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segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Grande Prémio de Macau

(Antes de mais devo avisar o Rui que talvez não seja boa ideia ler este post, pode ficar nervoso… eheheh)
Este fim-de-semana decorreu o grande prémio de Macau, um dos maiores eventos do ano por estas bandas e eu não podia ter arranjado melhor companhia para ir: dois Alemães e uma Israelita tão conscienciosos do dinheiro como eu, ou talvez ainda mais (sim, é possível). Pelo que bem cedo lá apanhamos o autocarro gratuito porque durante o GP os autocarros são gratuitos.
Quando lá chegámos, verificámos que os preços não eram o que esperávamos (€30,00 ou €35,00 por lugares de 2.ª categoria) pelo que decidimos investigar modos de não ter que pagar. Íamos a passar por um centro comercial mesmo à beira de uma das ruas principais do circuito do grande prémio quando eu vi uma porta a dizer “staff only”, que em Português quer dizer: “venham cá ver se encontram um bom lugar para ver o GP”. Entrámos discretamente (uma das minhas mais marcadas características logo a seguir a ser consciencioso com o dinheiro, é ser discreto), subimos ao último andar e entrámos numa sala com os exaustores dos ares condicionados do edifício e com uma vista fenomenal sobre o percurso.
Talvez a sala não estivesse tão limpa quanto se poderia esperar e provavelmente menos uns 10ºc tivesse tornado o ambiente mais respirável, mas uma das corridas estava quase a começar e não há dúvida de que a vista não podia ser melhor. Os Ingleses costumam dizer que "beggars can’t be choosers”, o que em Português quer dizer “gente de tão alto gabarito merecia que alguém tivesse limpado o sítio e posto um ar condicionado”.
Depois desta primeira corrida, decidimos que gente fantástica como nós estava bem era na curva do Casino Lisboa, que é o local mais ambicionado porque é onde mais carros se espetam, e que deveria ser aí que devíamos ver a fórmula 3 da parte da tarde. Lá fomos mas achámos que talvez pagar €80,00 não estivesse dentro do nosso espírito de gente parcimoniosa. Vai daí, enquanto eu e os dois Alemães estudávamos a possibilidade de trepar as grades da bancada, a nossa Princesa Hebraica foi lançar charme aos guardas Filipinos. Apesar dos nossos engenhosos e muito discretos projectos, que envolviam, por exemplo, trepar para cima de umas casas-de-banho de plástico que ficavam mesmo em frente à esplanada montada para a ocasião e que estava cheia de gente, o charme funcionou melhor e passado pouco tempo estávamos lá por detrás de umas bancadas ante a complacência dos guardas perante a beldade do grupo. Às vezes penso que se tivesse nascido rapariga já teria conseguido poupar uma fortuna ao longo da minha vida…
Quando acabou a primeira corrida (que ainda não era de fórmula 3 mas de uma outra fórmula qualquer), toda a gente começou a sair para almoçar e nós percebemos que bastava um carimbo na mão para voltarmos da parte da tarde e nos irmos sentar nas bancadas! Foi como roubar um doce a uma criança! (Não, nunca fiz tal coisa!)
Lá fomos comer as nossas sandes trazidas de casa e no fim disso sentimos sede. Foi aí que os engenhosos Alemães se lembraram de ir buscar bebidas ao casino Wynn que as distribui de graça na sala de jogo. Para quem não sabe, eu, como funcionário público, não posso ir às salas de jogo, mas nada os impedia de me trazerem bebidas, que foi o que aconteceu…
No fim do almoço fizemos uma sesta nos escorregas do jardim infantil e quando a hora da corrida se aproximou, lá regressámos com as nossas mãos carimbadas e lá nos fomos sentar confortavelmente nas bancadas. Pronto, tivemos que mudar de lugar 3 vezes porque havia uns aldrabões que insistiam que os nossos lugares eram deles, mas lá que ficámos estrategicamente sentados, ficámos!
No fim do dia, comecei a fazer as contas e achei que com sorte me ia deitar sem ter gastado uma pataca mas decidi ir à Missa e eis que aqueles exploradores de consciências me passam um cestinho das esmolas à frente e fazem aquele ar de “ah e tal e coiso é para os pobrezinhos!” E eu sou o quê? Um Rotschild?