sexta-feira, 3 de novembro de 2006

Château decorado

Já há muito tempo que eu não dava aqui novidades sobre o Château d'Alvim, a minha alegre e ampla mansão de quase 50m2... Ora o Château está a ficar cada vez mais giro, cada vez mais nobre e imponente como devem ser todos os Châteaux. E de quem é o mérito disto, de quem é? Todo meu, que soube escolher, ao longo da vida, a família e os meus amigos de entre as pessoas com mais bom gosto no mundo e quem sabe até talvez em Portugal.
Para começar, foi muito importante a decoração da casa de banho. Eu não mexi uma palha: foi um grupo de amigos que a decorou como presente de anos e o resultado foi excelente (vá, com uma excepçãozinha, que aquele tapete tem muito que se lhe diga... não é Raposinho?).
Fundamental foi também a ajuda da Tia Tuxa que me forneceu a cama, mesa e cadeiras e um quadro que é altamente elogiado por todos os visitantes do Château. Já para não falar na minha Mãezinha, coitadinha*, que andou a carregar comigo uns quantos móveis que estavam na arrecadação e que se adaptaram ao Château como uma luva. Esses móveis eram uma cómoda e um armário de cozinha todos pintados com arte e mestria pela minha cunhadíssima, que também me deu recentemente umas cadeiras que me faziam falta para receber mais pessoas.
E os amigos (principalmente amigas) que ajudam com escolhas e decisões. Tal é o caso da Inês e da Francisca na escolha dos sofás, da Isabel que me fez um candeeiro muito elogiado mas ainda não pendurado porque ainda não descobri como é que isso se faz e, mais recentemente, da Constança, da Maria João e do Marcos.
A Constança foi-me ajudar a montar os sofás e logo fez 1001 esboços de como ficaria a minha sala pintada das mais diversas maneiras. Esta estava enjoadíssimamente branca e a escolha recaiu sobre côres bem vivas como o encarnado "sangue de touro" e o amarelo. Na 4.ª pusémos mãos à obra com a Maria João, o que resultou numa sala muito mais gira e alegre e num dia bem divertido. Enquanto a Constança nos ensinava as técnicas de pintura com esponjados, a Maria João subia para os meus ombros, eu subia o escadote e com muito malabarismo lá pintávamos a parede até ao tecto.
Para além disso, mostraram-me como é que eu podia deixar de ter um T1+1 e passar a ter um T1+2. Deste modo, em vez de ter uma sala, passei a ter uma sala-de-estar e uma biblioteca (o que é uma divisão fundamental para alguém a viver sózinho e convictamente sem televisão).
Como já tinhamos amarelo e encarnado, decidimos fazer côr-de-laranja e pintar a casa de banho. Infelizmente aqueles tons de amarelo e encarnado não o permitiram, pelo que tivémos que comprar um pigmento e ontem o Marcos substituiu a Maria João. Com os seus 1,90m, ele dispensou escadotes, ombros e tudo o mais e sózinho com o braço bem estendido, lá chegava até ao tecto. Mais uma vez, o resultado não podia ser melhor.
A todos estes: muito obrigado! O Château continuará sempre aberto* para vos receber.
*Reparai que sempre que eu digo Mãezinha, sigo de coitadinha. Não é por nenhum motivo especial, porque a Senhora minha Mãe até é uma pessoa feliz, é só mesmo porque fica bem.
* Figurativamente, senhores ladrões, porque ele até tem muita protecção, não pensem que me chegam às inúmeras tapeçarias gobelins, pratas e companhias das Índias.

quinta-feira, 2 de novembro de 2006

Marizámos bem!

Depois de andar por aqui e ali, a Mariza deu um concerto no Coliseu dos Recreios que encheu até cima. E quando eu digo até cima, digo literalmente até cima, porque eu estava onde mais alto não podia estar, nas galerias, e aquilo também estava cheio.
Não desiludiu! Cantou, encantou e eu saí de lá com a sensação de que queria mais CDs dela.
Dialogou com o público contando estórias da sua história, cumprimentou os amigos que estavam na plateia, deu um autógrafo a uma miúda de oito anos que foi ter com ela com um bloquinho na mão (a sorte premeia os audazes) e mostrou-se como diva confiante.
Eu, por mim, gosto bastante do estilo diva confiante que nos faz falta em Portugal... Em tempos que já lá vão tivémos a Amália, a Simone de Oliveira, a Madalena Iglésias, hoje em dia temos a Mariza. Faz-nos falta mais.
O fado dela tem toques de samba, morna, jazz e bossa nova: é um fado do mundo, daí ser tão bem aceite fora de Portugal. Não me interpretem mal, sou fã incondicional do fado típico só com as guitarras portuguesa e clássica cantado num ambiente escuro por um(a) fadista vestido(a) de preto gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Apela ao lado fatalista e trágico que de vez em quando se revela em mim e à esperança que ainda tenho que numa manhã de nevoeiro chegue o Dom Sebastião que resgatará o país de sei lá o quê que ele precisa de ser resgatado.
Mas também gosto muito deste fado-canção mais alegre, descontraído e cosmopolita. É um óptimo fado para exportação e também para consumo interno. É um óptimo fado para cantar enquanto limpo a casa ou para ouvir enquanto recebo amigos.

terça-feira, 31 de outubro de 2006

Fernando

Isto é gravíssimo!
Vou já chamar o Fernando...

