terça-feira, 3 de abril de 2007

Partidos

Muito se tem debatido sobre os partidos ultimamente e muitas vezes tenho sido convidado a dar a minha opinião em discussões sobre o assunto. Quer dizer, ser convidado a dar a opinião é coisa que não me acontece muito porque parece que as opiniões se me jorram da boca antes que alguém tenha tempo de me convidar, mas fica bem dizer isto, como figura de estilo.
Um dos temas quentes do momento sobre partidos é o ring de boxe popular, peço perdão, o partido popular. Ora parece-me bastante óbvio o que tem acontecido nos últimos anos naquele partido que representava o pequeno mas irredutível reduto dos Democrata-Cristãos em Portugal. Cresceu, tornou-se governo, aburguesou-se e passou a ser um partido da extrema liberal*. Apoiou a intervenção dos EUA no Iraque, levou a cabo uma política no Ambiente que não se pode chamar de Ambiental e quando perdeu não sei quantos deputados em 2005, ficou desordenado e essa desordem ainda hoje se reflecte. Claro que eleger um líder que não vive em Portugal nem faz parte do grupo parlamentar, a mais visível força de um partido de oposição, não contribuiu para ordenar a coisa e agora é o que se vê…
Outro dos temas quentes é a ilegalização do PNR que propõe a restrição da imigração para Portugal. Tenho para mim que isto da ilegalização de partidos é uma coisa absurda em Democracia. Claro que a ideia do PNR é pateta, afinal de contas a imigração é como pão para a boca da débil economia Portuguesa e parece óbvio a quem tiver dois palmos de testa que o que se deve fazer é ajudar os imigrantes a integrarem-se e não expulsá-los de cá.
No entanto, se começarmos a ilegalizar partidos por serem contra os ideais Democráticos, temos logo é que começar pelo PCP que foi, sem dúvida, o maior obstáculo a uma pacífica democratização em Portugal e foi o grande responsável pelo calamidade económica e social que se seguiu ao 25 de Abril.
Por isso quanto ao PNR, é deixá-lo estar… Se alguma vez sair das franjas dos zero vírgula tal por cento do eleitorado com este argumentário, é porque aqueles que acreditam que Portugal pode ser uma porta aberta a diversas ideias, raças e culturas, respeitando a sua tradição de nove séculos de ponte entre os povos, não defenderam bem as suas ideias.
Ainda ia falar aqui sobre as expulsões no PCP, mas o post já está muito grande e eu tenho mais que fazer. Fica para outro dia...
*Qualquer semelhança como uma novela de Almeida Garrett não é pura coincidência: os Portugueses são os mesmos!

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Papa Bento XVI

Dizem que não há amor como o primeiro e nisto dos Papas também é um bocadinho assim. Durante toda a minha vida sempre conheci João Paulo II como Papa e gostava imenso dele. Era um homem de uma calorosidade e humanidade impressionantes, que cativava multidões e eu lá no meio delas, fosse em Lisboa, Fátima, Paris ou Roma.
Como é natural, fiquei muito triste quando ele morreu e foi-me um bocadinho difícil aceitar o sucessor, que tem um estilo muito diferente, o que também é natural.
Mas eis que há umas semanas comecei a estudar a fundo a até agora única encíclica de Bento XVI, a "Deus é Amor"* e muitíssimo impressionado. Esta encíclica é, de longe, o mais bonito e profundo texto sobre a relação entre Deus e os homens e dos homens entre si que eu já li e, não é para ser convencido, mas já li uns quantos textos sobre o assunto...
É impossível que o homem que escreveu esta encíclica não seja um verdadeiro santo!
Pode ser que não haja amor como o primeiro e que João Paulo II vá sempre ocupar um lugar especial entre todos os Papas que eu conhecer na minha vida, mas Bento XVI, com esta encíclica, passou ele próprio a ocupar um lugar especial. Grande Papa! De facto, o Espírito Santo consegue ser muito eficaz na escolha dos Papas, muito mais eficaz que as minhas opiniões...
Ainda no outro dia um amigo meu me dizia que em Itália o chamam "Papanazi", por ter estado na Juventude Hitlariana (JH), mas isso é um absurdo. Todos os jovens do seu tempo, quisessem ou não, tinham que estar na JH, como em Portugal, por exemplo, todos os jovens tinham que estar na Mocidade Portuguesa. Estar na JH não era uma escolha, era uma obrigação.
Vivó Papa!
* Não sei quem é que fez esta tradução, porque em Latim é "Deus caritas est", o que se traduz por "Deus é caridade", o que até que tem bastante mais a ver com o conteúdo da Encíclica do que "Deus é amor".

