quarta-feira, 17 de outubro de 2007

China e Ambiente

O Presidente Hu Jintao dirigiu-se ao congresso do PCC que dura até ao fim desta semana e no seu discurso sublinhou princialmene a necessidade de se adoptarem urgentemente medidas de protecção do Ambiente. De facto, basta visitar qualqer cidade de dimensão media da China para se perceber que isso é verdade.
O êxodo rural das ultimas décadas e o crescimento desmesurado das cidades fez com que poco se ligasse ao Ambiente Ubano, por exemplo, havendo falta de espaços verdes nas cidades. Por outro lado, a população começou a atingir um nível de vida que lhe permitiu trocar a bicicleta pela mota ou automóvel e a multiplicação das fábricas não contribuiu muito para que o ar se mantivesse puro...
Começa a ser impossível viver na China!

Nova Constituição

Desde que me lembro de ter ideias políticas que me lembro de querer uma nova constituição e discutia intensamente as vantagens de ter uma "Democracia Coroada" com a Alexandra e com o Rui que, estranhamente, mesmo sendo pessoas inteligentes, nunca perceberam que eu tinha razão. :-)
Mas lá está, o motivo porque eu queria ma nova constituição, era porque queria (e continuo a querer) um regime diferente do vigente: com um Rei como Chefe de Estado, com um Parlamento com mais poderes, com uma segunda câmara meramente consultiva constituída por representantes dos municípios e de ordens e associações profissionais (hoje tenho as minhas dúvidas quanto a esta segunda câmara), etc..
Agora vem o recém eleito Presidente do PSD dizer que também quer uma nova Constituição para ter um texto constitucional depurado da ideologia dominante em Portugal em 75/76 quando o texto foi elaborado. Ora eu, que continuo a ansiar por uma nova constituição, não poderia estar menos de acordo: ou bem que esta reflecte uma mudança fundamental do Estado, ou então deixem a CRP em paz, que já foi revista 8 vezes desde a sua entrada em vigor. A constituição é suposto ser um texto estável que regula o quadro de valores fundamentais pelo qual o Estado se rege bem como a organização política do mesmo, não é para estar a ser revista, alterada ou substituída a cada legislatura.
Por outro lado, este Senhor Menezes devia ter um bocadinho mais sentido de oportunidade: será que é quando a extrema esquerda (Stalinistas, Maoistas e Trotskistas) tem 22 deputados no Parlamento que é altura de depurar o texto constitucional do seu carácter ideológico?

terça-feira, 16 de outubro de 2007

China e Democracia

Iniciou-se ontem a semana do 17º congresso do Partido Comunista Chinês e por estes lados não se fala de outra coisa. 1/20 avos da população Chinesa é filiada no PCC, o que o faz o maior partido do mundo, e o número de congressistas é cerca de 2300.
Os congressos do PCC são realizados de 5 em 5 anos e tecem as orientações gerais que o Partido dará ao país no quinquénio seguinte.
Ontem, enquanto estava no ginásio, estavam a passar na televisão o discurso do porta-voz. De vez em quando, ele interrompia o discurso para que todo o congresso pudesse obedientemente bater 5 segundos de palmas sincronizadas e, deste modo, mostrar a unidade do Partido.
Ora, o que o porta-voz veio dizer, no que toca à política interna, foi essencialmente que a China ia prosseguir no caminho do “Comunismo de estilo Chinês”, o que quer dizer uma Economia de Mercado controlada pelo governo que é controlado pelo partido, que ia haver reformas políticas mas que a China não ia seguir o exemplo Ocidental.
Ora, o exemplo Ocidental é algo difícil de definir… Será que ele se referia ao Capitalismo puro e duro dos EUA ou à Social-democracia Europeia? Será que ele se referia ao multipartidarismo Continental ou ao dualismo partidário Anglo-Saxónico?
Parece que a única coisa que os países do “Ocidente”, enquanto considerarmos só a Europa e a América do Norte, têm em comum apenas um sistema em que a soberania reside nos povos que governam através dos seus representantes eleitos e povos e seus representantes/governantes todos têm que respeitar uma Constituição que assegura os Direitos, Liberdades e Garantias para todos, não só os que estão em maioria.
Então, afinal de contas, o que o porta-voz do PCC quis dizer só pode ser que é este modelo que ele não quer seguir, certo?

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Nova Constituição

Está uma pessoa afastada de ler as notícias portuguesas durante duas semanas e quando pensa que tudo corre como de costume na santa terrinha e se continua a só se falar de futebol e da Maddy desaparecida, eis que se surpreende com novidades!

Pois que o Luís Filipe Menezes decide começar a abanar o burgo e a criar notícias. Acho muito bem! Mesmo que não morra de amores pelo homeme muito menos pelas suas ideias.

Ora a primeira notícia é a de que ele propõe é a elaboração de uma nova Constituição. Ora eu desde que me conheço que quero uma nova constituição porque sou Monárquico e preferia a restauração da Monarquia, logo, uma alteração muito substancial no regime, o que justificaria uma nova Constituição com uma nova Chefia de Estado uma nova repartição dos poderes e uma nova ideia de Primeiro Ministro, que óbviamente ganharia mais poderes, um novo nome (sim, Constituição da República Portuguesa não ia soar muito bema uma constituição Monárquica), etc..

Mas muito me surpreenderia se soubesse que Luís Filipe Menezes partilhava esta minha opinião pelo que também muito me surpreendeu que ele propusesse uma nova Constituição. Uma Constituição, como norma superior e enquadradora que é de todo o Direito de um Estado, deve, tanto quanto possivel ser o mais estável possível sem ser constantemente sujeita a revisões e muito menos mudaças de constituição.

