domingo, 30 de setembro de 2007

Velha Taipa


Força Sporting!



Ah pois é! Macau veste verde e branco!

Os Americanos

Hoje estive a almoçar com o Peter, que é um Americano cheio de piada e bom humor e veio à baila a conversa dos liceus. Já dois amigos meus que tinham feito o 12º ano nos EUA com aquela organização AFS ou coisa que o valha, me tinham dito que andar num liceu americano é como fazer parte de um daqueles filmes sobre liceus, mas o Peter, de um ponto de vista ainda mais interno, veio confirmar a 100% estas informações anteriormente obtidas.
A certa altura já me estava a engasgar com as favas guizadas do "Manel's" de tanto que me ria com a descrição daquelas personagens-tipo que aparecem nos filmes: as chefes de claques, os capitães das equipas de futebol e basebol, os geeks (o que incluia os músicos, os jogadores de xadrez e os informáticos), etc..
Dado que estava a falar com um membro da filarmónica de Macau, músico de profissão, a pergunta tinha mesmo que vir: "Então e tu eras o quê? Um geek da música?" Ao que ele me respondeu com um resignado encolher de ombros que sim... Mas como era bom em desporto, era um geek mitigado e os outros desportistas até nem faziam troça dele. E depois, coitado, tinha que ir de autocarro para a escola porque não tinha carro: imaginem a humilhação, não ir num daqueles descapotáveis ultra-possidónios que todos os "cool kids of America" querem ter!
Depois de ontem ter concluído que era uma pessoa mais feliz por não ter crescido na China, hoje concluo que sou uma pessoa mais feliz por também não ter crescido nos EUA. É que eu nem nos geeks me incluíria, porque sou uma nódoa a música, a xadrez e a informática. Eu seria um pária do liceu, sem amigos e destinado a deambular sózinho durante esses três longos anos de formação.
Paizinhos: obrigado por me terem feito tão TUGA!

sábado, 29 de setembro de 2007

Jovens Ocidentais

Hoje fui almoçar com sete amigos chineses e acerta altura chegou aquela pergunta inevitável que todos os Ocidentais um dia tem de perguntar a um Chinês: será uma questão genética o facto de 90% deles usarem óculos?
Eles então começaram a queixar-se que, enquanto criancas e adolescentes, todos os dias tinham aulas das 7 da manha as 6 da tarde e depois ainda iam para casa fazer não sei quantas horas de trabalho de casa. Para alem disso ainda tinham aulas aos Sábados de manha e passavam os Sábados a tarde e os Domingos a estudar, bem como as ferias, para as quais levavam livros inteiros de “trabalhos para ferias” - acho que isto deve ter sido uma invenção do Mao ou de um outro grande homem como ele... Quem mais se iria lembrar de trabalhos para ferias?
Quando eles acabam de expor os motivos das suas queixas (cahiers de doleances) eu disse-lhes que tinham mas era muita sorte porque crescer num pais Ocidental era muito mais difícil! Eles não queriam acreditar e eu expus-lhes uma data de coisas a que nos, pobres crianças e adolescentes Ocidentais estávamos expostos:
- No Verão, em vez de eu estar sossegadinho em casa a estudar no fresquinho, ia o mês de Julho quase inteiro para casa de uns Tios na Praia Grande onde tinha que ir de bicicleta ate a praia (uma estafadeira!) e depois ainda estar a apanhar Sol para ficar bronzeado, ir ao mar para não fritar, voltar para o sol, jogar raquetes com o meu primo Rodrigo. Uma canseira! Depois ia o mês de Agosto quase todo para a Figueira da Foz, metade do mês em casa de uma Tia e a outra metade com os meus Pais, onde a dose de banhos e Sol se repetia. Por ultimo, ainda ia para a Mesquitela, ao pé de Mangualde, duas semanas onde desde apanhar figos e amendoas e ir a piscina do Tio Catuas, ate podar os buchos ou ir bailar e comer algodao doce para as festas da Senhora do Castelo e a feira de São Mateus, tudo contribuía para eu chegar de rastos a escola em meados de Setembro.
- Durante o ano, não me era permitido estar tantas horas sentadinhos na escola a descansar enquanto os professores falavam, pelo que ainda tinha deveres de grande responsabilidade como passear o “mui nobre e sempre leal” Monty, o meu cocker spaniel, leva-lo a casa do Floppy, o melhor amigo dele perdigueiro português do prédio do lado e outras coisas tão extenuantes como estas. Sim, e ainda tive International House, Alliance Francaise, Goette Institute, natacao, ténis, rugby, tae-kwon-do... Uma canseira de vida!
- Para alem disso, ao contrario dos miúdos Chineses que tem dois pais para cada um (um pai e uma mãe) para os ajudar nas tarefas diárias e os incentivar a estudar, nos, miúdos ocidentais, somos obrigados a partilhar os pais com outras criaturas pelo que, na pratica, cresci com apenas meio pai - dois pais a partilhar por quatro irmãos, da meio pai para cada um, certo?
Depois de lhes expor alguns dos motivos de sofrimento das crianças ocidentais, achei estranha a reacção deles, mas acho que isso e porque ainda estou a conhecer aos poucos a mentalidade dos chineses. Em vez de dizerem “coitadinho” e fazerem-me cafune na cabeça, queriam-me bater, os malandros! As vezes ainda me vejo Grego para compreender os Chineses!

