
Este Domingo foi o primeiro treino da equipa de barcos dragão da Universidade de Macau e eu, a muito custo e com muito sacrífico pessoal, lá me levantei às 8.30 depois de umas muito escassas e altamente insuficientes horas de sono, lá apanhei o autocarro para Macau onde quase adormeci e lá fui para o lago Nan Van (ou coisa que o valha) a amaldiçoar a hora em que prometi ao meu amigo James, capitão da equipa, que ia lá ao primeiro treino "just to see how it goes".
Se ao menos na noite anterior não tivesse havido uma festa tão gira e tão cheia de "toda a gente que é gente" na piscina do casino MGM... Se ao menos a manhã tivesse aquele ventinho fresco que há nas manhãs Outubrescas em Lisboa em vez deste vento morno e húmido que nos causa ainda mais letargia... Se ao menos a porcaria do treino fosse uma hora mais tarde... Mas porque é que eu fui prometer que ia!?
Depois de ir todo o caminho a amaldiçoar a minha decisão e a barafustar comigo mesmo, cheguei ao treino com aquele sorriso efusivo e aquele palavreado fácil e feliz que faz a minha perspicaz amiga Inês* perceber logo que eu estou de mau humor.
E a coisa não podia ter começado pior... Ainda estava com sono e, mesmo depois de ter bebido duas garrafas de água, uma ligeira dor de cabeça e aquela gente, muito alegremente e cheia de entusiasmo, diz-me que vamos começar com um aquecimento de uma corrida à volta do lago. Ora, o dito cujo lago era tipo Loch Ness, ou seja, enorme e eu já me sentia cansado antes mesmo de começar. Perante o desespero de alguns novatos como eu que iam ali só para dar uma voltinha de barco. eu respondi com um sorriso contagiante e uma boa disposição que pouca gente percebe que é falsa: "Óptimo! Vamos correr um bocadinho que é para amanhã não estarmos todos doridos do treino!" Isso deixou logo os ditos cujos novatos a murmurar qualquer coisa em Chinês e a olharem-me de soslaio com ares de poucos amigos.
Algo se passou durante os bons 20 minutos a correr que eu não sei explicar bem mas no fim da corrida o sorrisinho contagiante já me tinha desaparecido da cara e eu já estava contente com a decisão de ter ido. Mais contente ainda fiquei ao verificar a minha boa forma nas elevações e nas flexões e depois a remar no barco. No fim já estava convencido a ficar na equipa e até me diverti com um jogo de cartas que eu não percebi muito bem as regras mas que era de apostas com flexões.
Ora, o tal jogo era por grupos e o meu grupo era constituído por mais quatro novatos sendo que três deles não conseguiam fazer uma única elevação no espaldar acima da cabeça. No fim dividiamos as flexões igualmente por todos pelo que eles estavam pouco contentes com o meu bluff apesar de termos jogos péssimos consecutivamente que a certa altura nos mereceu 120 flexões a cada um.
Por isso eu saí de lá contente da vida e decidido a voltar na semana seguinte enquanto que os outros novatos saíram de lá fulos comigo e esperando que eu não voltasse na semana seguinte. São os desencontros de vontades desta vida!
*Agora com mais uma sobrinha: parabéns!












