terça-feira, 13 de janeiro de 2009

É dura a vida de um emigrante!

Bem, isto de viajar nem sempre é um mar de rosas e por vezes pode mesmo ser um inferno. E a minha viagem de regresso a Macau foi mesmo um infernozinho que não digo nem conto! Mentira! É claro que conto! Ora eu a não contar uma coisa destas, onde já se viu?
Pois lá cheguei eu na Segunda ao aeroporto pronto para voltar para Macau mas quando chego lá omeu vôo tinha sido cancelado. Que seca! Eu já tinha feito o check in on line e escolhido lugares à janela para mim e para o Alexandree aora o vôo tinha sido cancelado! Motivo: vinhamos com a Air France por Paris e em Paris o tempo estava terrível e era impossível aterrar ou decolar (descolar? como descolar uma cartolina?).
Vai daí, depois de mais de duas horas numa fila (conforme documentado pela fotografia do Alexandre que aqui apresento), lá nos deram dois bilhetes com a British Airways por Londres no dia seguinte. Isto podia constituir um pequeno problema dado que o visto Shenguen do Alexandre caducava nesse dia, mas lá fomos à emigração, explicámos o caso e eles disseram que não havia problema se explicássemos isso à saída do espaço Sheguen, que era Lisboa dado que o Reino Unido da Grâ-Bretanha e Irlanda do Norte não faz parte do Espaço Shenguen.



No dia seguinte, pelas 5 da manhã lá chegámos ao aeroporto, mas os nossos stresses não tinham terminado. Já tínhamos feito o check in on line, mais uma vezos dois com lugares à janela em filas perto um do outro para podermos ir comentando factos que fosse necessário ser comentado. Ao fazermos o check in no balcão a senhora informa-nos que o Alexandre não tinha visto para trânsito no Reino Unido da GraBretanha e Irlanda do Norte... Visto de trânsito? O que éum visto de trânsito??? Mas ele nem vai sair da área internacional! Pois, mas ao que parece os cidadãos da Rê Pê Cê precisam de visto de trânsito para entrar nas áreas internacionais dos aeroportos de Sua Magestade...

Lá voltámos à Air France a expor a situação e eles conseguiram-nos bilhetes pela TAP até Amesterdão e daí com a Cathay Pacific. Eu podia ter-me mantido no meu lugarzinho à janela com a British Airways mas o problema estava em que, com este novo arranjo o Alexandre saía do Espaço Shenguen em Amesterdão e teria aí que explicar o seu problema de visto em Inglês, língua que ele não domina bem e ainda punham esse ilustre professor de Direito desta praça atrás das grades geladas da Holanda. Claro que àquela hora da manhã, depois de uma noite pouco dormida porque acordei às 4 da manhã para estar no aeroporto às5 nem me ocorreu a fantástica ideia de escrever uma cartinha em Inglês a explicar isso pelo que lá fui eu por Amesterdão... No fim, tinha sido desnecessário porque mal comecei a escrever o senhor fez um sorriso muito simpático acompanhado de um "yeah, yeah, yeah, don't worry about that" e nem me deixou acabar de explicar...

Estava-se mesmo a ver que com uma escala de 1,5 horas e mudança de companhias aéreas me iam perder as malas e foi isso mesmo que me aconteceu. Saí de Lisboa terça de manhã, cheguei a HK quarta de manhã e a minha mala só me apareceu no Sábado à tarde!

É dura a vida de um emigrante!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Casamento marcado?

Numa altura em que no meu perfil do facebook volta a aparecer que estou "disponível", uma amiga avisou-me que eu já não ia para novo. Sim ela estava a falar a sério! É Israelita e os Israelitas conseguem ser quase tão inconvenientes como eu. É claro que eu lhe disse que tinha uma Lolita, i.e, uma amante Espanhola como aquelas que todos os gentlemen Portugueses tinham nos idos do século XIX.
Mas hoje, enquanto tomava o meu duche matinal, lembrei-me de algo muito melhor. É que tenho casamento marcado com uma das minhas maiores amigas caso esta esteja descomprometida aos 30 anos. Ou seja, a 30 de Novembro de 2011 eu volto a dar notícias sobre a minha situação marital.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Silêncio