Prioridades

Que difícil é estabelecer prioridades!
Quando somos confrontados com as mais diversas escolhas que se impossibilitam umas às outras temos que decidir quais vão ser as nossas prioridades e parece que hoje em dia somos não só confrontados com inúmeras escolhas, como com inúmeras possibilidades dentro de cada escolha.
E isso é assim da coisa mais pequena à maior...
Imaginai-vos a viver no Século XIV - os homens seguiriam o ofício dos Pais, homens e mulheres casariam com quem os Pais decidissem e todos viveriam muito provavelmente o resto das suas vidas na terra onde tinham nascido e em convívio com as pessoas que conheciam desde a infância. Os fidalgos muito provavelmente morriam fidalgos e os comuns muito provavelmente morreriam comuns.
Não tinham que fazer escolhas, o que até lhes facilitava a vida mas tinham que viver as escolhas dos outros, o que deveria dificultar em grande parte essa mesma vida.
Se estamos a falar das grandes opções, também podemos falar das pequenas: vestiriam aquilo que os tecelãos da terra faziam, calçariam o produto dos sapateiros locais e comeriam o que dava naquela terra naquela altura do ano.
Só a partir do momento em que tinham que tomar decisões para os filhos é que seriam confrontados com as prioridades: vou escolher para o meu filho aquela rapariga que tem como dote uma terra muito boa junto da minha mas que é má como as cobras ou aquela que tem um dote menos valioso mas que será uma mulher muito melhor para ele? Tenho como prioridade a felicidade conjugal ou a felicidade patrimonial do meu filho?
Mas quando as decisões não são tomadas para nós, o peso deve ser mais leve... Não sei...
Julgo que ninguém hoje em dia quereria viver num sistema como o Medieval, mas também julgo que nenhum Medieval confrontado com o nosso sistema quereria viver nele. Eu, por mim, gosto de poder fazer as minhas escolhas, por mais difíceis que estas sejam...

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

O maior Português da História

A RTP decidiu lançar o debate sobre o maior Português da nossa já longa História de quase nove séculos. Ora eleger uma só personalidade não é fácil…
Eu, que adoro História, estive francamente indeciso. Acabei por escolher a minha personagem preferida não só pelo que marcou Portugal e o Mundo mas pura e simplesmente porque é alguém que muito admiro… E gostos não se discutem!
No top cinco estavam, para além do eleito e por variadas razões, Dom Afonso Henriques, Dom Dinis, Nun’Alvares e Dom João II.
Mas outros havia de quem gosto muito e que não estavam longe destes: a Rainha Santa Isabel (que tinha só o inconveniente de não ser Portuguesa de origem), João XXI, Pe. António Vieira, Vasco da Gama, Dom Afonso de Albuquerque, Mouzinho de Albuquerque, Dona Filipa de Vilhena, Dom João IV, etc.
Acabei por escolher Fernando de Bulhões, mais conhecido por Santo António de Lisboa. Como Cristão foi um exemplo a seguir pelo seu estudo das questões Teológicas e pela importância das suas reflexões. Como carácter é alguém a quem devemos a nossa maior admiração pela sua coragem e força de vontade, procurando ir para Marrocos quando tudo o desaconselhava e não procurando agradar aos poderosos mas sim servir os pobres.
Tenho muito orgulho deste grande Português! Tenho muito orgulho de ter chegado à Igreja Paroquial de Shantou, cidade perdida algures na China, e ter visto, mesmo ao lado do altar, a imagem deste Santo. Tenho muito orgulho na sua decisão de seguir o grande reformador da Igreja do seu tempo, São Francisco de Assis. Tenho muito orgulho na sua escolha da pobreza, especialmente quando vinha de famílias fidalgas e abastadas…
Amanhã acabam as votações. Devo confessar que estou muito curioso de saber os resultados… De saber quem está no Top10 Português…
Em princípio devem dizer na 4.ª, dia de Todos os Santos… Será que nesse dia ganha o nosso Santo mais popular?

Eneagrama

Há por aí certas e determinadas pessoas que não sabem avaliar os outros e que não percebem nada de nada de feitios que dizem que eu tenho mau feitio!!! Eu??? Este anjo... Mau feitio!!! Até me apeteceu partir-lhes a cara toda só por dizerem uma barbaridade dessas!
Felizmente contive-me e estou a planear uma vingança bem melhor...
Daqui a uns tempos vou fazer um Eneagrama, que é uma espécie de um curso de auto-conhecimento que já se faz há 2500 anos, baseado em 9 números que contém as características fundamentais das pessoas. Durante um fim-de-semana as pessoas vão fazendo uma série de testes e vão percebendo mais sobre a sua personalidade, sobre as suas reacções, etc.
Como deveis estar a imaginar, eu nem preciso nada disso. Se há pessoa que se conhece a si mesma, essa pessoa sou eu. Sei perfeitamente que sou um anjo, um docinho de pessoa, com um feitio exemplarmente bom... Isto para além de ser uma dádiva de Deus às mulheres, claro está!
Mas vou fazer este curso só para que o Senhor Padre que o orienta escreva isto num certificado de bom feitio para eu poder esfregar na cara dessa gentinha que só sabe dizer barbaridades!
Ainda estou chocado com esta afirmação! Que desplante!

