segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Pensando...


Sim, enquanto andei a passear por Bali deu-me vontade de usar saias, sei lá. Às vezes apetece-me baton, outras vezes bandolete, outras ainda apetece-me levar a bolsinha com o blush e o espelho... Desta vez andei de saias!

Petronas


Continuação...


... quando estamos a 10432 do Cabo da Roca (Horn Lisbon)!

Aldeia Portuguesa de Malaca


Coisas que não se esperam ver quando estamos a...

Milo


Coisas que já não se vêm em Portugal há muito, muito tempo...
Mas que é muita bom!!!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Balizado

Pois que já há uns tempos que voltei à Cidade do Santo Nome de Deus de Macau e ainda por aqui não vim a este humilíssimo blog dar um ar de minha graça. Devereis estar vós a pensar "então este mafarrico não nos elucida sobre Bali nem vem cá deixar uma fotitas catitas?"
Quanto às fotitas, elucido já que não as tenho mas que quando as tiver, aqui as ponho.
Quanto às minhas aventuras e desventuras por Bali aqui vão algumas..
Em primeiro lugar devo dizer que a concretização não superou as expectativas que tinha. Para dizer a verdade, até ficou um bocadinho aquém. OK, as expectativas eram bastante altas e eu fiquei bastante desapontado.
Motivos do desapontamento:
1. Chovia que Deus o dava! Ah pois é, devia ter feito aquela pequena coisa muito inteligente que era consultar o guia antes de reservar a viagem a ver se estava a ir na época das chuvas.
2. Ia a um vulcão pela primeira vez na vida mas quando lá cheguei não pude subir porque chovia torrencialmente... Frustação!
3. As praias, mesmo nos períodos de sol, estavam longe de ser o paraíso prometido. E nem falo da areia ser escura, que isso até as torna exóticas por serem vulcânicas. Um dos lados da ilha, que os guias diziam ser o das praias mais calmas e menos cheias de gente, tinha milhares de barcos a motor a passar a toda a hora que até davam dor de cabeça. O outro lado, que prometia ser o paraíso do surf, de facto era óptimo para o surf mas a areia estava sugíssima, cheia de sacos, embalagens, lâmpadas... Os locais disseram que era lixo que as correntes da época das chuvas traziam de Java, mas, sendo assim, eles deviam ter isso previsto e limpá-las mais vezes!
4. Ter pessoas a chamarem-me constantemente na rua para vender não é do meu maior agrado. "Boss, transportation?"; "Ladies, boss?"; "Watches, boss? Rolex!" "Massaaaaage?"
5. A construção desenfreada para servir o turismo estragou grande parte daquelas que terão sido bonitas vilinhas de pescadores e de comércio verdadeiramente local.
Depois de todo o negativo, mesmo assim devo dizer que gostei de Bali.
As pessoas são simpatiquíssimas, muito sorridentes e gostam imenso de meter conversa. "De onde é? Portugal? Cristiano Ronaldo, Figo, Mourinho! Não vêm cá muitos Portugueses... Macau? Ah, trabalha num casino!"
As compras são abundantes e depois de bem regateado ao preço da uva mijona: para mim comprei principalmente quadros para a minha espetacularíssima, fantástiquíssima mas, acima de tudo, humilíssima casinha. Estou a dar em fado do lar.
Tem paisagens de se cortar a respiração, com montanhas, campos de arroz, vulcões, lagos... Infelizmente fiquei mesmo frustrado com aquela estória do vulcão, especialmente porque tinha andado de carro 3 horas até lá chegar...
Tem bonitos sítios de mergulho, com bonitos corais, muitos peixinhos, conchas daquelas gigantes que nos engolem a mão se lá a pusermos, etc.. Infelizmente apanhei um guia russo que não sei onde tirou o curso de mergulho porque se fartava de tocar nos corais, por mais que eu lhe dissesse para não o fazer. Quando saímos ele disse-me com um ar muito entendido: "mas estes corais não fazem mal, não são venenosos!" Claro que eu, que com a idade estou cada vez mais bruto e menos simpático, respondi logo: "Mas achas que eu estava preocupado contigo? És maior e vacinado, sabes como te tratar! Eu estava preocupado é com os corais que não devem NUNCA ser tocados: tens gordura na mão com um grau de acidez que prejudica os corais e se tiveres andado a pôr loção solar, pior ainda!" Como ele não falava bem Inglês, ficou sem saber como responder, mas eu falei bem pausadamente e com a pronúncia de Príncipe Charles que faço quando me irrito e quero remocar alguém.
Também gostei de voltar a fazer surf, mesmo que pareça que quase que voltei aos primeiros dias. Quando saí do campo de surf na Austrália, já fazia alguma coisa, mas agora, ao fim de duas horas, tinha apanhado 3 ondas!
Fotografias seguem-se quando as tiver.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Lady? Pig!

