segunda-feira, 14 de maio de 2007

Situações estranhas

Acho que devo ter um íman para situações estranhas…
A minha amiga Sarah, com quem trabalhei em Oxford e na China, mandou-me um mail a dizer que vinha cá uma amiga, a Melissa, que eu imediatamente presumi ser Inglesa, e logo combinei um jantar com os meus amigos Constança e Marcus.
A Inglesa era, afinal de contas, uma típica Americana com um daqueles assustadores sotaques americanos que o Marcus, por ter vivido 4 anos em Nova Iorque, partilhava por completo. Rapidamente conclui que nenhum dos dois se tinha dado ao trabalho de gravar os discursos da Rainha e os repetir até ter um sotaque verdadeiramente Inglês em vez de terem sotaques daquelas ex-colónias do outro lado do Atlântico…
O jantar acabou por ser bem divertido e no fim decidimos ir a uma inauguração de uma exposição de pintura para a qual o Marcus tinha sido convidado. O facto de sermos 4 em vez de 1 talvez fosse um bocado estranho, mas pior ainda foi que, enquanto a Constança arrumava o carro, eu conheci um artista brasileiro de seu nome António que respondeu ao meu entusiasmo com o facto dele ser brasileiro e do Papa estar no Brasil com um “não gosto dessi Papa, não!” Ia-me dando um amoque, mas lá o convidei para a exposição para escândalo do Marcus, o único que tinha convite.
Enquanto eu defendia o Papa com explicações da “Deus é Amor” a um rapaz que era membro da Teologia da Libertação, víamos uma exposição de quadros muito bem pintados e com cores apelativas mas todos a representarem cenas de pedofilia, transvestismo, animalismo, etc. Não sei porquê, acho que não foi o sítio ideal para falar sobre uma encíclica…
Enquanto isto, a Melissa não percebia uma palavra porque o outro não falava Inglês, pelo que pelo meio de frases como “o Católico é chamado a amar concretamente e não teoricamente o próximo”, eu comentava com ela os quadros “is it my impression, or is that transvesti having sex with that sheep?
No fim lá saímos todos da exposição: a Constança dizia que estava feliz por ter conhecido a tia do Marcus; o Marcus dizia que nunca mais me convidava para nada sem antes me dizer expressamente que eu não podia convidar pessoas que conhecia na rua; a Melissa dizia que estava impressionada com a violência dos quadros e que teria que escrever à Sarah a contar sobre a nossa estranha noite; o António dizia que as cores dos quadros eram muito giras; e eu dizia à pintora que ela era do estilo da Frida mas muito mais gira sem referir aquele pormenor de estar com medo de ter pesadelos à noite por causa dos quadros dela.
Situações estranhas em que eu me vejo metido…

sexta-feira, 11 de maio de 2007

À mulher de César...

Aqui o comum cidadão tem dúvidas de muita coisa do que se andou a passar na Câmara Municipal de Lisboa mas tem a certeza de outra coisa, é que provavelmente essas dúvidas nunca serão esclarecidas porque ninguém parece muito interessado em esclarecê-las.
Aqui há uns dias o bom do cidadão* quase que ficou com uma lágrima no canto do olho ao ouvir o Eng. Carmona a dizer que tinha sido eleito pelos cidadãos (os outros, este aqui não pôde votar por estar a residir na China) e que agora era corrido pelos partidos. Pensou logo o cidadão: MALVADOS DOS PARTIDOS!
Devem ter também sido esses tais dos partidos que assinaram o contrato de permuta com a Bragaparques! E devem também ter sido esses malvados dos partidos que permitiram a construção daquele elefante branco na Infante Santo e que insistem que não há nada de ilegal na obra, mesmo depois de dois pareceres do gabinete do Senhor Provedor de Justiça a dizer que há uma série de ilegalidades no processo e na própria construção. Por último, devem também ter sido os partidos que andaram a nomear gestores para as empresas municipais quando já era mais do que claro que ia haver eleições antecipadas.
Alguém meta esses partidos na cadeia, sff! Coitadinho do Senhor Engenheiro!
* Sim, sou cidadão: tenho BI, passaporte e cartão de contribuinte!