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Docilidade Chinesa

Quando eu anunciei que vinha para a China, não foram poucos os comentários depreciativos que eu ouvi sobre os Chineses. Acho que é compreensível que isso aconteça pelo simples facto de serem tão diferentes de nós em tantos aspectos e serem ainda tão pouco conhecidos pelos Portugueses, apesar de já nos conhecermos há quase 500 anos.
No entanto, para se gostar de um povo, primeiro tem que se conhecer esse povo. De facto, ler os relatos dos primeiros Jesuítas na China, é não só perceber o fascínio que eles exerceram sobre aqueles que se encontravam entre os homens mais cultos do seu tempo, mas também entender muito melhor o que são os Chineses.
Uma das coisas que mais marcou os nossos precessores do Século XVI foi a sua docilidade e educação. Os Chineses não gostam de conflitos, fogem das discussões, respeitam os seus superiores hierárquicos e são do mais diplomático possível. Não gostam de usar a força e com isto parecem cobardes, mas a certa altura não tenho a certeza se são eles que são cobardes ou se somos nós que estamos habituados a um nível de agressividade para lá do desejável.
Como é óbvio, somos sempre tentados, na nossa avaliação dos outros, a usar da comparação connosco próprios, mas, como dizia uma amiga minha, a comparação estraga a alegria de viver. E eu, de facto, quando comparo os Portugueses com os Chineses neste ponto fico um bocadinho triste... Porque é que somos tão violentos? Porque é que nas escolas Portuguesas se vê alunos a bater nos professores precisamente a partir do momento em que os professores deixaram de bater nos alunos? Porque é que não somos mais dóceis?
Bem, ao menos ainda somos dos mais dóceis da Europa: ninguém quer ter os Ingleses por perto depois de uma derrota da selecção nacional de futebol, rugby ou críquete, pois não? Ou ninguém quer ouvir um Francês a quem foi servida sopa com demasiado sal, pois não?
Isto tudo para dizer que a docilidade Chinesa deveria servir de exemplo a nós, Ocidentais, em vez de vermos os Chineses como uns cobardolas. Não quer dizer que não tenha havido momentos de violência na China, como a Revolução Cultural, por exemplo, mas o facto é que no dia-a-dia são pessoas de grande docilidade no trato e muito atenciosas ao outro, ou, na terminologia Cristã, ao próximo.

The Brave One

Ontem fui à Torre de Macau com o William ver este filme e, como professor de Direito (eheheh) recomendo vivamente. Aliás, até posso começar a fazer deste fantastquíssimo, jurisdicíssimo mas, acima de tudo, humilíssimo blog uma espécie de programa de Domingo à noite com o Professor Marcelo e vou dando aqui conselhos magistrais...

Passando à frente, ao filme...

Pois que recomendo vivamente o filme porque nos faz pensar na nossa Justiça: Será que "ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão"? E se esse ladrão tiver sido roubado antes? Qual a legitimidade dos tribunais para aplicar penas? E qual a legitimidade dos particulares de fazê-lo por sua livre e espontânea vontade? Já agora, e mais importante que isto tudo, será que alguém, tribunais ou particulares, deve ter direito a ceifar uma vida humana em nome da justiça? (A pergunta não está muito descontextualizada porque aqui há uns meses a maioria dos votantes Portugueses foi da opinião que ceifar uma vida humana em nome da liberdade sexual é uma coisa justificável... Ora, aqui entre nós, eu valorizo mais a justiça que a liberdade sexual, deve ser defeito profissional!)

Se o filme nos faz pensar nestas importantes questões dignas de uma aula de Teoria do Direito (acho que os meus alunos vão ter direito a ver este trailler na próxima aula), devo confessar que não gostei muito do excesso de sangue e violência e do final demasiado côr-de-rosa e Hollywoodesco.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Servir o chá

Certo dia o Imperador decidiu sair do seu palácio para ver como estava o seu Império do Meio. Decidiu visitar os seus súbditos, comer com eles, ver as colheitas e perceber os seus problemas. Como para aém de Imperador era um homem sábio, decidiu viajar incógnito para poder verdadeiramente perceber os problemas dos seus súbditos que, se soubessem que ele era o Imperador, não ousariam expor os seus problemas. Sendo assim, proibiu o seu séquito de revelar que ele era o pai da China, o Sol do Império do Meio, o filho do Céu...
A certa altura entrou numa casa e como é hábito na China, a certa altura tomou o bule e serviu toda a gente que estava à mesa. Ora, os criados vendo isto quiseram prostar-se de joelhos em agradecimento, mas como não o podiam fazer sob pena de revelarem que ali estava o filho do Céu, fizeram com dois dedos da mão, o indicador e o do meio, o sinal de se ajoelharem para que apenas o Imperador percebesse que eles se estavam a prostar diante dele.
Desde aí que os Chineses não agradecem o chá quando este lhes é servido, apenas batem com os dois dedos na mesa.
Por isso, se um Chinês bater com os dedos na mesa quando o estão a servir, não pensem que ele está a dizer para parar, está a agradecer.

O festival do meio do Outono

Amanhã é feriado porque é o festival do meio do Outono, o festival do bolo lunar.
Neste dia tão importante para os Chineses, os amigos trocam bolos lunares, que são uns bolos redondos com um recheio que pode variar muito e as famílias juntam-se para jantar e ver a lua, porque é o dia do ano em que a lua está maior e mais próxima da terra.
Há dois anos fui com um grande grupo para o jardim e a lua estava linda, tão baixinha que quase se podia tocar, mas hoje acho que não vou ter a mesma sorte porque está a chover e o céu está tão cinzento que não se vai ver lua nenhuma.
Mesmo assim vou com o Alexandre tomar um copo: ele é de Hunan, por isso não vai poder ir jantar com a família e a mim também hoje não me dá muito jeito ir jantar a Lisboa, já para não falar de que os meus Pais nem devem ter ouvido falar do bolo lunar, quanto mais do tal festival do meio de Outono. Hei-de é perguntar porque é que se chama do Meio de Outono se ainda agora o Outono começou...

