Pois que já há uns tempos que voltei à Cidade do Santo Nome de Deus de Macau e ainda por aqui não vim a este humilíssimo blog dar um ar de minha graça. Devereis estar vós a pensar "então este mafarrico não nos elucida sobre Bali nem vem cá deixar uma fotitas catitas?"
Quanto às fotitas, elucido já que não as tenho mas que quando as tiver, aqui as ponho.
Quanto às minhas aventuras e desventuras por Bali aqui vão algumas..
Em primeiro lugar devo dizer que a concretização não superou as expectativas que tinha. Para dizer a verdade, até ficou um bocadinho aquém. OK, as expectativas eram bastante altas e eu fiquei bastante desapontado.
Motivos do desapontamento:
1. Chovia que Deus o dava! Ah pois é, devia ter feito aquela pequena coisa muito inteligente que era consultar o guia antes de reservar a viagem a ver se estava a ir na época das chuvas.
2. Ia a um vulcão pela primeira vez na vida mas quando lá cheguei não pude subir porque chovia torrencialmente... Frustação!
3. As praias, mesmo nos períodos de sol, estavam longe de ser o paraíso prometido. E nem falo da areia ser escura, que isso até as torna exóticas por serem vulcânicas. Um dos lados da ilha, que os guias diziam ser o das praias mais calmas e menos cheias de gente, tinha milhares de barcos a motor a passar a toda a hora que até davam dor de cabeça. O outro lado, que prometia ser o paraíso do surf, de facto era óptimo para o surf mas a areia estava sugíssima, cheia de sacos, embalagens, lâmpadas... Os locais disseram que era lixo que as correntes da época das chuvas traziam de Java, mas, sendo assim, eles deviam ter isso previsto e limpá-las mais vezes!
4. Ter pessoas a chamarem-me constantemente na rua para vender não é do meu maior agrado. "Boss, transportation?"; "Ladies, boss?"; "Watches, boss? Rolex!" "Massaaaaage?"
5. A construção desenfreada para servir o turismo estragou grande parte daquelas que terão sido bonitas vilinhas de pescadores e de comércio verdadeiramente local.
Depois de todo o negativo, mesmo assim devo dizer que gostei de Bali.
As pessoas são simpatiquíssimas, muito sorridentes e gostam imenso de meter conversa. "De onde é? Portugal? Cristiano Ronaldo, Figo, Mourinho! Não vêm cá muitos Portugueses... Macau? Ah, trabalha num casino!"
As compras são abundantes e depois de bem regateado ao preço da uva mijona: para mim comprei principalmente quadros para a minha espetacularíssima, fantástiquíssima mas, acima de tudo, humilíssima casinha. Estou a dar em fado do lar.
Tem paisagens de se cortar a respiração, com montanhas, campos de arroz, vulcões, lagos... Infelizmente fiquei mesmo frustrado com aquela estória do vulcão, especialmente porque tinha andado de carro 3 horas até lá chegar...
Tem bonitos sítios de mergulho, com bonitos corais, muitos peixinhos, conchas daquelas gigantes que nos engolem a mão se lá a pusermos, etc.. Infelizmente apanhei um guia russo que não sei onde tirou o curso de mergulho porque se fartava de tocar nos corais, por mais que eu lhe dissesse para não o fazer. Quando saímos ele disse-me com um ar muito entendido: "mas estes corais não fazem mal, não são venenosos!" Claro que eu, que com a idade estou cada vez mais bruto e menos simpático, respondi logo: "Mas achas que eu estava preocupado contigo? És maior e vacinado, sabes como te tratar! Eu estava preocupado é com os corais que não devem NUNCA ser tocados: tens gordura na mão com um grau de acidez que prejudica os corais e se tiveres andado a pôr loção solar, pior ainda!" Como ele não falava bem Inglês, ficou sem saber como responder, mas eu falei bem pausadamente e com a pronúncia de Príncipe Charles que faço quando me irrito e quero remocar alguém.
Também gostei de voltar a fazer surf, mesmo que pareça que quase que voltei aos primeiros dias. Quando saí do campo de surf na Austrália, já fazia alguma coisa, mas agora, ao fim de duas horas, tinha apanhado 3 ondas!
Fotografias seguem-se quando as tiver.