Comecei as minhas actividades, ou seja, comecei a dar aulas na licenciatura de Direito em língua Portuguesa e a receber aulas de Mestrado, pelo que tenho muito para contar.
A primeira coisa curiosa que me aconteceu foi que os três regentes que regem a minha cadeira têm como "alma mater" a Universidade de Coimbra. Ora sendo de Coimbra, seguem o velho brocardo académico Conimbricense de "a primeira aula não se dá e a útima não se recebe".
Ora esta semana são só primeiras aulas, mas como eu venho da academia Lisboeta, preparei todas as aulas partindo que as aulas são para ser dadas, recebidas, trocadas e destrocadas da primeira até à última.
No entanto, não eram esses os planos das duas primeiras regentes. Ora, dado que eu sou um mero Assistente, sigo as indicações dos regentes, pelo que já escrevi nos sumários que tinha feito "2ª Aula Prática" em vez de 1.ª. Hoje dou a aula prática da terceira cadeira e qual não é o meu espanto quando o regente me diz que está muito bem, que ele próprio começa a darmatéria logo na primeira aula e até me disse qua a matéria que ia dar (como eu tinha preparado a aula pela matéria que vinha no plano, coincidia).
Então as "minhas" cadeiras são:
- Teoria Geral do Direito: apesar do nome, esta não tem nada a ver com teoria Geral do Direito Civil. É uma cadeira que não existe em Portugal, dada ao 5.º e útimo ano do curso, mas que é uma mistura de Flosofia do Direito, com Deontologia Profissional com o enquadramento geral do Direito na Sociedade. Por acaso até é uma cadeira bem gira! Gostei muito dos planos das aulas e do meu papel nas aulas práticas que vai ser o de levar textos, artigos ou notícias para as aulas sobre temas relacionados com as aulas teóricas e pôr os alunos a discutir sobre esses temas.
- Economia Pública: quando soube que ia dar Economia Pública, trouxe o manual do Prof. António Pinto Barbosa, que me deu aulas, e mais uns quantos livros sobre Economia. Pois estava enganado, a cadeira equivale ao que nós em Portugal chamamos Direito Financeiro ou Finanças Públicas. Quando disse isto à regente, ela até ficou toda satisfeita e disse que, para além de eu dar casos práticos podia aproveitar as aulas para lhes dar umas noções de Economia Pública. Com tudo isto, também estou a gostar muito da cadeira. Surpreendentemente, estou a gostar mais de Finanças Públicas agora do que quando tive a cadeira na licenciatura e já tenho alguns planos para tornar as aulas participadas e interessantes.
- História das Instituições Jurídicas e Politicas: a cadeira pouco difere daquela que eu tive na licenciatura, o manual seguido é o do meu ex-professor, o Professor Hespanha e só na parte relativa à China e a Macau é que é diferente. Ora, há aqui um problema que se levanta e que me foi transmitido pelo regente: dado que a maioria dos alunos do curso ou são alunos Macaenses ou alunos dos PALOPs, têm menos bases em História e Filosofia Europeia e Judaico-Cristã do que os alunos Portugueses, pelo que o meu papel nas aulas vai ser, precisamente, ir reforçando o que o regente vai ensinando mas de um ponto de vista mais do contexto Histórico e Filosófico. Quem me conhece pode bem imaginar o quanto a ideia me agrada porque eu gosto imenso de História e Filosofia!
Por isso, não me posso de todo queixar do trabalho que vou fazer, se bem que, preparar três cadeiras em áreas diferentes possa vir a ser um bocadinho extenuante. Quanto ao Mestrado, nem eu tenho tempo agora para escrever sobre ele nem os leitores deste teóriquíssimo, financiadíssimo, históriquíssimo mas, acima de tudo, humilíssimo blog terão pachorra para o ler.