8... O lema é "azucrina o teu vizinho até ele perder o juízo devido à privação de sono."
Em terceiro lugar, dado que nos primeiros dias do ANC os funcionários públicos podem jogar nos casinos, eu fui ao Venitian (o maior resort do mundo) experimentar só para não dizer que vivia em Macau e nunca tinha jogado. Conforme o planeado, apostei 100$HK e perdi-os, mas o que me deprimiu mais do que perder cerca de 10€ de dinheiro que eu já achava que ia perder foi ver a sofreguidão daquela gente a jogar. Deprimiu-me pensar quantas famílias não ficam mais arruinadas pela forma como aquela gente joga...
Mas nem tudo é mau no ANC.
Uma das coisas boas é que as famílias se juntam para jantar. À falta de família, dado que o Gonçalo e a Rita estavam na Indonésia, eu jantei em casa da minha amiga Wendy. A comida do ANC é fantástica!
Outra coisa boa é que, também devido a uma superstição qualquer, os Chineses deitam mobília antiga fora e compram nova. Ora, eu estava a precisar de um sofá e encontrei um sofá impecável na rua, pelo que poupei um balúrdio porque estava a pensar comprar um sofá um dia.
Bem, a outra coisa boa do ANC é que é só uma vez por ano e no próximo ano, dê lá por onde der, ninguém me volta a apanhar na China durante o ANC!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Correção de Exames

Frustração do dia: gosto tanto de dar aulas quando desgosto corrigir exames! Será que há alguma Universidade sem avaliação para eu ir para lá ensinar?

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

E agora fotos... I


Fim de ano: outros conferencistas e alunos a espera do fogo de artifico no 101
Fim de ano: eu com a familia Marvel

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Parque Nacional de Taroko

Neste momento devei-vos vós estar a perguntar: “oh mestre de tudo quanto é viagem pelo Oriente, mas de 0 a 100 quanto é que vale a pena visitar essa cidade de Hualien onde fazem procissões estranhas?” A minha resposta mais honesta e inflacionando o valor da cidade para não a desencorajar é uns 3 a 6. Na realidade é uma cidade feia, sem nada que se veja que preste: tem uns mercados de rua engraçados, mas mercados de rua há muitos nesta Ilha Formosa.

O motivo porque eu fui lá foi porque queria ir ao Parque de Taroko mas quando lá cheguei disseram-me que o último autocarro para Taroko já tinha partido uma meia hora antes, pelo que decidi lá ficar durante uma noite.

Ora Taroko, de 0 a 100, já leva um 95. Note-se que para quem já foi a Angkor Watt, o 100 já não é fácil de alcançar porque já está reservado a esse lugar e julgo que dificilmente poderá ser destronado. Por esse motivo um 95 quer dizer A NÃO PERDER!

Em primeiro lugar, do ponto de vista geológico a Formosa é uma ilha relativamente nova e ainda está em formação, dado que as suas montanhas crescem a um ritmo de 0,5cm ao ano. Isso leva a que as suas montanhas não tenham aquele ar macio e arredondado das nossas montanhas Europeias (claro que há muitas excepções) e sejam assim umas coisas bicudas erguidas ao céu.

Em segundo lugar nesta terra chove que Deus o dá, o que quer dizer que a vegetação é verdíssima. Aliás, estava eu a dizer a um local quão verde a vegetação era quando ele me responde “verde! Verde é na época das chuvas, agora é quase castanha!” E eu garanto que não consegui ver nenhuma mancha castanha e fiquei a imaginar como é que poderia ser ainda mais verde do que aquilo.

Por último, as florestas estão cheias de animais exóticos. Comecemos pelos nossos “primos” macacos que, apesar de esquivos demais para se deixarem fotografar, fogem de um lado para o outro a fazer macadas e fazem uns barulhos estranhíssimos (e ligeiramente assustadores). Depois há umas aves que parecem galinhas pelo tamanho e por não voarem muito alto mas têm um formato um bocado diferente. Para além disso há constantes avisos para termos cuidados com vespas, javalis (se cá estivesse o obélix…) e víboras (isso sim, é coisa que me mete medo) mas consta que todos eles agora estão a hibernar. Mas o mais impressionante são os pássaros: passarada de todos os tamanhos, feitios, cores e chilreios.

Absolutamente fantástico: recomendo vivamente e eu próprio estou altamente disposto a regressar.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Os 100 anos da ROC - RdC (Republic of China)

Estava eu a visitar a cidade de Hualien quando me deparo com uma coisa algo estranha: num parque da cidade estavam lá muitos carros, daqueles todos decorados tipo Carnaval de Torres Novas, mas muitos deles com imagens de Nossa Senhora, de Jesus, do Buda, de Deuses Budistas… Um desses carros até tinha a bandeira do Vaticano!

Para averiguar melhor o que aquilo seria (perguntei a umas quantas pessoas, mas ninguém falava Inglês), voltei lá à noite e, nessa altura, o barulho não podia ser mais ensurdecedor. Fogos de artifício, estalidos de ano novo (uns estalidos que eles usam quando inauguram qualquer loja e no ano novo Chino)… Um autêntico banzé!