Menezes diz que quer esta nova constituição para depurar o texto constitucional de ideologias que já pouco têm a ver com o Portugal contemporâneo. Ora eu sou insuspeito de gostar da corrente ideológica na qual a constitição foi redigida, mas não me parece que hoje em dia a Constituição represente qualquer travão à Democracia ou à Economia de Mercado em que vivemos. Muito pelo contrário, esta constituição democratizou-se, adaptou-se aos tempos e à entrada na então CEE e é hoje em dia uma Constituição digna de qualquer Estado de Direito moderno.

Se alterações pontuais forem necessárias, pois que sejam feitas, mas fazer uma nova Constituição mantendo-se o mesmo paradigma constitucional parece-me injustificável.

Mas ainda bem que isto foi sugerido pois terá a vantagem de fazer as pessoas reflectir sobre a Constituição e isso é importante!

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Interrupção

Lembram-se quado havia interrupções na emissão da RTP aqui há uns anos?
Aparecia um anúncio a dizer:
"Pedimos desculpa por esta breve interrupão, a emissão segue dentro de momentos."
Pois, por motivos alheios à minha vontade, vou ter que interromper a emissão do blogadíssimo nas próximas semanas.
But just you wait... I'll be back!

Blogues Vizinhos

Vale bem a pena ler este post do Cachimbo de Magritte.

Parabéns Mestre Gonçalo!

Ora muitos parabéns ao Mestre Gonçalo!
Da última vez que o vi, o meu irmão ainda era apenas um arquitecto paisagista pelo ISA de Lisboa, mas neste momento já junta a isso o facto de ser um Mestre em ordenamento do território pela vetusta Universidade de Coimbra.
Aqui o vemos em terras do Douro lado a lado com a mana Mestre Mariana. Que família com tantos Mestres!
PS: Peço desculpa pelo lapso! Mestre em Engenharia Urbana...

Inglês Técnico

Pronto, ando eu aqui a espalhar o bom nome de Portugal com aquelas piedosas mentiras que já antes relatei mas depois o governo não ajuda!
A minha amiga Filipa praticou a crueldade de me enviar o discurso do Sócrates na Casa Branca e todo eu me contorci de vergonha enquanto o ouvia! Lembrei-me com saudades de alguns Primeiros-ministros anteriores com um Inglês irrepreensível (Cavaco e Guterres) - um deles, sendo agora Presidente, podia-se encarregar de ir a estas coisas em vez do PM a bem do bom nome da Nação, mas enfim...
Pronto, o rapaz até nem é mau rapaz, e é esforçado e tudo o mais, por isso aqui lhe deixo não um mas dois conselhos de graça (oh Senhor PM, de graça até choques eléctricos, por isso aceite estes conselhozinhos vindos de Macau).
NUNCA improvise numa língua que não domina bem. Escreva o discurso antes, leia-o palavra por palavra, treine-o à exaustão com alguém que domine melhor essa língua, aprenda a pronunciar cada palavra e depois, o que tem que improvisar, é o que ninguém vê, lá na reunião a dois com o Presidente dos EUA, com a Rainha de Inglaterra ou com o PM da Austrália. Imaginemos que, por exemplo, que agradecer o SIMPÁTICO discurso anterior. Não diga sympathetic que não quer dizer a mesma coisa, é mais uma expressão de pena, de "oh coitadinho..."
Outra hipotese e aqui vai o segundo conselho que eu até acho melhor, que o primeiro é dar uma de "ah, eu até sei falar esta língua do Xeike Spear muito bem, mas se o gajo (Bush) quando vai a Lisboa (nunca foi, mas por hipótese) fala Inglês, eu aqui em Washington falo Português". Um arrojo de nacionalismo deste género até não lhe ficava mal e não envergonharia a Nação.
A Nação, que se orgulha de produzir muitos e brilhantes poliglotas, agradeceria!
Bem, a única coisa que me consola é que antes do Sócrates falou oBush, cuja eloquência também não é muita. Primeiro começou por dizer que perguntou ao Sócrates como iam as relações bilaterais EUA-UE... Oh homenzinho, isso não se pergunta ao representante da outra parte mas a um assessor de relações internacionais!
Depois diz que agradece ao povo Português o apoio que dá ao governo nos assuntos do Afeganistão e do Iraque. Oh homenzinho, a maioria da malta com quem tenho falado preferia que os nossos GNRs andassem ali pela Zona J ou pela Meia Laranja mas o governo gosta de tomar estas medidas sem antes perguntar à malta e a malta, que ainda não se habituou a viver em democracia, é passiva de mais e não faz mas boas manifs para mostrar o que pensa (quando faz são da iniciativa do BE, por isso: cruzes canhoto!). Mas pronto, de nada, à mesma!

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

É uma vida dura...

Isto aqui em Macau é duro para quem, como eu, se pela por descontos e coisas de borla... É que "de borla, até choques eléctricos"... Pois saí de Portugal 2 dias depois de deixar de ter cartão jovem, mas ao chegar cá:
- Vou ao cinema: com cartão da Universidade tenho desconto!
- Vou ao médico na Universidade: é de graça para os funcionários!
- Vou aviar a receita porque estava com amigdalites e precisava de antibióticos e outras coisas: com receita é de graça, basta apresentar o cartão verde de saúde de funcionário do Estado!
- Vou aos museus da Taipa: com cartão da Uni tenho desconto.
- Um amigo meu é músico: consegue-me desconto para o Rigoletto.
- Vou a um concerto rock com bandas da China e arredores: é de graça.
Se não fosse este constante calor húmido, achava que tinha morrido e ido para o céu! Sim, a minha ideia de céu é um sítio onde tudo é de graça, mas também onde a temperatura é fresca e seca.
Esta é uma vida dura, mas alguém a tem que viver!

domingo, 30 de setembro de 2007

Velha Taipa


Força Sporting!



Ah pois é! Macau veste verde e branco!