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

I Want It That Way——Backdorm Boys

Já nem vale a pena dizer quem são estes miúdos, pois não?
Vejam a parte do fim, com as partes em que eles se enganam e entram pessoas no dormitório e eles depois continuam com o seu estilo inconfundível como se nada fosse...

Casual Friday

O nome é Inglês, a ideia cheira-me que também deve ser, o propósito é-me desconhecido mas lá que sabe bem, sabe...
No escritório onde eu trabalhava antes de rumar ao Império do Meio usava-se ir-se mais relaxado à Sexta Feira, o que acabava por ser um stress maior porque não levávamos fato mas tinhamos que levar spatos mocassins à mesma. Ora, como eu não tinha nem queria comprar sapatos mocassins que não fossem pretos (era o que mais faltava estar a gastar dinheiro para uns sapatos para usar uma vez por semana) e não gosto de usar mocassins pretos sem fato, ia de sapatos-vela e levava sempre na orelhas.
Na China não havia tal coisa porque todos os dias eram "casual day"- quando dava aulas nas Universidades ia de calças, sapatos-vela e pólo e quando não dava ia de ténis, calções e tshirt. Na estação das chuvas e muito excepcionalmente até condescendi em usar aquelas xanatas de enfiar a dedonga porque os pés secam e os ténis não. Como é óbvio nem trouxe as xanatas para Portugal!
Aqui no Ministério, decidi fazer o "casual Friday" durante o Verão- foi da minha própria iniciativa porque mais ninguém o fazia, mas pelo menos um dia por semana conseguia não chegar todo suado ao trabalho. Com o Outono foi-se o hábito mas hoje retomei-o.
O caminho para o Ministério foi feito como se estivesse a passear por Lisboa quase* como num fim-de-semana. E, mais do que nunca, reparei como o percurso Château d'Alvim - Ministério é lindo! Vistas inesperadas do Tejo, árvores a espreitar de jardins suspensos, ruas que se contorcem melancólicas e prédios com curiosas velhotas nas janelas...
Que pena não ter trazido a my precious comigo! E se nos outros dias não reparo nestas coisas a culpa de é toda do fato, da gravata e dos mocassins: que desconforto!
*Sim, quase, não estou de tshirt nem nada que se pareça...

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

Pablo Francisco


"Conheci" este senhor num jantar em casa do Frank e acho que vale bem a pena partilhá-lo com o resto de Portugal.
Eu disse ao Frank que ele não era conhecido em Portugal, mas não tinha muita a certeza porque sou uma personagem um bocado estranha que escolheu não ter TV em casa, por isso estou sempre "out" das novidades. Aqui entre nós, mesmo quando vivia em casa dos meus Pais já era assim e tinha sempre a televisão disponível.
Cá para mim é um daqueles casos em que já toda a gente conhece o gajo e eu aqui a achar que estou a fazer um serviço à Pátria ao torná-lo acessível ao público Tuga...

A Lua pode esperar

Depois de acabar de ler "a Lua pode esperar", o Gonçalo Cadilhe tornou-se oficialmente o meu herói e o seu modelo de vida tornou-se a minha ambição platónica!
Muito pelas viagens que ele relata. Muito pela maneira leve e despretensiosa como ele o faz. Muito pela vida que leva. Acima de tudo pelo último capítulo com os seus conselhos de viagem misturados com as explicações do porquê das suas escolhas.
O que é que leva um homem da Figueira da Foz (como eu), licenciado (como eu) com um emprego "sério" (como eu) [reparásteis bem na quantidade de coincidências?] a mandar tudo às malvas e a tornar-se viajante profissional?
Ele no livro explica isso... O que ele sempre gostou acima de tudo de fazer na vida foi ler e viajar (não me quero tornar repetitivo mas: COMO EU!) por ter sempre curiosidade de estar perante novas perguntas e novas respostas para essas perguntas feitas e dadas por novas e diferentes pessoas que se interligam no mundo numa teia cada vez mais forte de relações e pensamentos.
E agora entro eu: e eu? Porque é que não mando tudo às malvas e não sigo o exemplo do GC?
Admito que, acima de tudo, por uma certa cobardia. Não tenho muito medo físico; tenho mais medo da solidão, da falta de laços e de relações... Uma coisa é ir viver uns tempos para fora, para outro país onde se conhecem novas pessoas e se fazem novas amizades. Um novo lugar onde se constroem novas relações estáveis: eu tive a sorte de encontrar na China pessoas tão fantásticas como a Amy, o Mário, o Chris, a Nicola, a Giulia, a Grainne e a Caominhe, o Peetu e o Munesh, etc. Como todos eles cimentei amizades, construí relações que, tenho a certeza, hão de durar por muito mais tempo.
Será que isso é possível andando a saltitar com uma mochila às costas de um lado para o outro? Claro que é possível conhecer gente óptima e ter conversas muito profundas, o que até é potenciado pelo facto de se estar longe de tudo e não se ter vergonha de se saltar logo para a verdade. Mas dará para cimentar essas amizades? Dará para as desenvolver por mail depois de uma semana de partilha de uma experiência?
Mas não é por estes meus medos que a vida do Gonçalo Cadilhe vai deixar de ser um modelo para mim: um modelo platónico, à distância, apenas no pensamento, mas um modelo mesmo assim...