Um homem com ar de importante (aqui, como na China, todos os homens com ar importante usam fato e, apesar de notoriamente terem mais de 50 anos, têm o cabelo mais preto do que o carvão porque todos o pintam) falava muito alto no microfone.

Ora, continuava eu sem perceber o que ali se passava mas desta vez consegui encontrar uma rapariga que falava umas palavras de Inglês. Como disse mais atrás, este ano celebram-se os 100 anos da ROC, pois era isso mesmo que se destinava toda aquela ruidosa procissão, a agradecer a Deus pelos 100 anos da república.

Claro que eu achei isso uma coisa muito estranha: agradecer a Deus pela obra da outra criatura lá de baixo! Sim, porque para mim as repúblicas, as guerras, as drogas e outras calamidades de origem humana são todas engendradas lá em baixo. J

O tal senhor com ar de importante era o presidente da câmara da de Hualin e depois dele falar todos os carros saíram para a rua. Cada carro levava a sua música tentando ser mais ruidoso que o anterior, pelo meio iam uns rapazes mascarados de tribo local, iam uns outros com uns fatos de Buda mas com uns óculos escuros gigantescos e ultra-estilizados… Um autêntico regabof!

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Taiwan e China

Chegar a Taiwan vindo da China permite-nos notar naquilo que a Revolução Cultural fez pelos Chineses (acho eu que deve ser esse o motivo). Algo se passou naquele país, que as pessoas perderam os bons costumes Confucionistas bem como a ética Budista.

Para começar, em Taiwan as pessoas são muito mais amáveis e prestáveis: pergunta-se qualquer coisa na rua e, quer as pessoas saibam Inglês, quer não, desdobram-se para ajudarem. Já por duas vezes tive pessoas a virem comigo ao sítio onde eu queria ir para me indicarem o caminho. Das duas vezes notou-se claramente que estavam a fazer um desvio para virem comigo. Também nos restaurantes e lojas se nota essa amabilidade: ontem fiquei surpreendido quando, numa loja onde eu estava a querer comprar um carregador de pilhas, dado que ele só tinha uns carregadores caros, levou-me a uma outra loja onde os tinham mais baratos e, com isso, perdeu uma oportunidade de negócio de alguém que era claramente turista e que não ia lá voltar.

Também nos templos se nota uma grande diferença: estão cheios de gente a rezar e a fazer oferendas e entre a gente notam-se imensos jovens. Na China só se vêem velhos: dá ideia que as pessoas abaixo dos 50 anos já tiveram uma lavagem cerebral e só pensam em dinheiro e na carreira, vendo a religião e os bons costumes como superstições.

Não conheço muitos outros países ex-Comunistas, mas gostaria de saber se quem os visita também sente que eles perderam algo do seu espírito antigo...

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Passagem de Ano no 101

Entre outras sítios onde os estudantes nos levaram, no dia 31 de Dezembro levaram-nos ao fogo de artifício do 101. O dito cujo 101 é o 2º mais alto edifício do mundo que, até há uns dois anos foi o mais alto e é o símbolo de Taipei.

No entanto, nada nos tinha preparado para aquilo: estavam lá 700 mil pessoas (mais do que a população de Macau inteira), na sua grande maior parte abaixo dos 30 anos. Agora, se uma população de 700 mil jovens brancos se juntassem para um evento daqueles, é certo e sabido que ia haver muito alcóol, muitas bebedeiras, desordens, confusões e, muito provavelmente, uns muitos a fumar substâncias pouco legais.

Mas não ali. Estavam todos muito ordeiros a beber os seus chás e as suas águas, a conversar e a jogar jogos e a assistir a um concerto. Mesmo os que tinham um aspecto mais alternativo, com os cabelos no ar e umas roupas muito alternativas, estavam lá muito calminhos e muito ordeiros com os seus chás e as suas comidas e os seus jogos.

O fogo de artifício começou à meia noite e terminou uns 10-15 minutos mais tarde tendo o 101 ficado a dizer ROC (em que o O era um coração) 100, para comemorar os 100 anos da República da China (ROC = Republic of China).

No momento em que acabou toda aquela multidão, ao mesmo tempo mas ordenadamente, começou a sair. Agora, dá para imaginar o que é uma multidão de 0,7 milhões de pessoas ordeiras a sair de um lugar, não dá? MUITO LENTO! Só para sairmos da área onde estávamos levámos 1 hora, mais uns 45 minutos depois disso a caminhar até ao hotel porque era impossível apanhar um táxi ou entrar no metro. Era impossível, mas note-se: tudo muito ordeiro, ninguém a atropelar-se, ninguém a fazer muito barulho, mas todos muito animados a conversar baixinho. Claro que os que iam à nossa volta (dos estrangeiros que falavam Inglês) iam muito calados para ouvir a nossa conversa e, julgo eu, poderem treinar o Inglês. Já agora, dado que dos 3 professores que lá estavam, os outros eram um Singapurino e um Chinês (Continental), sem dúvida que o alvo de curiosidade mais forte era eu mas, mesmo assim, ninguém se metia connosco ou sequer olhava demasiado. Nós só percebiamos que nos estavam a ouvir porque se riam quando nós dizíamos graças…