Elogios

Adoro elogios!
Ai, se tivesse aqui o Padre João da Moita dava-me um puxão de orelhas!
Vá, gosto muito de elogios!

domingo, 23 de setembro de 2007

Hong Kong

Achava eu que conhecia aquela cidade... Como estava enganado! Faltava-me ainda conhecer a noite de Hong Kong.
Pois que ontem lá fui ter com os meus amigos de Shantou: a Giulia, que acabou de chegar de ferias em Itália, a Wendy, que veio de Shantou, e o Peetu, que depois de 3 anos em Shantou, voltou para Hong Kong.
Então ontem, ainda antes do jantar, fomos ter com a Wendy a um centro comercial onde estava um grande reboliço e comoção por causa da antestreia de um filme com todos os actores e milhares de pessoas a tirar fotografias. Eu bem que tentava chamar a atenção para o facto de eu também estar ali e ser digno de capas de revistas até que a certa altura resultou, quando uma das estrelas saiu lá do palco e passa mesmo ao meu lado para ir para a sala de cinema rodeado de um grupo de fans histéricos a tirar fotografias compulsivamente.
Eu bem que conhecia aquela cara! Quem é que poderia ser? A resposta veio do Peetu, mais experiente em cinema que eu, era o Ang Lee, o realizador Formosino do Brokeback Mountain. Vejam lá a coincidência, no mesmo centro comercial os Honkongoneses terem a sorte de me encontrarem a mim e ao Ang Lee!
Depois fomos jantar a um restaurante finíssimo no Pico Vitoria mas este era tão chique, mas tão chique, que saímos todos de lá com fome. Mas o paladar das coisas pouco abundantes que trouxeram era fantástico!
Daí o Peetu levou-nos a um bar Marroquino muito engraçado onde estivemos a conversar e a fumar xixa (que para quem não sabe, é um cachimbo de água). Nesse bar juntou-se-nos mais um casal Chinês e uma rapariga Sino-Inglesa, todos amigos da Wendy.
Depois fomos explorar a noite da cidade e passeámos por uma zona muito gira do estilo do Bairro Alto, com muitos barzinhos e as pessoas a passear na rua. Nós ficamos lá num bar hispânico a dançar até que a certa altura fomos ter a uma festa privada para onde tinha ido a amiga Sino-Inglesa da Wendy. Foi aí que conheci um verdadeiro leprechaun. Que dizer, não sei se era muito verdadeiro, porque ele tinha uns dois metros de altura, mas lá que parecia, parecia... Pois este leprechaun ficou muito chateado quando eu pedi uma cerveja e barafustou divertido mas bem alto para que toda a gente pudesse ouvir (no raio de um metro, que a musica não permitia mais que isso). “Mais um Inglês nesta terra! Isto começa a estar pequeno de mais para tantos Ingleses!
Como a pronúncia dele não podia ser outra que não a da terra das minhas amigas Grainne e Caominhe, ou seja, Irlandesa, eu exclamei muito admirado: “Ah TU és Inglês! Tem piada, eu sou Português, do país dos velhos aliados dos Ingleses que sempre os ajudaram a manter os Irlandeses na ordem!”
Ele riu-se com isto e pediu-me desculpa pelo insulto de me ter chamado Inglês, ao que eu também pedi humildemente desculpa pelo mesmo insulto. Nessa altura, por entre elogios ao IRA, ele procurou-me convencer que os Irlandeses eram os melhores do mundo, porque de uma população de 6 milhões, eles tinham chegado a 40 milhões nos EUA, mas eu lembrei-o que nós, de uma população de 10 milhões, tínhamos construído o Brasil, um pais de 200 milhões de habitantes e que, se tínhamos conseguido isto, foi graças ao esforço das nossas mulheres que já há 9 séculos que mal conseguem ver os pés durante toda a sua vida para que os filhos possam levar mais alem o génio Português, como a minha avó, por exemplo, que teve 13 filhos (isto da minha avó ter tido 13 filhos é sempre muito apreciado por qualquer Irlandês, pelo que eu faço sempre questão de dizer quando encontro um). Este argumento, mesmo que muito falseado, fez o leprechaun admitir que, logo a seguir a Irlanda, Portugal deveria ser o melhor país do mundo...
E deixando o nome de Portugal mais uma vez nos píncaros, lá voltei para Macau. Ainda encontrei um grupo grande de Portugueses também a apanhar o ferry das 4 horas. Já conhecia a Maria e o Francisco mas todos os outros foram novidades.
Conclusão: vale bem a pena dar um salto a noite de Hong Kong de vez em quando! Quanto mais não seja, para mentir à força toda sobre Portugal e, desta forma, espalhar a sua boa fama pelo mundo! Não me interpretem mal, eu até podia espalhar a boa fama com verdades, mas a conversa conduz-me sempre a dizer uma mentirita ou exagerar um bocadinho. Não é culpa minha, é da conversa!

Sou o homem-aranha!

Your results:
You are Spider-Man
Spider-Man
70%
Superman
60%
Iron Man
60%
The Flash
55%
Supergirl
50%
Robin
49%
Hulk
45%
Green Lantern
45%
Catwoman
45%
Wonder Woman
40%
Batman
30%

You are intelligent, witty, a bit geeky and have great power and responsibility.

