quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Crise política

Obama, Putin, Cameron, Merkel, Dilma... Todos eles não me largam a querer saber qual a minha opinião sobre a crise política atual em Portugal. Ora, aqui vai ela a ver se eles me deixam em paz e eu consigo voltar à minha vidinha.
Ora, como é óbvio para qualquer destes líderes mundiais, bem como para quaisquer outros leitores deste humilíssimo blog, eu preferia que o duo Passos-Portas tivesse obtido uma maioria absoluta e pudesse prosseguir com o seu governo. Mesmo tendo em conta que o governo anterior tomou muitas medidas que eu não teria tomado caso o PFB (Partido do Fabuloso Blogadíssimo) estivesse no poder (aumentar impostos em tempo de crise! seriously? que  tal cortarem mais na despesa?), mesmo assim acho que fizeram um bom trabalho num mau período.
Só que a coligação no poder perdeu a maioria. Vai daí, a minha segunda escolha preferida era que esta coligação tivesse formado um entendimento com o outro partido democrático no Parlamento, o PS. O acordo podia ser uma coligação ou apenas um acordo parlamentar, o importante é que permitisse governar com estabilidade e de forma manterem-se a estabilidade interna e os compromissos internacionais de Portugal. No entanto, depois das eleições, nem uma semana foi necessária para se entender que o Dr. Costa nem morto aceitaria tal coisa.
Chegámos então à pior opção possível: o PS, partido que sempre defendeu uma democracia de estilo Ocidental, com economia de mercado e integrada na Europa e no espaço Atlântico foi-se colocar nas mãos dos lobos maus e vermelhos à sua esquerda. Os tais que se deliciam com pequenos almoços vindos do infantário.
Eu, o eterno otimista, mesmo assim não estou demasiado preocupado pelo futuro (até porque não tenho filhos a que os lobos esquerdunços possam deitar as patas ao acordar). E os motivos para tal são os seguintes:
O Estado está na miséria. Quer dizer, está menos na miséria do que estava há 4 anos, mas mesmo assim está miserável. Sendo assim, eles não o podem levar muito mais à miséria. Os nossos credores não vão permitir muito mais endividamento, pelo que a esquerda e a extrema esquerda têm um limite para poderem gastar. Nem que isso implique o regresso da troika. Falando nela:
- A troika governa-nos melhor que os nossos políticos nativos. Vejam que a maior parte das boas reformas que este governo fez foram impostas pela troika: direito laboral, arrendamento urbano, privatizações, etc. Ora, com o programa Costa-Centeno, modificado pelo BE e a CDU, em menos de um ano temos os nossos amigos do FMI, CE e BCE de regresso.
- Os dois partidos de extrema esquerda (2+1, se considerarmos o PEV um partido e não um apêndice do PCP) estão tão radiantes com chegarem à esfera do poder que não vão querer deixar cair o Santo António (Costa) do seu pedestal. Ao menos temos alguma estabilidade política... Bem sei que se eu fosse uma pessoa pessimista estaria a pensar que no Orçamento de Estado para 2017 o verniz já estala todo e o Costa terá então legitimidade para pedir uma maioria absoluta em eleições antecipadas. Mas eu não sou pessimista.
- O Euro está baixíssimo face ao US$ e à GB£. Isto tem a vantagem que as pessoas não vão começar já a tirar o dinheiro para as suas contas fora da zona €uro. Hummmm... O problema número 1 é que não custa nada tirar dinheiro para a zona €uro. O problema número 2 é que as minhas contas fora de Portugal estão na zona US$ ou na zona GB£. Ou seja, eu é que estou tramado. Lá se vai o otimismo...

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