Desabafo do dia...

Consta que as barragens já estão quase cheias. Muito obrigado por toda esta água, ela agora pode deixar de vir!
Os utentes do país agradecem!

quarta-feira, 25 de outubro de 2006

Boemerang


E quando uma pessoa não se aguenta e tem mesmo que rir? O que é que há-de fazer?
Esta é a triste estória do que aconteceu a um apresentador Belga de televisão e que pode acontecer a qualquer um de nós nas situações menos apropriadas.
A minha irmã e eu, por exemplo, temos experiência em não conseguir parar de rir em situações que não aconselham gargalhadas...

Morte

Sempre se nasceu e morreu e a morte é tão sómente o último passo da vida, no entanto é difícil encará-la desta forma fria e simplista.
De facto a morte é o adeus por excelência e quando o adeus é dito a alguém de quem gostamos muito é como se parte de nós nos fosse arrancada.
Ser Católico ajuda a compreender que as pessoas não "desaparecem" e que se encontram em plenitude com Deus. Ajuda também a encarar a morte como uma celebração da vida das pessoas que partiram. Mas, dê lá por onde der, não ajuda a deixar de ter saudades...
Desenganem-se aqueles que julgam que a fé é um bom antídoto para a dor e que "Católico não sofre"* tal como há 50 anos se acreditava que "homem não chora." Católico sofre, sente saudades, não compreende nem aceita e até se revolta, tal como qualquer outro dos comuns mortais.
A única diferença é que, no meio disso tudo, o Católico acredita que há dois mil e tal anos nasceu um menino em Belém da Palestina que venceu a morte e que, por isso, do meio da dor nasce a esperança e da esperança há-de nascer de novo a alegria. E isso faz toda a diferença!
* Ainda há pouco tempo disse isto a um amigo que quase me bateu: mudei radicalmente de idéias.

terça-feira, 24 de outubro de 2006

Grafittis

Grafittis... Há quem lhe chame arte urbana, quem lhe chame expressão de cidadania quem lhe chame uma série de coisas... Eu cá acho que se tem que destinguir muito bem entre diferentes grafittis.
Há aqueles todos giros, cheios de desenhos de rappers, skaters e com alguns trechos humorísticos ou até de intervenção política que são feitos em grandes paredes nuas tipo ali na 24 de Julho. Desses, devo confessar, até que gosto. Acho que dão uma certa côr e alguma modernidade a Lisboa e lá que devem ser difíceis de fazer, devem.
Atenção! Desde que não sejam no centro da cidade mas mais em espaços abertos e longe, muito longe, do património artístico e monumental da cidade.
Mas esses não são os mais comuns. Os mais comuns são uns gatafunhos com umas assinaturas idiotas tipo "skat" ou "blue bros" que enchem as paredes da cidade e as tornam feias, sujas e deprimentes. Mas como é que essas pessoas não percebem o feio que aquilo é???
Então e os tradicionais "Sandra love Rúben" ou "Micaela e Zéca - love is forever"?
Estão por toda a Madragoa, por todo o Bairro Alto, por toda a Alfama... Estragam as vistas, as paredes, a cidade e a alegria de passear por essas ruas a quem cá mora ou a quem visita.
Devo confessar que, em tempos que já lá vão há muito tempo, também saí à rua com uns quantos amigos a gatafunhar palavras de ordem nas paredes. Hoje, que vejo o resultado de muitos outros "putos estúpidos" (como eu era) andarem nesses gatafunhos fico francamente arrependido e envergonhado.
E que tal uma campanha nas escolas contra a gatafunhagem nas paredes? Que tal começarmos a sensibilizar mais "os putos" para que eles não sejam tão "estúpidos"?

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

Matrioskas

Na farmácia da Calçado do Combro dei por mim atrás de uma imigrante de Leste sem perceber como é que o farmacêutico conseguia entender uma palavra do que ela dizia, tão cerrada era a pronúncia.
A mulher falava, falava e ele anuia com ar de quem estava a compreender tudo e eu já duvidava sériamente se me estaria a dar uma alucinação porque eu próprio não compreendia uma palavra...
Quando a certa altura ele começa a falar e eu continuei a não perceber, dei-me conta que ou todo o Português se me tinha varrido da cabeça (quem viu a Residência Espanhola sabe que isso é possível) ou eles não estavam a falar Português.
Mal a imigrante saiu e eu me abeirei do balcão, jorra-se-me logo a pergunta óbvia:
"- Que língua é que estavam a falar?"
Ele lá me explicou que era Russo, que se tinha licenciado na Rússia e que era o único farmacêutico em Lisboa que falava Russo, motivo pelo qual todos os imigrantes de Leste lá iam.
Fiquei maravilhado! Comecei logo a pensar na possibilidade de aprender Russo para, quando deixar o Ministério, ser o único Advogado em Lisboa a falar Russo... Sim, não me vão agora dizer que há para aí umas quantas dezenas de Advogados que se licenciaram em São Petesburgo!

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

Backdorm Boys (Motorola Ad)


Então e perguntais-me vós: "mas afinal de contas quem são estes mocinhos?"
Ora, este "fantastic duo" é constituído por dois estudantes da Universidade de Cantão que já são famosos por todo o mundo apenas por serem quem são.
Alguém me empreste uma câmara de filmar para eu pôr vídeos meus no youtube, sff!
Será que me tornaria mundialmente conhecido a fazer o meu extraordinário playback do "believer"?
(Sim, Zé, não precisas de dizer que mais vale mesmo fazer playback em vez de cantar...)