sexta-feira, 30 de março de 2007

Os cruzados no Allgarve

Ontem estive a ler uma descrição da conquista de Lisboa num livro que estou a ler sobre Portugal escrito por um Inglês (é sempre giro ver a perspectiva dos estrangeiros sobre nós).
Aparentemente, o autor apaixonou-se por Portugal e não estou só a falar daquelas que nós consideramos intrinsecamente Portuguesas como o bacalhau, o vinho, as touradas, a broa de milho e o fado, estou tabém a falar de coisas que nunca nos passariam pela cabeça referir como típicamente Portuguesas como as corporações de bombeiros voluntários!
Mas voltando ao relato da conquista de Lisboa... Este é por demais lisonjeiro para os Portugueses e nem por isso muito elogioso para os Bretões, Normandos, Alemães e Flamengos que faziam parte da expedição da 2.ª Cruzada.
A teoria dele é bastante diferente daquela que nós conhecemos. De acordo com a sua teoria, teria sido São Bernardo de Claraval (primo do nosso Dom Afonso) a organizar essa cruzada com o objectivo de estender a Cristandade na Península e não tinha sido o Bispo do Porto a exortar os cruzados a "já agora que iam a caminho da Terra Santa, darem ali uma mãozinha." A teoria, como todas as teorias históricas construídas muitos séculos depois dos acontecimentos, deixa algumas dúvidas mas é plausivel.
Ora, estes cruzados, aparentemente homens de tanta fé que se moviam apenas pela expansão da Cristandade, exigiram do nosso Dom Afonso que quando a cidade fosse tomada, lhes fosse autorizado saquear tudo o que quisessem antes da entrada dos Portugueses, caso contrário davam de frosques para a Terra Santa. Pois o nosso primeiro lá cedeu a esta exigência mas exigiu que quando entrassem na cidade não matassem ninguém, sendo-lhes apenas permitido matar quem se opusesse à ocupação e a dar os bens a cujo saque eles teriam "direito".
Durante as seis semanas que durou o cerco e a ocupação, a aversão que Dom Afonso e os seus ricos-homens sentiram pelos Cruzados foi enorme, descrevendo-os como uma horda de bárbaros sanguinários e procurando proteger os Mouros e Moçábares que lhes caíam nas mãos. Na tomada da cidade o comportamento dos meninos foi vergonhoso, matando indiscriminadamente todas as pessoas que se atravessavam no seu caminho.
Quando esta horda finalmente se foi embora, Dom Afonso permitiu aos Mouros a sua permanência na cidade e entre os seus conselheiros passou a contar com numerosos Judeus, Mouros e Moçárabes da cidade de Lisboa.
A certa altura fechei os olhos e tentei imaginar a cena. Mentalmente viajei até ao Allgarve, entrei num Pub Inglês, tirei àquela gente gorda, encarnada e tatuada as camisolas do Manchester United e vesti-os com umas armaduras medievais. Logo aí percebi o que esses nossos antepassados sentiram pelos cruzados que deram uma "mãozinha" com a conquista aqui da cidade...
Valha-nos a Santa!