E, já agora, um óptimo ano de 2011 a todos os leitores deste quase que falecidíssimo mas a tentar ficar ressuscitadíssimo blog!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Universidade de Chousow

Pois é verdade, passei uns simpáticos dias na Ilha Formosa. O primeiro motivo pelo qual cá vim foi para uma conferência na Universidade de Chousow e não podia ter ficado mais bem impressionado. Para além de ficarmos (os conferencistas) lindamente instalados, ainda tivémos uns estudantes todo o fim de semana a mostrarem-nos Taipei, a levarem-nos a almoçar e jantar, etc.. Verdadeiramente impecáveis!

E o mais impressionante é que, mesmo quando nos deixavam tarde de noite no hotel, no dia seguinte de manhã estavam lá com o ar mais satisfeito deste mundo de manhã à nossa espera.

Dois deles, já completamente fora daquilo que a Universidade lhes pediu, ofereceram-se para no próximo fim de semana, quando eu regresso a Taipei para apanhar o avião para Macau, irem comigo a uma montanha com termas – as termas são uma coisa muito típica de Taiwan e muito imbuída na cultura deles… Não se podia esperar mais!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Conferências

Aqui há umas semanas o Prof. Paulo Castro, o meu orientador de mestrado sugeriu-me o desafio de participar numa conferência em Banguecoque sobre Direito Europeu. Eu fiquei super contente porque poderia escrever um artigo que seria publicado nas actas da conferência. Isto, é claro, conta como publicação internacional, o que é importante para promoções. Para além disso, seria a oportunidade de conhecer pessoas ligadas à área, etc. Grande oportunidade mesmo!
Hoje convidou-me para outra conferência sobre Direito Internacional em Taipei. Fiquei parvo! Duas conferências internacionais em tão pouco tempo! Também tenho que escrever um artigo, mas dado que este é na minha área da tese, posso estar a escrever o artigo e a desenvolver a tese ao mesmo tempo, pelo que é só vantagens.
Na semana passada acabei 5 semanas de uma cadeira que estive a dar na Universidade de São José, que é outra Universidade aqui em Macau. Neste momento estou, precisamente, a corrigir os trabalhos dos alunos, para lhes dar as notas e pronto, esse trabalho fica concluído! Assim posso dedicar mais tempo aos artigos e à tese (sem descurar as aulas na Universidade de Macau, claro está).
Estou muito mais animado com o meu trabalho! A certa altura parecia-me que a minha vida profissional estava estagnada, ao que se juntava à sentimental. Agora, pelo menos, só a vida sentimental é que está estagnada... :-) Já não é mau!
E isto segue-se a um fim-de-semana de descanso. Já há cinco semanas que eu não descansava um único dia: todos os dias vinha para o gabinete trabalhar em artigos ou nas aulas da UM ou da USJ, etc.. Soube-me mesmo bem: tive tempo para estar sozinho a passear pelas matas de Coloane; tive tempo para estar com amigos em almoços e jantares; tive tempo para conversar com Deus sobre a vida, pedir-Lhe sinais... E logo que a semana começa, recebo este sinal!...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O Papa e o preservativo