Os Americanos

Hoje estive a almoçar com o Peter, que é um Americano cheio de piada e bom humor e veio à baila a conversa dos liceus. Já dois amigos meus que tinham feito o 12º ano nos EUA com aquela organização AFS ou coisa que o valha, me tinham dito que andar num liceu americano é como fazer parte de um daqueles filmes sobre liceus, mas o Peter, de um ponto de vista ainda mais interno, veio confirmar a 100% estas informações anteriormente obtidas.
A certa altura já me estava a engasgar com as favas guizadas do "Manel's" de tanto que me ria com a descrição daquelas personagens-tipo que aparecem nos filmes: as chefes de claques, os capitães das equipas de futebol e basebol, os geeks (o que incluia os músicos, os jogadores de xadrez e os informáticos), etc..
Dado que estava a falar com um membro da filarmónica de Macau, músico de profissão, a pergunta tinha mesmo que vir: "Então e tu eras o quê? Um geek da música?" Ao que ele me respondeu com um resignado encolher de ombros que sim... Mas como era bom em desporto, era um geek mitigado e os outros desportistas até nem faziam troça dele. E depois, coitado, tinha que ir de autocarro para a escola porque não tinha carro: imaginem a humilhação, não ir num daqueles descapotáveis ultra-possidónios que todos os "cool kids of America" querem ter!
Depois de ontem ter concluído que era uma pessoa mais feliz por não ter crescido na China, hoje concluo que sou uma pessoa mais feliz por também não ter crescido nos EUA. É que eu nem nos geeks me incluíria, porque sou uma nódoa a música, a xadrez e a informática. Eu seria um pária do liceu, sem amigos e destinado a deambular sózinho durante esses três longos anos de formação.
Paizinhos: obrigado por me terem feito tão TUGA!

sábado, 29 de setembro de 2007

Jovens Ocidentais

Hoje fui almoçar com sete amigos chineses e acerta altura chegou aquela pergunta inevitável que todos os Ocidentais um dia tem de perguntar a um Chinês: será uma questão genética o facto de 90% deles usarem óculos?
Eles então começaram a queixar-se que, enquanto criancas e adolescentes, todos os dias tinham aulas das 7 da manha as 6 da tarde e depois ainda iam para casa fazer não sei quantas horas de trabalho de casa. Para alem disso ainda tinham aulas aos Sábados de manha e passavam os Sábados a tarde e os Domingos a estudar, bem como as ferias, para as quais levavam livros inteiros de “trabalhos para ferias” - acho que isto deve ter sido uma invenção do Mao ou de um outro grande homem como ele... Quem mais se iria lembrar de trabalhos para ferias?
Quando eles acabam de expor os motivos das suas queixas (cahiers de doleances) eu disse-lhes que tinham mas era muita sorte porque crescer num pais Ocidental era muito mais difícil! Eles não queriam acreditar e eu expus-lhes uma data de coisas a que nos, pobres crianças e adolescentes Ocidentais estávamos expostos:
- No Verão, em vez de eu estar sossegadinho em casa a estudar no fresquinho, ia o mês de Julho quase inteiro para casa de uns Tios na Praia Grande onde tinha que ir de bicicleta ate a praia (uma estafadeira!) e depois ainda estar a apanhar Sol para ficar bronzeado, ir ao mar para não fritar, voltar para o sol, jogar raquetes com o meu primo Rodrigo. Uma canseira! Depois ia o mês de Agosto quase todo para a Figueira da Foz, metade do mês em casa de uma Tia e a outra metade com os meus Pais, onde a dose de banhos e Sol se repetia. Por ultimo, ainda ia para a Mesquitela, ao pé de Mangualde, duas semanas onde desde apanhar figos e amendoas e ir a piscina do Tio Catuas, ate podar os buchos ou ir bailar e comer algodao doce para as festas da Senhora do Castelo e a feira de São Mateus, tudo contribuía para eu chegar de rastos a escola em meados de Setembro.
- Durante o ano, não me era permitido estar tantas horas sentadinhos na escola a descansar enquanto os professores falavam, pelo que ainda tinha deveres de grande responsabilidade como passear o “mui nobre e sempre leal” Monty, o meu cocker spaniel, leva-lo a casa do Floppy, o melhor amigo dele perdigueiro português do prédio do lado e outras coisas tão extenuantes como estas. Sim, e ainda tive International House, Alliance Francaise, Goette Institute, natacao, ténis, rugby, tae-kwon-do... Uma canseira de vida!
- Para alem disso, ao contrario dos miúdos Chineses que tem dois pais para cada um (um pai e uma mãe) para os ajudar nas tarefas diárias e os incentivar a estudar, nos, miúdos ocidentais, somos obrigados a partilhar os pais com outras criaturas pelo que, na pratica, cresci com apenas meio pai - dois pais a partilhar por quatro irmãos, da meio pai para cada um, certo?
Depois de lhes expor alguns dos motivos de sofrimento das crianças ocidentais, achei estranha a reacção deles, mas acho que isso e porque ainda estou a conhecer aos poucos a mentalidade dos chineses. Em vez de dizerem “coitadinho” e fazerem-me cafune na cabeça, queriam-me bater, os malandros! As vezes ainda me vejo Grego para compreender os Chineses!