Patriotismo

Patriotismo para muitos soa a balofo. Soa a coisa do tempo da outra senhora, dos tempos em que os despachos eram assinados com um "a bem de a Nação!"
Hoje, quem não gosta de falar de patriotismo, prefere falar de coisas mais "politicamente correctas" e não conotadas com o regime político anterior como responsabilidade cívica e bom comportamento social.
Pois eu gosto da expressão Patriotismo! (Estava-se mesmo a ver, não estava?)
Acho que a Pátria é diferente de País, mesmo que em Portugal, por sorte histórica, as fronteiras da Pátria sejam as mesmas do País. É que o País, como aprendi no longínquo 1.º ano de Direito com a Professora Lúcia Amaral (só me refiri a ela porque se agora digo as coisas mal quem leva as culpas é a Professora), é um conjunto de pessoas unidos por uma comunidade política num determinado território. Ora a Pátria é um bocadinho mais do que isso: é esse país no presente, passado e futuro. É todas as pessoas que fazem ou fizeram parte desse tal grupo de pessoas: sou eu, o Xano que está na China, a Rosa Mota, a Amália ou o Condestável Nun'Alvares.
E eu gosto de me sentir parte desse grupo bastante mais alargado: os 10 milhões que por cá andam e os não sei quantos milhões que por cá andaram; os Reconquistadores que deram na cabeça dos Mouros e os Mouros que deram na cabeça dos Reconquistadores; os Jesuítas que foram para a China e os garimpeiros que foram para o Brasil; os emigrantes que foram para o Luxemburgo e os imigrantes que vieram da Ucrânia.
A Pátria também está nos nossos produtos "trade mark" como o caldo verde, o fado, as 1001 maneiras de cozinhar bacalhau e o bom do tintol. A Pátria também está no castelo de São Jorge, naquel forte colonial na Ilha de Moçambique ou naquela grande Igreja Barroca na cidade de Paraty.
E é por tudo isto eu sou Patriota e continuarei a sê-lo...
Nestes termos se submete à consideração superior a bem de a Nação!

quinta-feira, 19 de outubro de 2006

Backdorm boys - DADADA

The backdorm boys - DADADA

E pronto... Dado o enorme êxito que estes rapazes estão a ter no blogadíssimo, não podia deixar de partilhar mais um vídeo.
O melhor da música alemã interpretada pelos melhores músicos da China.
E pelas vossas saúdes prestem atenção ao rapazito que teve a sina de partilhar o quarto com os backdorm boys: quer ele estar descansado a surfar na net e os outros maganos sempre na palhaçada!

Aborto

O aborto volta à ordem do dia e, ao que consta, os Portugueses vão de novo ser confrontados com um referendo.
O momento não podia ser mais oportuno para a maioria Parlamentar: quando toda a gente acusa o governo de governar à Direita, a maioria Parlamentar decide lançar um osso à Esquerda para desviar as atenções dos cortes orçamentais e da reforma da função pública. Eu, que concordo com os cortes orçamentais e com a reforma da função pública, fico um bocado chateado com este osso porque o acho duro de roer.
De facto, em 1998, (ainda eu não era eleitor porque só fiz anos em Agosto) os Portugueses votaram que não a um referendo idêntico. Votaram aqueles que quiseram; votaram aqueles que tiveram interesse em o fazer. Quem preferiu ir para a praia e não participou: azarucho, tivesse ido votar antes da praia! Ora, nesse referendo os Portugueses participantes disseram que não à proposta de lei que visava legalizar o aborto.
Agora, vem a maioria Parlamentar dizer que esses Portugueses, os que foram bons cidadãos e não se abstiveram, não foram suficientes e propõe novo referendo.
OK, Ok... Eu vou votar... Contrariado mas vou! Mas da próxima vez que quiserem desviar a minha atenção em vez de um osso, atirem-me um bifezinho, qualquer coisa verdadeiramente útil ao País como uma redução dos impostos, por exemplo.

Backdorm Boys - simplesmente geniais!

backdorm boys

Só o nome do grupo, Backdorm boys já é genial, quanto mais a música e a coreografia!
E depois ainda há quem se admire de eu ter adorado viver na China... É o melhor país do mundo!

terça-feira, 17 de outubro de 2006

OVNI em Lisboa!

Posso ter perdido a neve sobre Lisboa, mas ao menos não perdi um OVNI que passou por cá e deixou esta marca. Como podem ver, o OVNI foi em direcção a Belém: será que levou a Maria Cavaca para o espaço exterior?
Foto da Ana Sofia Magalhães