A malta quer saber os porquês deste prolongado silêncio... Mas porque é que o blogadíssimo já não está tão magnifiquíssimamente comunicador como era seu apanágio?
Os motivos são muitos mas nenhum desculpa o silêncio. Eu devia chicotear-me como o Salvatore no "Nome da Rosa" mas agora não tenho aqui nenhum chicote à mão; eu devia-me arrastar pelo chão enquanto pedia desculpa mas tenho a impressão que a empregada de limpeza aqui do andar não tem vindo muitas vezes aqui ao gabinete; eu devia cantar "te deums" até ficar rouco como forma de obter perdão deste minha grave falta, mas amanhã tenho o côro e não quero chegar lá rouco.
Assim, como pedido de desculpas e a fim de compensar esta minha ausência, aqui vos deixo uma recente fotografia minha e a promessa de agora voltar a regular e ponderadamente ir aqui escrevendo... O que é que eu costumo escrever aqui? Ah, sim! Os meus tudos e nadas!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Motins

Nas últimas semanas o mundo tem assistido em pontos diferentes do mundo, Tailândia e Grécia, a demostrações que se transformaram em verdadeiros motins. Os seus participantes dizem lutar pela Democracia, mas isto parece-me uma forma muito deturpada de Democracia.
Democracia, no meu ponto de vista, é a promoção dos Direitos e Liberdades de uma sociedade através de um sistema em que todos participam na formação de decisões. Ora, bem ou mal, os cidadãos Tailandeses e Gregos escolheram os governos que agora uns quantos querem derrubar.
Parece-me que se estes manifestantes querem realmente promover a Democracia, então deviam empenhar-se mais na política tendo em vista o bem comum e nas próximas eleições promoverem a participação eleitoral dos cidadãos dos seus países e a informação sobre os diferentes programas partidários.
Neste momento, dizendo representar os respectivos povos, estes grupos de participantes estão, na verdade, a desrespeitar a vontade que esses povos exprimiram nas eleições. Se calhar, muitos destes participantes nem sequer votaram ou nunca antes se tinham envolvido na política. Se calhar até têm aquela atitude de que "todos os políticos são maus, para que é que hei-de perder o meu tempo?", que é a atitude das pessoas que se acham óptimas, impolutas, cheias de boas ideias para o bem comum mas que não fazem nada na sociedade e no dia das eleições ficam em casa a ver TV ou vão para a praia.
Isto que se anda a passar na Tailândia e Grécia não é Democracia... Isto é populocracia!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Descarteirado

Vá-se lá saber como mas há 28 anos foi feita uma combinação genética meio explosiva que gerou um aluado de primeira ordem. Desde sempre que fui distraído, não tenho sentido de orientação, esqueço-me de tudo menos do que aconteceu há mais de 100 anos, etc..
No entanto, todavia contudo, nunca tinha perdido uma carteira, um telemóvel ou o que quer que fosse. Nunca tinha até que no Domingo, às 6 da manhã, a voltar de Hong Kong, saí do táxi em minha casa e deixei lá a carteira. Liguei logo para a empresa de táxis, fui à polícia, etc., mas a carteira foi-se. Sumiu-se na bruma inexistente de Macau...
Dois cartões de crédito e um multibanco, dois passes de desconto um de Hong Kong e um de Macau, a carta de condução, dois cartões da Universidade, o cartão telefónico, o BI de Macau, etc.. Uma verdadeira seca!
Como hoje, dia de Nossa Senhora da Conceição, foi feriado em Macau, estou a ficar sem dinheiro e já vejo que na próxima semana vou ter bastante trabalho com papeladas, já para não dizer que vou ter que gastar um balúrdio...
Fulo com a minha própria distração e com o ladrão do táxista!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Desnoticiário em Portugal