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Bento XVI no Brasil

O Papa foi ao Brasil e mostrou logo que segue os exemplos do seu predecessor e que as suas visitas não são visitas de cortesia mas de apostolado.
João Paulo II fazia questão de denunciar as feridas sociais dos países que visitava, sendo muitas vezes um incómodo quer para a própria Igreja Católica local quer para os governos. Quem achava que o Papa ia aos EUA para defender a Igreja Católica Americana enganou-se: João Paulo II fez questão de condenar os crimes de pedofilia e a estrutura que permitiu o seu encobrimento. E quem achava que o Papa em Cuba se ia calar no que toca à defesa dos Direitos Humanos também se enganou: “el Comandante” teve que ouvir os ataques aos abusos do seu poder e calar.
Bento XVI segue esta mesma linha. Há poucos dias todos os comentadores diziam que o Papa ia ao Brasil para “angariar” Católicos e combater o crescimento das Seitas e Igrejas Protestantes e Evangélicas. Pois enganaram-se redondamente: não só Bento XVI não procurou cativar simpatias como iniciou logo a sua visita com um tópico bem antipático que divide a Igreja e a Sociedade Brasileiras: o aborto.
A comunicação social, previsivelmente, pegou neste tema com uma veleidade e uma ligeireza a que já estamos acostumados. Não só a maioria dos jornalistas não se dá ao trabalho de estudar o mínimo sobre a Doutrina Católica antes de opinar sobre a Igreja, como, ainda para mais, deturpa as palavras do Papa.
Há que explicar a estes senhores jornalistas que a excomunhão não é uma pena do género das do Código Penal. A excomunhão é o estado de quem não está em comunhão com a Igreja, ou seja, que defende comportamentos ou doutrinas de tal forma contrários aos do resto da Igreja que não é possível receber os Sacramentos partilhados pelos Católicos.
A defesa incondicional da Vida Humana desde a concepção até à morte natural é um pilar base da Doutrina Católica pelo que quem defender o aborto, a eutanásia, a pena de morte ou quaisquer formas de tortura está claramente fora da Doutrina que une todos os Católicos. Nem sequer é preciso que o Papa o venha declarar, a própria pessoa é que se deve dar conta disso.
E tanto não é uma pena como as do Código Penal, que o perdão é total para o arrependido. Havendo arrependimento sincero, há de imediato um convite ao arrependido para retomar os Sacramentos.
Bento XVI não optou por ser simpático e consensual. Adoptou claramente a atitude de “simples trabalhador das vinhas do Senhor”, como se apresentou aquando da sua eleição. Concluiu que os caminhos de Deus podem não ser os caminhos dos homens mas são claramente os caminhos que a Igreja quer para os homens e quem não os quiser seguir, não é obrigado a ficar…

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Câmara Municipal de Lisboa

Sobre esta questão da CML, vale bem a pena ler o artigo do meu amigo Paulo no Diário Económico...

O fumo

Discutiu-se aqui há coisa de uma semana no Parlamento um projecto de Lei sobre o tabaco, sobre o fumo nos espaços públicos como restaurantes, bares, discotecas, etc..
Infelizmente o projecto foi ainda bastante tímido, só mesmo o mínimo indispensável para podermos dizer que estamos a surfar na mesma onda que o resto da Europa mas a verdade é que, se em muitos sentidos estamos na dianteira da Europa, neste pormenorzinho que nem é assim tão pequeno do fumo, ainda estamos na cauda do continente.
Primeiro vamos a factos:
- o tabaco causa uma série de problemas nos seus consumidores sendo a primeira causa de uma série de cancros, doenças cardio-vasculares, etc.;
- o tabaco afecta negativamente não só quem fuma, mas como quem está por perto;
- fumadores e fumadores passivos não só são mais atreitos a doenças directamente relacionadas com o tabaco, como levam mais tempo a curar-se de doenças corriqueiras como as gripes e as infecções do aparelho respiratório;
- todos os anos gastam-se milhões de euros nos hospitais públicos em tratamento de doenças relacionadas com o tabaco e na segurança social devido a baixas relacionadas com as mesmas doenças.
Os fumadores dizem que, como pagam pesados impostos sobre o tabaco, estes cobrem estas despesas, mas está provado que isso não é verdade, quanto mais não seja porque não têm (nem é possível ter) em conta os efeitos colaterais do tabaco.
Com tudo isto, parece-me plenamente justificável a proibição completa de fumar em espaços públicos, quanto mais não seja, porque é nas saídas à noite que a maioria dos jovens começa a fumar... Mas, como é óbvio, também porque os não-fumadores têm o direito de sair à noite sem estarem a ser invadidos pelo fumo dos outros e têm direito de ir a um restaurante sem sentirem a quase indigestão que o tabaco provoca a quem tem o bom senso de se abster de o fumar activamente.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Eleições Francesas

Ontem foi dia de eleições em França com uma participação enormíssima dos eleitores, a maior dos últimos 40 anos.
Os Franceses votaram por uma mudança bastante grande na governação do país, elegendo Sarkozy. Parece que o facto de ter sido o número dois no governo nos últimos anos, não lhe confere o direito a ser um candidato de ruptura, mas diz quem percebe mais sobre a França do que o humilíssimo escritor deste blog, que muita coisa vai mudar no país de Moliére.
Nesse país a função pública está instalada num altar de privilégios e comunica através de canais tão burocráticos que acaba por levar à estagnação da vida económica do país. Sarkozy propõe-se a mudar isso e faz uma promessa que a mim me agrada: promete sacrifícios para o conseguir alcançar. Quando um político promete sacrifícios antes das eleições, dá-me sempre a ideia de que, quanto mais não seja, é verdadeiro.
Parece-me do mais banal possível compreender que as reformas se fazem à custa de sacrifícios!
Mas cá pelo burgo, pelo menos, isso que tem acontecido, o que me entristece. Barroso só prometeu sacrifícios já depois de eleito e fê-lo de uma forma tão pouco animadora, que afastou por completo as intenções de investimento privado. Santana não tem espírito de propor sacrifícios e não teve que prometer nada para chegar a São Bento e depois, quando teve que propor alguma coisa para lá se manter, em vez de prometer o que quer que seja, pediu colinho! Sócrates prometeu que o tempo de apertar o cinto estava a chegar ao fim como um Pai que em Vila Franca de Xira promete ao filho que já falta pouco para chegar a Braga.
E por isso é com alguma esperança que eu vejo esta eleição de Sarkozy. A França precisava de um homem assim e a Europa precisa desesperadamente de uma França forte para fazer face àquela potência com tendencias imperialisto-hegemónicas do outro lado do Atlântico que, estando em decadência, vai inventando conspirações onde elas não exigem e fabricando guerras destabilizadoras para mostrar que ainda manda.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Parlamentadíssimo