sábado, 22 de setembro de 2007

Os Reis dos Matrecos

Ontem, ao terminar as aulas, e depois daquele sono pouco reparador da minha cabeça a andar para trás e para a frente, fiquei a falar um bocadinho com os meus colegas Continentais, que têm vergonha de expor as dúvidas ao Professor e mas vêm expor a mim (Maninha, fazias cá falta!).
Vai daí, e porque já era noite de 6ª Feira, propus irmos tomar um copo. Não percebi a reacção deles, porque em Shantou os bares estavam cheios a Sexta e Sábado à noite, mas o xitex com que eles reagiram foi tal que parece que lhes tinha proposto abrir-lhes as portas da casa da Moeda e deixá-los servirem-se a vontade.
Então lá fomos ao Irish Pub, onde eu tinha estado no Sábado passado com uns amigos Portugueses e no caminho, enquanto conversávamos animadamente sobre os mais diversos assuntos, eles iam perguntando o que é que deveriam fazer quando estivessem no bar, ao que eu respondia um simples “have fun”!
Para se ter uma noção aí em Portugal, os Chineses desta idade e com o percurso deles, passaram grande parte da sua vida a estudar e sobrou-lhes pouco tempo para actividades deste género. Mesmo o desporto é importante na Faculdade por questões de saúde, não para se divertirem.
Quando lá chegámos, o ambiente não poderia ser mais fora do mundo deles: o bar estava pejado de Canadianos, Australianos e Americanos gordos, corados, reluzentes do calor e grandes a beberem muito, a falarem altíssimo e com a música aos berros. Levei logo a minha turminha para a sala do fundo, mais silenciosa, onde estão os matrecos e a sinuca (como dizem os Brazucas) e perante uma mesa que parecia um campo de futebol com uma data de homens espetados nuns paus e divididos em duas equipas diferentes, o espanto foi abismal! Nunca na vida tinham visto coisa tão extraordinária! Só mesmo os Portugueses para se lembrarem de uma coisa do Demo como aquela.*
Pois eu sei jogar matrecos mas não sou grande espingarda e normalmente faço uma figura não completamente triste, mas também não mais que sofrível. Na semana passada, por exemplo, o Fernando, um senhor dos Açores que já por cá anda desde antes de eu nascer, ao ver-me jogar e ao saber que eu era professor na universidade, comentou que se via logo que eu tinha estudado muito durante o curso...
Ora, mas em terra de cegos quem tem olho e Rei, pelo que eu causei sensação entre os colegas do mestrado ao marcar golos uns atrás dos outros até ir para a defesa para não causar tantos estragos nos egos dos meus amigos do Império do Meio.
Se eu, um rapaz, causei sensação, então quando a Raquel chegou a coisa foi aos píncaros! A Raquel não só joga melhor do que eu (o que é bastante normal em Portugal) como ainda para mais é rapariga! Por esta altura já fomos aclamados no “Continente” como os Reis dos Matrecos e, mais dia menos dia, temos um convite do Tio Hu para irmos lá a Pequim ensinar esta arte ao comité central.
Acho que por agora já eles estão a escrever aos Pais a contar da maravilhosa invenção dos Portugueses e quando eles começarem a produzir aquilo em massa, vamos poder encontrar por toda a China os matrecos Portugueses. Sim, eles saíram todos de lá a saber dizer “matrecos” e a adorar aquela invenção Lusitana!
*Uma pergunta aos meus cultíssimos leitores: aquilo e uma coisa Portuguesa, não é? Pelo menos por cá só os Tugas é que jogam...

O meu Mestrado

Um dos cursos de Mestrado que supostamente se abrem cá na Faculdade é o curso em Direito Público. Dado que essa é a minha área já há algum tempo, era essa a área que eu queria, mas como não houve alunos suficientes para justificar a abertura do Mestrado este ano, a minha escolha recaiu sobre um Mestrado em Língua Inglesa em Direito Europeu, Internacional Publico e Comparado. E porque é que foi essa a minha escolha? Porque poderia fazer a tese e os papers em Direito do Ambiente e até, estou agora a ver, em Ordenamento do Território, partindo do Direito Europeu e do Internacional.
No entanto, este Mestrado está a ter três problemas:
- O primeiro é que eu sou o único aluno licenciado numa Universidade Europeia (o Zé Miguel, o outro Português, licenciou-se em Macau, há mais dois Moçambicanos e os restantes são Chineses “Continentais”). Como é obvio, até agora ando a aprender conceitos que já conheço desde que tive Direito Comunitário no 2º ano da Faculdade...
- O segundo é que eu sou uma pessoa do tipo A, o que quer dizer que as minhas capacidades cognitivas estão concentradas da parte da manhã. Para fazer alguma coisa à noite que exija energia e interacção, eu aguento lindamente, para estar sentado a ouvir, tomar notas e prestar atenção é que já não dá! Dado que as aulas são sempre ao fim da tarde, tenho tido muita dificuldade em me manter acordado e ontem o professor até mandou uma boca dizendo que eu estava a tentar lutar contra deuses muito poderosos numa altura em que a minha cabeça ia para trás e para a frente num ritmo desenfreado.
- O terceiro problema é que os Chineses interessam-se tanto por assuntos relacionados com o Ambiente e com o Ordenamento do Território como por choques eléctricos. Vai daí mais ninguém escolheu as opções relacionadas com essas áreas e, por isso, elas não vão abrir!
Bem, nem tudo é mau! Eu até acho a área interessante e com opções de futuro, mas, mesmo assim, vou querer conciliá-la com os meus interesses e experiência que vinham de trás. A ver vamos...

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Levem-me para a prisao!

A Mariana mandou-me esta notícia muito interessante e que nos dá, a nós homens, muito que pensar...
Pequim, 21 Set (Lusa)
Um chinês farto da mulher e da mãe pediu guarida numa esquadra de polícia e, após a recusa dos guardas, roubou mesmo uma bicicleta para tentar ser preso, informa hoje a imprensa oficial chinesa.
"Eu queria ir preso, mesmo que fosse num campo de reeducação pelo trabalho. Ao menos aprendia um ofício novo e, quando saísse, todos os problemas familiares estariam resolvidos", disse o homem, de apelido Jin, citado pelo jornal Beijing Youth Daily.
O homem, natural da província de Jiangsu, no leste do país, disse ao jornal não poder aguentar mais as péssimas relações entre a mãe e a mulher, nem as descomposturas constantes das duas mulheres quanto ao gosto de Jin pelo jogo a dinheiro.
Quando o chefe da polícia da povoação de Huaian recusou abrigo a Jin, este decidiu roubar uma bicicleta, o que mesmo assim não foi suficiente para ser preso.
"Durante quatro dias, Jin refugiou-se na esquadra e, apesar de todas as tentativas da polícia para o convencer, sempre se recusou a voltar para casa", diz o Beijing Youth Daily.

