segunda-feira, 31 de outubro de 2005

Bloody Foreigners

Estou a ler um livro que recomendo muito vivamente a todos os que se interessam por Historia e pelas questoes da Imigracao. Chama-se Bloody Foreigners, escrito por Robert Winder e e a Historia da Imigracao em Inglaterra.
O autor conta, numa linguagem muito acessivel e num estilo atraente como e que ao longo dos seculos a Inglaterra foi sendo povoada por povos das mais diversas origens e proveniencias e o quanto eles contribuiram para fazer deste pais uma potencia mundial que, no fundo, ainda hoje em dia e.
E isto apesar da oposicao daqueles que ja la estavam e que se consideravam a si proprios como os verdadeiros Ingleses e todos os recem chegados como os "bloody foreigners".
Tudo o que nos poderemos considerar "very British" foi introduzido pelos imigrantes: aquele sistema um bocadinho elitista e bem fleugmatico bem retratado naquela serie do "upstairs / downstairs" foi introduzido pelos Normandos, a Banca e os Seguros pelos Judeus e Franceses Hunguenotes, a criacao de gado ovino e a tecelagem pelos Flamengos, o Harrod's por um Egipcio, o Big Ben e as Casas do Parlamento tiveram um arquitecto que, se a memoria nao me falha, era Holandes e, acrescento eu, a hora do Cha pela Rainha Catarina de Braganca.
Por vezes estes imigrantes foram duramente atacados, como aconteceu com os Judeus nos seculos XII e XIII, mas em geral ate que foram melhor recebidos em Inglaterra do que na maioria dos outros paises, dai tantas vezes terem escolhido esse pais.
Quando passeamos hoje em dia pelas ruas de Londres ja nao vemos todos aqueles branquelas muito bem aprumadinhos com o seu chapeu de coco e os seus fatos escuros descritos pela literatura Vitoriana. Vemos antes caras de todas as cores e feitios com roupas variadas que revelam origens bem distintas.
Tambem nos, Portugueses, vimos de uma miscelanea de povos de todo o mundo mas por vezes temos tendencia para falar mal "destes pretos" e "daqueles russos". Mas se nos, cujas familias ja andam por Portugal ha mais uns aninhos, os soubermos acolher bem, os filhos dos imigrantes que hoje entram por Portugal adentro, serao amanha tao Portugueses como os nossos filhos e terao orgulho na nossa Historia, cultura e tradicoes. Caso contrario, estamos a criar uma serie de guetos dentro da nossa Sociedade entre os apoiantes do Galo de Barcelos e os outros, os "malditos estrangeiros".

4 comentários:

Anónimo disse...

Muito interessante. De facto, tens razão. E achas que o que dizes se aplica também a Portugal? É que cá parece que a imigração que temos é quase toda de pessoas com pouca educação e que, por isso, acaba por ser uma imigração pouco desejável, uma vez que facilmente se marginalização e assim aumentam a criminalidade. Basta ver que dos meus oficiosos são dois são portugueses. O que fazer então?

Anónimo disse...

Carissimo Shi Zi Wang
Gostei do seu texto mas, como em tudo, há que deitar-lhe um" grano salis". De todas as influencias referidas, há as positivas e as negativas.E a influencia da Rainha Catarina -com chá em doses cavalares- foi a que mais positiva e que mais perdurou na raça britânica...embora, muitos deles nem com chá lá vai!!
Um abraço.Pai

Anónimo disse...

Moral da História: a tradição já não é o que era, ou nunca foi aquilo que que é?

vanderwijk disse...

Even though it I am proud that you think a Dutchman was the architect of The Palace of Westminster and the St. Stephen's Tower, I am afraid it was an English architect named Sir Charles Barry who was responsible for the constuction of these buildings :)

P.s.
Raquel and I have sent you a letter in reply to yours! Thanks!