Ja agora, a 3a ou 4a vez que, enquanto eu andava por aqui perdido, me perguntaram "Lady?" eu comecei a chama-los "pig!" Note-se que estes moutros nem sequer comem porco por ser um animal impuro, pelo que parto do principio que isto sera um insulto bastante forte...

Perdido em Kuala Lumpur

Ja e costume eu nao ser a pessoa mais orientada do mundo e andar assim um bocado para o perdido, mas o meu dia de hoje ja raia o ridiculo!
Tudo comeca pelo lugar onde estou neste momento: estou num lugar de internet a pagar 4R por 1 hora online quando tenho net gratuita na pousada e tudo porque nao conseguia encontrar a minha pousada! Estive uma hora a volta da estacao de monorril onde entrei de manha, de um lado para o outro e absolutamente nao encontrava o sitio.
Como queria ir a casa tomar banho antes de jantar, estou a morrer de fome.
A minha tarde, ja de si, nao foi muito mais orientada... Ia chegar a Missa com uns 40 minutos de avanco, mas como ja nao tinha nada para fazer, aproveitava para meter a conversa com o Chefe em dia. Nada disso, depois de 50 minutos a procura da Catedral onde ja tinha ido a Missa no ano passado, ja cheguei com 10 minutos de atraso. O que vale e que eles por estas bandas rezam as vesperas antes da Missa, por isso ainda nao tinha comecado.
Entro na Igreja, sento-me, e ainda nem tinha tido tempo para me sintonizar com o Chefe, quando comeca a chover como se nao houvesse amanha. Depois de uma manha cheia de sol a rocar o insuportavelmente quente, esta chuva ate veio a calhar para refrescar as coisas, mas o problema e que eu nem conseguia ouvir o padre chines que falava baixinho.
E pronto, 24 horas em Kuala Lumpur, duas delas perdido e uma a aparvalhar na internet porque, ja que paguei uma hora, nao vou desperdicar o dinheiro...

Marmelade

Ja cometi o mesmo erro mais do que uma vez e, pelos vistos, nao aprendi a licao porque hoje voltei a comete-lo...
Num pais de colonizacao Inglesa e sempre preciso ter cuidado com os doces que servem na mesa do pequeno almoco, podem ser uma coisa terrivek que os beefs adoram chamada marmelade mas que nao tem nada a ver com a nossa boa e docinha marmelada. E um doce de laranja amarga detestavel!
Acordei de barrar duas tostas cheias de marmelade e agora mastigo aqui com sacrificio aquela bodega.
E eles que tem uma das melhores coisas do mundo que e o lemon curd... Nao percebo!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Blogadissimo deseja um bom ano!


Pois ja ca faltava o blogadissimo desejar aos seus inteligentissimos, fantastiquissimos, formidabilissimos, informadissimos mas, acima de tudo, humilissimos leitores um optimo ano novo Chines. E se esses desejos tardavam, o motivo e muito simples: este vosso humilissimo criado ainda nao conseguiu perceber que animal e que este ano vai ser festejado.

Ja li que era o ano do bufalo, do boi (ox) e do touro (bull).

Ontem perguntei ao Lula que me esclareceu que era o ano do boi. Hoje perguntei ao Alexandre que me esclareceu que na China nao ha malta a capar os touros, logo nao ha bois e este e o ano do touro - isso parece condizer com uma imagem que agora puseram no vidro do cafe da biblioteca que parece que e publicidade a uma tourada. Pelo meio ja me disseram que era o ano do bufalo, ou touro de agua, aquele animal que nos associamos aos campos de arroz chineses (e associamos muito bem porque eles la continuam a trabalhar).

Com toda esta confusao, eu fiquei extremamente estressado, incapaz de trabalhar, tolhido pelo medo e pela confusao e quase incapaz de pronunciar uma palavra. Como entretanto ja me apercebi que eu sou o melhor medico para mim mesmo, achei que o remedio para tal estado teria que ser algo que incluisse um bocadinho de praia, surf, mergulho, florestas tropicais, escalada a montanhas virgens... Assim, por motivos medicos, e apenas por motivos medicos, vejo-me obrigado a uma retirada estrategica desta confusao que e o ano novo chines de qualquer um animal com cornos.