Redes de contactos

Parece que de um momento para o outro se multiplicam as redes de contactos na Internet!
A primeira que eu conheci foi o hi5, cujo grande objectivo é a bisbilhotice e se não gostasse de alguma bisbilhotice, não tinha aderido, mas a quantidade de pedidos de relação que eu recebo de pessoas que eu nunca vi na vida e com os quais não tenho quaisquer pontos em comum é impressionante! Antes tinha uma fotografia de face em que eu estava vestido de beduíno, com um turbante, a cantar em frente da parede cor-de-rosa da Villa Beatrice – ate parecia que tinha mel, tantos eram os pedidos de homens a procura de homens! Agora tenho uma mais digna e respeitável, de fato, a falar ao TM, tirada pela Catarina nos meus anos há um ano atrás, mas mesmo assim, de vez em quando, lá cai um pedido menos fora do comum...
Depois conheci outro sítio com um objectivo mais prático, o linkedin, que é uma forma de manter os contactos académicos e profissionais e procurar emprego. O mal é que acho que fui convidado para o hotmail e depois para o gmail e acabei por, inadvertidamente criar dois perfis e ainda não sei como apagar o que esta a mais.
Agora surgiram mais dois, um que já me começa a irritar, o facebook, e outro que não corresponde as expectativas, o my happy planet.
O facebook começou por ser giro porque rapidamente me apercebi que os estrangeiros com quem eu estive em Shantou estavam lá todos e foi uma maneira de os “reencontrar” mas agora já ando um bocado farto porque aquilo tem umas coisas inúteis que passo a vida a receber do género: “a não sei quantas quer-lhe morder o pescoço, junte-se aos vampiros” ou coisas do género! Para quê?!?
O my happy planet é suposto ser um sítio onde as pessoas podem trocar informações e contactos para aprender línguas estrangeiras. Lá me inscrevi todo contente, esperando poder aprender Chinês em troca de lições de Português ou Inglês, mas a única pessoa, para além de mim, que esta nesse sítio a viver em Macau é um brasileiro! Nada contra os brasileiros, muito pelo contrario, mas não se me apresentou como um contacto útil para aprender a língua dos Imperadores...
Ah, já me esquecia de dois outros sítios do género: o wayn (where are you now?) e o couchsurf. Este ultimo é mesmo capaz de ser o sitio que mais “entrou na minha vida”, por assim dizer, porque recebi no chateau d'Alvim alguns viajantes bem simpáticos e que muito gostei de conhecer, como, por exemplo, o Isaac aqui do lado.
Pois por esta altura tenho tantos perfis em tantas coisas diferentes que já começa a ser um bocado desesperante. A ver se, como resultado deste post, apago pelo menos um...

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Mais fotografias

E aqui deixo fotografias do meu gabinete, como vêem já pintadinho.
Vou é ter que alterar a disposição porque estou de costas para o rio e isso não é bom feng shoi, que preocupa muito os meus colegas e eu não os vou querer estar a preocupar. Eu ainda sugeri trazer água benta da Igreja e benzer o gabinete, mas as benzeduras não acabam com o mau feng shoi pelo que vou mesmo ter que mudar as coisas quando tiver tempo para bem da minha sorte, saúde, da familiazinha lá bem longe em Portugal e tudo o mais.

Fotos de Macau

Com muita razão, os brilhantíssimos, fabulosíssimos mas, acima de tudo, fantastiquíssimos leitores deste blog, exigem fotografias de Macau.
Pois então, na Terça fui passear com o meu amigo William, de HK, para o Veneza e para o centro da cidade e daí também resultaram algumas fotografias (claro que a my precious foi comigo!).
Oh pa mim em Veneza... Aquilo tem canais e gondoleiros e um deles até canta ópera! O luxo é eorme e, como sabem, o humlíssimo autor deste blog, é um bocado avesso a estes luxos desmedidos e ao próprio jogo, pelo que não me senti muito bem lá dentro.

Esta já é uma auto-fotografia nossa no Leal Senado...

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Desafio

A Constança pediu-me para aceitar este desafio e eu aceitei!
E o desafio é:
1- Pegar no 1º livro que tiverem por perto.
2- Abrir na página 161
3- Procurar a 5ª frase completa.
4- Transcrevê-la para o vosso blogue
5- Não devem escolher o livro nem a frase. Tem mesmo que ser do livro que estiver mais perto e a 5ª frase da página 161.
6- Passar o desafio a 5 pessoas.
Ora o resultado é:
"Lengar had persuaded them."
Cornwell, Bernard: Stonehenge
Mafalda das fotos, Alexandra do Luxemburgo, Mafalda de Copenhaga, Tiago das crónicas e João da grafonola: aceitem este desafio!

It's fashion!

Aqui há uns tempos fui comprar uma camisa “fashion” a uma loja de Macau. Quer dizer, não é que ela fosse o último grito da moda (para isso era preciso eu saber qual é esse tal último grito), mas era gira, branca, de linho e mangas curtas.
Antes de a usar, mandei-a juntamente com o resto da roupa suja para a lavandaria e antes de ontem decidi usá-la. Qual não é o meu espanto quando, passadas umas horas de a estar a usar, tentei meter um papel no bolso e me apercebi que o bolso estava do avesso, ou seja, do lado de dentro.
Tirei a camisa para ver se ela estava vestida do avesso, mas não, estava bem vestida e o bolso continuava do lado de dentro.
Ora, como ontem fui passear para Macau com um amigo meu de Hong Kong que cá veio passar o dia fui trocá-la. Antes de mais, note-se que este meu amigo, o William, é Chinês e muito mais fashion do que eu (em geral não é difícil), e também concluiu que a camisa tinha defeito.
Lá fomos à loja, eu expliquei que queria trocar a camisa e a menina com quem falei riu-se muito e disse que não era um problema, era moda, ela era mesmo assim. Quando lhe perguntei o porquê, ela riu-se mais uma vez com aquele riso de “coitados, vêm lá do Ocidente e não percebem nada de moda” e disse que era assim porque era bonito.
Ora, eu que não vejo beldade nenhuma no facto de um bolso estar cosido do lado de dentro e que acho que fica muito menos prático, fiquei logo com a ideia de que não nasci para ser fashion! Vou ver se encontro uma costureira que me transforme a camisa de modo a ficar menos fashion e mais prática!
No fim de tudo, o William, também não percebeu porque é que era mais giro ter o bolso do lado de dentro, pelo que percebi que não estou sózinho no mundo em gostar de coisas práticas.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

No olho da rua!

