Dois acontecimentos deste fim de semana deram que pensar a esta cabecinha loura...
O primeiro foi a comemoração dos 50 anos da Europa. Alguém notou nela? Alguém viu um fogozinho de artifício? OK, já não digo fogo de artifício, mas alguém ouviu daqueles foguetes que usam nas festas da Nossa Senhora do Castelo? E bailarico? Alguém nesta Europa bailou em sinal de comemoração?
Afinal de contas sempre são 50 anos... Nunca em toda a vida deste velho continente a Europa Ocidental viveu um período tão longo de paz e estabilidade económica. Nunca aconteceu que tantos países Europeus se juntassem com vista a objectivos comuns e a uma efectiva melhoria de vida dos povos que vivem neste Continente.
Ah, esperem! Consta que os Chefes de Governo, com os seus fatos cinzentos, lá se juntaram para ouvir um concerto de música clássica. Parece que alguém comemorou...
O outro acontecimento foi uma esmagadora vitória do Salazar no programa dos Grandes Portugueses. Só hoje de manhã fiquei a saber, mas ontem ao jantar com dois Ingleses especulava sobre quem seria o vencedor.
Na primeira volta votei em Santo António por o considerar a mais destacada figura intelectual e espiritual da nossa História e na 2.ª volta o meu voto foi para D. João II porque foi ele, juntamente com o seu tio-avô, o Infte. D. Henrique, quem mais impulsionou a maior obra de sempre dos Portugueses, os Descobrimentos.
Mas o que lhes expliquei foi que já achava que ia ganhar o Salazar. De facto, a 1ª República, a República Franco-Maçónica, foi, na minha humide opinião, o período mais negro da nossa História, com tumultos, revoluções e contra-revoluções quase diárias. Com a perseguição à Igreja e às Ordens Religiosas e a actividade febril da formiga branca, que dava terminantemente cabo de qualquer opositor ao ciclo de poder do Partido Repúblicano. Com governos a sucederem-se a uma velocidade estonteante e em muitos deles aquela figura sinistra e assustadora do Afonso Costa cuja grande promessa para o desenvolvimento do país era acabar com a Igreja Católica em três gerações. E como se tudo isto não bastasse, as Colónias estavam ao abandono e ainda entrámos na Iª Grande Guerra com uns soldados mal equipados e subnutridos que morreram que nem tordos em La Lys e nas planícies Flamengas.
Ora foi neste contexto que Salazar chegou ao poder. Para não facilitar as coisas, passados poucos tem início a Guerra Civil de Espanha, logo seguida da IIª Grande Guerra. Como é óbvio foi considerado o salvador da Pátria...
Claro que em trinta anos, esta imagem podia ter mudado. Afinal de contas o regime esteve muito longe de ser perfeito, com a censura, as deportações, um certo isolamento internacional que ficou bem patente na falta de auxílio nas questões de Goa e das guerrilhas Ultramarinas, etc..
Mas o que acontece é que os Portugueses, ao ver os políticos da Democracia a saírem da política para tachos chorudíssimos nas empresas de capitais públicos e daí para umas reformas bem gordinhas, acabam por recordar com saudade aquele homem que morreu apenas com o dinheiro bem contado para uma campa ao pé de seus pais em Santa Comba Dão.
Será que estes dois acontecimentos estão ligados? A falta da comemoração dos 50 anos da Europa e a vitória de Salazar num concurso televisivo?