Estou neste momento no aeroporto internacional de Macau a caminho de Kuala Lumpur, de onde voarei, depois de um fim de semana na capital Malaia, para Bali, na Indonesia. Nao invejo a ninguem a extrema debilidade fisica e psicologica que me levou a tomar esta medida extrema, por isso nao me invejem este amargo remedio. Como nao tive tempo de comprar uma maquina, vou depender das fotografias da Raquel (que, coitadinha, vai para Bali pelos mesmos motivos terapeuticos) mas prometo por aqui umas fotografiazinhas quando voltar.

Bom ano de qualquer coisa com cornos para todos!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Inigualável C&H

Como os Pais Romanos diziam:
Ridendo castigat mores...

sábado, 17 de janeiro de 2009

Ainda não foi desta...

Não comentei aqui que estive quase a bater a bota, a passar-me para o outro lado, a deixar o côro da sé para passar para o côro dos anjos, pois não?
Pois é, mais uma intoxicaçãozinha alimentar... Apesar de já ser a terceira desde que cheguei a Macau, acho sempre sinceramente que estou às portas da morte e começo a fazer as contas ao tempo que passou desde a última confissão e ao que fiz desde aí. Dado que a última confissão foi no Loretto por alturas do Natal e que não tenho tido muito tempo para me portar mal, estava mais ou menos confiante que Deus Nosso Senhor me acolheria bem, mas não me estava muito a apetecer bater a bota aos 28 anos sem filhos criados nem livros publicados.
Vai daí expus em oração os inconvenientes de bater a bota tão cedo e Deus compreendeu e manteve-me cá por mais uns tempos. No entanto, todavia, contudo, se houver mudança divina de planos e eu trocar de coros, peço aos leitores deste humilíssimo blog que compilem os meus escritos num livro e o publiquem sob o título "os escritíssimos de quem bateu a botíssima". Obrigado!
Outra coisa importante. A minha amiga Norma mandou-me um link genial que vale mesmo a pena ter nos preferidos: http://www.theradio.com/
Ora isto é um site de música que fica a dar a música que nós queremos à bórliu. Dá para pedir todo o tipo de músicas, só de um género, só de um artista, de vários géneros e vários artistas, etc.. Como a Norma me disse que um grupo de neurologistas que estudou a música de Mozart disse que as ondas que esta emite ajudam à concentração e ao desenvolvimento do cérebro eu agora estou sempre aqui no gabinete a ouvir Mozart, pelo menos até ter outra intoxicação e bater a bota de vez. Se morrer, ao menos morro concentradíssimo, inteligentíssimo, espertíssimo, com as ondas cerebrais afinadíssimas, etc.. No fundo, o que eu nunca fui em vida!
Enjoy!
P.S.: Tiago Manel, já te estou mesmo a ver a pensar "pfuffff... só o Diogo Maria é que podia não conhecer ainda este sítio... Faz parte dos meus puforidos desde que o Monty ainda era vivo!"

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Americanos broncos



Pronto! Não é que achasse que os Americanos eram em geral inteligentes, mas ainda os achava de certa maneira coerentes com a sua própria estupidez.
Mas depois desta medida, mudei de ideias. Para que os alunos não possam levar armas escondidas, passam a ser obrigados a ir para a escola com as fraldas para dentro das calças. Só para os americanos é que esta não é uma medida estúpida mas o que parece óbvio a qualquer ser pensante é que:
1. Continua a haver muitas maneiras de esconder aramas, nomeadamente dentro do casaco no Inverno;
2. Para terem liberdade de uso e porte de arma, restringem a liberdade de os miúdos se vestirem como quiserem!
Como diria o Obelix: "ils sont fous, ces Américains!"