Na Terça acabei as aulas às 20h e fui para casa só por uma meia hora já que ia ter com a Leonor passado um bocado logo que ela me telefonasse. Como era tão pouco tempo, não ia ler um livro para não deixar um capítulo a meio, não ia ver um filme no DVD também para não o deixar a meio e como não tinha comprado nesse dia o South China Morning Post cometi o erro de ligar a televisão para ver o noticiário da tarde da RTP (sim, quando é tarde em Portugal, aqui é noite).
Digo "cometi o erro" porque já há muito tempo que tinha percebido que ver os noticiários Portugueses me deprime e tinha decidido não ver mais... Então, numa altura em que a Índia sofre os piores atentados bombistas da sua História, a Islândia se afunda economicamente, a Tailândia se afunda politicamente, o euro e a libra caem como se não houvesse amanhã, o Presidente eleito dos EUA apresenta a sua equipa, etc., as prioridades do noticiário da RTP (se bem me lembro o da SIC ainda é pior e o da TVI é de fugir) são as seguintes:
- NOTÍCIA DE ABERTURA: despiste de um autocarro com crianças que derrapou no gêlo para lá do sol posto. Bem, isto até podia ter sido uma notícia importante se alguém tivesse morrido ou, pelo menos, deslocado um ombro. Nada disso! Ninguém morreu, o ferido em estado mais grave tinha sofrido uma entorse, o condutor não estava bêbado... Mesmo assim enviaram uma reporter para o local, ocuparam os primeiros 10 minutos do noticiário com a notícia. Ah, mas a rpóter tinha um escândalo na manga! E o escândalo disto tudo é que ela, baseada no testemunho de uma miúda de 5 anos com pronúncia do Norte desconfiava "vivamente" (aliás, o que ela era mais era uma vivaça) que tinha sido uma falha nos travões...;
- SEGUNDA NOTÍCIA: mais 10 minutos a falar do gêlo na Serra do Marão. O gêlo que tinha cortado as estradas, que tinha levado turistas a ver a Serra (filmaram um casal de turistas numa Serra para além disso deserta), entrevistaram condutores e depois a repórter que, para mal dos nossos pecados, tinha ido ao local, falou dois minutos à beira da estrada com carros a passarem a 20 cm dela. Aliás, isso foi a grande emoção do noticiário: por cada um que passava eu torcia os dedos para ver se o gêlo na estrada o fazia despistar, atropelar a repórter e fazer uma notícia com mais substância...
- TEMPO: Depois disso puseram um venerando senhor de idade a falar do tempo porque, pelos vistos, essa agora é a maior preocupação em Portugal. Ora, lá vão os bons velhos tempos em que para dizer exactamente a mesma coisa punham umas respeitáveis raparigas de saia curta e decote rasgado que tornavam esta apresentação do tempo bem menos enfadonha.
Foi mais ou menos por esta altura que eu adormeci para só acordar com o telefonema da Leonor e sair de casa. Fui a considerar se seria abertura do telejornal em qualquer país do mundo pôr-se uma bomba nas sedes de todos os canais de televisão portugueses...

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Pagode

Só um mail muito rápido antes da aula de Constitucional para dizer que o Pagode Alvim está-se mesmo a transformar num Pagode! Amanhã explico porquê... :-)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Freeze em Macau

Flor de Jasmim

As coisas que eu ando a aprender nas aulas de Mandarim...



Mas que bonita flor de jasmim! Mas que bonita flor de jasmim!
A sua fragrância e a sua beleza estão em todos os seus ramos.
Toda a gente a louva pelo seu cheiro e alvidão.
Vou apanhar algumas para enviar aos outros.
Oh flor de jasmim, flor de jasmim.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

E assim é Macau! 22


Fachada da Capela do Seminário de São José
A capela do seminário de São José é na minha arquitectadíssima, artistiquíssima, espiritualíssima mas, acima de tudo, humilíssima opinião um dos mais bonitos templos Católicos de Macau.
Por dentro tem a forma de uma cruz Grega e um ambiente calmo, elevado e muito propício quer à oração, quer a assistir a um concerto como eu assisti na passada Sexta Feira. Para além disso conta com uma relíquia de São Francisco Xavier e vai contar, dentro de pouco tempo, com um dos melhores órgãos de Macau para concertos de música religiosa da região.
Vale bem uma visita!