Fui agora assistir a um inquérito Parlamentar a ver se alguém se lembrava de fazer perguntas sobre um tema que me interessava. Por acaso, ninguém se lembrou de levantar o tema em questão.
Em qualquer dos casos, enquanto eu lá estava, reparei que havia muitas turmas de miúdos e jovens que foram com as professoras assistir e eu até estava constrangido com o espectáculo a que eles assistiram:
- havia deputados a falar ao telefone e ao telemóvel enquanto o debate decorria;
- havia deputados a ler o jornal;
- havia deputados a conversar animadamente;
- havia deputados a passear por entre as bancadas;
- havia deputados que chegavam tarde e a más horas, assinavam o livro, conversavam um bocadinho e saíam;
- havia deputados a fazer alguma coisa nos computadores portáteis (gostaria de ser optimista e dizer que estavam a trabalhar).
Claro que um deputado por bancada teve direito a interpelar o Ministro da Presidência que estava a responder sobre políticas de juventude e imigração. Normalmente esse deputado estava a conversar animadamente até ser a sua intervenção, intervinha, ouvia a resposta do Ministro e logo a seguir voltava à sua actividade lúdica anterior. Uma vergonha!
E isto com os miúdos e os jovens embasbacados a assistir! Já estou a ver as professoras a mandá-los calar nas aulas e eles a responderem que estão a brincar aos deputados...

quinta-feira, 3 de maio de 2007

€252,00

Não gosto nada de gastar dinheiro estupidamente e sinto que hoje deitei fora €252,00 estupidamente! Sinto que eles estupidamente deixaram a minha conta bancária e estupidamente se foram instalar na conta bancário do British Council.
Coitadinhos dos meus ex-euritos! Estavam tão bem instalados na minha conta pequenina e maneirinha, onde lhes era dada muita atenção e muito carinho e assim, de um momento para o outro, tiveram que passar para uma conta muito maior onde não receberão um tratamento tão personalizado e simpático.
E tudo isto porquê? Por causa da desconfiança das pessoas! Imaginem só que eu, que não só tenho cara de Inglês (é o que me dizem), como aprendi a falar Inglês com a própria da Rainha Isabel II de Inglaterra (hei-de ver se encontro em casa dos Paisinhos as K7s que eu gravei com uns discursos dela para repetir vezes sem conta).
Ora, apesar de todas estas referências de excelência, certas e determinadas pessoas que são desconfiadas exigem que eu tenha um diploma que comprove que sei falar Inglês! Eu ter que comprovar que sei falar Inglês! Eu que aprendi coma Rainha e passaria perfeitamente por ser neto dela! HELLO! Eu até fui professor de Inglês na China!
Mas pronto, se não os consegues vencer, junta-te a eles! Então hoje lá me fui inscrever num exame IELTS e num mini-curso de apenas um Sábado de preparação para o mesmo e com essas duas coisinhitas de nada paguei nada mais nada menos do que os ditos cujos €252,00! E ainda me queriam cobrar €20,00 por um livrito que era quse um panfleto para me ir preparando! Prefiro ir para lá estudar de vez em quando para o British antes que fique em pêlo por causa de um diploma... Malandragem! Devem estar todos conluídos para me sugarem os meus míseros euricos!

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Um livro sobre a peregrinação

Se uma imagem vale mais que mil palavras, uma data de imagens valem um livro!

Presentinhos de Deus

E quando no meio de uma peregrinação passamos debaixo de um arco-íris? Também encontramos um tesouro?

Post telegráfico...

...só para dizer dar as últimas novidades:
- nos últimos 4 dias estive em peregrinação a Fátima e venho de lá fresquinho! Não tanto por causa da chuva que Segunda e Terça fez questão de cair sobre os pobre peregrinos, mas porque Fátima tem este poder de nos fazer confrontar connosco mesmos e refrescar-nos. Ao mesmo tempo venho de lá mais quentinho (paradoxo?) porque Nossa Senhora faz sempre questão de nos aquecer a alma!
- hoje tive um sonho muito estranho: não sei se estava em Londres ou em Paris porque lembro-me vagamente de passear nos Campos Elíseos e ver o Big Ben (!!!) até que a certa altura fui assaltado por dois Portugueses que me apontavam uma faca mas que não queriam dinheiro, apenas respostas a uma série de perguntas de cultura geral... Eu bem que insistia que podiam perguntar o que quisessem sem terem que me apontar a faca, mas eles não ligavam lá muito. Isto será um assalto cultural?