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

De volta a Macau

Mas o que é que se passa com os Tugas que vão chegando de Portugal depois do Natal e um atrás do outro diz a mesma coisa: "nem acredito que voltei a esta m..." *
Ora, hoje, enquanto almoçava com uma amiga numa esplanada cheia de sol, a ver se nos bronzeavamos, iamos expondo as nossas mágoas do regresso, como estar em Portugal tinha sido bom, como a nossa casinha é que é... Carpimos as nossas mágoas quase chorosos mas sempre com a secreta esperança de que, enquanto o fazíamos estávamos a apanhar um bronze descomunal.
Quando saí dali nem queria acreditar no meu pessimismo! Depois de ter começado a minha manhã com uma hora de squash (ok, perdi os 4 jogos contra o Bjorn e isso é motivo para estar pessimista) tinha passado ali uma hora na esplanada a apanhar sol com uma miúda gira. Vá, pelo meio vi uns exames de alunos não muito inspirados nem estudados, que a minha vida não é só squash e sol, mas o facto é que tenho uma vida boa e não tenho motivos de queixa.
Quando ia a subir o elevador para o meu gabinete até dei uma palavrinha com o Chefe JC a pedir desculpa pelo pessimismo e a agradecer as coisas boas da vida. Sim e também cravei que Ele me ponha de novo em forma rapidamente para derrotar o Bjorn na sexta. Ah, é que isto da minha derrota matinal também é culpa da Tia Tuxa que me alimentou demasiado durante os quatro dias de Natal em Vilar Seco: note-se bem no exemplo que se segue, que é uma fotografia tirada pelo Alexandre de parte da mesa dos doces (eu disse parte, porque a mesa era ainda maior).



*Hummm.. Não sei o que vem depois do m que a minha Mãezinha, coitadinha, sempre me ensinou a não perceber essas palavras feias.

É dura a vida de um emigrante!

Bem, isto de viajar nem sempre é um mar de rosas e por vezes pode mesmo ser um inferno. E a minha viagem de regresso a Macau foi mesmo um infernozinho que não digo nem conto! Mentira! É claro que conto! Ora eu a não contar uma coisa destas, onde já se viu?
Pois lá cheguei eu na Segunda ao aeroporto pronto para voltar para Macau mas quando chego lá omeu vôo tinha sido cancelado. Que seca! Eu já tinha feito o check in on line e escolhido lugares à janela para mim e para o Alexandree aora o vôo tinha sido cancelado! Motivo: vinhamos com a Air France por Paris e em Paris o tempo estava terrível e era impossível aterrar ou decolar (descolar? como descolar uma cartolina?).
Vai daí, depois de mais de duas horas numa fila (conforme documentado pela fotografia do Alexandre que aqui apresento), lá nos deram dois bilhetes com a British Airways por Londres no dia seguinte. Isto podia constituir um pequeno problema dado que o visto Shenguen do Alexandre caducava nesse dia, mas lá fomos à emigração, explicámos o caso e eles disseram que não havia problema se explicássemos isso à saída do espaço Sheguen, que era Lisboa dado que o Reino Unido da Grâ-Bretanha e Irlanda do Norte não faz parte do Espaço Shenguen.



No dia seguinte, pelas 5 da manhã lá chegámos ao aeroporto, mas os nossos stresses não tinham terminado. Já tínhamos feito o check in on line, mais uma vezos dois com lugares à janela em filas perto um do outro para podermos ir comentando factos que fosse necessário ser comentado. Ao fazermos o check in no balcão a senhora informa-nos que o Alexandre não tinha visto para trânsito no Reino Unido da GraBretanha e Irlanda do Norte... Visto de trânsito? O que éum visto de trânsito??? Mas ele nem vai sair da área internacional! Pois, mas ao que parece os cidadãos da Rê Pê Cê precisam de visto de trânsito para entrar nas áreas internacionais dos aeroportos de Sua Magestade...

Lá voltámos à Air France a expor a situação e eles conseguiram-nos bilhetes pela TAP até Amesterdão e daí com a Cathay Pacific. Eu podia ter-me mantido no meu lugarzinho à janela com a British Airways mas o problema estava em que, com este novo arranjo o Alexandre saía do Espaço Shenguen em Amesterdão e teria aí que explicar o seu problema de visto em Inglês, língua que ele não domina bem e ainda punham esse ilustre professor de Direito desta praça atrás das grades geladas da Holanda. Claro que àquela hora da manhã, depois de uma noite pouco dormida porque acordei às 4 da manhã para estar no aeroporto às5 nem me ocorreu a fantástica ideia de escrever uma cartinha em Inglês a explicar isso pelo que lá fui eu por Amesterdão... No fim, tinha sido desnecessário porque mal comecei a escrever o senhor fez um sorriso muito simpático acompanhado de um "yeah, yeah, yeah, don't worry about that" e nem me deixou acabar de explicar...

Estava-se mesmo a ver que com uma escala de 1,5 horas e mudança de companhias aéreas me iam perder as malas e foi isso mesmo que me aconteceu. Saí de Lisboa terça de manhã, cheguei a HK quarta de manhã e a minha mala só me apareceu no Sábado à tarde!