Fardo

Bem que eu gosto de não ter a última palavra a dizer na avaliação dos meus alunos! É tão mais desresponsabilizante... Vá, eu até corrijos exames mas depois vem o(a) professor(a) por trás e vê-os de novo. Mesmo que não mude uma vírgula ao que eu corrigi, pelo menos sinto-me mais livre na correcção.
Ontem fiquei a saber que por motivos pessoais, altamente compreensíveis diga-se de passagem, eu vou ter que fazer, vigiar e corrigir os exames de toda uma turma e que a regente dessa cadeira não quer nem olhar para eles. Senti que me tinha caído um fardo bem pesado nos ombros. A mim cabe-me fazer o exame, corrigi-lo e, sem uma segunda opinião, entregar as notas.
Não que eu fuja das minhas responsabilidades, mas lá que é bem mais fácil ter um professor com mais experiência a ver os exames dos alunos, lá isso é.
Como se não bastasse, no ano passado recebi uns zumzuns de que eu era muito exigente na correcção dos exames e que nos exames de história, por exemplo, um exame que eu corrigi, as notas tinham sido em média mais baixas que nos anos anteriores. Por outro lado, também fui eu que no ano passado apanhei por duas vezes alunos com cábulas e lhes anulei os exames...
Por isso tenho a impressão que quando eu hoje disser na aula que vou ser eu a fazer, vigiar e corrigir os exames, os alunos não vão saltar de alegria. Como eu ontem também não saltei de alegria quando soube da situação... Enfim... É uma vida dura mas alguém a tem que viver!

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Dia do Debate

Cá por Macau muito se tem falado de uma lei de desenvolvimento do artigo 23º da Lei Básica de Macau, que é mais ou menos a Constituição de Macau. Ora, o que acontece é que, como se pode ver pelo dito cujo artigo, se este artigo não for bem desenvolvido, isso pode levar a que se cerceiem as liberdades individuais para lá do que é desejável num regime democrático como o de Macau. Pode até acontecer que este se aproxime mais do regime Chinês quando o que é desejável é o contrário: que o regime Chinês se aproxime do de Macau...
Artigo 23.º
A Região Administrativa Especial de Macau deve produzir, por si própria, leis que proíbam qualquer acto de traição à Pátria, de secessão, de sedição, de subversão contra o Governo Popular Central e de subtracção de segredos do Estado, leis que proíbam organizações ou associações políticas estrangeiras de exercerem actividades políticas na Região Administrativa Especial de Macau, e leis que proíbam organizações ou associações políticas da Região de estabelecerem laços com organizações ou associações políticas estrangeiras.
Assim, hoje, na aula de Direito Constitucional, ainda durante o período de discussão pública do projecto de Lei, vamos fazer um debate. É importante que os alunos de Direito se interessem pelos assuntos políticos mais vivos da sociedade. O difícil mesmo vai ser a minha posição... Opinativo como sou, não gosto muito do papel de apenas moderar e esconder as opiniões para mim mas, assim como assim, já vou estando habituado. As aulas de Constitucional são uma constante tentação de opinar políticamente... Tentação a que tenho resistido bastante bem, acho eu!

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Mercados Financeiros II

E se há coisa que me chateia ainda mais que esta tal de crise, é o professor do gabinete ao lado fumar que nem uma chaminé o que leva a que eu tenha que fechar a ventoinha da minha porta para não me entrar fumo para o gabinete...