quinta-feira, 29 de março de 2007

Sem TM

Ontem esqueci-me do telemóvel no gabinete e só já em casa me dei conta disso...
Para quem não sabe, o meu humilde château não tem nem telefone, nem televisão, nem despertador nem nada onde eu pudesse saber que horas eram. A única hipótese era a aparelhagem, mas eu não tinha mudado a hora no Domingo e já não sabia se ela tinha daqueles sistemas que apanham automaticamente as horas através daquelas informações da rádio. Só hoje concluí que não, talvez no ano da graça de 1996 isso ainda não tivesse sido inventado...
Pois cheguei a casa pelas 20.00 (saí do Ministério pelas 19.30), estava para ir ao ginásio mas tinha ido à fnac e estava tão ansioso por ler um dos livros que tinha comprado que comecei a ler e a certa altura achei que já não devia dar tempo para ir ginasticar.
Por isso lá preparei o meu jantarinho e deitei-me no sofá a ler. Passados uns três capítulos adormeci e quando acordei lá estava o João Chaves a falar no seu tom inconfundível. Fui para a cama com o cuidado de deixar as portadas abertas para acordar com a luz de manhã. Quando acordei e liguei o rádio a Carla Rocha disse-me que eram 8.30! Já estava atrasadíssimo e tinha dormido umas boas 10 horas.
Vale a pena a pessoa esquecer-se do telemóvel de vez em quando. Vou passar a fazê-lo mais vezes!

quarta-feira, 28 de março de 2007

Post telegráfico

Continuo sem tempo para escrever posts a sério. STOP
Acabei de ler um mail da Inês a dizer que que voltaram a bloquear o blogspot na China. STOP
Eu bem que tinha notado um decréscimo de 1,6 biliões de visitas no blogadíssimo! STOP
Comecei mal a manhã: quando já estava quase a acabar de passar uma camisa, reparei que ainda tinha uma nódoa que não tinha saído na máquina e tive que passar outra. STOP
Já há não sei quantos dias que no início de cada refeição vejo-me obrigado a suspender a minha dieta para a retomar apenas no fim das refeições! STOP
A Xana, o Rui e o Vítor estiveram ontem a jantar no château e foram maus para mim! Insinuaram que eu talvez não fosse uma pessoa muito dada a gostar de gastar dinheiro... STOP
Vou-me! STOP

terça-feira, 27 de março de 2007

Hoje não há post

Tenho 1001 ideias para post mas falat de tempo para os escrever hoje, pelo que fica para outro dia. Tenho medo é que noutro dia não tenha tantas ideias, mas é quando me aparece mais trabalho que a minha cabeça começa a trabalhar mais rápida e imaginativamente...

