Pois que começo o ano a desejar a todos os 2 ou 3 leitores deste brilhantíssimo, viajadíssimo, fantastiquíssimo mas, acima de tudo, humilíssimo blog um óptimo ano de 2010!
E aqui começam as descrições da minha viagem pela Indochina durante o Natal / Ano Novo, com algumas fotos para aguçar a vontade de viajar por estas bandas.
Para começar, o primeiro post é para descrever a personagem com quem viajei: o Christiaan (sim, tem dois As, não foi erro).
Pois que o rapaz é um Australiano, amigo de amigos, que eu apenas conheci para aí uns 3 meses antes de partirmos em viagem. Logo que nos conhecemos, começámos a falar sobre viajar, eu disse que ia viajar para algures durante o Natal e Ano Bom a não ser que a minha amiga Inês mudasse a data do casamento para o meio das festas (o que a essa altura já era muito pouco provável e, de facto, não aconteceu). Ele disse que também queria viajar porque estava há um ano em Macau e não tinha ido a lado nenhum.
Logo aí começamos a ponderar destinos juntamente com a Mari e a Ana, ambas estavam a considerar juntar-se mas desistiram, pelo que fomos nós os dois.
Para alguém que eu conhecia há muito pouco tempo, tive muita sorte, que ele é um pachorrento cheio de paciência. Devo confessar que é precisa alguma dose de paciência para conviver comigo duas semanas em viagem.
Para começar porque eu não adiro a estados de espírito durante as viagens. Toda a gente tem os seus estados de espírito, certo? De vez em quando felizes, outras tristes e ajuda quando o companheiro de viagem compreende e adere a esses estados de espírito. Ora eu não sou assim: enquanto estou a viajar estou sempre elétrico a querer fazer coisas e posso não ser a melhor companhia para alguém com nostalgia. Ora, o rapaz é como eu, sem grandes flutuações de espírito.
Outra coisa que não ajuda é que ele levanta-se da cama e passados 5 minutos está pronto para sair, enquanto que eu levava pelo menos 40 minutos entre estar sentadinho a "pensar na vida", tomar banho e vestir-me e ele acabava por estar todas as manhãs à minha espera, mas não se queixou nem uma vez.
E falando em vaidades: oq eu eu gosto de ser fotografado! A fazer poses de modelo (a minha amiga Raquel é igualinha a mim! viva!), a fazer estupidezes, o que quer que seja. E o pior é que gosto que os outros fazem as mesmas estupidezes e ele aderia bem (na maior parte das vezes).
Por último não é fácil encontrar alguém que esteja sempre disponível a comer comida de rua no meio da Ásia e eu é isso mesmo que gosto. O que vale é que o Christiaan aderia a tudo, por mais nojento que o lugar parecesse, por mais saltitante que a comida ainda estivesse antes de entrar para a frigideira ou por mais encardidos que estivessem os panos que limpavam as mesas e os talheres...
Do lado negativo aparece apenas que o rapaz viaja com um touro Escocês chamado Sven porque gosta de tirar fotografias como no filme da Amélie Poulain com o bicho nos lugares mais exóticos. Eu ainda sugeri que ele desse a criatura a umas crianças pobres, mas ele não se livrava do Sven (nome do bicho) nem tinha pena do meu apuradíssimo e lusitaníssimo sentido do ridículo e tirava o bicho para fora da sacola estivesse onde estivesse e com quem estivesse e sacava-lhe uma foto.
A certa altura achei que era mais fácil aturar um touro Escocês que um Português que leva 40 minutos a arranjar-se todas as manhãs e passa a vida a ter ideias para fotografias parvas e desisti de sugerir que ele desse a criatura aos miúdos pobres.

Aqui estão o Christiaan e o Sven.