Paradise Now

Ontem fui ver um filme que aconselho vivamente: "Paradise Now". É um filme Palestiniano, o que já de si foi uma completa novidade para mim, que retrata um bocadinho da vida dos Palestinianos e do que são as preparações dos atentados suicidas.
Dei por mim a pensar que já ignoro as notícias sobre atentados suicidas em Israel: volta e meia lá há outro fanático que se decide rebentar em nome de Alá e do Profeta, levando consigo mais umas quantas vidas.
Eu bem sei que basta pensar um bocadinho para se perceber que não é assim, mas a realidade é que uma notícia só é novidade uma vez: quando semana sim semana não há um Palestiniano a rebentar em Telavive ou Jerusalém, isso passa a ser uma rotina.
O que se passa naquela terra são frustrações e ódios acumulados ao longo dos últimos 60 anos: já nem um Israelita consegue ver um Palestiniano como um ser humano nem um Palestiniano consegue reconhecer a um Israelita o direito a viver. Uns e outros matam; uns e outros têm medo e respodem ao medo provocando mais medo.
Quem tem razão?
São os Israelitas que foram perseguidos durante séculos em terras alheias e que finalmente tiveram, depois da II Guerra Mundial, a sua terra prometida?
São os Palestinianos que estavam muito bem no seu país e de repente têm que receber uns milhões de colonos Judeus sem serem tidos nem achados no assunto?
São os Israelitas que têm medo porque podem ir na rua ou num autocarro e aparecer um homem-bomba a gritar "Alá seja louvado" e explodir?
São os Palestinianos que vêm os mísseis Israelitas rebentar as suas casas e famílias?
Numa escalada de medos e violência ninguém tem razão. Aliás, a razão não é chamada para aqui quando o que conta é mesmo explorar o irracional que há em cada um.
E soluções para o problema? As antigas soluções Cristãs de "dar a outra face" e "perdoar 70x7 vezes" parecem fora do contexto. Mas sem estas soluções, não há soluções para a Terra que de Santa já só tem o nome.

segunda-feira, 16 de outubro de 2006

Euromilhões

Na passada Sexta, pela primeira vez, joguei no euromilhões e com isso passei a ser um dos milhões de Portugueses que ficam uns dias à espera de ser um daqueles excêntricos que vão de jacto jantar a Paris.
Quer dizer, forreta como sou, acho que mesmo com uns milhões no bolso preferia ir ali à Tasca da Ti’Jacinta a pé do que a Paris de jacto, mas o conceito de se poder fazer isso é giro.
E também gostei do conceito de durante três dias não saber se era ou não um multimilionário. É que isto foi iniciativa de uma Secretária cá do gabinete, a Sofia, e eu só hoje é que soube os resultados (não sabia onde diziam), por isso estive durante todo o fim-de-semana sem saber o que fazer com todo aquele dinheiro que quase de certeza já me tinha saído.
Eu nem quis dizer a ninguém, não fosse começarem logo todos a cravar-me cafés - cambada de interesseiros! Só porque uma pessoa tem uns milhõezinhos na conta…
A certa altura até comecei a ficar bonzinho. Em vez de sonhar com o Top100 da Forbes, comecei a sonhar com o Nobel da Paz - centros para Mães em dificuldades, casas de acolhimento para miúdos de rua, reflorestação das serras ardidas, escolas para os imigrantes aprenderem Português e fazerem cursos técnico-profissionais, etc.
Quem me conhece deve achar que estou a mandar uma peta, mas a sério que neste fim-de-semana estava-me a sentir bonzinho. Quase como certas e determinadas pessoas que eu conheço…
Hoje fui a ver e só tinha um número certo! Caros Mães, miúdos, serras e imigrantes: AZARUCHO! Arranjem outro multimilionário que este vai continuar a trabalhar para pagar a renda ao fim do mês e já ficou €2,00 mais pobre de jogar nesta porcaria!
E vós, caros leitores: o que faríeis vós com uns milhõezinhos de euros na conta?

Praia

Se agora estou ensopado, no Sábado estava ainda mais depois de mergulhar no mar em plena Caparica... Como é que é possível que um dia esteja na praia com dois Holandeses a dizerem que bem que fizeram de vir viver para Portugal e dois dias depois sentir que o Noé passou por menos que isto?
Hoje não consigo escrever mais nada... O facto de estar ensopado tirou-me a inspiração.

Ensopado que nem um pinto!

Cheguei ao gabinete, fechei a porta à chave, desci as persianas e encontro-me práticamente despido. Não, não é um fétiche... Estava ENSOPADO que nem um borrego, ou um pinto, ou lá o que anda ensopado.
Atchuuuu! God bless me!