Mercados Financeiros

E pronto, eu nem sou de me chatear com este tipo de coisas, mas esta tal da crise nos mercados financeiros já me começa a mexer com o sistema!
Aqui em Macau a crise dos mercados financeiros veio-se juntar à política da Rê Pê Cê de conceder menos vistos aos Chineses para virem aqui a Macau, pelo que os casinos começaram a ter muito menos receitas. Vai daí, de um momento para o outro, os empreendimentos na Faixa de Cotai (a faixa reclamado ao mar entre a Taipa e Coloane) congelaram as obras em curso e despediram 11 mil trabalhadores. ONZE MIL! Assim, de um fósforo, sem água vai e com compensações miseráveis...
Isto, é claro, veio-se a reflectir noutros negócios todos e agora quem está mal são os ateliers de arquitectura e as empresas de construção pública que começaram a despedir pessoas: arquitectos, engenheiros, designers... Estão todos a ver o V de "volta a Portugal" a pairar sobre as cabeças.
Ontem uma grande amiga disse-me que talvez esteja a chegar a vez dela de voltar para Portugal; isto momentos depois de uma outra amiga do côro me dizer que ia voltar para as Filipinas... E, já se sabe como é, falta de obras públicas e falta de investimento eventualmente também levam os escritórios de Advogados à bancarrota, pelo que mais uma série de amigos pode estar na calha para voltar para Portugal! Amigos que me fazem falta...
Já bem me basta fazerem-me falta em Macau os amigos de Portugal, mas também me fazerem falta os amigos de Macau já é coisa do demo. Aliás, ontem o Pe. Denis estava visivelmente chateado com esta coisa de os casinos cheios de guita andarem a despedir trabalhadores com compensações miseráveis e só faltou mesmo dizer que era coisa do demo.
Agora, cereja envenenada no topo deste bolo podre... Por causa desta instabilidade nos mercados, o Rui, que trabalha precisamente nessa área, já não pode tirar dois diazinhos para irmos mergulhar no fim de semana para a Malásia ou Tailândia!
Mas não me digam que com tanta gente que parece tão inteligente e composta na TV a mandar bitaites, ninguém diz qual a solução para esta crise! Oh Senhores Bush/Obama, Durão e Hu: precisam que vá eu aí a Washington, Bruxelas e Pequim explicar como se faz?

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Dá-se a uns ares...

"Dá-se a uns ares" é uma expressão linda de morrer. É mesmo uma daquelas expressões da rica Linga Portuguesa que se torna intraduzível para outras línguas mas que qualquer falante da língua de Camões percebe logo que ela é proferida.
"Dá-se a uns ares de rico", "dá-se a uns ares de bom", "dá-se a uns ares de gente de bem" ou, pura e simplesmente apenas "dá-se a uns ares..." e o interlucutor sabe logo a que ares se dá, quem e em que circunstâncias.
No outro dia um amigo em Portugal dizia-me no msn que eu me dava a uns ares. Ele ia mesmo mais longe, ele dizia que eu sempre me tinha dado a uns ares mas desde que estava na China estava insuportávelmente dado a ares. Mas como é que é possível que isso possa aparecer na mesa frase? A palavra insuportavelmente e a expressão "dar-se a ares"?
"Dar-se a ares" é das coisas mais fantasticamente deliciosas que alguém pode fazer. É alguém que não se contenta com a triste realidade de ser o que é, pelo que se apresenta como muito melhor do que é.
E sim, é verdade que eu não vou ao ginásio, à sauna e às massagens todos os dias; sim, é verdade que a minha vida não é verdadeiramente a de um dondoco; sim é verdade que eu me vejo obrigado a trabalhar como o comum dos mortais... Mas se eu me dou a ares de dondoco, é para proporcionar aos meus interlucutores a esperança de algum dia poderem vir a ter a vida de dondoco que eu próprio não tenho mas que está ao alcance de qualquer um: basta roubar-se um banco e não se ser apanhado, conseguir-se que a Athina Onassis se divorcie do Brazuca e se case com o próprio ou, pura e simplesmente, ganhar-se uma fortuna ao jogo. Todasas outras maneiras de enriquecer exigem trabalho, o que tira algum prazer ao enriquecimento.
Como eu não sei manobrar uma arma para assaltar um banco, não estou interessado na Athina nem gosto de jogar, resta-me dar-me a ares de que sou dondoco sabendo que, na realidade, nunca o serei.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Aparição anual


Já começa a ser tradição que uma vez por ano, mais ou menos por esta altura, que eu apareça na imprensa de Macau... Vá, o problema está em que quando falo, muitas vezes saem-me umas palavras quando eu queria dizer outras. Assim onde está: "a conciliação entre liberdades individuais e a soberania individual", o segundo "individual" foi obviamente um lapsus linguae, eu queria dizer soberania estadual... :-)
Mas fiquei bem na fotografia, não fiquei? Comprometido, atento, com ar muito compostinho... Só é pena o Professor Japonês atrás de mim a dormir!

sábado, 15 de novembro de 2008

E assim é Macau! 21

Casino Venitian, Cotai Strip
Escrevo este post depois de um triste acontecimento. Devido às enormes perdas de receitas que os casinos têm sofrido nos últimos meses, quer com a nova política da China que restringe muito mais os vistos dos Chineses para virem a Macau, quer com a pioria das condições dos seus empréstimos avultados, os empreendimentos da Cotai Strip despediram 11 mil trabalhadores, 9 mil deles de fora de Macau, que agora se vêm obrigados a regressar às suas casas (porque os vistos de trabalho expiram com os próprios contratos) inesperadamente e com uma mão à frente e outra atrás...