É dura a vida de um emigrante!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Casamento marcado?

Numa altura em que no meu perfil do facebook volta a aparecer que estou "disponível", uma amiga avisou-me que eu já não ia para novo. Sim ela estava a falar a sério! É Israelita e os Israelitas conseguem ser quase tão inconvenientes como eu. É claro que eu lhe disse que tinha uma Lolita, i.e, uma amante Espanhola como aquelas que todos os gentlemen Portugueses tinham nos idos do século XIX.
Mas hoje, enquanto tomava o meu duche matinal, lembrei-me de algo muito melhor. É que tenho casamento marcado com uma das minhas maiores amigas caso esta esteja descomprometida aos 30 anos. Ou seja, a 30 de Novembro de 2011 eu volto a dar notícias sobre a minha situação marital.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Silêncio

A malta quer saber os porquês deste prolongado silêncio... Mas porque é que o blogadíssimo já não está tão magnifiquíssimamente comunicador como era seu apanágio?
Os motivos são muitos mas nenhum desculpa o silêncio. Eu devia chicotear-me como o Salvatore no "Nome da Rosa" mas agora não tenho aqui nenhum chicote à mão; eu devia-me arrastar pelo chão enquanto pedia desculpa mas tenho a impressão que a empregada de limpeza aqui do andar não tem vindo muitas vezes aqui ao gabinete; eu devia cantar "te deums" até ficar rouco como forma de obter perdão deste minha grave falta, mas amanhã tenho o côro e não quero chegar lá rouco.
Assim, como pedido de desculpas e a fim de compensar esta minha ausência, aqui vos deixo uma recente fotografia minha e a promessa de agora voltar a regular e ponderadamente ir aqui escrevendo... O que é que eu costumo escrever aqui? Ah, sim! Os meus tudos e nadas!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Motins

Nas últimas semanas o mundo tem assistido em pontos diferentes do mundo, Tailândia e Grécia, a demostrações que se transformaram em verdadeiros motins. Os seus participantes dizem lutar pela Democracia, mas isto parece-me uma forma muito deturpada de Democracia.
Democracia, no meu ponto de vista, é a promoção dos Direitos e Liberdades de uma sociedade através de um sistema em que todos participam na formação de decisões. Ora, bem ou mal, os cidadãos Tailandeses e Gregos escolheram os governos que agora uns quantos querem derrubar.
Parece-me que se estes manifestantes querem realmente promover a Democracia, então deviam empenhar-se mais na política tendo em vista o bem comum e nas próximas eleições promoverem a participação eleitoral dos cidadãos dos seus países e a informação sobre os diferentes programas partidários.
Neste momento, dizendo representar os respectivos povos, estes grupos de participantes estão, na verdade, a desrespeitar a vontade que esses povos exprimiram nas eleições. Se calhar, muitos destes participantes nem sequer votaram ou nunca antes se tinham envolvido na política. Se calhar até têm aquela atitude de que "todos os políticos são maus, para que é que hei-de perder o meu tempo?", que é a atitude das pessoas que se acham óptimas, impolutas, cheias de boas ideias para o bem comum mas que não fazem nada na sociedade e no dia das eleições ficam em casa a ver TV ou vão para a praia.
Isto que se anda a passar na Tailândia e Grécia não é Democracia... Isto é populocracia!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Descarteirado

Vá-se lá saber como mas há 28 anos foi feita uma combinação genética meio explosiva que gerou um aluado de primeira ordem. Desde sempre que fui distraído, não tenho sentido de orientação, esqueço-me de tudo menos do que aconteceu há mais de 100 anos, etc..
No entanto, todavia contudo, nunca tinha perdido uma carteira, um telemóvel ou o que quer que fosse. Nunca tinha até que no Domingo, às 6 da manhã, a voltar de Hong Kong, saí do táxi em minha casa e deixei lá a carteira. Liguei logo para a empresa de táxis, fui à polícia, etc., mas a carteira foi-se. Sumiu-se na bruma inexistente de Macau...
Dois cartões de crédito e um multibanco, dois passes de desconto um de Hong Kong e um de Macau, a carta de condução, dois cartões da Universidade, o cartão telefónico, o BI de Macau, etc.. Uma verdadeira seca!
Como hoje, dia de Nossa Senhora da Conceição, foi feriado em Macau, estou a ficar sem dinheiro e já vejo que na próxima semana vou ter bastante trabalho com papeladas, já para não dizer que vou ter que gastar um balúrdio...
Fulo com a minha própria distração e com o ladrão do táxista!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Desnoticiário em Portugal