A pedido da Xana (nos comentários ao post aqui em baixo), vou aqui deixar a minha humilíssima opinião acerca desta entrevista do Papa em que SS se pronuncia acerca do uso do preservativo. Há que deixar bem claro que esta opinião é de um Católico...
Julgo que em condições normais, estas declarações de SS seriam absolutamente dispensáveis. Ou seja, SS não muda uma vírgula àquilo que a Igreja anda a dizer e escrever há décadas, em encíclicas como a Humanae Vitae e noutras declarações. Mas as condições não são normais, ou seja, a imprensa tanto ataca a Igreja e faz um tão mínimo esforço para compreender o que a Igreja diz, que a Igreja tem de explicar tim-tim por tim-tim aquilo que sempre defendeu.
Para entender o que a Igreja sempre escreveu sobre o preservativo, tem que se entender umas quantas coisas antes.
A Igreja é conduzida pelos homens, dirigida pelos e para os homens mas não vem dos homens. A Igreja vem de Deus. Foi Deus que a criou através do Seu Filho ("tu és Pedro...") e é Deus que a conduz através do Espírito Santo (só é pena que nem sempre os homens entendam o que o Espírito Santo lhes diz).
Sendo de Deus, a Igreja tem a missão dedirigir os homens a Deus. A Igreja tem a missão de converter os "corações de pedra" e transformá-los em "corações de carne." E levar os homens a Deus é apontar-lhes um caminho de libertação e de amor que é muito diferente dos caminhos que nos prendem e submetem, tirando-nos a liberdade. A isto se chama o caminho de Santidade.
As propostas que a Igreja oferece de Santidade incluem vermos nos outros (no próximo) sempre um fim e nunca um meio. Implica que não devemos usar o próximo para nosso prazer. Implica também não usarmos o nosso corpo apenas para nosso prazer mas respeitá-lo como morada do Espírito Santo que é.
Assim sendo, a Igreja tem defendido que a relação sexual serve como expressão máxima de amor entre um homem e uma mulher e entrega absoluta um ao outro. Esta entrega absoluta é como a entrega absoluta ao sacerdócio. Quer isto dizer: "eu sou todo teu, o que quer dizer que não me entrego a mais niguém, para sempre." E quando é que um homem e uma mulher dizem "eu sou todo teu"? No casamento. Vai daí a Igreja tem defendido há muito tempo que a relação sexual se deve apenas dentro do matrimónio.
Ora, se toda a gente no mundo apenas tivesse relações sexuais dentro do matrimónio, as doenças sexualmente transmissíveis deixavam de se transmitir, certo? Se duas pessoas se casam virgens e não "saltam a cerca", como é que podem ter doenças sexualmente transmissíveis? A não ser, é claro, que haja outras formas de transmitir essas doenças, como é o caso da SIDA (sangue, etc.).
Logo, o que a Igreja está aqui a dizer é que se seguir o caminho que Ela propõe - relações apenas dentro do matrimónio - então o preservativo é inútil, pelo menos do ponto de vista da transmissão de doenças. O que todos os jornalistas vêm dizer é que em África não há fidelidade (até parece que na Europa há) e por isso dizer-lhes para não usarem preservativo é irresponsável. Mas o Papa sempre defendeu as relações dentro do matrimónio. Quem as tem fora (e muitos temos telhados de vidro) pois então já está fora do caminho proposto. É o que eu ando a dizer há anos: a Igreja condena quaisquer violações da vida humana, pelo que será idiota discutir se se deve matar com cadeira elétrica ou injeção. Da mesma forma, se se tem relações fora do casamento, também é idiota interrogar-se se estas devem ser com ou sem preservativo.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Há tanto tempo...

Dada a minha falta de assiduidade como escritor deste blog, presumo que também já pouca gente venha aqui lê-lo. Assim como assim, já lá vai um mês desde a última vez que escrevi...
E o que é que se tem passado na minha vida? Muita coisa!
Em primeiro lugar, depois de já ter começado a escrever não sei quantos artigos jurídicos, finalmente terminei o primeiro. É sobre um arquipélago do Mar da China Oriental que está em disputa entre a China e o Japão. Aqui há uns meses não se falava de outra coisa por estas bandas por causa de um maluco de um pescador Chinês. Ele andava a pescar naquelas águas, que são patrulhadas pelo Japão, foi apanhado pela patrulha Japonesa e esta madou-o ir embora. Em vez de obedecer, ele decidiu albarroar o barco de guerra Japonês. Isto, considerou ele, era uma missão patriótica. Isso, considerámos nós, os estrangeiros que por aqui vivem, era uma piada que ainda provocou bastantes gargalhadas.
Para além deste artigo, que espero ver publicado em Portugal, já estou quase a acabar um segundo artigo para o buletim da Faculdade de Direito da Universidade de Macau. Agora que lhe tomei o jeito...
Em segundo lugar durante um mês estou a dar aulas em tempo parcial noutra Universidade, a Universidade de São José. Isto tem sido um bocado duro porque não tenho tido tempo para nada: 3 horas por dia de 2a a 5a para além do trabalho na Universidade de Macau...
Em terceiro, está cá o meu irmão Gonçalo. Veio procurar emprego e, se ele encontrar, vem também a minha cunhada Rita. De um momento para o outro triplica o número de Alvins na China. :-) Estou a gostar muito de cá o ter porque não tenho assim tantas ocasiões para estar com a família e porque é bom misturar um bocadinho o mundo de Macau com o mundo de Lisboa.
Por último, em Fevereiro vou participar numa conferência sobre assuntos Europeus em Banguecoque pelo que já comecei a escrever ainda um outro artigo para essa conferência. Vai ser a primeira vez que vou participar numa conferência fora de Macau e tenho direito a viagem e estadia paga! Yeay! Tenho é que acabar este artigo que ainda mal comecei em um mês para que ele possa ser publicado no livro da conferência.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Meanwhile, in Mexico...