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Docilidade Chinesa

Quando eu anunciei que vinha para a China, não foram poucos os comentários depreciativos que eu ouvi sobre os Chineses. Acho que é compreensível que isso aconteça pelo simples facto de serem tão diferentes de nós em tantos aspectos e serem ainda tão pouco conhecidos pelos Portugueses, apesar de já nos conhecermos há quase 500 anos.
No entanto, para se gostar de um povo, primeiro tem que se conhecer esse povo. De facto, ler os relatos dos primeiros Jesuítas na China, é não só perceber o fascínio que eles exerceram sobre aqueles que se encontravam entre os homens mais cultos do seu tempo, mas também entender muito melhor o que são os Chineses.
Uma das coisas que mais marcou os nossos precessores do Século XVI foi a sua docilidade e educação. Os Chineses não gostam de conflitos, fogem das discussões, respeitam os seus superiores hierárquicos e são do mais diplomático possível. Não gostam de usar a força e com isto parecem cobardes, mas a certa altura não tenho a certeza se são eles que são cobardes ou se somos nós que estamos habituados a um nível de agressividade para lá do desejável.
Como é óbvio, somos sempre tentados, na nossa avaliação dos outros, a usar da comparação connosco próprios, mas, como dizia uma amiga minha, a comparação estraga a alegria de viver. E eu, de facto, quando comparo os Portugueses com os Chineses neste ponto fico um bocadinho triste... Porque é que somos tão violentos? Porque é que nas escolas Portuguesas se vê alunos a bater nos professores precisamente a partir do momento em que os professores deixaram de bater nos alunos? Porque é que não somos mais dóceis?
Bem, ao menos ainda somos dos mais dóceis da Europa: ninguém quer ter os Ingleses por perto depois de uma derrota da selecção nacional de futebol, rugby ou críquete, pois não? Ou ninguém quer ouvir um Francês a quem foi servida sopa com demasiado sal, pois não?
Isto tudo para dizer que a docilidade Chinesa deveria servir de exemplo a nós, Ocidentais, em vez de vermos os Chineses como uns cobardolas. Não quer dizer que não tenha havido momentos de violência na China, como a Revolução Cultural, por exemplo, mas o facto é que no dia-a-dia são pessoas de grande docilidade no trato e muito atenciosas ao outro, ou, na terminologia Cristã, ao próximo.

The Brave One

Ontem fui à Torre de Macau com o William ver este filme e, como professor de Direito (eheheh) recomendo vivamente. Aliás, até posso começar a fazer deste fantastquíssimo, jurisdicíssimo mas, acima de tudo, humilíssimo blog uma espécie de programa de Domingo à noite com o Professor Marcelo e vou dando aqui conselhos magistrais...

Passando à frente, ao filme...

Pois que recomendo vivamente o filme porque nos faz pensar na nossa Justiça: Será que "ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão"? E se esse ladrão tiver sido roubado antes? Qual a legitimidade dos tribunais para aplicar penas? E qual a legitimidade dos particulares de fazê-lo por sua livre e espontânea vontade? Já agora, e mais importante que isto tudo, será que alguém, tribunais ou particulares, deve ter direito a ceifar uma vida humana em nome da justiça? (A pergunta não está muito descontextualizada porque aqui há uns meses a maioria dos votantes Portugueses foi da opinião que ceifar uma vida humana em nome da liberdade sexual é uma coisa justificável... Ora, aqui entre nós, eu valorizo mais a justiça que a liberdade sexual, deve ser defeito profissional!)

Se o filme nos faz pensar nestas importantes questões dignas de uma aula de Teoria do Direito (acho que os meus alunos vão ter direito a ver este trailler na próxima aula), devo confessar que não gostei muito do excesso de sangue e violência e do final demasiado côr-de-rosa e Hollywoodesco.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Servir o chá

Certo dia o Imperador decidiu sair do seu palácio para ver como estava o seu Império do Meio. Decidiu visitar os seus súbditos, comer com eles, ver as colheitas e perceber os seus problemas. Como para aém de Imperador era um homem sábio, decidiu viajar incógnito para poder verdadeiramente perceber os problemas dos seus súbditos que, se soubessem que ele era o Imperador, não ousariam expor os seus problemas. Sendo assim, proibiu o seu séquito de revelar que ele era o pai da China, o Sol do Império do Meio, o filho do Céu...
A certa altura entrou numa casa e como é hábito na China, a certa altura tomou o bule e serviu toda a gente que estava à mesa. Ora, os criados vendo isto quiseram prostar-se de joelhos em agradecimento, mas como não o podiam fazer sob pena de revelarem que ali estava o filho do Céu, fizeram com dois dedos da mão, o indicador e o do meio, o sinal de se ajoelharem para que apenas o Imperador percebesse que eles se estavam a prostar diante dele.
Desde aí que os Chineses não agradecem o chá quando este lhes é servido, apenas batem com os dois dedos na mesa.
Por isso, se um Chinês bater com os dedos na mesa quando o estão a servir, não pensem que ele está a dizer para parar, está a agradecer.

O festival do meio do Outono

Amanhã é feriado porque é o festival do meio do Outono, o festival do bolo lunar.
Neste dia tão importante para os Chineses, os amigos trocam bolos lunares, que são uns bolos redondos com um recheio que pode variar muito e as famílias juntam-se para jantar e ver a lua, porque é o dia do ano em que a lua está maior e mais próxima da terra.
Há dois anos fui com um grande grupo para o jardim e a lua estava linda, tão baixinha que quase se podia tocar, mas hoje acho que não vou ter a mesma sorte porque está a chover e o céu está tão cinzento que não se vai ver lua nenhuma.
Mesmo assim vou com o Alexandre tomar um copo: ele é de Hunan, por isso não vai poder ir jantar com a família e a mim também hoje não me dá muito jeito ir jantar a Lisboa, já para não falar de que os meus Pais nem devem ter ouvido falar do bolo lunar, quanto mais do tal festival do meio de Outono. Hei-de é perguntar porque é que se chama do Meio de Outono se ainda agora o Outono começou...