Na Terça acabei as aulas às 20h e fui para casa só por uma meia hora já que ia ter com a Leonor passado um bocado logo que ela me telefonasse. Como era tão pouco tempo, não ia ler um livro para não deixar um capítulo a meio, não ia ver um filme no DVD também para não o deixar a meio e como não tinha comprado nesse dia o South China Morning Post cometi o erro de ligar a televisão para ver o noticiário da tarde da RTP (sim, quando é tarde em Portugal, aqui é noite).
Digo "cometi o erro" porque já há muito tempo que tinha percebido que ver os noticiários Portugueses me deprime e tinha decidido não ver mais... Então, numa altura em que a Índia sofre os piores atentados bombistas da sua História, a Islândia se afunda economicamente, a Tailândia se afunda politicamente, o euro e a libra caem como se não houvesse amanhã, o Presidente eleito dos EUA apresenta a sua equipa, etc., as prioridades do noticiário da RTP (se bem me lembro o da SIC ainda é pior e o da TVI é de fugir) são as seguintes:
- NOTÍCIA DE ABERTURA: despiste de um autocarro com crianças que derrapou no gêlo para lá do sol posto. Bem, isto até podia ter sido uma notícia importante se alguém tivesse morrido ou, pelo menos, deslocado um ombro. Nada disso! Ninguém morreu, o ferido em estado mais grave tinha sofrido uma entorse, o condutor não estava bêbado... Mesmo assim enviaram uma reporter para o local, ocuparam os primeiros 10 minutos do noticiário com a notícia. Ah, mas a rpóter tinha um escândalo na manga! E o escândalo disto tudo é que ela, baseada no testemunho de uma miúda de 5 anos com pronúncia do Norte desconfiava "vivamente" (aliás, o que ela era mais era uma vivaça) que tinha sido uma falha nos travões...;
- SEGUNDA NOTÍCIA: mais 10 minutos a falar do gêlo na Serra do Marão. O gêlo que tinha cortado as estradas, que tinha levado turistas a ver a Serra (filmaram um casal de turistas numa Serra para além disso deserta), entrevistaram condutores e depois a repórter que, para mal dos nossos pecados, tinha ido ao local, falou dois minutos à beira da estrada com carros a passarem a 20 cm dela. Aliás, isso foi a grande emoção do noticiário: por cada um que passava eu torcia os dedos para ver se o gêlo na estrada o fazia despistar, atropelar a repórter e fazer uma notícia com mais substância...
- TEMPO: Depois disso puseram um venerando senhor de idade a falar do tempo porque, pelos vistos, essa agora é a maior preocupação em Portugal. Ora, lá vão os bons velhos tempos em que para dizer exactamente a mesma coisa punham umas respeitáveis raparigas de saia curta e decote rasgado que tornavam esta apresentação do tempo bem menos enfadonha.
Foi mais ou menos por esta altura que eu adormeci para só acordar com o telefonema da Leonor e sair de casa. Fui a considerar se seria abertura do telejornal em qualquer país do mundo pôr-se uma bomba nas sedes de todos os canais de televisão portugueses...

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Pagode

Só um mail muito rápido antes da aula de Constitucional para dizer que o Pagode Alvim está-se mesmo a transformar num Pagode! Amanhã explico porquê... :-)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Freeze em Macau

Flor de Jasmim

As coisas que eu ando a aprender nas aulas de Mandarim...



Mas que bonita flor de jasmim! Mas que bonita flor de jasmim!
A sua fragrância e a sua beleza estão em todos os seus ramos.
Toda a gente a louva pelo seu cheiro e alvidão.
Vou apanhar algumas para enviar aos outros.
Oh flor de jasmim, flor de jasmim.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

E assim é Macau! 22


Fachada da Capela do Seminário de São José
A capela do seminário de São José é na minha arquitectadíssima, artistiquíssima, espiritualíssima mas, acima de tudo, humilíssima opinião um dos mais bonitos templos Católicos de Macau.
Por dentro tem a forma de uma cruz Grega e um ambiente calmo, elevado e muito propício quer à oração, quer a assistir a um concerto como eu assisti na passada Sexta Feira. Para além disso conta com uma relíquia de São Francisco Xavier e vai contar, dentro de pouco tempo, com um dos melhores órgãos de Macau para concertos de música religiosa da região.
Vale bem uma visita!