Estava eu a viver na minha casa na Lapa quando decidi aderir ao couchsurfing, que é um site na internet de troca de sofás para dormir. Basicamente, alguém está a viajar, precisa de dormir numa cidade qualquer, faz um pedido a quem está inscrito no site e viva nessa cidade e fica lá a dormir em casa.
Um dos primeiros couchsurfers que eu tive foi o Isaac, um Mexicano que estava a fazer um mestrado em Paris. Como ele ia na altura do Natal, passou o Natal de 2006 com a minha família, depois foi viajar por Portugal e voltou a Lisboa a tempo de passar o Ano Novo em casa dos meus amigos Mariana e Tiago que lá fizeram uma festa.
Desde disso fui "falando" com ele no msn, trocando mails, comentando facebook... Uma amizade à distância, mas uma amizade.
No fim de Junho mandou-me um mail a pedir-me opinião. Estava a dar aulas numa Universidade no México mas estava cheio de planos: tinha uma boa oferta de trabalho em Paris, queria fazer o doutoramento, etc. Eu respondi com uma longa opinião (quem me conhece...), debatemos as alternativas no msn e ele estava todo animado com a ida para Paris.
Desde aí que não o encontrava no msn mas não estranhei, porque por vezes só encontro amigos no msn de meses a meses.
Ontem o facebook disse-me que ele fazia anos. Deixei-lhe uma mensagem de parabéns na wall a perguntar o que era feito. Passadas umas horas recebi uma mensagem de uma ex-aluna a dizer-me que ele tinha morrido mas não dizia mais nada. Fui ver a wall dele, mandei umas mensagens a uns amigos dele e foi aí que fiquei a saber toda a estória. Ele estava a viver em Monterrey onde partilhava casa com uns amigos. A 6 de Julho eles foram sair à noite. Ele não quis ir e nunca mais foi visto. Não se sabe se decidiu ir dar uma volta à noite ou se acordou mais cedo que os amigos e saiu de casa de manhã... Só se sabe que desapareceu.
Passados quase dois meses foi encontrado o corpo dele numa vala. Fez-me impressão porque ele era novo, era um amigo, tinha sonhos e ia fazer um doutoramento na área do comércio justo e protecção do ambiente... Faz-me impressão porque de tudo o que consegui saber, isto já é normal no México: as pessoas desaparecem e são encontradas em valas comuns ou nunca encontradas.
E este tipo de coisas acontecem com Mexicanos, com turistas, com "gringos" Americanos em negócios, etc.. Acontecem em todas as cidades Mexicanas, acontecem na Riviera Maia, Cancum, etc.. E quando acontecem, podem dilacerar a vida de uma família e de um grupo de amigos, mas já nem aparecem nas notícias porque já são banais.
Não sei se é de eu estar a viver na Ásia onde estas coisas se acontecem, é só nas Filipinas e não em tão grande quantidade, mas isto para mim não é normal. Não é mesmo!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Afinal de contas...

Afinal de contas não sou o único a achar piada à situação do Passos e do Sócrates:
http://www.youtube.com/watch?v=BvFz1QWhLok

Uma manhã em Macau

Hoje o meu dia começou de forma engraçada.
Estava eu a tomar o pequeno almoço na varanda quando chega uma carro para estacionar a um lugar enorme do outro lado da rua. Tenta uma vez, manobra de um lado para o outro, não consegue, tira o carro, volta a tentar, quase atropela duas Filipinas que tinham deixado as crianças na escola ali ao lado, elas fogem com medo (talvez tenham tido medo que fosse alguém a querer vingar-se dos Filipinos por aquele assalto ao autocarro aqui há um mês), ela volta a tirar o carro... Da cozinha corro para o quarto para apanhar a máquina de filmar, enquanto procuro a máquina ele tenta uma terceira vez (atenção, o lugar era enorme) e quando chego à janela, já com a máquina em punho já ele voltou a tirar o carro e está à espera, acaba por desistir e vai-se embora. Nessa altura chega outro carro, do mesmo tamanho, que estaciona em 10 segundos.
E foi assim que o meu dia começou!

sábado, 25 de setembro de 2010

Esta é a resposta às minhas dúvidas, inquietações e incertezas musicais vinda directamente do Marcos, cantor de ópera e professor de música:

Não fiques triste nem angustiado que a tua pessoa afinal, até é humana e reconhece os seus erros...ahahahah
Então é assim, infelizmente a maioria das pessoas ( pensa q a musica clássica ) é uns plim plins pá aqui e outros trim trim para lá...e não é nada mesmo, É UM MUNDO ENORME!!!! Tem imensas coisas para saber e imensas categorias para dominar! Mas isto não se faz assim de um dia para o outro...á q estudar e perceber a diferença entre um Largo e um Larghetto ( se bem q existe uma medida q se chama o metrónomo que categoriza estas diferenças) mas no tempo de Mozart os Largos eram de uma medida e por exemplo em Schubert o mesmo nome largo não tem o mesmo andamento...enfim uma complicação!!!
Mas aqui vai uma pequena ajuda, os largos, allegros, allegrettos, moderatos assai, etc são os andamentos q os compositores propõem para se tocar as suas musicas e que corresponde á medida q está no metrónomo!
Agora outra coisa é qdo vês tipo Allegro em Bminor op.21 ( este opus e o numero foi a medida usada na altura para se categorizar nas bibliotecas as partituras, pois muitasd delas, ou seja grande maioria não tem nome e assim ao longo dos tempo ficou esta maneira de categorizar em especial os compositores do periodo classico Mozart, Haydn e depois mais tarde schubert )
Em relação ao B minor, se calhar não sabes mas os ingleses e alemães e americanos com a mania das diferenças em vez de chamarem as notas de musica por Dó ré mi, chamaram nas por letras..conceito este completamente errado e q hj em dia nos EUA se quer mudar... ou seja a o Lá q é a nota universal de afinação de todos os intrumentos corresponde a letra A e depois o Si ao B e dpois o Dó ao C e e por aí adiante. Então outra coisa as musicas têm uma tonalidade ou seja tu ouves uma musica e há uma tonalidade q encaixa nessa musica como se fosse a casa mãe.. só te posso ajudar se tiver ctgo a ouvir uma musica ao piano para perceberes!
Concluindo qdo vés uma coisa q diz Largo assai opus 21 em Bmajor - Largo é o nome do andamento da musica, o opus21 é a nivel bibliotecario q o categorizaram dessa maneira e por isso passou se a utilizar esse opus para a designação das musicas e o B é a tonalidade qé em Si e o major quer dizer Si Maior!!!
Não te recomendo nenhum site, pois não conheço nenhum de jeito para este tipo de coisas!