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Crónica de uma molha anunciada...

Estais a ver essa menina de casaquinho côr de rosa que parece que não faz mal a uma mosca?
Estais a ver essa caneca encarnada e branca mesmo à frente dela?
Imaginai só que a caneca continha chá a ferver que a menina, de um momento para o outro, inesperada e maléficamente, decide deitar sobre todos os presentes! Ai pois é! Sobre os livros que estão na mesa, sobre o próprio marido que nesta foto ainda sorri plácidamente sem saber o que a mulher lhe prepara, sobre o futuro marido da Mafalda, que o abraça sem saber as queimaduras de 8º grau que ele está prestes a sofrer, sofre o expirado passaporte do autor deste fantastiquíssimo, inteligentíssimo mas, acima de tudo, humilíssimo blog, etc.
Acho que ela se inspirou naquela personagem que, uma hora antes, tinha deitado azeite sobre o marido: o que vale é que o Miguel é pau para toda a obra, leva com azeite no cabelo e com chá a ferver nas pernas e continua de bom humor!

quinta-feira, 26 de abril de 2007

É a cultura, estúpido!

33 anos depois do golpe militar do 25 de Abril ter derrubado o regime do Estado Novo, o Professor António Barreto foi falar ao ciclo de conferências "é a cultura, estúpido!"* sobre o que mudou em Portugal nos últimos 33 anos.
Ora, há muitos o Professor António Barreto deu aulas aos meus amigos Ana Sofia e Tiago, que quase se propuseram a fundar o Clube de fãs do AB mais ou menos na mesma altura em que a Teresa e eu quase nos propusémos a fundar o clube de fãs do Professor Rui Ramos. Ora, graças a este entusiasmo deles, quando eu ontem ouvi na rádio que ele ia falar ao São Luís, logo me propus a ir e fui em muito boa companhia. Pois achei que o homem merecia mesmo o tal clube de fãs, mas como eu na altura acabei por não fundar um para o RR, também não vou agora fundar um para o AB...
Logo para começar, a pergunta que lhe foi feita de chofre foi: qual a maior derrota destes 33 anos. Ele, sem hesitações, elegeu a Justiça. De facto, quem como eu já andou pela Advocacia, sabe bem o que é esta derrota da Justiça: são empresas que vão à falência porque não conseguem fazer investimentos devido aos atrasos nos pagamentos, que são enormes, e às acções para serem ressarcidas pelos prejuízos, que são lentíssimas; são os conflitos com a Administração que duram anos e arrastam os particulares para colapsos nervosos e financeiros; são as burlas que só são punidas quando os burlados já estão falidos e os burlões com megas casas de férias, etc..
E o colapso da Justiça é tanto maior quanto não há, nem é possível haver, alternativas no priado, pelo que o Estado tem mesmo que apostar num melhor serviço. AB não mencionou a existência de julgados de Paz e outros sistemas semi-privados de resolução de conflitos mas, de facto, estes sistemas só são aplicáveis quando os particulares nisso acordem e muitas das vezes são alternativas muito caras.
Quanto à Educação, Saúde e Segurança Social, AB salientou o papel acelarador que a Democracia teve nos processos de reforma que já se vinham fazendo desde o período Marcelista. Salientou também que todos estes sistemas apresentam alternativas privadas de qualidade.
Aquele que eu tirei como sendo a maior conquista destes 33 anos foi a intervenção Autárquica nos sistemas de saneamento, nas vias de comunicação e em outros equipamentos sociais. De facto, a água canalizada e o saneamento quase que duplicou em termos de abrangência territorial nos últimos 33 anos!
Muitas outras coisas tirei de interessante desta conferência, mas tenho medo que os meus interessadíssimos, inteligentíssimos mas, acima de tudo, humilíssimos leitores adormeçam com a descrição. Em qualquer dos casos, aqui deixo os parabéns ao AB (quase tão bom como o RR eheheh) e aos organizadores do "é a cultura, estúpido!".
*Adoro o nome! :-)

terça-feira, 24 de abril de 2007

Louro!

Estive aqui todo o dia em pulgas para saber que Chefes de Estado e de governo estrangeiros estariam por aí porque o Parlamento, que eu vejo aqui da janela, está todo engalanado cheio de bandeiras. Estava a ver se via o Rei de Espanha, que é quem mais costuma andar por cá, a entrar para o Parlamento quando de repente me lembro que já lá devem ter sido postas as bandeiras para amanhã...
Louro!
Já agora deixo aqui esta fotita que recebi mesmo agora. Também é injusto, coitado do homem, já devia andar cansado e não devia estar a jogar há muito tempo, porque o jogo ainda só vai a meio... É só as pessoas esperarem mais 15 minutinhos que ele acaba aquilo!