Fui posto no olho da rua!
Ah pois é, logo que recebi o meu gabinete comecei-me logo a queixar que era incrível que me dessem um gabinete que tinha as paredes esboroadas e castanhas, que não devia levar uma pintura desde antes de eu nascer e que era uma vergonha eu receber os alunos assim porque "à mulher de César não lhe basta ser honesta, tem também que o parecer" e se eu me dou ao incómodo de, com esta humidade e calor, ir de fato para as aulas, não é para depois receber os alunos naquelas condições.
Tanto chateei, tanto chateei, que hoje chegou um pintor e me expulsou do gabinete!
Não estavam a achar que eu tinha sido despedido, pois não? eheheh
Pois atravessei o corredor com o portátil e os livros e pedi asilo politico à Estrela. Posso dizer que fiquei com uma vista bem mais agradável! Só é pena que esta vista tenha namorado há 7 anos...

Lost in translation

Há bocado o Alexandre, que é um Chinês de Shanghai que dá cá aulas na faculdade, veio como de costume, buscar-me ao meu gabinete para irmos almoçar com a Estrela, outra Chinesa mas esta de Macau.
Como eu estava a trabalhar ao som de um CD do Carlos Paredes começámos a falar de fado e eu disse-lhe que a maior fadista do momento em Portugal era a Mariza e fiz uma busca no google para lhe mostrar uma fotografia e para meu espanto ele sai-se com um:
"- Ela parece lésbica. A minha outra namorada também era lésbica."
Eu fiquei bastante surpreendido mas como a Estrela chegou nessa altura, não desenvolvi a conversa, mas percebi logo que alguém lhe deve ter dito que lésbica queria dizer outra coisa e como o Português dele ainda não é muito bom, ele acreditou.
No fim do almoço, quando nos despedimos da Estrela, eu decidi que para ele não continuar a cometer gafes mais valia explicar-lhe o que é que lésbica quer dizer.
"- Oh Alexandre, o que é que tu achas que lésbica quer dizer? É que lésbica quer dizer uma mulher que gosta de outras mulheres..." Quer dizer, um homem não pode deixar um amigo andar aí ao engano a dizer que anda a namorar com lésbicas, não é?
Qual não é o meu espanto quando ele me diz que sabia muito bem o que era uma lésbica e que a ex-namorada agora tinha uma namorada e vivia com ela e que em Pequim e Shanhai havia muitos homosexuais e muitas lésbicas.
Ora, para quem viveu em Shantou, como eu vivi, isto foi um choque porque só me lembrei do Tom, o dono da New Time, a jurar-me a pés juntos que não haviam gays na China e que essas coisas só se passavam no "dissoluto Ocidente." Como era impossível que em 1,4 biliões de Chineses não houvesse um único gay, eu percebi que eles ainda deviam viver muito escondidos e ser um tema tabu. De facto, a China está a mudar enormemente mas neste momento ainda há duas Chinas em muitas coisas: a China das grandes metrópoles urbanas e a China tradicional.

sábado, 15 de setembro de 2007

Almoço de Faculdade

Hoje foi o almoço da Faculdade, durante o qua se elegeu o Conselho Pedagógico e os representantes da Faculdade no Senado da Universidade.
Mas nestas coisas já se sabe como é, o que a malta quer é "cumbíbio e paparoca", não quer cá saber de votações, por isso despachámos aquilo e o cumbíbio foi muito bom.
Agora vou-me que já se chega o jantarinho ainda não sei onde... (duas propostas, uma delas já definida e a outra, que surgiu primeiro, não se define)

Mais casas...

Ora hoje vi mais 4 casas, todas elas na Taipa, porque já cheguei à conclusão de que não quero mesmo viver em Macau. Duas vezes por semana dou aulas até às 11 da noite, tenho aulas de mestrado todos os dias e o trânsito em Macau está cada vez mais caótico (imaginem o que é 600 mil pessoas a viver num território que eu calculo que deva ser menor que Lisboa).
Ora, das 4 casas gostei apenas de uma e gostei mesmo muito, no entanto todavia contudo... É bastante cara! Estou aqui a ponderar os prós e os contras mas tenho mesmo que ponderar muito bem.
Caso eu fique com esta casa, terei mais do que espaço suficiente para os amigos e a família virem cá visitar porque tem dois quartos, uma sala enorme e duas casas de banho. Está guardada para mim até Segunda Feira.
O Senhorio estava a pedir 8000MOP (€800,00) e disse que ainda lá ia pôr uma televisão e um esquentador. Ora eu estou em Macau há duas semanas, tenho televisão no quarto e ainda nem a liguei, por isso nos próximos tempos vivo bem sem ela, como vivi durante um ano no Château d'Alvim, e quanto ao esquentador compro um por 800MOP, por isso não me vou preocupar com isso. Eu disse que não queria nem TV nem esquentador mas queria baixar o preço para 7000MOP. Ele aceitou, eu fiquei inclinado a aceitar também...
Depois conto o desenvolvimento da estória do Pagode Alvim.

Beatriz

Miuda, qual velha qual que, tu estas cada vez melhor! Nao vou dizer que a idade nao passa por ti porque ela passa, nota-se e ainda bem, porque estas cada vez melhor!
Um grande beijinho de Parabens!
(Note-se nas cores e tons dos Parabens... Tao SLIHs...)

你好!

你好吗?
我很好!
我叫是字王,我市铺套鸭人。
E agora quem percebeu, percebeu e quem não percebeu estude Chinês! eheheh

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

A primeira dá-se e dá-se bem!

Eu já desconfiava...
Nasci para dar aulas! É que é uma coisa que me dá mesmo gozo! Preparar as aulas, dá-las, estudar os alunos e as suas reacções...
Ontem dei a minha primeira aula a sério, ou seja, sem serem só as apresentações. Ao princípio os alunos rezingaram um bocado a dizer que já tinham ouvido não sei quantos professores dizer que a "a primeira não se dá e a última não se recebe" e queriam ir mais cedo para casa. Eu próprio teria rezingado um bocado, que isto de uma aula começar às 22h é muito cansativo, mas lá argumentei que o regente e eu nos tinhamos licenciado em Lisboa, e por isso não seguiamos esse velho brocardo Conimbricense.
Lá fizémos as apresentações e eu lancei o tema para o debate que eu tinha preparado. Qual não foi o meu espanto quando às 10 da noite, quando toda a gente deveria estar cansada, se começam a levantar mãos e o debate segue com imensa vivacidade e muita troca de ideias!
A cinco minutos do fim da aula interrompi o debate, que se poderia ter prolongado por muito mais tempo, porque ainda estava no auge, para fazer um apanhado do que ali tinha sido dito e comecei por lhes dar duas notícias:
- uma má, porque as ideias que ali surgiram não foram novas;
- e uma boa, porque as ideias tidas por aquele grupo de alunos do 1.º ano da Universidade foram as mesmas tidas por alguns dos mais proeminentes Filósofos de todos os tempos.
Não estou a exagerar, a sério que, por outras palavras, ali se tocou na tese do bom selvagem de Rousseau, na teoria do "homo lupus homini" de Hobbes, no materialismo Histórico de Marx (juro que me abstive de benzer), etc.. E quando eu em cinco minutos lhes expliquei por alto o que eles tinham dito em comum com estes três Filósofos, eles iam fazendo olhares de orgulho enquanto eu os parafraseava (tinha tomado apontamentos do que eles tinham dito, claro, que esta cabecinha não dá para tudo).
Às 23h em ponto acabei a aula - eu não gostava nada quando os professores ficavam a falar para além do tempo, por isso vou tentar não o repetir.
Acho que tenho boa massa para fazer pão, agora é amassar!

Blog da mini-saia

Graças a um comentário no meu post anterior, descobri este blog que achei muito giro!
Veio aqui a autora, disse que era Professora de Direito e quando eu lhe segui o perfil para ver se tinha blogs não estava nada à espera de um blog com dicas de beleza feminina. Ora, eu bem sei que as inteligentíssimas, fashionabilíssimas, charmosíssimas mas, acima de tudo, giríssimas leitoras deste meu humilíssimo blog não precisam de dicas de beleza para nada porque já são umas divas deslumbrantes, mas sugiro que o recomendem àquelas amigas que não têm a mesma sorte no que toca à aparência e que podem beneficiar muito com estas dicas.
Quanto aos homens... Diz o ditado que "a beleza é o capital das mulheres e o capital é a beleza dos homens" por isso, em vez de andarem a consultar blogs com dicas de beleza feminina: vão trabalhar malandros! :-)

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

A primeira não se dá...

Comecei as minhas actividades, ou seja, comecei a dar aulas na licenciatura de Direito em língua Portuguesa e a receber aulas de Mestrado, pelo que tenho muito para contar.
A primeira coisa curiosa que me aconteceu foi que os três regentes que regem a minha cadeira têm como "alma mater" a Universidade de Coimbra. Ora sendo de Coimbra, seguem o velho brocardo académico Conimbricense de "a primeira aula não se dá e a útima não se recebe".
Ora esta semana são só primeiras aulas, mas como eu venho da academia Lisboeta, preparei todas as aulas partindo que as aulas são para ser dadas, recebidas, trocadas e destrocadas da primeira até à última.
No entanto, não eram esses os planos das duas primeiras regentes. Ora, dado que eu sou um mero Assistente, sigo as indicações dos regentes, pelo que já escrevi nos sumários que tinha feito "2ª Aula Prática" em vez de 1.ª. Hoje dou a aula prática da terceira cadeira e qual não é o meu espanto quando o regente me diz que está muito bem, que ele próprio começa a darmatéria logo na primeira aula e até me disse qua a matéria que ia dar (como eu tinha preparado a aula pela matéria que vinha no plano, coincidia).
Então as "minhas" cadeiras são:
- Teoria Geral do Direito: apesar do nome, esta não tem nada a ver com teoria Geral do Direito Civil. É uma cadeira que não existe em Portugal, dada ao 5.º e útimo ano do curso, mas que é uma mistura de Flosofia do Direito, com Deontologia Profissional com o enquadramento geral do Direito na Sociedade. Por acaso até é uma cadeira bem gira! Gostei muito dos planos das aulas e do meu papel nas aulas práticas que vai ser o de levar textos, artigos ou notícias para as aulas sobre temas relacionados com as aulas teóricas e pôr os alunos a discutir sobre esses temas.
- Economia Pública: quando soube que ia dar Economia Pública, trouxe o manual do Prof. António Pinto Barbosa, que me deu aulas, e mais uns quantos livros sobre Economia. Pois estava enganado, a cadeira equivale ao que nós em Portugal chamamos Direito Financeiro ou Finanças Públicas. Quando disse isto à regente, ela até ficou toda satisfeita e disse que, para além de eu dar casos práticos podia aproveitar as aulas para lhes dar umas noções de Economia Pública. Com tudo isto, também estou a gostar muito da cadeira. Surpreendentemente, estou a gostar mais de Finanças Públicas agora do que quando tive a cadeira na licenciatura e já tenho alguns planos para tornar as aulas participadas e interessantes.
- História das Instituições Jurídicas e Politicas: a cadeira pouco difere daquela que eu tive na licenciatura, o manual seguido é o do meu ex-professor, o Professor Hespanha e só na parte relativa à China e a Macau é que é diferente. Ora, há aqui um problema que se levanta e que me foi transmitido pelo regente: dado que a maioria dos alunos do curso ou são alunos Macaenses ou alunos dos PALOPs, têm menos bases em História e Filosofia Europeia e Judaico-Cristã do que os alunos Portugueses, pelo que o meu papel nas aulas vai ser, precisamente, ir reforçando o que o regente vai ensinando mas de um ponto de vista mais do contexto Histórico e Filosófico. Quem me conhece pode bem imaginar o quanto a ideia me agrada porque eu gosto imenso de História e Filosofia!
Por isso, não me posso de todo queixar do trabalho que vou fazer, se bem que, preparar três cadeiras em áreas diferentes possa vir a ser um bocadinho extenuante. Quanto ao Mestrado, nem eu tenho tempo agora para escrever sobre ele nem os leitores deste teóriquíssimo, financiadíssimo, históriquíssimo mas, acima de tudo, humilíssimo blog terão pachorra para o ler.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