No worries mates!

Já há alguns dias que eu sentia que o mundo andava um tanto quanto preocupado com a falta de escrita aqui no blog, combinado com o facto de eu agora ter um Alemão de 2m em casa. Sei lá, as pessoas deitam-se a imaginar coisas que poderão ter acontecido, se eu ainda estarei vivo, etc.. O primeiro foi aqui há dois dias o Sócrates a mandar um sms, logo seguido de um mail do Durão Barroso. No dia seguinte sou surpreendido com um telefonema do tio Hu Jin-tao (um querido, sempre preocupado comigo) a que se sucederam telefonemas das Rainhas da Holanda e da Inglaterra, do Cavaco Silva (o Sócrates esqueceu-se de falar com ele como eu lhe pedi), do Tio Duarte Pio, sei lá...
Mas foi quando hoje, ao acordar, recebo um telefonema do Ban Ki-moon a dizer que o Conselho de Segurança da ONU se preparava para aprovar uma moção para que os capacetes azuis da ONU venham de imediato a Macau salvar-me, que eu me decidi a escrever aqui para dizer a todos: "no worries mates!" Se não tenho escrito aqui é porque tenho tido pouco tempo e muito trabalho com um simpósio no qual vou participar Segunda, com a preparação das aulas, com a proposta de tese de mestrado, etc.. E no dia a seguir ao simpósio começo a traduzir um livro em francês sobre a OHADA para estar pronto para ontem. Enfim... Um streck! Nem tenho ido ao ginásio de manhã, as minhas pernas estão a gritar por uma massagem, preciso de voltar à sauna para relaxar... Mas o que é que é feito da minha boa vida de dondoco?
Mas não se preocupem que antes de ontem vi uma luz ao fim do túnel desta vida de miséria e depressão. Ao falar com o meu amigo Rui, que já estava a caminho do aeroporto para vir aqui ver se eu ainda respirava, concluímos que o que ambos precisávamos era de um fim de semana a fazer mergulho no Bornéu, pelo que Terça vou tratar disso. Hasta la vista amigos!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Bébé Alvim

Ontem adoptei um filho!
Então o "piqueno" é um alemão de 24 anos e com 2m de altura que vivia em HK com vistos de turista há um ano a trabalhar como professor de Inglês. Quando saiu de HK para revalidar o visto, não o deixaram voltar a entrar porque já tinha revalidado o visto demasiadas vezes (óbvio!) e que 3 semanas depois de andar entre Macau e a China a ver qual a melhor maneira de voltar a entrar em HK (tentou 4 vezes e estava a pensar pôr os serviços alfandegários de HK em tribunal!!!) estava sem dinheiro nem lugar onde ficar.
Eu fiquei com pena e disse para ele ficar lá em casa mas como me apercebi que ele é um calão, hoje, depois do voltar do ginásio, fui acordá-lo e estive a fazer-lhe uma data de perguntas para ver que tipo de emprego é que dá para ele arranjar e as hipóteses não parecem muito brilhantes, mas alguma coisa há-de surgir. A certa altura, como ele tinha umas conclusões muito básicas para todos os problemas dele, eu tomei as rédeas à vida dele e fiz-lhe uma lista de coisas que ele precisava de fazer para encontrar um emprego em Macau. Até que é giro fazer o papel de planeador de vidas alheias, dado que até ao fim do mestrado não vou replanear a minha própria vida.
Como ele já não tinha dinheiro nenhum, disse-lhe que lhe pagava se fosse para a biblioteca encontrar material para um artigo que estou a escrever e que, se encontrasse material em Alemão que eu considerasse útil, lhe pagava para mo traduzir.
Pelo que parece que nos próximos tempos vou andar ocupado com a tarefa de tomar conta de um filho de 24 anos com 2m de altura o que, já agora, deve ser a causa das ideias dele: nas pessoas muito altas, por causa da força da gravidade, o sangue não lhes chega bem ao cérebro... :-)

domingo, 9 de novembro de 2008

Dia da dedicação da Basílica de Brandão???