Elogios

Adoro elogios!
Ai, se tivesse aqui o Padre João da Moita dava-me um puxão de orelhas!
Vá, gosto muito de elogios!

domingo, 23 de setembro de 2007

Hong Kong

Achava eu que conhecia aquela cidade... Como estava enganado! Faltava-me ainda conhecer a noite de Hong Kong.
Pois que ontem lá fui ter com os meus amigos de Shantou: a Giulia, que acabou de chegar de ferias em Itália, a Wendy, que veio de Shantou, e o Peetu, que depois de 3 anos em Shantou, voltou para Hong Kong.
Então ontem, ainda antes do jantar, fomos ter com a Wendy a um centro comercial onde estava um grande reboliço e comoção por causa da antestreia de um filme com todos os actores e milhares de pessoas a tirar fotografias. Eu bem que tentava chamar a atenção para o facto de eu também estar ali e ser digno de capas de revistas até que a certa altura resultou, quando uma das estrelas saiu lá do palco e passa mesmo ao meu lado para ir para a sala de cinema rodeado de um grupo de fans histéricos a tirar fotografias compulsivamente.
Eu bem que conhecia aquela cara! Quem é que poderia ser? A resposta veio do Peetu, mais experiente em cinema que eu, era o Ang Lee, o realizador Formosino do Brokeback Mountain. Vejam lá a coincidência, no mesmo centro comercial os Honkongoneses terem a sorte de me encontrarem a mim e ao Ang Lee!
Depois fomos jantar a um restaurante finíssimo no Pico Vitoria mas este era tão chique, mas tão chique, que saímos todos de lá com fome. Mas o paladar das coisas pouco abundantes que trouxeram era fantástico!
Daí o Peetu levou-nos a um bar Marroquino muito engraçado onde estivemos a conversar e a fumar xixa (que para quem não sabe, é um cachimbo de água). Nesse bar juntou-se-nos mais um casal Chinês e uma rapariga Sino-Inglesa, todos amigos da Wendy.
Depois fomos explorar a noite da cidade e passeámos por uma zona muito gira do estilo do Bairro Alto, com muitos barzinhos e as pessoas a passear na rua. Nós ficamos lá num bar hispânico a dançar até que a certa altura fomos ter a uma festa privada para onde tinha ido a amiga Sino-Inglesa da Wendy. Foi aí que conheci um verdadeiro leprechaun. Que dizer, não sei se era muito verdadeiro, porque ele tinha uns dois metros de altura, mas lá que parecia, parecia... Pois este leprechaun ficou muito chateado quando eu pedi uma cerveja e barafustou divertido mas bem alto para que toda a gente pudesse ouvir (no raio de um metro, que a musica não permitia mais que isso). “Mais um Inglês nesta terra! Isto começa a estar pequeno de mais para tantos Ingleses!
Como a pronúncia dele não podia ser outra que não a da terra das minhas amigas Grainne e Caominhe, ou seja, Irlandesa, eu exclamei muito admirado: “Ah TU és Inglês! Tem piada, eu sou Português, do país dos velhos aliados dos Ingleses que sempre os ajudaram a manter os Irlandeses na ordem!”
Ele riu-se com isto e pediu-me desculpa pelo insulto de me ter chamado Inglês, ao que eu também pedi humildemente desculpa pelo mesmo insulto. Nessa altura, por entre elogios ao IRA, ele procurou-me convencer que os Irlandeses eram os melhores do mundo, porque de uma população de 6 milhões, eles tinham chegado a 40 milhões nos EUA, mas eu lembrei-o que nós, de uma população de 10 milhões, tínhamos construído o Brasil, um pais de 200 milhões de habitantes e que, se tínhamos conseguido isto, foi graças ao esforço das nossas mulheres que já há 9 séculos que mal conseguem ver os pés durante toda a sua vida para que os filhos possam levar mais alem o génio Português, como a minha avó, por exemplo, que teve 13 filhos (isto da minha avó ter tido 13 filhos é sempre muito apreciado por qualquer Irlandês, pelo que eu faço sempre questão de dizer quando encontro um). Este argumento, mesmo que muito falseado, fez o leprechaun admitir que, logo a seguir a Irlanda, Portugal deveria ser o melhor país do mundo...
E deixando o nome de Portugal mais uma vez nos píncaros, lá voltei para Macau. Ainda encontrei um grupo grande de Portugueses também a apanhar o ferry das 4 horas. Já conhecia a Maria e o Francisco mas todos os outros foram novidades.
Conclusão: vale bem a pena dar um salto a noite de Hong Kong de vez em quando! Quanto mais não seja, para mentir à força toda sobre Portugal e, desta forma, espalhar a sua boa fama pelo mundo! Não me interpretem mal, eu até podia espalhar a boa fama com verdades, mas a conversa conduz-me sempre a dizer uma mentirita ou exagerar um bocadinho. Não é culpa minha, é da conversa!

Sou o homem-aranha!

Your results:
You are Spider-Man
Spider-Man
70%
Superman
60%
Iron Man
60%
The Flash
55%
Supergirl
50%
Robin
49%
Hulk
45%
Green Lantern
45%
Catwoman
45%
Wonder Woman
40%
Batman
30%

You are intelligent, witty, a bit geeky and have great power and responsibility.