A Nova Europa


segunda-feira, 23 de abril de 2007

1.º dia de praia

A Isabel decidiu festejar os anos com um pik-nik na praia e isso deu o mote para a minha primeira ida a banhos este ano no Atlântico... Ora convenhamos que o tempo já começa a estar bom mas ainda não um estrondo. Mesmo assim havia gente preta, preta, preta, como se estivéssemos em Setembro e já estivessem a ir à praia há 3 meses!
Como é que eles conseguem?
E eu a achar que o facto de já não estar transparente graças a 1 semana no Mar Vermelho há dois meses me ia fazer a sensação da praia...

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Ajudinhas políticas

Numa altura em que a França termina a campanha eleitoral, as "ajudinhas políticas" vão aparecendo. Ontem Zapatero, o primeiro-ministro Espanhol, foi dar uma mãozinha à campanha Royal. Hoje foi a vez de Durão Barroso ir dar uma mãozinha à campanha Sarkozy.
Francamente, não percebo mesmo o porquê destas "ajudinhas políticas" e, para além disto, parece-me muito mal que um chefe de governo ou, pior ainda, um presidente da Comissão Europeia, se envolva numa campanha eleitoral estrangeira.
Primeiro: não percebo o porquê destas ajudas porque não sei até que ponto podem ser eficazes. Já estou a ver os Franceses a pensar: "bem, se a Mme. Royal tem o apoio do Zapatero, então vou votar nela!" Eu então, se estivesse a pensar votar num candidato e este trouxesse chefes de governo estrangeiros (principalmente espanhóis) para a campanha, era logo razão para eu considerar sériamente votar noutros candidatos. Aliás, já na última campanha legislativa me lembro de ver por aí o Senhor Zapatero, o que eu considerei horrível.
Segundo: não me parece que um chefe de governo, deva usar a sua figura como chefe de governo em assuntos político-partidários de um país estrangeiro. Se isto é verdade para os chefes de governo, muito mais o é para o Presidente da Comissão Europeia que deve evitar meter-se nos assuntos político-partidários dos países da União. E, ao menos, diga-se em abono da verdade que o senhor Zapatero sempre pode ter em abono da sua honra, o facto de ter ido ajudar uma bonita senhora em apuros... Um autêntico Don Quixote!
Senhores políticos: façam os vossos trabalhos e não se metam nas campanhas dos outros, sff!

quinta-feira, 19 de abril de 2007

É já hoje!

Uma noite destas por 4,5 heróis! Ninguém vai querer perder!

O Xico-Espertismo Americano!

Lá tiveram os Americanos outro massacre num estabelecimento de ensino, uma acção que já não é novidade por aquelas bandas. Vai daí, a pequena minoria de gente inteligente e bem pensante do país que se diz o líder do mundo livre (cruzes canhoto, bate na madeira!) voltou a manifestar-se contra a liberdade de porte de arma, dizendo o que parece à primeira vista óbvio, que é que não se deve deixar armas nas mãos de qualquer um.
Pois logo vieram os outros, os maioritários, aqueles que pensam que o Iraque está bem melhor agora com os Americanos do que dantes com o Saddam, voltar a dizer aquilo que já todos conhecemos: que faz parte da identidade nacional Norte-Americana a livre posse das armas, que um cowboy sem a sua arma é como um vicking sem o seu capacete com cornos* e que os EUA não seriam os EUA sem as armas. Neste último ponto, devo confessar que concordo com eles.
Mas o melhor de tudo foi que logo saiu um Xico-esperto, ladino e bem falante que disse, e eu cito traduzindo: "não são as armas que matam, são os homens."
Reparem neste brilhante raciocínio indutivo! Reparem como a conclusão é inteligente! Quem quer que seja que tenha dito isto, merece uma estátua.
De facto, não são as armas que matam, são os homens. Nunca nenhum de nós tinha pensado nisto, pois não? É claro que há aquele pequeno e quase insignificante pormenor de que um homem que entre numa sala para matar uma dúziazinha ou duas de alunos com as suas próprias mãos provavelmente nem um há-de conseguir matar antes que lhe caiam os outros alunos em cima. Mas lá que se ele tiver uma metralhadora é ele e não a arma que mata, lá isso é!
*Daí que todos os Escandinavos ainda hoje andem pelas ruas a passear-se de capacetes com cornos. Agora que penso no assunto, acho que quando andei a visitar esta menina pela Dinamarca, não vi ninguém que não estivesse com um capacete de cornos...

