quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Crónica de uma morte anunciada?

Fruto dos meus estudos recentes, muito tenho lido sobre a crise do €uro. Destas muitas leituras já concluí uma coisa: agora, no ano 2015 ou ainda em 2014 ou 2013, os autores são bastante unânimes em concordar que a moeda única estava inquinada à partida. Apontam para literatura dos anos 60 que desenvolviam o que seria uma união monetária perfeita. Citam autores Americanos tão diferentes como Krugman (Keynesiano) e Friedman (liberal) que diziam que nos moldes em que foi feita, a moeda única só podia dar errado.
Então e porquê? Porque é que que estas pessoas achavam que este projeto não podia dar certo? Basicamente porque a zona €uro não tinha três condições fundamentais:
1. É necessário que na zona haja perfeita circulação de fatores de produção. Ora na UE, por motivos culturais, linguísticos, etc. há muito pouca circulação de trabalhadores. Isso parece óbvio para quem vê os altíssimos níveis de desemprego em países como Espanha, Grécia e Portugal por oposição a baixíssimos níveis como na Áustria, na Alemanha ou até no Reino Unido.
2. É necessário que haja um orçamento comum que acorra às economias que sofram choques assimétricos. Ora o orçamento da UE é de cerca de 1% do PIB da UE.  Baixíssimo! Nem pouco mais ou menos dá para fazer este equilíbrio.
3. É necessário que haja alguma homogeneidade económica. Também isso não se verifica com enormes disparidades de rendimentos, produtividade e salários.
Se isto parece tão simples, o que me parece difícil de entender é só uma coisa: como é que nos inícios dos anos de 1990 se gerou uma unanimidade tão grande, em Portugal e em quase toda a UE sobre as vantagens da moeda única e de ser tudo feito a uma só velocidade?
Conclui que a ambição de uma Europa federal cegou os nossos políticos. Estes não se importaram de comprometer o nosso futuro económico (ou seja, o nosso presente).
Mas não conclui ainda o que se pode fazer agora. As minhas parcas noções de economia ainda não me permitiram chegar a respostas sobre o futuro. Mas começo a considerar que o que sempre considerei, que o erro que já fizemos tornar-se-ia ainda pior com uma saída do €uro, afinal pode não ser assim. Talvez (um talvez muito cuidadoso e cheio de dúvidas) uma saída do €uro fosse o menor dos males quer para os Portugueses, Espanhóis e Gregos que saíssem quer para os Alemães, Austríacos e Holandeses que ficassem.

Sem comentários: