Lá tiveram os Americanos outro massacre num estabelecimento de ensino, uma acção que já não é novidade por aquelas bandas. Vai daí, a pequena minoria de gente inteligente e bem pensante do país que se diz o líder do mundo livre (cruzes canhoto, bate na madeira!) voltou a manifestar-se contra a liberdade de porte de arma, dizendo o que parece à primeira vista óbvio, que é que não se deve deixar armas nas mãos de qualquer um.
Pois logo vieram os outros, os maioritários, aqueles que pensam que o Iraque está bem melhor agora com os Americanos do que dantes com o Saddam, voltar a dizer aquilo que já todos conhecemos: que faz parte da identidade nacional Norte-Americana a livre posse das armas, que um cowboy sem a sua arma é como um vicking sem o seu capacete com cornos* e que os EUA não seriam os EUA sem as armas. Neste último ponto, devo confessar que concordo com eles.
Mas o melhor de tudo foi que logo saiu um Xico-esperto, ladino e bem falante que disse, e eu cito traduzindo: "não são as armas que matam, são os homens."
Reparem neste brilhante raciocínio indutivo! Reparem como a conclusão é inteligente! Quem quer que seja que tenha dito isto, merece uma estátua.
De facto, não são as armas que matam, são os homens. Nunca nenhum de nós tinha pensado nisto, pois não? É claro que há aquele pequeno e quase insignificante pormenor de que um homem que entre numa sala para matar uma dúziazinha ou duas de alunos com as suas próprias mãos provavelmente nem um há-de conseguir matar antes que lhe caiam os outros alunos em cima. Mas lá que se ele tiver uma metralhadora é ele e não a arma que mata, lá isso é!
*Daí que todos os Escandinavos ainda hoje andem pelas ruas a passear-se de capacetes com cornos. Agora que penso no assunto, acho que quando andei a visitar esta menina pela Dinamarca, não vi ninguém que não estivesse com um capacete de cornos...

Sabia tão bem quanto parece bom! 