E a Constança, noiva do Marcos e melómana amadora, acrescentou uma explicação que também ajudou porque eu não estava bem a perceber o que era um andamento:

So um apontamento - Mano: o andamento eh a velocidade com que se toca a musica. por explo os allegros sao no geral mais rapidos e os largos mais lentos.

Ao que eu concluí em resposta aos dois:

ah, as coisas começam a fazer luz na minha cabecinha... mas, pelos vistos a complicação está na categorização. porque é que hoje em dia não se cria um padrão universal de andamento e se categorizam as músicas dessa forma: todas com uma certa velocidade, sejam de mozart ou de haydn, do séc. XVII ou do séc. XX, seriam chamadas allegro, etc.
cá para mim não se faz isso pelo mesmo motivo pelo qual não se fazem as leis fáceis de entender. se o direito fosse fácil de entender, os juristas ficavam no desemprego e se a música também fosse fácil de entender, eram os músicos que faziam fila para o rendimento social de inserção.
com tanto curso disto e daquilo que a casa de Portugal em Macau faz, eu vou sugerir que façam um curso de música: não para aprender a tocar mas para aprender a ouvir. porque quando a malta percebe melhor da coisa, também passa a gostar mais.

Portugal: um bom exercício abdominal

Estava aqui a ler as notícias Portuguesas e concluí que fazê-lo é melhor do que fazer abdominais, dado que se trabalha a mesma área com gargalhadas.
Que toda a gente sabe que Sócrates é mentiroso, toda a gente sabe, mas até agora ninguém o tinha dito assim claramente na comunicação social. Ora o que se passou, passo a passo, é hilariante:
-Passos Coelho foi negociar o orçamento com Sócrates dizendo de antemão que negociava tudo menos o aumento de impostos.
- Sócrates deve ter achado que lhe dava a volta, não conseguiu e depois acusou Passos Coelho de se cortar às negociações.
- Passos Coelho respondeu que só tinha negociado porque tinha deixado bem claro que a base para a negociaçõe era o não aumento de impostos.
- Sócrates veio desmenti-lo.
- Quem não se sente não é filho de boa gente e Passos Coelho, que estava a ser chamado de mentiroso, respondeu que, assim sendo, não volta a ter reuniões a sós com Sócrates para poder ter testemunhas de que não estava a mentir.
É só a mim que isto parece ser uma coisa saída de uma sitcom britânica?

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Ignorante e forrado do mesmo

Segue-se o mail que escrevi ao meu amigo Marcos, tenor e pessoa da música, mail esse que reflecte o meu estado de espírito de momento (sim, mas o meu espírito é volúvel).
Marcolino, ando triste, angustiado, perturbado, deprimido... Já o sono não me vem como dantes, já os meus dias passam uns pelos outros, longos e sofridos sem me proporcionar a alegria que dantes me proporcionavam.
E tudo isto é culpa da música clássica.
Na semana passada fui a Zhuhai e, para além da massagem do costume seguida de pédicure, da lauta refeição e da compra de coisas que nunca antes me tinha passado pela cabeça comprar, como uns patins em linha, comprei também imensos CDs de música clássica daqueles da Deutsche Grammophon. É que eu gosto de ouvir música clássica enquanto trabalho, enquanto leio, enquanto estão lá uns amigos em casa a partilhar uns vinhos e uns queijos... Estás a ver a cena, certo?
Mas isto, em vez de me trazer alegria trouxe-me uma angústia. É que eu tenho-me na conta de uma pessoa culta, evoluída e sofisticada. De uma pessoa que domina os clássicos como Aristóteles, Platão, Sócrates, São Tomás, Kant, etc. mas também os modernos como Heyek, Durkins, Dippel... Vá, uma pessoa que sabe a sua história, que conhece as dinastias chinesas, está à vontade em relacionar as dinastias europeias...
Ora, a música clássica veio fazer com que esta enorme estima que eu tenho por mim mesmo como uma pessoa culta caísse vertiginosamente.
Mas o que raio vêm a ser estas coisas do demo do Allegro, Larghetto, Alegretto, Andante, Allegro Assai, Rondeau...? Porque é que as músicas não têm nomes e alguém escolheu chamá-las nomes do matrafona como "No. 21 B-dur: Cantabile (in B flat major)"!!!
Mas porque é elas não são chamadas: brincadeiras dos coelhos na relva, ondas na praia do paraíso ou bater de asas dos querubins?!
Estas interrogações e a realização de que não percebo uma pataca furada de música clássica e que, por esse motivo, não me posso voltar a ter na boa conta de pessoa culta, de pessoa que, vá, é uma pessoa do mundo, da sociedade, têm-me deixado deprimido.
Pensei recorrer a um psicólogo, mas achei que ele não poderia resolver o meu problema (até porque ele teria que começar por outros problemas mentais que eu não quero ver resolvidos). Vai daí, recorro a ti. Que sites ler? Que livros consultar? Como é que eu posso perceber a diferença entre um Allegro e um Alegretto para, imagina tu, estando eu em casa de uma pessoa de respeito poder dizer: "ah, gosto imenso desta composição em Dó bemol Allegretto ma non troppo! aliás, bem sei que isto é de Mozart mas quase me faz lembrar a fase inicial de Schubert em que ele compunha muitos Alegrettos em dó bemol." Se eu pudesse dizer uma coisa deste género sem soar a perfeito disparate, seria uma pessoa, vá, mais feliz. Ou pelo menos, mais contentinho com a vida.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Dois já lá vão...