11 de Setembro

Faz hoje 6 anos que tive a honra e o privilegio de passar os anos com a Rita e quem nao souber quem a Rita e, nem sabe o que perde porque e uma miuda gira, bem disposta, culta, inteligente, viajada mas, acima de tudo, e uma miuda que nao se importou de largar tanto o que tinha em Lisboa para ir 1,5 anos para os bairros mais pobres de Montes Claros ajudar quem dela precisava. OK, tem um defeito, e alta de mais para mim... Ah, tem outro defeito! Bem, esse e melhor nao escrever aqui porque ela e menina para me fazer uma espera no aeroporto quando eu voltar...;
Faz hoje 6 anos que a festa da Rita foi preparada a preceito pelos restantes 6 magnificos que com ela estavam, que isso de estarmos no Brasil a fazer um projecto de Accao Social pode querer dizer nao ter muito dinheiro mas o que nos faltava em dinheiro, sobrava-nos em boa disposicao, amizade e muita imaginacao;
Faz hoje 6 anos que tivemos a Magnifica ideia (como todas as nossas ideias, de resto) de montar uma tenda no cimo da nossa casa que era daquelas casas que nunca sao completadas e por isso tinha um terraco la em cima;
Faz tambem hoje 6 anos que eu bem tentei tapar os olhos da Rita quando estavamos a descer do bairro de Santo Amaro para a nossa casa, no bairro de Santa Rafaela, mas a coisa nao resultou e ela viu a gigantesca tenda que os outros tinham montado (eu nao, porque alguem tinha que distrair a Rita e quando se fala em alguem para distrair...);
Faz hoje seis anos...
Esperem la, tambem foi nesse dia que cairam uns predios la para Nova Iorque, nao foi? Bem, mas o que e importante e que a Rita esteve feliz nesse dia!
Miuda, daqui de tao longe: MUITOS PARABENS!

Cerejas

Um grupo de meninas da minha turma de curso junta-se todos os meses para ter um jantar de "cerejas". Ora chama-se jantar de cerejas porque vao conversando durante toda uma noite e as conversas puxam-se como as cerejas.
Ora eu hoje fui almocar com um professor de quem vou ser Assistente. Este e um Senhor com uma vida riquissima, cheia de experiencias diferentes em Portugal e Macau e com um daqueles jeitoes para contar estorias.
Cheguei ao escritorio dele as 12h, saimos para almocar e nao nos levantamos da mesa antes das 15.30h e, com toda a sinceridade, o tempo voou! Estive a ouvir imensas estorias e eram tao interessantes e divertidas que nem por um momento me senti aborrecido. Apesar de ser uma pessoa ja com uma certa idade (67 anos) mantem um espirito vivo e entusiastmado e nao parece nada velho.
Espero ser assim daqui a 40 anos!

Um lugarzinho no Ceu

Antigamente, quando eu era pequenino, achava que com uma fitinha para o chapeu se podia comprar um lugarzinho no Ceu, hoje ja sei que nao e bem assim...
Fui as Paulinas buscar uns livros necessarios para as aulas* e, como ainda eram uns quantos livros, ficaram-me bastante caros, cerca de 1500MOP (E150,00). A Irma, muito querida e muito conversadora, la me fez as contas e depois eu comecei a conversar com outra senhora Portuguesa que la ajudava na livraria e que, quando soube as cadeiras que eu ia dar, trouxe mais um livro que eu decidi comprar. Quando eu ia a pagar ela alertou:
"- Oh Irma, nao se esqueca do desconto de estudantes e professores!"
O que??? Os professores tinham desconto e ninguem me tinha dito!!! E claro que eu sugeri educadamente a Irma entao me fazer o desconto tambem nos outros livros que ja eu tinha pago (com desconto ate iogurtes podres!) ao que a Irma me explicou que a contabilidade ja estava feita na caixa registradora XPTO toda electronica e que nao a podia desfazer, mas que eu nao me preocupasse que aquele dinheiro financiava tambem as obras das Paulinas e que eu receberia "two and three times more... in Heaven!"
E a como esta a conversao Patacas-Dinheiro Divino? E a quanto estao os juros no Ceu? E a como esta o metro quadrado com vista para as nuvens? Esta e outras duvidas ficaram-me a importunar porque o desconto ainda era bastante jeitoso!
*Ja aqui disse que ca as Paulinas tambem vendem livros de Direito, nao ja? Nao, nao vou ser professor de Teologia...

Low Cost para ca!

Quando eu vinha no ferry de HK para Macau, falaram-me de uma companhia de low cost que voa de Londres para HK mas so hoje fui investigar e nao e que, depois de uma simulacoezinhas percebi que os bilhetes sao, efectivamente MUITO MAIS BARATOS!
Que oasis neste deserto de companhias careiras!
Sera que, por ser low cost, nao da comidinha e o pessoal tem que levar farnel? Bem, isso nao faz mal, tambem se arranja, mas eu gosto tanto da comida de aviao...
E se eu fui agora investigar foi porque o meu primo Joao me escreveu a dizer que ele e a Ines estao a pensar vir por estas bandas! Sera que vao ser os primeiros hospedes do Pagode Alvim? Espero que nao venham antes de eu ter o tal do Pagode, que se esta a revelar dificil de encontrar, pronto e arranjadinho para os receber!