segunda-feira, 26 de março de 2007

Europa e Salazar

Dois acontecimentos deste fim de semana deram que pensar a esta cabecinha loura...
O primeiro foi a comemoração dos 50 anos da Europa. Alguém notou nela? Alguém viu um fogozinho de artifício? OK, já não digo fogo de artifício, mas alguém ouviu daqueles foguetes que usam nas festas da Nossa Senhora do Castelo? E bailarico? Alguém nesta Europa bailou em sinal de comemoração?
Afinal de contas sempre são 50 anos... Nunca em toda a vida deste velho continente a Europa Ocidental viveu um período tão longo de paz e estabilidade económica. Nunca aconteceu que tantos países Europeus se juntassem com vista a objectivos comuns e a uma efectiva melhoria de vida dos povos que vivem neste Continente.
Ah, esperem! Consta que os Chefes de Governo, com os seus fatos cinzentos, lá se juntaram para ouvir um concerto de música clássica. Parece que alguém comemorou...
O outro acontecimento foi uma esmagadora vitória do Salazar no programa dos Grandes Portugueses. Só hoje de manhã fiquei a saber, mas ontem ao jantar com dois Ingleses especulava sobre quem seria o vencedor.
Na primeira volta votei em Santo António por o considerar a mais destacada figura intelectual e espiritual da nossa História e na 2.ª volta o meu voto foi para D. João II porque foi ele, juntamente com o seu tio-avô, o Infte. D. Henrique, quem mais impulsionou a maior obra de sempre dos Portugueses, os Descobrimentos.
Mas o que lhes expliquei foi que já achava que ia ganhar o Salazar. De facto, a 1ª República, a República Franco-Maçónica, foi, na minha humide opinião, o período mais negro da nossa História, com tumultos, revoluções e contra-revoluções quase diárias. Com a perseguição à Igreja e às Ordens Religiosas e a actividade febril da formiga branca, que dava terminantemente cabo de qualquer opositor ao ciclo de poder do Partido Repúblicano. Com governos a sucederem-se a uma velocidade estonteante e em muitos deles aquela figura sinistra e assustadora do Afonso Costa cuja grande promessa para o desenvolvimento do país era acabar com a Igreja Católica em três gerações. E como se tudo isto não bastasse, as Colónias estavam ao abandono e ainda entrámos na Iª Grande Guerra com uns soldados mal equipados e subnutridos que morreram que nem tordos em La Lys e nas planícies Flamengas.
Ora foi neste contexto que Salazar chegou ao poder. Para não facilitar as coisas, passados poucos tem início a Guerra Civil de Espanha, logo seguida da IIª Grande Guerra. Como é óbvio foi considerado o salvador da Pátria...
Claro que em trinta anos, esta imagem podia ter mudado. Afinal de contas o regime esteve muito longe de ser perfeito, com a censura, as deportações, um certo isolamento internacional que ficou bem patente na falta de auxílio nas questões de Goa e das guerrilhas Ultramarinas, etc..
Mas o que acontece é que os Portugueses, ao ver os políticos da Democracia a saírem da política para tachos chorudíssimos nas empresas de capitais públicos e daí para umas reformas bem gordinhas, acabam por recordar com saudade aquele homem que morreu apenas com o dinheiro bem contado para uma campa ao pé de seus pais em Santa Comba Dão.
Será que estes dois acontecimentos estão ligados? A falta da comemoração dos 50 anos da Europa e a vitória de Salazar num concurso televisivo?

sexta-feira, 23 de março de 2007

A parede esboroada

Estação nova, vida nova!
Pois que durante um ano inteiro estive num gabinete com uma fantástica vista sobre uma parede esboroada e com a Primavera mudei-me para um gabinete no andar de baixo com uma varanda a dar para o Parlamento.
Ah pois é! Basta espreitar por cima do visor do computador para ver o edifício do dito cujo órgão de soberania. Aliás, isto ainda vai melhorar mais, porque vou mudar o computador de sítio para ter vista directa para o Parlamento sem ter que espreitar por cima do ecrã.
Neste momento posso dizer que o Sol brilha com força, apesar de umas nuvens brancas acizentadas no céu, posso dizer que já se marcaram 3 golos num jogo de futebol na aula de educação física dos miúdos do Passos Manuel e posso dizer que as obras no Convento de Jesus (Igreja das Mercês) avançam a bom ritmo. Sobre a Basília da Estrela não posso dizer muito porque só lhe vejo um pináculo... Mas que bonito pináculo!
Toda uma série de coisas que a parede esboroada do andar de cima não me dizia...

quinta-feira, 22 de março de 2007

Um cozinheiro no Châtau d'Alvim


Saber

Vem devagarinho,
Meio a medo,
Instala-se em nós
E queremos sempre mais



O que é muito,
Quando podemos ter tudo?
O que é um livro,
Quando há bibliotecas?