quarta-feira, 18 de abril de 2007

O poder da blogosfera

Os bloggers não estão nem devem estar acima da Lei e não podem certos bloguistas pensar que há regras para a comunicação social e outras para a blogosfera...
Falo acerca das Presidenciais Francesas do próximo Domingo.
Estando toda a comunicação social obrigada, tal como em Portugal, a observar a hora de encerramento das urnas para poder projectar as estimativas das sondagens à boca das urnas, também parece lógica que os estejam os sítios de internet, já que estes são acessíveis em toda a França. Ora certos e determinados bloguistas Franceses, que se alojam em blogs de sítios não Franceses, prometeram já que logo que tiverem acesso às primeiras projecções, as revelam.
Ora isto é um desrespeito pela Lei, mesmo que a letra da Lei não possa abranger os sítios estrangeiros. A blogosfera tem muito de bom e muito de Democrático mas, para continuar a ter, tem que se conformar com as Leis da Democracia e se uma dessas Lei, cujo espírito se compreende muito facilmente, proíbe a divulgação de projecções antes do encerramento das urnas então isso é válido para todos os meios de comunicação, incluindo a blogosfera.

terça-feira, 17 de abril de 2007

Sussurrando

Sabem aquelas pessoas que adoram falar por meias palavras, meias sussurrantes, olhando para todos os lados e com a mão a proteger a boca para ver se dão um ar de muita seriedade à coisa?
"Sabe, diz-se por aí que o Senhor Dr. Fulano, que se diz tão honesto, afinal de contas... Está-me a perceber, não está?"
É claro que o destinatário nunca está a perceber...
"Pronto, é que diz-se que ele lá fez das suas, está a ver o que eu quero dizer, não está?"
O receptor, meio confuso, lá pergunta se o homem anda a fazer branqueamento de capitais, se tem não sei quantas contas nas Ilhas Caimão, ou se traz não sei quantas "garotas" do Brasil para casas de passe em Bragança. Perante estas perguntas, a sussurante pessoas responde com um:
"Olhe, dizer mais do que eu já disse não posso fazer, mas para bom entendedor meia palavra basta..."
E lá fica o pobre receptor a culpar-se a si mesmo por não ser um bom entendedor...

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Os super-poderes da bôla de carne

Esta semana não começa bem...
No Sábado à noite, no Bairro Alto, um cretino de um taxista passou-me com uma roda por cima do dedão do pé direito. Na altura não me doeu, ontem de manhã também não me doía, mas à noite já o bicho dava de si e hoje de manhã não tinha passado a dor, pelo que os 20 minutos do meu passeio matinal até ao trabalho, que são sempre tão prazenteiros e constituem óptimos momentos de introspecção, hoje não foram nada prazenteiros! E o meu dedão, coitadinho, está todo côr-de-rosinha à volta da unha!
Por outro lado, já começa a estar calor de mais para andar por aí de fato e gravata logo de manhã e cheguei ao Ministério não própriamente alagado, mas já com algumas desagradáveis gotas de suor na cara. Já estou a ver que dentro de duas semanas tenho que sair às 8 da manhã de casa...
E agora não sei o que é que passa aqi em frente no Passos Manuel, mas há um qualquer professor idiota a fazer um chavascal com um megafone e os miúdos parecem possuídos pelo demo de tantos berros que dão!
Salve-se a Lina, da recepção, que é muito querida e mais uma vez me trouxe bôla* de carne feita por ela. Uma especialidade Pascal que é mesmo uma delícia e que serve para, aplacando a minha fome, aplacar também a minha fúria contra todos os taxistas, a onda de calor que se avizinha, os professores que fazem chavascais em megafones e miúdos de liceu que não se calam!
O que uma bôla de carne pode fazer!
* Mas como é que se escreve esta palavra? Se for sem acento circunflexo, lê-se bola, como bola de futebol e é suposto ler-se o som do primeiro "O" da palavra Diogo...

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Novo blogadíssimo?

Uns cerca de dois anos depois de ter iniciado o blogadíssimo, sinto que vou ter que o mudar um bocadinho e convidar mais gente a escrever comigo neste fantastiquíssimo, brilhantíssimo mas, acima de tudo, humilíssimo blog.
É que já não tenho tempo para escrever tanto quanto costumava e os inteligentíssimos, activíssimos e cultíssimos leitores deste blog merecem, pelo menos, um brilhantíssimo post por dia.
Aceitam-se candidaturas...
Quer dizer, antes de aceitar candidaturas eu deveria pôr um daqueles quadrinhos para votar sobre se os leitores deste blog concordam com esta medida, mas como não sei fazer isso:
Mãezinha?
Ti'Alzira?
Sr. Rudolfredo da portaria?
O que achais desta medida?
Pronto, acho que já perguntei a todos...

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Noite de Fados

Bolo de Ratos

Ontem esta senhora fez-me este bolo:Sabia tão bem quanto parece bom!
Mas pronto, confesso que não foi só para mim, tive que o partilhar com o Vítor e o Rui. E confesso que a mim me coube um dos buraquinhos, pelo que comi menos bolo do que esperava. Em compensação, andei a caçar os ratos e souberam-me que nem..
Massapão!

Allons enfants de la Patrie...