Fardo

Bem que eu gosto de não ter a última palavra a dizer na avaliação dos meus alunos! É tão mais desresponsabilizante... Vá, eu até corrijos exames mas depois vem o(a) professor(a) por trás e vê-os de novo. Mesmo que não mude uma vírgula ao que eu corrigi, pelo menos sinto-me mais livre na correcção.
Ontem fiquei a saber que por motivos pessoais, altamente compreensíveis diga-se de passagem, eu vou ter que fazer, vigiar e corrigir os exames de toda uma turma e que a regente dessa cadeira não quer nem olhar para eles. Senti que me tinha caído um fardo bem pesado nos ombros. A mim cabe-me fazer o exame, corrigi-lo e, sem uma segunda opinião, entregar as notas.
Não que eu fuja das minhas responsabilidades, mas lá que é bem mais fácil ter um professor com mais experiência a ver os exames dos alunos, lá isso é.
Como se não bastasse, no ano passado recebi uns zumzuns de que eu era muito exigente na correcção dos exames e que nos exames de história, por exemplo, um exame que eu corrigi, as notas tinham sido em média mais baixas que nos anos anteriores. Por outro lado, também fui eu que no ano passado apanhei por duas vezes alunos com cábulas e lhes anulei os exames...
Por isso tenho a impressão que quando eu hoje disser na aula que vou ser eu a fazer, vigiar e corrigir os exames, os alunos não vão saltar de alegria. Como eu ontem também não saltei de alegria quando soube da situação... Enfim... É uma vida dura mas alguém a tem que viver!

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Dia do Debate

Cá por Macau muito se tem falado de uma lei de desenvolvimento do artigo 23º da Lei Básica de Macau, que é mais ou menos a Constituição de Macau. Ora, o que acontece é que, como se pode ver pelo dito cujo artigo, se este artigo não for bem desenvolvido, isso pode levar a que se cerceiem as liberdades individuais para lá do que é desejável num regime democrático como o de Macau. Pode até acontecer que este se aproxime mais do regime Chinês quando o que é desejável é o contrário: que o regime Chinês se aproxime do de Macau...
Artigo 23.º
A Região Administrativa Especial de Macau deve produzir, por si própria, leis que proíbam qualquer acto de traição à Pátria, de secessão, de sedição, de subversão contra o Governo Popular Central e de subtracção de segredos do Estado, leis que proíbam organizações ou associações políticas estrangeiras de exercerem actividades políticas na Região Administrativa Especial de Macau, e leis que proíbam organizações ou associações políticas da Região de estabelecerem laços com organizações ou associações políticas estrangeiras.
Assim, hoje, na aula de Direito Constitucional, ainda durante o período de discussão pública do projecto de Lei, vamos fazer um debate. É importante que os alunos de Direito se interessem pelos assuntos políticos mais vivos da sociedade. O difícil mesmo vai ser a minha posição... Opinativo como sou, não gosto muito do papel de apenas moderar e esconder as opiniões para mim mas, assim como assim, já vou estando habituado. As aulas de Constitucional são uma constante tentação de opinar políticamente... Tentação a que tenho resistido bastante bem, acho eu!

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Mercados Financeiros II

E se há coisa que me chateia ainda mais que esta tal de crise, é o professor do gabinete ao lado fumar que nem uma chaminé o que leva a que eu tenha que fechar a ventoinha da minha porta para não me entrar fumo para o gabinete...

Mercados Financeiros

E pronto, eu nem sou de me chatear com este tipo de coisas, mas esta tal da crise nos mercados financeiros já me começa a mexer com o sistema!
Aqui em Macau a crise dos mercados financeiros veio-se juntar à política da Rê Pê Cê de conceder menos vistos aos Chineses para virem aqui a Macau, pelo que os casinos começaram a ter muito menos receitas. Vai daí, de um momento para o outro, os empreendimentos na Faixa de Cotai (a faixa reclamado ao mar entre a Taipa e Coloane) congelaram as obras em curso e despediram 11 mil trabalhadores. ONZE MIL! Assim, de um fósforo, sem água vai e com compensações miseráveis...
Isto, é claro, veio-se a reflectir noutros negócios todos e agora quem está mal são os ateliers de arquitectura e as empresas de construção pública que começaram a despedir pessoas: arquitectos, engenheiros, designers... Estão todos a ver o V de "volta a Portugal" a pairar sobre as cabeças.
Ontem uma grande amiga disse-me que talvez esteja a chegar a vez dela de voltar para Portugal; isto momentos depois de uma outra amiga do côro me dizer que ia voltar para as Filipinas... E, já se sabe como é, falta de obras públicas e falta de investimento eventualmente também levam os escritórios de Advogados à bancarrota, pelo que mais uma série de amigos pode estar na calha para voltar para Portugal! Amigos que me fazem falta...
Já bem me basta fazerem-me falta em Macau os amigos de Portugal, mas também me fazerem falta os amigos de Macau já é coisa do demo. Aliás, ontem o Pe. Denis estava visivelmente chateado com esta coisa de os casinos cheios de guita andarem a despedir trabalhadores com compensações miseráveis e só faltou mesmo dizer que era coisa do demo.
Agora, cereja envenenada no topo deste bolo podre... Por causa desta instabilidade nos mercados, o Rui, que trabalha precisamente nessa área, já não pode tirar dois diazinhos para irmos mergulhar no fim de semana para a Malásia ou Tailândia!
Mas não me digam que com tanta gente que parece tão inteligente e composta na TV a mandar bitaites, ninguém diz qual a solução para esta crise! Oh Senhores Bush/Obama, Durão e Hu: precisam que vá eu aí a Washington, Bruxelas e Pequim explicar como se faz?