Este ano, durante o Verão, estive três semanas em Haia a fazer um curso de Verão e três semanas em Portugal a descansar. Ao fim destas seis semanas, estava eu a fazer a mala para voltar para Macau quando me decidi pesar. Esta decisão nasceu simplesmente do facto de eu precisar de pesar a mala e querer testar se a balança em casa dos paisinhos estava boa. A primeira conclusão é que estava avariada, mas, graças a Deus, os paisinhos tinham outra balança. Infelizmente também estava avariada. É que as duas davam-me 76kgs, o que quereria dizer que eu em seis semanas teria engordado seis kgs. Impossível!
Queixei-me à Mãezinha que me assegurou que as balanças estavam boas e para o demonstrar pesou-se e disse "este é o meu peso certo!" Voltei a pesar-me: podia ser que a balança estivesse antes numa posição estranha... Ante o meu espanto (e também o da Mãezinha) confirmou-se: eu tinha engordado seis kgs nas férias!
No dia a seguir a chegar a Macau, ou seja, ainda nem há duas semanas, comecei a fazer dieta. Ando-me a cortar a almoçaradas e jantaradas de buffet, a sobremesas e a escolher, em geral, coisas mais leves. Também queria ter feito mais exercício mas ficar doente não ajudou e tive que me abster disso. Por último o próprio clima de Macau tem-se mostrado propício: estou sempre a suar!
Pesei-me agora, a medo, na balança que tenho de devolver à Isabel. Em menos de duas semanas dois kgs já se foram. É aproveitar agora e perder já tanto peso quanto possível, antes que chegue o tempo ameno de Outubro.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Perdi o piu

Se há coisa que me deixa fulo é perder o piu. Infelizmente isso acontece mais vezes do que ao comum das pessoas: talvez porque, por hábito, piu mais do que o resto das pessoas...
A verdade é ter que me reabituar a Macau, com sítios com ar condicionado frios e secos e sítios exteriores quentes e húmidos, juntando a dar aulas e estar a falar não sei quantas horas seguidas, sair daí e ir para um bar falar alto, inalar fumo (sim, Macau ainda não proíbe fumo nos bares, para grande raiva minha) e beber cerveja gelada... Tudo junto deu cabo da minha normalmente tão maravilhosa voz.
Agora, graças a Deus, já estou melhor, mas tive que usar o microfone para dar aulas e fui bebendo água a cada 5 minutos. Mas ainda não estou preparado para dar um concerto de fado; os meus muitos fãs vão ter que esperar.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Flatmate Willem

Depois de receber umas quantas reclamações durante o verão sobre o facto de não escrever no blog, vinha para Macau apostado em escrever mais, mas, helace (!), este é o meu 1º post deste ano lectivo. Esta é uma vida dura...
E este 1º post é para dizer que já não vivo sozinho, neste momento partilho casa com o meu amigo Willem - na fotografia aparece na minha festa de abertura de casa (de polo azul) com o Bjorn (de polo preta) e a Yuyu.
Eu não estava a pensar partilhar casa, dado que já estava muito maniento com os meus hábitos e não me apetecia mudá-los. Eu já tinha adquirido toda uma rotina matinal que espantaria até um chefe de cerimónias Japonês.
No entanto, todavia, contudo... Três razões levaram-me a mudar de ideias.
A 1ª é que o Willem é um grande amigo, divertido, respeitador e altamente de confiança. Achei que ele não me iria chatear muito. A 2ª é que ele acabou o curso (já durava há uns bons 8 anos), começou um mestrado e estava um bocado a contar os tostões. Ora, dado que o preço das rendas em Macau aumentou bastante no último ano e que ele, se arrendasse uma casa nova teria que pagar logo 4 rendas de adiantamento (pois! 4!), a coisa ia ser bastante difícil. A 3ª razão foi, porecisamente não me querer render ao facto de me tornar maniento.
Ele já cá está hámais de uma semana e, de facto, tem sido facílimo habituar-me. Um exemplo: como ele sabe que eu sou anti-tabágico primário, nem nunca me perguntou se podia fumar em casa, sempre foi fumar lá para fora. Outro exemplo: o modem da internet está instalado no quarto dele, o meu antigo gabinete, pelo que antes mesmo de eu chegar a Macau ele comprou e instalou um wireless. Ah, e esse tipo de coisas é uma outra grande vantagem: ele não é um atrasado mental das novas tecnologias como eu: instalou-me o office no novo portátil, faz-me downloads de imensas coisas úteis, etc.. Começo a ver como o mundo das tecnologias, afinal de contas tem muitas vantagens.
Desvantagem: neste momento não posso receber convidados, a não ser que não se importem de ficar num sofá desconfortável na sala, E mesmo assim, como é óbvio, antes tenho que perguntar ao meu flatmate se ele não se importa. :-)