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Tugas na Estranja

Tuga que é Tuga gosta de viajar.
Isto começou logo com os Lusitanos que de vez em quando viajavam descendo os Montes Hermínios (vulgo Serra da Estrela) para dar uma coça nos Romanos; os Romanos viajavam para onde quer que fosse para se verem livres dos Lusitanos; os Suevos já tinham viajado do Leste para cá chegar e os Mouros viajaram do Sul para onde voltaram passados uns séculos e os Tugas, mal se apanharam livres dos hermanos e com o Algarve conquistado começaram a viajar para o Norte de África, Ilhas Atlânticas, etc..
Hoje em dia o Tuga gosta de viajar para provar aos Estrangeiros que Portugal é o melhor país do mundo e aos outros Tugas que é o pior. Gosta de conhecer novas culturas e as raparigas que vivem nessas culturas. Gosta de comer novas coisas só para comprovar que não há nada melhor que a sua broa de milho com chouriço do porco que matou no Inverno, bem regada pelo vinho do compadre.
Mas se há coisa que o Tuga gosta mesmo de encontrar no Estrangeiro é outros Tugas. Eu, que sou Tuga, em encontrando-me no Estrangeiro costumava ficar com um olfacto para outros Tugas que os detectava à distância e mal havia ocasião metia conversa para saber de onde eram, trocar impressões sobre esse sítio, saber que eles também conheciam aquela Tia-Avó que lá vivia rodeada de gatos numa casa velha, etc.
E quando voltava telefonava logo à Tia-Avó a dizer que tinhamos encontrado a Ernestina e o Deocleciano a passear no meio da Estranja e a velha ficava toda contente porque já tinha um motivo para ir ao café para contar que o sobrinho-neto tinha estado com a Ernestina e o Deocleciano no meio da Estranja, o que lhe dava um poder sobre os restantes de saber algo que eles não sabiam.
Mas as coisas mudaram... O Tuga começou a vestir-se na Zara, Benneton, Mango e todas aquelas lojas que o tornam igualzinho a todos os outros, ou seja, aos estrangeiros. Já cá temos metro-sexuais que ficam iguais a todos os metro-sexuais do mundo; já cá temos malta fashion que fica igual á malta fashion do resto do mundo; já cá temos os surfers, rappers, rockers e cool dudes que ficam iguais aos surfers, rappers, rockers e cool dudes de todo o mundo.
Já se torna quase impossível perceber que um Tuga na Estranja calado é Tuga!
E agora? Não me digam que nos vão obrigar a falar com os Estranjas quando estivermos na terra deles?!

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

Portugal Solidário

O Português nunca pode estar bom! Esta é a conclusão de um estudo efectuado sobre uma população de 10 milhões de Lisboa que ocupam um canto da Península Ibérica e umas ilhas perdidas no Atlântico.
À pergunta "estás bom?" qualquer pessoa reponderá qualquer coisa vaga e nebulosa como: "Vou andando..."; "Vai-se indo..."; "Já estive melhor...".
Tudo isto dito em tom de queixume, de forma doída que a um incauto estrangeiro apareceria como um "estou aqui a morrer, alguém me ajude por favor!"
Alguém a quem acabou de sair um prémio milionário poderá, quando muito, dizer que está bonzinho. Bom não, bonzinho, mas mesmo isso só de vez em quando!
E isto é assim porque o Português por natureza é solidário. Se há gente desempregada, doente, aflita ou descontente, então ele não pode estar bem, só pode estar benzinho.
E se isto se aprende com a infância, o normal é que se vá refinando com a idade: parece que os Portugueses vão sempre ficando cada vez mais solidários com os males do mundo.
Perguntar a uma vizinha velhota se está boa ou como está pode ser um meio de jogar fora horas perdidas que começam com um: "Vou indo... mas sabe que estive muito mal? Na semana passada nem podia com os meus joelhos..."
Claro que depois de ouvir isto, o Tuga não vai ter coragem de responder que está fino e, solidariamente, diz que também vai indo, que tem tido umas pontadas, que esta maldita humidade de Outono nem o deixa dormir!

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

Parabéns Xano!

O Xano é um miúdo porreiro! Vejam que eu não usei o termo miúdo inocentemente, é que só agora é que ele faz 26 aninhos... Oh, eu ainda me lembro de quando era puto e fiz 26 aninhos...
Hoje em dia, 48 dias passados dessa data, já a minha visão do mundo mudou muito, mas o pobre Xano ainda vai ter um grande caminho a percorrer até chegar à minha idade e nessa altura eu já serei 48 dias mais velho outra vez.
Para além de porreiro, o Xano é um miúdo cheio de graça: é daqueles tipos que mesmo quando está em baixo (e eu já o vi mesmo em baixo) consegue manter o humor em cima e sair-se com uma graça. Mas isso é porque ainda é miúdo: eu quando tinha a idade dele era igual.
O Xano, quando for grande, porque ele hoje em dia ainda é pequenino, quer ser como o Figo e, para isso, joga futebol todas as semanas e nem se safa mal, mas ainda não se apercebeu da importância do gel no cabelo para direccionar melhor a bola quando dá uma cabeçada.
O Xano vive na China, com o grupo de tugas mais divertidos de além-fronteiras e organiza as melhores festas da cidade de Shanghai em que os vizinhos até lhe decidem cortar a luz para acabarem com o regabof.
O Xano é mesmo impecável e já tenho saudades dele: quando eu estava na China ele estava em Portugal e só foi para lá quando eu já estava a voltar, mas ainda deu para me mostrar a lindíssima cidade de Shanghai! Xano volta! Estás perdoado! A malta já está com saudades!
E Parabéns!

terça-feira, 10 de outubro de 2006

Sou Advogado!

Estou feliz!
Não tanto por ser Advogado... Como dizia a Cristina, poderia ter escolhido qualquer coisa melhor, tipo bombeiro ou astronauta...
Estou feliz por já não ser estagiário! Uff!

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

FÉRIAS!