sábado, 22 de setembro de 2007

Os Reis dos Matrecos

Ontem, ao terminar as aulas, e depois daquele sono pouco reparador da minha cabeça a andar para trás e para a frente, fiquei a falar um bocadinho com os meus colegas Continentais, que têm vergonha de expor as dúvidas ao Professor e mas vêm expor a mim (Maninha, fazias cá falta!).
Vai daí, e porque já era noite de 6ª Feira, propus irmos tomar um copo. Não percebi a reacção deles, porque em Shantou os bares estavam cheios a Sexta e Sábado à noite, mas o xitex com que eles reagiram foi tal que parece que lhes tinha proposto abrir-lhes as portas da casa da Moeda e deixá-los servirem-se a vontade.
Então lá fomos ao Irish Pub, onde eu tinha estado no Sábado passado com uns amigos Portugueses e no caminho, enquanto conversávamos animadamente sobre os mais diversos assuntos, eles iam perguntando o que é que deveriam fazer quando estivessem no bar, ao que eu respondia um simples “have fun”!
Para se ter uma noção aí em Portugal, os Chineses desta idade e com o percurso deles, passaram grande parte da sua vida a estudar e sobrou-lhes pouco tempo para actividades deste género. Mesmo o desporto é importante na Faculdade por questões de saúde, não para se divertirem.
Quando lá chegámos, o ambiente não poderia ser mais fora do mundo deles: o bar estava pejado de Canadianos, Australianos e Americanos gordos, corados, reluzentes do calor e grandes a beberem muito, a falarem altíssimo e com a música aos berros. Levei logo a minha turminha para a sala do fundo, mais silenciosa, onde estão os matrecos e a sinuca (como dizem os Brazucas) e perante uma mesa que parecia um campo de futebol com uma data de homens espetados nuns paus e divididos em duas equipas diferentes, o espanto foi abismal! Nunca na vida tinham visto coisa tão extraordinária! Só mesmo os Portugueses para se lembrarem de uma coisa do Demo como aquela.*
Pois eu sei jogar matrecos mas não sou grande espingarda e normalmente faço uma figura não completamente triste, mas também não mais que sofrível. Na semana passada, por exemplo, o Fernando, um senhor dos Açores que já por cá anda desde antes de eu nascer, ao ver-me jogar e ao saber que eu era professor na universidade, comentou que se via logo que eu tinha estudado muito durante o curso...
Ora, mas em terra de cegos quem tem olho e Rei, pelo que eu causei sensação entre os colegas do mestrado ao marcar golos uns atrás dos outros até ir para a defesa para não causar tantos estragos nos egos dos meus amigos do Império do Meio.
Se eu, um rapaz, causei sensação, então quando a Raquel chegou a coisa foi aos píncaros! A Raquel não só joga melhor do que eu (o que é bastante normal em Portugal) como ainda para mais é rapariga! Por esta altura já fomos aclamados no “Continente” como os Reis dos Matrecos e, mais dia menos dia, temos um convite do Tio Hu para irmos lá a Pequim ensinar esta arte ao comité central.
Acho que por agora já eles estão a escrever aos Pais a contar da maravilhosa invenção dos Portugueses e quando eles começarem a produzir aquilo em massa, vamos poder encontrar por toda a China os matrecos Portugueses. Sim, eles saíram todos de lá a saber dizer “matrecos” e a adorar aquela invenção Lusitana!
*Uma pergunta aos meus cultíssimos leitores: aquilo e uma coisa Portuguesa, não é? Pelo menos por cá só os Tugas é que jogam...

O meu Mestrado

Um dos cursos de Mestrado que supostamente se abrem cá na Faculdade é o curso em Direito Público. Dado que essa é a minha área já há algum tempo, era essa a área que eu queria, mas como não houve alunos suficientes para justificar a abertura do Mestrado este ano, a minha escolha recaiu sobre um Mestrado em Língua Inglesa em Direito Europeu, Internacional Publico e Comparado. E porque é que foi essa a minha escolha? Porque poderia fazer a tese e os papers em Direito do Ambiente e até, estou agora a ver, em Ordenamento do Território, partindo do Direito Europeu e do Internacional.
No entanto, este Mestrado está a ter três problemas:
- O primeiro é que eu sou o único aluno licenciado numa Universidade Europeia (o Zé Miguel, o outro Português, licenciou-se em Macau, há mais dois Moçambicanos e os restantes são Chineses “Continentais”). Como é obvio, até agora ando a aprender conceitos que já conheço desde que tive Direito Comunitário no 2º ano da Faculdade...
- O segundo é que eu sou uma pessoa do tipo A, o que quer dizer que as minhas capacidades cognitivas estão concentradas da parte da manhã. Para fazer alguma coisa à noite que exija energia e interacção, eu aguento lindamente, para estar sentado a ouvir, tomar notas e prestar atenção é que já não dá! Dado que as aulas são sempre ao fim da tarde, tenho tido muita dificuldade em me manter acordado e ontem o professor até mandou uma boca dizendo que eu estava a tentar lutar contra deuses muito poderosos numa altura em que a minha cabeça ia para trás e para a frente num ritmo desenfreado.
- O terceiro problema é que os Chineses interessam-se tanto por assuntos relacionados com o Ambiente e com o Ordenamento do Território como por choques eléctricos. Vai daí mais ninguém escolheu as opções relacionadas com essas áreas e, por isso, elas não vão abrir!
Bem, nem tudo é mau! Eu até acho a área interessante e com opções de futuro, mas, mesmo assim, vou querer conciliá-la com os meus interesses e experiência que vinham de trás. A ver vamos...

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Levem-me para a prisao!

A Mariana mandou-me esta notícia muito interessante e que nos dá, a nós homens, muito que pensar...
Pequim, 21 Set (Lusa)
Um chinês farto da mulher e da mãe pediu guarida numa esquadra de polícia e, após a recusa dos guardas, roubou mesmo uma bicicleta para tentar ser preso, informa hoje a imprensa oficial chinesa.
"Eu queria ir preso, mesmo que fosse num campo de reeducação pelo trabalho. Ao menos aprendia um ofício novo e, quando saísse, todos os problemas familiares estariam resolvidos", disse o homem, de apelido Jin, citado pelo jornal Beijing Youth Daily.
O homem, natural da província de Jiangsu, no leste do país, disse ao jornal não poder aguentar mais as péssimas relações entre a mãe e a mulher, nem as descomposturas constantes das duas mulheres quanto ao gosto de Jin pelo jogo a dinheiro.
Quando o chefe da polícia da povoação de Huaian recusou abrigo a Jin, este decidiu roubar uma bicicleta, o que mesmo assim não foi suficiente para ser preso.
"Durante quatro dias, Jin refugiou-se na esquadra e, apesar de todas as tentativas da polícia para o convencer, sempre se recusou a voltar para casa", diz o Beijing Youth Daily.