Insatisfeito com o que sei?
Ou com o que sei que não sei?

quarta-feira, 21 de março de 2007

Feridas que curam

Por ocupação clubística, ultimamente tenho andado a meditar no tema das feridas que curam. Parece que há aqui um erro e que o que eu queria dizer era feridas que se curam, mas não é erro nenhum, o tema do mês do MSV é mesmo as feridas que curam.
Imaginem que um amigo vos fere de alguma maneira. Diz, faz ou sussura alguma coisa que vos magoa a sério, que abre uma ferida na vossa amizade. Parece difícil essa ferida curar alguma coisa, não é?
A primeira coisa que se pode pensar é que essa ferida se pode curar. Que os amigos podem fazer as pazes e retomar a amizade. Mas normalmente fica ali uma desconfiançazinha, um ressentimento... Que pode vir a criar outras feridas! A melhor ideia sobre isto foi-me dada pelo meu médico quando eu tive a otite e o timpano rebentou. Ele disse que aquilo ia cicratizar mas que o tecido nunca ia ser o mesmo, ia ter sempre uma certa fragilidade...
Mas as minhas meditações são as feridas que curam. Será que uma amizade pode sair mais forte de uma ferida?
Parece-me que, em primeiro lugar, uma ferida numa boa relação até pode ajudar a desinstalar as pessoas, abaná-las um bocadinho e fazê-las valorizar essa relação. Por outro lado, se o perdão for dado sinceramente e sinceramente aceite, esse próprio perdão até pode levar a que os dois amigos reforcem a confiança que têm um no outro.
Com tudo isto, esta é uma ferida que vem curar uma amizade que não era suficientemente forte; vem-na fortalecer... De facto, há feridas que curam!

A Primavera chegou!

Não se nota nada, está um briol do pior!
Ainda para mais, achando que já não ia conseguir usar o meu maravilhoso capote, deixei-o em casa dos Paisinhos (dado que o château é pequeno de mais para ter coisas que não vou usar durante muitos meses).
E este briol vem na altura em que eu tinha decidido mudar o visual para um visual um bocadinho mais fresco, mais desportivo, menos cabeludo...
Ainda para mais na rádio estavam a dizer que os asmáticos e alérgicos vão passar por um mau bocado nos próximos tempos. Lembrei-me logo da blogadora do blog aqui do lado... E eu próprio estou em perigo, que ainda no outro dia a Dra. Ana me disse que eu devia ser alérgico.
Enfim! Olha lá, oh Primavera, se foi para isto que vieste, vai-te embora e manda o Inverno de volta!

terça-feira, 20 de março de 2007

Etiqueta

No outro dia ouvi dizer que agora o Corte Inglês promove cursos gratuitos de etiqueta. Ora eu, não só não morro de amores pelo Corte Inglês (quando entro lá tudo me cheira a Imperialismo Castelhano) como ainda morro menos de amores por cursos de etiqueta e acho que quem quer que seja que dê cursos de etiqueta é porque não a tem.
De facto, a etiqueta não é uma coisa que se aprenda num curso. A etiqueta verdadeira tem uma finalidade que é fazer com que o outro esteja confortável e à vontade e se sinta em nossa casa como na casa dele. Esta falsa etiqueta leva a que toda a gente se sinta desconfortável com toda uma série de regras que terão que ser cumpridas escrupulosamente sob pena de se ser chumbado num curso de regras de etiqueta.
Se se põe a mesa de uma determinada maneira, é porque isso vai deixar os convidados mais à vontade. Um bom exemplo disso é a disposição dos talheres (os que vão ser usados primeiro estão de fora que é para ninguém se enganar) e os copos (o do vinho está à direita porque é com a direita que a maioria das pessoas o vai buscar e aquele copo, supostamente, será o mais usado).
Por outro lado, prescindir da etiqueta também é uma maneira de deixar as pessoas mais à vontade. Se todos nos servimos e deixamos os nossos amigos ajudar em nossa casa não é só pelo óbvio de nos facilitar a vida mas também porque isso faz com que eles se sintam mais em casa.
Por outro lado a etiqueta muda imenso de país para país e nos países mais heterogéneos que o nosso (ou seja, todos os outros), varia mesmo entre regiões.
Assim, se a pessoa vai com comportamento formatado por todo um conjunto de regras aprendidas num curso intensivo no Corte Inglês, vai incomodar todos os outros convivas. A melhor regra nestas ocasiões é mesmo copiar – fazer-se distraído enquanto os outros começam e deixá-los começar primeiro (lá está, daí o motivo porque os anfitriões devem ser sempre os primeiros a começar a comer).
E se isso implicar pôr a comida na mesa ao lado do prato como na China ou arrotar como na Arábia, pois que se faça isso mesmo. Quer dizer, a parte de arrotar é uma chatice porque eu sinto que reprimi esta funcionalidade do meu corpo durante tantos anos, que hoje em dia já não o consigo fazer, a não ser que beba um bom copo de cerveja, que é algo que eu não espero que me sirvam numa refeição num país Árabe.
Enfim, todos estes exemplos num post enorme só mesmo para dizer que acho esta ideia de cursos de etiqueta num xóp-mól estrangeiro uma coisa absurda…