VOU DE FÉRIAS!
E comigo vai o blogadíssimo porque não vou poder escrever aqui até dia 10...
Deveis estar a achar que estou contentíssimo de ter férias: não estou!
Então deveis ter ficado a pensar que eu sou um workaholic e que não aguento sem depressão ficar longe do meu trabalho: não sou!
Então pensareis com certeza que eu devo ter alguns sérios disturbios de personalidade: não ponho as mãos no fogo pela minha sanidade mental!
Então o que se passa? É que dia 10 às 10 da manhã tenho a minha oral de agregação da Ordem dos Advogados... Este estágio é um mau karma que me persegue e atormenta há 3 anos: paguei um balúrdio por cursos que não queria fazer; perdi centenas de horas em aulas a que não queria ir; defendi gente que não queria defender; estudei para áreas do Direito que sempre me recusarei exercer; não fiquei um ano na China porque tinha que vir fazer um exame; gastei uma boa parte das minhas férias para o exame de agregação para estudar coisas que já não via há séculos e agora vou gastar mais três dias...
Assim, se na 3ª passar no exame passarei a ser Advogado durante o tempo que me levar a percorrer entre a sala de exame e o balcão onde posso suspender a minha inscrição.
"E tudo isso vale a pena?" - Perguntais-me vós...
Sim, vale! Eu gosto de Advocacia, quero voltar a ser Advogado e NUNCA, por dê lá o que der, quero continuar muito tempo na posição de estagiário. O estágio na Ordem é um pesadelo... Caros licenciandos em Direito:
Se, por algum motivo, quando eu voltar à Advocacia, vier a trabalhar com V. Exas. então estagiários;
Se, por algum motivo, me passar uma coisa má pela cabeça e abusar da minha posição de Advogado para vos pedir mais trabalho do que o humanamente possível em épocas em que andeis com os cursos e exames;
MOSTRÁI-ME ESTE POST PARA NUNCA ME ESQUECER DOS TORMENTOS DO ESTÁGIO!

terça-feira, 3 de outubro de 2006

Augustíssimos III

Não me interpretem mal quando eu digo que o Augusto nunca conseguiu preencher o lugar da Augusta, ele até era um hamster simpático, mas (quando se diz que alguém é simpático vem sempre um mas a seguir):
1) Era mais magrinho e tinha mais cara de rato que a Augusta;
2) Não tinha manchas brancas como a Augusta, era todo dourado;
3) Mordeu-me a orelha da primeira vez que o pus ao ombro por isso nunca mais voltei a passear com ele ao ombro.
Tudo isto levou a que entre mim e o Augusto não se tivesse criado a mesma relação de cumplicidade e companheirismo que se tinha criado com a Augusta, não brincava tanto com ele, não o tinha tantas vezes comigo... Por isso não estranhei que passados uns meses ele tivesse hibernado.
Claro que já não ia cometer os mesmos erros: vivaço e ladino como eu era pu-lo ao pé de um foco quente como tinha lido no livro que se devia fazer e esperei que ele acordasse, o que não aconteceu no dia seguinte, nem no dia que se seguiu a esse...
A certa altura o pobre Augusto começou a cheirar mal e a Senhora minha Mãezinha percebeu que o cheirar mal não devia ser um dos sintomas da hibernação e concluiu que ele estava morto. Estais a ver quem é que eu saí vivaço e ladino, não estais?
Vai daí, pô-lo num saco de plástico e mandou-o para o lixo sem mais contemplações...
Sem cruz de madeira...
Sem caixão...
Sem um poema como epitáfio!
E depois disso declarou peremptóriamente, ante a minha sugestão de que o Augusto teria que ter um sucessor: "entra mais um rato nesta casa e saio eu!" Estive uns quantos dias a pensar se seria mais vantajoso ter um hamster ou uma mãe, mas a Mãezinha acabou por ganhar- afinal de contas, assim como assim, não me mordia a orelha!
Não percebi que a ameaça era vã porque a Mãezinha também sempre disse que se entrasse um cão lá em casa ela saía e o que é facto é que o Monty entrou e lá ficou 15 anos até bater as patinhas...

segunda-feira, 2 de outubro de 2006

Augustíssimos II

Ora foi com lágrimas que me despedi da Augusta e com lágrimas que passei os dias seguintes. Um golpe destes num coração de um Pai não é fácil de curar...
Vai daí o Avô da Augusta (o meu próprio Pai, claro está) lá me levou a uma loja de animais para comprar um outro hamster. Dizem que não há amor como o primeiro e, de facto, este substituto nunca foi tão bem amado como a Augusta- este era um menino e em honra da sua falecida irmã mais velha foi chamado de Augusto.
Para além do Augusto, o meu Pai também me ofereceu um livro sobre os hamsters que eu devorei ávidamente até à parte em que explicava que naturalmente os hamsters hibernavam mas que os hamsters domésticos muitas vezes, por viverem em ambientes dentro de casa e muito estimulados pelos seus donos, não chegavam a hibernar.
Os sintomas da hibernação eram claros: eles ficavam muito parados, frios e quase não se percebia que respiravam.
Ao ler isto desci escadas abaixo em pânico: seria possível que eu pudesse ter enterrado viva a Augusta?
Desenterrei à pressa o improvisado caixão para me dar conta de que este tinha sido roído no topo e que a Augusta tinha morrido enterrada! Estais agora a perceber porque é que falava de trauma de infância? Entendeis agora porque é que eu de vez em quando escrevo o que escrevo? Com este antecedente na infância, quem é que poderia crescer para ser um adulto equilibrado?
Mas a estória ainda não acabou... O trauma continua...
Não é que eu queira fazer render o peixe, mas o facto é que de momento as lágrimas nos olhos não me permitem continuar... Quem sabe mais tarde?