Ando cheio de vontade de reaprender Francês.
Quando, com 16 anos, acabei o 5º nível na Alliance Française, falava um Francês quase perfeito. De vez em quando dava um pontapézinho ou outro na gramática, mas isso até soava mais natural... Como falava devagarinho, certa vez confundiram-me com um Belga nos correios e eu tive que insistir que era um turista Português ante uma simpática e risonha Senhora que não descansou enquanto não fez notar a todos os colegas dos correios como eu era Português, o que me fez sentir um animalzinho de circo (sim, nós também vimos em versão cabelo claro e olhos azuis!!).
Passados 10 anos dessa altura o meu Francês está em estado de calamidade pública. As palavras não me saem, troco o être pelo avoir a construção de uma frase completa com um raciocínio lógico parece-me tão fácil como atravessar o canal de Shantou a nado.
Pois como agora não tenho tempo para me meter em aulas de línguas com horário fixo, exames e coisas do género, mandei um mail para a Embaixada de França a pedir um tandem. Eram só vantagens, eu moro a 5 minutos da Embaixada, dava uma hora de aula de Português e o meu tandem dava-me uma hora de aula de Francês.
Falei com uma senhora de lá que imprimiu e afixou o meu mail num placard e isto há já não sei quantas semanas sem resposta...
Parece que vou ter que tomar medidas drásticas e ir para França umas semaninhas aprender a língua de Moliére e Hugo. Eu não queria, mas obrigam-me a chegar a isto! Vou começar à procura de escolas na Côte d'Azur: aprendizagem sim, mas com praia, faz favor!

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Universidades Privadas

É muito barato e rentável abrir uma Universidade e fazer dela uma mina de ouro com um produto de péssima qualidade. Toda a gente quer ter um curso, um canudo, um título de Dr. e o que essas Universidades prometem é o paraíso: "para quê estudares no liceu e tirares boa média, se podes entrar aqui com média de 10 e tiras o curso com muito mais facilidade?"
Ora estas Universidades abrem os cursos mais baratos de se abrir, como são Direito, Gestão, Relações Internacionais e outros que tais. Contratam uns políticos para dar nome à casa, ir lá na primeira e última aulas e até lhes atribuem títulos académicos suspeitos*, contratam uns Professores Doutores que dão aulas nas Universidades do Estado ou Católicas (ECs) que nem nunca chegam a lá entrar e o resto são uns senhores licenciados que lá vão dar aulas e já é uma sorte!
De vez em quando até sai uma cabeça razoável dessas Universidades mas o mérito é de ser dado a ele e não à Univesidade em si.
Para resolver tudo isto, pode-se defender uma de duas atitudes...
Pode não se fazer nada e deixar-se o mercado decidir se contrata um aluno de uma EC ou um aluno de uma Privada. Com o tempo, os alunos apercebem-se que mais vale estudar mais e entrar para uma boa Universidade.
Ou pode-se obrigar o Estado a regular o ensino com base em que há uma série de alunos e de Pais que estão a ser enganados porque acreditam que o Professor Doutor que está no programa é mesmo responsável pelo programa da cadeira e que ao mercado vai ser indiferente se o filho estudou Direito na Nova/Clássica/Católica ou na Lusófona/Autónoma/Internacional.
Eu achava que o teria que haver uma regulação mais forte, mas o tempo tem-me provado que estava errado. No outro dia até me disseram que na única dessas Universidades privadas que até tem alguma qualidade e nome no mercado, a Lusíada, há cada vez menos candidatos porque os miúdos acham que nas outras privadas o curso é mais fácil (o que é um facto incontestável). Pois então se é isso que os alunos e os Pais querem, que o tenham, o dinheiro é deles, mas depois não se venham queixar se a meio do curso a Universidade fecha por manifesto desgoverno!
*Ontem, num documento de uma dessas Universidades eu lia que lá leccionava o Professor Doutor Santana Lopes. Eu não ponho em causa que o nosso ex-primeiro seja Doutorado, mas como foi a primeira vez que ouvi falar de tal título, fiquei francamente surpreendido! É que ele não me parece ser homem de esconder títulos académicos- se alguma vez otivesse um Doutoramento, no dia seguinte todos os jornais falariam do assunto.
NOTA: Para quem achar que estou a falar sem fundamento nenhum, peço-lhe que vá investigar quantos estagiários de Advocacia que não venham das ECs entram nos 10 melhores escritórios Portugueses. Peço também que investiguem nas principais consultoras e bancos quantos licenciados em Gestão e Economia é que lá entram que venham das ditas privadas.