Redes de contactos

Parece que de um momento para o outro se multiplicam as redes de contactos na Internet!
A primeira que eu conheci foi o hi5, cujo grande objectivo é a bisbilhotice e se não gostasse de alguma bisbilhotice, não tinha aderido, mas a quantidade de pedidos de relação que eu recebo de pessoas que eu nunca vi na vida e com os quais não tenho quaisquer pontos em comum é impressionante! Antes tinha uma fotografia de face em que eu estava vestido de beduíno, com um turbante, a cantar em frente da parede cor-de-rosa da Villa Beatrice – ate parecia que tinha mel, tantos eram os pedidos de homens a procura de homens! Agora tenho uma mais digna e respeitável, de fato, a falar ao TM, tirada pela Catarina nos meus anos há um ano atrás, mas mesmo assim, de vez em quando, lá cai um pedido menos fora do comum...
Depois conheci outro sítio com um objectivo mais prático, o linkedin, que é uma forma de manter os contactos académicos e profissionais e procurar emprego. O mal é que acho que fui convidado para o hotmail e depois para o gmail e acabei por, inadvertidamente criar dois perfis e ainda não sei como apagar o que esta a mais.
Agora surgiram mais dois, um que já me começa a irritar, o facebook, e outro que não corresponde as expectativas, o my happy planet.
O facebook começou por ser giro porque rapidamente me apercebi que os estrangeiros com quem eu estive em Shantou estavam lá todos e foi uma maneira de os “reencontrar” mas agora já ando um bocado farto porque aquilo tem umas coisas inúteis que passo a vida a receber do género: “a não sei quantas quer-lhe morder o pescoço, junte-se aos vampiros” ou coisas do género! Para quê?!?
O my happy planet é suposto ser um sítio onde as pessoas podem trocar informações e contactos para aprender línguas estrangeiras. Lá me inscrevi todo contente, esperando poder aprender Chinês em troca de lições de Português ou Inglês, mas a única pessoa, para além de mim, que esta nesse sítio a viver em Macau é um brasileiro! Nada contra os brasileiros, muito pelo contrario, mas não se me apresentou como um contacto útil para aprender a língua dos Imperadores...
Ah, já me esquecia de dois outros sítios do género: o wayn (where are you now?) e o couchsurf. Este ultimo é mesmo capaz de ser o sitio que mais “entrou na minha vida”, por assim dizer, porque recebi no chateau d'Alvim alguns viajantes bem simpáticos e que muito gostei de conhecer, como, por exemplo, o Isaac aqui do lado.
Pois por esta altura tenho tantos perfis em tantas coisas diferentes que já começa a ser um bocado desesperante. A ver se, como resultado deste post, apago pelo menos um...

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Mais fotografias

E aqui deixo fotografias do meu gabinete, como vêem já pintadinho.
Vou é ter que alterar a disposição porque estou de costas para o rio e isso não é bom feng shoi, que preocupa muito os meus colegas e eu não os vou querer estar a preocupar. Eu ainda sugeri trazer água benta da Igreja e benzer o gabinete, mas as benzeduras não acabam com o mau feng shoi pelo que vou mesmo ter que mudar as coisas quando tiver tempo para bem da minha sorte, saúde, da familiazinha lá bem longe em Portugal e tudo o mais.

Fotos de Macau

Com muita razão, os brilhantíssimos, fabulosíssimos mas, acima de tudo, fantastiquíssimos leitores deste blog, exigem fotografias de Macau.
Pois então, na Terça fui passear com o meu amigo William, de HK, para o Veneza e para o centro da cidade e daí também resultaram algumas fotografias (claro que a my precious foi comigo!).
Oh pa mim em Veneza... Aquilo tem canais e gondoleiros e um deles até canta ópera! O luxo é eorme e, como sabem, o humlíssimo autor deste blog, é um bocado avesso a estes luxos desmedidos e ao próprio jogo, pelo que não me senti muito bem lá dentro.

Esta já é uma auto-fotografia nossa no Leal Senado...

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Desafio

A Constança pediu-me para aceitar este desafio e eu aceitei!
E o desafio é:
1- Pegar no 1º livro que tiverem por perto.
2- Abrir na página 161
3- Procurar a 5ª frase completa.
4- Transcrevê-la para o vosso blogue
5- Não devem escolher o livro nem a frase. Tem mesmo que ser do livro que estiver mais perto e a 5ª frase da página 161.
6- Passar o desafio a 5 pessoas.
Ora o resultado é:
"Lengar had persuaded them."
Cornwell, Bernard: Stonehenge
Mafalda das fotos, Alexandra do Luxemburgo, Mafalda de Copenhaga, Tiago das crónicas e João da grafonola: aceitem este desafio!

It's fashion!

Aqui há uns tempos fui comprar uma camisa “fashion” a uma loja de Macau. Quer dizer, não é que ela fosse o último grito da moda (para isso era preciso eu saber qual é esse tal último grito), mas era gira, branca, de linho e mangas curtas.
Antes de a usar, mandei-a juntamente com o resto da roupa suja para a lavandaria e antes de ontem decidi usá-la. Qual não é o meu espanto quando, passadas umas horas de a estar a usar, tentei meter um papel no bolso e me apercebi que o bolso estava do avesso, ou seja, do lado de dentro.
Tirei a camisa para ver se ela estava vestida do avesso, mas não, estava bem vestida e o bolso continuava do lado de dentro.
Ora, como ontem fui passear para Macau com um amigo meu de Hong Kong que cá veio passar o dia fui trocá-la. Antes de mais, note-se que este meu amigo, o William, é Chinês e muito mais fashion do que eu (em geral não é difícil), e também concluiu que a camisa tinha defeito.
Lá fomos à loja, eu expliquei que queria trocar a camisa e a menina com quem falei riu-se muito e disse que não era um problema, era moda, ela era mesmo assim. Quando lhe perguntei o porquê, ela riu-se mais uma vez com aquele riso de “coitados, vêm lá do Ocidente e não percebem nada de moda” e disse que era assim porque era bonito.
Ora, eu que não vejo beldade nenhuma no facto de um bolso estar cosido do lado de dentro e que acho que fica muito menos prático, fiquei logo com a ideia de que não nasci para ser fashion! Vou ver se encontro uma costureira que me transforme a camisa de modo a ficar menos fashion e mais prática!
No fim de tudo, o William, também não percebeu porque é que era mais giro ter o bolso do lado de dentro, pelo que percebi que não estou sózinho no mundo em gostar de coisas práticas.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

No olho da rua!