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Miúda inteligente

Este fim de semana fui da Haia ao Luxemburgo visitar os meus amigos Alexandra e Vitor que estavam à espera do primeiro dos seus cinco filhos. Bem, esta primeira frase foi inexacta dado que o primeiro era uma primeira, a Catarina. Ora, já de dentro da barriga da mãe a Catarina deu provas de ser uma criança inteligente e com refinado gosto auditivo.
Tal como São João Baptista que do ventre de Santa Isabel rejubilou com a saudação de Nossa Senhora, a Catarina também rejubilou ao ouvir-me a conversar com os pais durante o jantar na Sexta-feira. De dentro da barriga da Alexandra, a Catarina ouvia encantada aquela voz que tinha vindo do Oriente (isto é misturar a estória de Nossa Senhora com a dos Reis Magos). Mas ouvir a voz não lhe bastou, ela queria ver com aqueles pequeninos olhinhos a origem de tão maravilhosa voz. Vai daí, ao acordar no Sábado e ao sair do quarto, a Alexandra saudou-me com a notícia: rebentaram as águas, tenho que ir para o hospital. Eu entrei em frenesim: "não te preocupes, eu nem tomo banho, vou-me vestir e estou pronto em 40 segundos".
Mas não eram esses os planos da Alexandra e do Vitor que estavam serenos como se nada se estivesse a passar. Tive tempo para tomar banho, vestir-me a rigor para receber a Catarina neste mundo, estivémos os três a tomar o pequeno almoço porque a Alexandra depois de entrar na secção de partos já não podia comer e mulher prevenida vale por duas.
Fomos para o hospital onde nasceram todos os membros da família Grã-Ducal (pormenor de que muito gostei), eles entraram para o bloco, eu fui passear pelo Luxemburgo (e que bonita cidade que é!) e ao fim da tarde regressei para visitar as duas meninas. Tanto a Alexandra como a Catarina estavam óptimas, com um aspecto super saudável e contente.
A Catarina, continuando a dar provas da sua prematua inteligência, esteve um bom quarto de hora a dormir consoladamente nos meus braços enquanto eu falava com os pais embalada pelo som desta voz que já foi comparada à de Pavarotti, à de Plácido Domingos, etc..
Que miúda tão inteligente! Fossem todos os adultos assim tão inteligentes e musicalmente sensíveis e a esta hora, em vez de eu estar a acordar em Haia, estava a acordar em Milão depois da minha última actuação no Scala.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Dia das derrotas da barriga

Ontem foi o dia das derrotas!
Comecei o dia a ser duramente derrotado em três jogos de squash seguidos contra o Pedro, um noivo que durante a sua lua de mel fez uma pausa da sua noiva para me humilhar no squash enquanto a Diana, a própria da noiva, se lesionava numa porta amaldiçoada.
Terminei o dia a tentar vencer a Alexandra que insistia que a sua Catarina era maior que a minha barriga. Depois de um grande esforço de observação, depois de estudar cada ângulo da barriga da Alexandra e da minha barriga, concluí que provavelmente ela tem razão: julgo que a Catarina é um ou dois cms maior que a minha barriga.
Ou seja, uma barriga grande de mais para me permitir ganhar no squash e pequena de mais para me permitir ganhar na comparação com a Alexandra.

terça-feira, 6 de julho de 2010

A ver se ganho o concurso


Estava-me a queixar à Xana que estou com uma grande barriga. Ela desafiou-me a pôr uma fotografia aqui no blog para que ela pudesse comparar com ela. Deve achar que só porque desde há uns sete meses e meio para cá tem visto a barriga a crescer muito, isso pode bater o facto de eu já ter a barriga a crescer há 29 anos. Vamulávêri!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Caiu-me nos braços

Hoje, ao sair do Consulado da China em Macau, chovia a potes. Mal abro o chapéu de chuva, uma senhora que estava a contemplar a chuva vem a correr para mim e abraçou-me a rir-se muito. Lá lhe dei a "boleia" que ela queria até à paragem de autocarro mas fiquei muito surpreendido de me cair assim uma chinesa nos braços: elas são sempre tão púdicas ao toque, principalmente com guailos (estrangeiros)! Já percebi o segredo: a ver se da próxima vez escolho abrir o chapéu junto de uma mais nova...