terça-feira, 10 de abril de 2007

Outro de mim

De há uns tempos para cá dei por mim a ser indeciso e a ter dificuldades em tomar decisões importantes. Isso até poderia ser sinal de um carácter mais ponderado que viria com a idade, mas não reconheço em mim a indecisão, quanto mais não seja porque sempre fui impulsivo e tomava muitas decisões por impulso.
Claro que isso não acontece com decisões como "vou comer pescada ou perú?", mas o facto de acontecer já é chato!
E não falo só das minhas decisões: sinto que tenho sido muito indeciso com as decisões dos meus amigos que me pedem conselho e acautelo mais sobre os perigos das decisões do que sobre as vantagens das mesmas.
Olho para trás e penso que raramente me arrependi das decisões tomadas por impulso e muito mais vezes me arrependi das decisões muito ponderadas e pensadas. Quando estava à procura de um emprego como Advogado em Londres, por exemplo, aceitei, sem pestanejar nem pesar os prós e contras, a oferta de ir para a China dar aulas de Inglês. Hoje sinto que essa decisão foi das mais acertadas que eu já fiz...
Mas agora, quase que faço listas com as vantagens e desvantagens de cada possibilidade de decisão e acabo por ficar muito mais baralhado do que se tomasse logo a decisão e não se falasse mais nisso.
Estarei a ficar medroso com a idade? Cauteloso? Ponderado? Será apenas uma fase?
Pelo sim pelo não, acho que vou ter que aprender a conhecer melhor este outro de mim.

Ayyy vida mia!

Empecé el día hablando mi Portuñol con el Ministerio de la Vivienda en España y sigo sin tiempo de escribir acá.
Mis lectores van abandonar este preciosísimo, bellísimo, pero, arriba todo, humildísimo blog… Prometo escribir más cuando pueda.

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Aleluia!

Não tenho tempo para escrever um grande post, mas não podia deixar de aqui escrever um Aleluia pela Ressurreição. Assim um Aleluiazinho rápido e singelo, mas nem por isso menos sincero!
Uma Santa Páscoa! Ontem foi só o primeiro dos 50 dias da Páscoa que só acaba com o Pentecostes...
ALELUIA!

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Uma Santa Páscoa

Esta é a noite da última ceia, a noite da agonia no horto do Calvário, a noite do julgamento mais injusto da História da Humanidade.
Esta é a noite das negações de Pedro e das turbulências no Sinédrio.
Esta é a noite das movimentações de influências entre o Sinédrio, o Governador-geral da Judeia e o Rei Herodes.
Amanhã é o dia do lava mãos de Pilatos.
Amanhã Jesus é flagelado, carrega a cruz por nós e é crussificado.
Amanhã é o dia em que choram as mulheres de Israel.
Sábado é o dia do silêncio, do recolhimento e da esperança. É o dia de contemplarmos toda esta estória que se passou por amor de Deus por nós.
E depois, ao terceiro dia...
Bem, vou deixar as cenas dos próximos capítulos para os próximos capítulos. Hoje vou para a Páscoa Jovem das Irmãs Escravas em Palmela para viver esta Páscoa como se tivesse estado lá, em Israel há quase 2000 anos.
Uma Santa Páscoa!

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Portunhol / Portuñol

Então não é que vem na Lusa a notícia de um tipo qualquer que decidiu fundar um sítio sobre o Portunhol para promover esse linguajar e, deste modo, promover as relações entre todos os países falantes de Português e Espanhol?
Antes de mais, para quem, eventual e pouco possivelmente não saiba, o Portunhol é a língua que nós, os Portugueses, concedemos em falar para que os Espanhóis nos percebam quando nunca na vida tivémos uma aulinha que seja da língua de Cervantes e é também a língua que os Espanhóis, depois de viverem décadas em Portugal e de terem dado o tudo por tudo para aprender a Língua de Camões, conseguem falar...
Ora, o Portunhol é um linguajar de que, sinceramente, gosto muito!
Eu, que nunca aprendi uma palavra de Espanhol, falo um Portunhol tão fluente mas tão fluente que qualquer Português pensa que eu sou Espanhol e qualquer Espanhol percebe logo que eu sou Português! Se o primeiro caso não joga muito a meu favor, o segundo é francamente uma vantagem.
Por outro lado, por muito que eu oficialmente não goste dos Espanhóis, tenho que admitir que, logo a seguir aos Portugueses, eles são os melhores do mundo e quem sabe talvez até da Europa. Gosto até mais deles do que de todos os outros povos de que eu oficialmente gosto muito, como os Chineses, os Franceses e os Ingleses, mesmo que oficialmente, sublinho mais uma vez, não goste mesmo nada deles! eheheh Sou um poço de paradoxos!
Ora, como é óbvio, gosto do Portunhol para poder falar com estas pessoas de quem oficialmente não gosto nada mas de que, na realidade, gosto muito e com todas as outras pessoas que com elas partilham a mesma língua, como o meu amigo Mário, Salvadorenho, o meu amigo Isaac, Mexicano e todas as Chilenas e Argentinas que estão ansiosas por me conhecer mal eu tenha umas semanas para ir visitá-las lá abaixo ao outro lado do mundo.
E tudo isto sem ter que me rebaixar à humilhação de me render ao neo-colonialismo Castelhano, que logo a seguir ao Americano é o colonialismo que eu menos gosto, aprendendo aquela língua que eles falam aqui ao lado que, ainda para mais, me dá dores de garganta falar!
Acho que é por isso que os Manu Chao cantam tanto em Portunhol, é para não lhes aranhar a garganta... "Io no falo Español, io no falo Português, oh disculpa minha genti, eu só falo Portunhol..."