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Dá-se a uns ares...

"Dá-se a uns ares" é uma expressão linda de morrer. É mesmo uma daquelas expressões da rica Linga Portuguesa que se torna intraduzível para outras línguas mas que qualquer falante da língua de Camões percebe logo que ela é proferida.
"Dá-se a uns ares de rico", "dá-se a uns ares de bom", "dá-se a uns ares de gente de bem" ou, pura e simplesmente apenas "dá-se a uns ares..." e o interlucutor sabe logo a que ares se dá, quem e em que circunstâncias.
No outro dia um amigo em Portugal dizia-me no msn que eu me dava a uns ares. Ele ia mesmo mais longe, ele dizia que eu sempre me tinha dado a uns ares mas desde que estava na China estava insuportávelmente dado a ares. Mas como é que é possível que isso possa aparecer na mesa frase? A palavra insuportavelmente e a expressão "dar-se a ares"?
"Dar-se a ares" é das coisas mais fantasticamente deliciosas que alguém pode fazer. É alguém que não se contenta com a triste realidade de ser o que é, pelo que se apresenta como muito melhor do que é.
E sim, é verdade que eu não vou ao ginásio, à sauna e às massagens todos os dias; sim, é verdade que a minha vida não é verdadeiramente a de um dondoco; sim é verdade que eu me vejo obrigado a trabalhar como o comum dos mortais... Mas se eu me dou a ares de dondoco, é para proporcionar aos meus interlucutores a esperança de algum dia poderem vir a ter a vida de dondoco que eu próprio não tenho mas que está ao alcance de qualquer um: basta roubar-se um banco e não se ser apanhado, conseguir-se que a Athina Onassis se divorcie do Brazuca e se case com o próprio ou, pura e simplesmente, ganhar-se uma fortuna ao jogo. Todasas outras maneiras de enriquecer exigem trabalho, o que tira algum prazer ao enriquecimento.
Como eu não sei manobrar uma arma para assaltar um banco, não estou interessado na Athina nem gosto de jogar, resta-me dar-me a ares de que sou dondoco sabendo que, na realidade, nunca o serei.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Aparição anual


Já começa a ser tradição que uma vez por ano, mais ou menos por esta altura, que eu apareça na imprensa de Macau... Vá, o problema está em que quando falo, muitas vezes saem-me umas palavras quando eu queria dizer outras. Assim onde está: "a conciliação entre liberdades individuais e a soberania individual", o segundo "individual" foi obviamente um lapsus linguae, eu queria dizer soberania estadual... :-)
Mas fiquei bem na fotografia, não fiquei? Comprometido, atento, com ar muito compostinho... Só é pena o Professor Japonês atrás de mim a dormir!

sábado, 15 de novembro de 2008

E assim é Macau! 21

Casino Venitian, Cotai Strip
Escrevo este post depois de um triste acontecimento. Devido às enormes perdas de receitas que os casinos têm sofrido nos últimos meses, quer com a nova política da China que restringe muito mais os vistos dos Chineses para virem a Macau, quer com a pioria das condições dos seus empréstimos avultados, os empreendimentos da Cotai Strip despediram 11 mil trabalhadores, 9 mil deles de fora de Macau, que agora se vêm obrigados a regressar às suas casas (porque os vistos de trabalho expiram com os próprios contratos) inesperadamente e com uma mão à frente e outra atrás...