quarta-feira, 29 de agosto de 2007

O efeito Medici

Estou a ler um livro de que estou a gostar imenso que se chama "O Efeito Medici" escrito por Frans Johansson, que nasceu e foi criado na Suécia, filho de Pai Sueco e de Mãe mestiça Cherokee/Negra. Com estes antecedentes, é engraçado ver a ideia dele de "intersecção", ou seja, como aquele ponto de confluência de diversos saberes e culturas diferentes que produz algo inteiramente novo.
De facto, olho para trás e vejo o quanto evoluí nestas intersecções da minha vida.
De um Liceu Lisboeta nas Avenidas Novas, frequentado por uma forte maioria de pessoas Lisboetas das Avenidas Novas como eu, passei para uma Faculdade onde as pessoas já vinham de todas as partes de Portugal e até de Cabo Verde, Angola, etc.. Daí para um escritório com pessoas que se diferenciavam pelas idades (devo confessar que ver-me rodeado de cotas foi um bocadinho assustador ao princípio) e pelas áreas de especialização dentro do Direito. Daí não podia ter ido para um ambiente mais diferente: a China, onde trabalhava com gente de todo o mundo. Regressado a Portugal, fui trabalhar para um gabinete do governo onde me deparei com um Secretário de Estado Geógrafo, uma Chefe de Gabinete Engenheira Agronómica e colegas Assessores de Economia, Sociologia, Direito e Geografia com percursos de vida tão diferentes quanto cheios de interesse. Colegas esses todos mais velhos que eu mas que, mesmo assim, insistiram que eu os tratasse por tu e me trataram a mim sempre em condições de igualdade.
Esta cada vez maior heterogeneidade das minhas vivências fez-me aprender imenso sobre imensas áreas diferentes, da Sociologia à Economia. O que é engraçado é que, acima de tudo, fez-me olhar o Direito de prismas tão diferentes que aprendi com todos estes não-juristas imenso de Direito.
Agora só posso esperar conseguir traduzir esta visão pluri-disciplinar do Direito e uma nova forma de o pensar aos meus alunos em Macau. Em altura de despedidas, não podia deixar de mencionar as pessoas com quem trabalhei neste gabinete aqui no blog poucos minutos depois de escrever o meu último parecer que acabou, como todos os outros:
À consideração superior.
O Assessor,
Diogo Maria Alvim

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