Então isto do santo de cada um é assim: todos os dias a Igreja comemora um qualquer Santo que ou nasceu ou morreu ou foi canonizado nesse dia. Vai daí toda a gente tem o "seu" próprio santo, ou seja, o santo do dia em que nasceu.
Só um parentesis nesta estória para dizer que ainda no outro dia estava a contar a alguém a estória do "meu" santo, São Bartolomeu, e contei-a mal: ele não foi grelhado e não aparece nas suas imagens a segurar a grelha; ele foi esfolado vivo e aparece nas imagens a segurar a faca de esfolar e na capela Sistina até segura a própria pele. Tenebroso, não é?
Bem, mas mais vale ter um santo com uma estória tenebrosa do que não ter santo nenhum.
Ora, hoje abro o mail do Evangelho Quotidiano e, em vez de aparecer lá o santo do dia como todos os dias, aparece "dia de dedicação da Basílica de S. João de Latrão"! Ou seja, hoje não havia nenhum santo importante para comemorar, pelo que decidiram comemorar outra coisa qualquer...
Ora, conlcuí eu, isto explica muita coisa! Este é o dia de anos da Mafalda, ela não tem nenhum "santo dela" a interceder junto do Chefe lá de cima e é por isso que ela anda sempre aos tombos, a torcer pulsos, ombros, joelhos, etc.. Tadinha! Quer'zer... Antes um santo esfolado que segura a própria pele na Capela Sistina que santo nenhum, certo?
Olha miúda, o que se há-de fazer? Bem que podias ter nascido uns dias antes e tinhas nascido no dia do Beato Nuno Álvares Pereira que é daqueles cheios de força porque está habituado a vencer nas guerras com a ajuda da padeira de Aljubarrota... Agora olha, azarucho e aguenta as quedas! Já é tarde de mais para nasceres outra vez...
Mesmo assim, cá vai uma beija de Macau e eu, que durante a Missa me sento no altar e fico mais perto do senhor que representa o Chefe durante a celebração (no côro da Sé de Macau é assim), vou interceder eu mesmo por ti. Parabéns!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Festa de Halloween


Desde que cheguei de férias que me deparei com uma nova e fantástica realidade em Macau: as festas na piscina do MGM. Pois que estas festas de um momento para o outro passaram a atrair la crême de la crême de Macau e HK com a melhor música, o melhor ambiente, comidinha à borla (como é bom e eu gosto), etc..
Os organizadores no MGM Grand estão de parabéns!

E assim é Macau! 20

Pormenor da biblioteca Sir Robert Ho Tung
Largo de Sto. Agostinho

E assim é Macau! 19


Largo do Leal Senado
Visto da janela da biblioteca do Leal Senado

White house?


terça-feira, 4 de novembro de 2008

E assim é Macau! 18


Banca no Mercado Vermelho
Note-se bem lá atrás a galinha antes de ser comprada e aqui à frente a galinha depois de ser comprada. Sim, esta fotografia artística fui eu mesmo que tirei com a máquina da Sara.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