Fui posto no olho da rua!
Ah pois é, logo que recebi o meu gabinete comecei-me logo a queixar que era incrível que me dessem um gabinete que tinha as paredes esboroadas e castanhas, que não devia levar uma pintura desde antes de eu nascer e que era uma vergonha eu receber os alunos assim porque "à mulher de César não lhe basta ser honesta, tem também que o parecer" e se eu me dou ao incómodo de, com esta humidade e calor, ir de fato para as aulas, não é para depois receber os alunos naquelas condições.
Tanto chateei, tanto chateei, que hoje chegou um pintor e me expulsou do gabinete!
Não estavam a achar que eu tinha sido despedido, pois não? eheheh
Pois atravessei o corredor com o portátil e os livros e pedi asilo politico à Estrela. Posso dizer que fiquei com uma vista bem mais agradável! Só é pena que esta vista tenha namorado há 7 anos...

Lost in translation

Há bocado o Alexandre, que é um Chinês de Shanghai que dá cá aulas na faculdade, veio como de costume, buscar-me ao meu gabinete para irmos almoçar com a Estrela, outra Chinesa mas esta de Macau.
Como eu estava a trabalhar ao som de um CD do Carlos Paredes começámos a falar de fado e eu disse-lhe que a maior fadista do momento em Portugal era a Mariza e fiz uma busca no google para lhe mostrar uma fotografia e para meu espanto ele sai-se com um:
"- Ela parece lésbica. A minha outra namorada também era lésbica."
Eu fiquei bastante surpreendido mas como a Estrela chegou nessa altura, não desenvolvi a conversa, mas percebi logo que alguém lhe deve ter dito que lésbica queria dizer outra coisa e como o Português dele ainda não é muito bom, ele acreditou.
No fim do almoço, quando nos despedimos da Estrela, eu decidi que para ele não continuar a cometer gafes mais valia explicar-lhe o que é que lésbica quer dizer.
"- Oh Alexandre, o que é que tu achas que lésbica quer dizer? É que lésbica quer dizer uma mulher que gosta de outras mulheres..." Quer dizer, um homem não pode deixar um amigo andar aí ao engano a dizer que anda a namorar com lésbicas, não é?
Qual não é o meu espanto quando ele me diz que sabia muito bem o que era uma lésbica e que a ex-namorada agora tinha uma namorada e vivia com ela e que em Pequim e Shanhai havia muitos homosexuais e muitas lésbicas.
Ora, para quem viveu em Shantou, como eu vivi, isto foi um choque porque só me lembrei do Tom, o dono da New Time, a jurar-me a pés juntos que não haviam gays na China e que essas coisas só se passavam no "dissoluto Ocidente." Como era impossível que em 1,4 biliões de Chineses não houvesse um único gay, eu percebi que eles ainda deviam viver muito escondidos e ser um tema tabu. De facto, a China está a mudar enormemente mas neste momento ainda há duas Chinas em muitas coisas: a China das grandes metrópoles urbanas e a China tradicional.

sábado, 15 de setembro de 2007

Almoço de Faculdade

Hoje foi o almoço da Faculdade, durante o qua se elegeu o Conselho Pedagógico e os representantes da Faculdade no Senado da Universidade.
Mas nestas coisas já se sabe como é, o que a malta quer é "cumbíbio e paparoca", não quer cá saber de votações, por isso despachámos aquilo e o cumbíbio foi muito bom.
Agora vou-me que já se chega o jantarinho ainda não sei onde... (duas propostas, uma delas já definida e a outra, que surgiu primeiro, não se define)

Mais casas...

Ora hoje vi mais 4 casas, todas elas na Taipa, porque já cheguei à conclusão de que não quero mesmo viver em Macau. Duas vezes por semana dou aulas até às 11 da noite, tenho aulas de mestrado todos os dias e o trânsito em Macau está cada vez mais caótico (imaginem o que é 600 mil pessoas a viver num território que eu calculo que deva ser menor que Lisboa).
Ora, das 4 casas gostei apenas de uma e gostei mesmo muito, no entanto todavia contudo... É bastante cara! Estou aqui a ponderar os prós e os contras mas tenho mesmo que ponderar muito bem.
Caso eu fique com esta casa, terei mais do que espaço suficiente para os amigos e a família virem cá visitar porque tem dois quartos, uma sala enorme e duas casas de banho. Está guardada para mim até Segunda Feira.
O Senhorio estava a pedir 8000MOP (€800,00) e disse que ainda lá ia pôr uma televisão e um esquentador. Ora eu estou em Macau há duas semanas, tenho televisão no quarto e ainda nem a liguei, por isso nos próximos tempos vivo bem sem ela, como vivi durante um ano no Château d'Alvim, e quanto ao esquentador compro um por 800MOP, por isso não me vou preocupar com isso. Eu disse que não queria nem TV nem esquentador mas queria baixar o preço para 7000MOP. Ele aceitou, eu fiquei inclinado a aceitar também...
Depois conto o desenvolvimento da estória do Pagode Alvim.