segunda-feira, 6 de junho de 2016

Marxismo e Fascismo

Interrompo aqui os meus posts sobre educação, os quais hei-de retomar em breve, para escrever uma breve nota sobre a polémica em volta do que José Rodrigues dos Santos escreveu: que o Fascismo advém do Marxismo. Prometo depois voltar à educação.

No seu artigo de hoje, o historiador António Araújo vem argumentar contra isto. Em primeiro lugar uma nota de repúdio pelo tom agressivo que Araújo usa. Infelizmente este tipo de tom já se tornou hábito na discussão política e jornalística mas eu nem gosto nem me quero habituar a isso. No que toca seus argumentos, estes passam principalmente pela prova de que historicamente Hitler não foi influenciado pelo Marxismo e que Mussolini se "converteu" de socialista revolucionário em sindicalista nacionalista.

O que me apetece perguntar a António Araújo é, em bom yankee: so what? É que visto de hoje em dia e sem grandes pruridos históricos, nota-se que as duas ideologias têm mais em comum do que de diferente. Por muito que Marxistas odiassem Fascistas e vissem o seu ódio reciprocado, "deste lado da barricada", ou seja, vistos de um ponto de vista Democrático, eles são, como diriam os nossos irmãos Brasileiros, "farinha do mesmo saco". Senão, note-se:

i) Por muito que Marxistas e Fascistas se odeiem, eles surgem mesmo é como contra-resposta ao Liberalismo Democrático;

ii) Ambos consideram que o Estado deve modelar os indivíduos para que estes passem a caber num protótipo ideal de homem bom, seja este o ariano dos Nazis ou o bom revolucionário dos marxistas;

iii) São, por isso, avessos às liberdades e direitos individuais, que incluem a auto-determinação de cada indivíduo;

iv) Concordam ainda em que apenas eles podem ter a razão neste modelamento de uma sociedade ideal que leve os indivíduos a ser estes indivíduos ideais, pelo que qualquer outra opinião deva ser calada.

Sendo assim, se o Fascismo surgiu do Marxismo ou não, é-me indiferente do ponto de vista Democrático. O que me interessa é que ambos partem dos mesmos pressupostos e mantém uma discordância de base com o modelo Democrático Liberal.


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