E assim é Macau! 17


Montra de manequins na Rua do Campo

E assim é Macau! 16


Museu de Macau

Casamentos Chineses



Os casamentos aqui na China são mesmo muito diferentes dos nossos, no Ocidente, e eu não podia deixar de transmitir o que por aqui se passa neste sapientíssimo, cultíssimo, inter-culturalíssimo mas, acima de tudo, humilíssimo blog no que a casamentos diz respeito.
Para acomeçar, em vez de fazerem tudo num só dias como os noivos ocidentais, os noivos chineses dividem o seu casamento por vários dias, a saber:
- O dia em que celebram o casamento propriamente dito, ou seja, o dia em que vão ao cartório e se tornam marido e mulher. Normalmente isso é uma cerimónia muito íntima só com pais e irmãos e todo o resto da maralha fica em casa e nem sabe em que dia isso se passou.
- O dia em que tiram as fotografias do casamento, ou seja, o dia em que andam a passear pela cidade com um fotógrafo, em que mudam várias vezes de roupa, o que pode querer dizer que se vestem de noivos ocidentais (como estes na foto, se bem que nenhum homem ocidental se vestiria assim), de noivos chineses antigos, de nobres ocidentais da corte de Luís XIV, etc.. Todas essas fatiotas são alugadas pela empresa de fotografia que e também a empresa que leva os noivos num carro XPTO, que tira e revela as fotografias, que faz os álbuns, etc.
- O dia do copo de água, ou seja, o dia em que os convidados vão jogar ma-jong, dar os laissis (pacotes encarnados com dinheiro) ver as fotografias do casamento (daí elas serem feitas antes), tirar eles próprios fotografias com os noivos, etc.. Ah, e claro, comer. Mas apenas comer e admirar os diferentes fatos da noiva que nos intervalos entre pratos diferentes vai mudar de fato. Bailarico? Festa até às tantas com toda a gente a dançar? Isso não! Os Chineses não são muito amigos de dançar e mal acabam de jantar, bazam logo à francesa. Um dia destes ainda se lembram de, em vez da dança, porem um karaoke para depois do jantar. Eu, que até que gosto de karaoke, acharia uma óptima ideia.

Turistas em Macau


Aproveitando a visita da Sara a Macau, andei dois dias a visitar a cidade como se fosse um turista. No primeiro dia a Diana, amiga também a visitar de Portugal, juntou-se-nos e no segundo dia foi a vez da Leonor, que chegou há duas semanas a Macau para arquitectar nesta cidade.
Devo confessar com vergonha que a maior parte das coisas que lhes mostrei, eu próprio nunca tinha visitado. Como vivo cá em Macau, ia adiando as visitas e sempre que um amigo vinha só por umas horas, eu fazia o batido trajecto Senado - São Paulo - Forte e pronto!
Com o Rui e a Alexandra, por exemplo, acabei por ficar uma tarde inteira dentro do casino Veneza porque chovia que parecia o fim do mundo...
Mas agora tudo se conjugou bem: tinha menos trabalho, o clima está fantástico... E Macau vale mesmo muito mais a pena do que eu achava antes deste fim de semana.
No primeiro dia começámos pelo templo de A-má, subimos ao Quartel dos Mouros e ao Largo do Lilau (ambos eu nunca tinha visitado), depois disso Igreja de São Lourenço, Seminário de São José e largo de St. Agostinho (com a biblioteca, o teatro D. Pedro V, a Igreja de St. Agostinho e a Provincial Chinesa da Companhia de Jesus. Almoçámos aí e da parte da tarde descemos ao Largo do Senado, São Domingos, São Paulo e Forte. Para além disso visitámos o Museu de Macau que não é a toa que nos guias dizem que é um dos melhores museus da China! É um museu com a história de Macau e da relação entre a China e Portugal. Começa da forma mais interessante com um "corredor do tempo" em que de um lado se explica o que se andou a passar pela China e do outro o que se andava a a passar a Europa ao mesmo tempo.
No segundo dia visitámos a Igreja de Sto. António, o Jardim Camões, o Mercado Vermelho e um outro mercado de rua lá perto que eu nem sabia que existia. Já exaustos, almoçámos e depois do almoço passámos a um templo enorme, que eu também desconhecia a existência, subimos no teleférico da Guia e fomos visitar o farol e a capela da Guia, que é uma das capelinhas mais bonitas de Macau. Depois disso apanhámos um táxi para a Torre de Macau onde a Sara e a Leonor subiram para ver a vista enquanto que eu fiquei lá em baixo a enfardar bolos e gelados e a dormitar (como é muito caro e eu tenciono ir lá saltar de bunjee jumping um dia destes, achei que não valia a pena ir).
E assim foi o meu fim de semana de turismo em Macau, um fim de semana que serviu para eu ver como, afinal de contas, até que há muita coisa gira em Macau! Para além de mim, claro!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008