segunda-feira, 19 de março de 2007

O Ranger Espacial

Ontem fui à procissão do Senhor dos Passos com a Dulce, a Cristina e com o seu filho de 4 anos, o Zé.
Ora o Zé estava fascinado com o andor do Senhor dos Passos. Ia às minhas cavalitas e insistia que o Senhor dos Passos era o Ranger Espacial.
Eu bem que tentava perceber qual é que era a relação de um Cristo sofrido vestido de roxo e com uma cruz às costas e um personagem de fato prateado e um sabre de luz na mão. Eis que, apesar de louro, se me fez luz na cabeça...
"- Não Zé, não é o senhor do Espaço, é o Senhor dos Passos!"

sexta-feira, 16 de março de 2007

Parabéns cunhadinha!

Qual cunhadinha?
Não, não é essa!
Não, essa também não...
Nem essa outra!
SIM, essa mesma, a Jade!
Ah, espera lá, eu só tenho uma cunhada... E faz hoje anos! Quantos? Sei lá, uns 23/24...

De 2.ª a 6.ª

Gosto de trabalhar!
Começo o meu post com um "gosto de trabalhar" porque isso é verdade e porque acho que no trabalho deve ser encontrado muito de bom e de estruturante na personalidade de uma pessoa.
O trabalho não serve só para ganhar dinheiro, mas também para uma pessoa poder estruturar a sua vida. Toda a formação de uma pessoa desde o nascimento é direccionada para o trabalho e é no trabalho que a pessoa melhor pode colaborar com a sociedade onde vive usando os seus talentos.
É claro que também gosto do fim de semana bem descansadinho. Afinal de conta, para se poder trabalhar bem e ter gosto pelo trabalho, também se tem que descansar...
Vem isto a propósito do "café da manhã" da RFM, que é um programa que eu até gosto muito de ouvir. A Carla Rocha e o Zé Coimbra são pessoas divertidas e que tornam o acordar bem mais leve e divertido. No entanto, à 2.ª põe sempre uma música sobre as 2.ªs como sendo o pior dia da semana porque têm que voltar a trabalhar e às 6.ªs como sendo o melhor dia porque "amanhã já é fim de semana".
Ora, bem sei que isto é para ser levado com humor, mas passa uma mensagem da seca que é trabalhar, o que até é contraditório com o espírito dos dois apresentadores, que se nota bem que gostam do trabalho que fazem, senão não seriam tão divertidos logo de manhã.
Pois eu gosto dos 7 dias da semana, sem mais nem menos...

quinta-feira, 15 de março de 2007

Sem abrigo

Estava eu a ler o Público quando uma notícia me saltou à vista: a Câmara Municipal de Lisboa decidiu reduzir as ajudas às instituições que trabalham com sem abrigo em Lisboa.
Isto deixou-me bastante triste...
De facto, não é fácil essas instituições angariarem fundos para os seus trabalhos.
Aquelas instituições que trabalham com crianças apresentam uma criancinha a chorar e ficamos logo com pena. As que trabalham com velhinhos fazem-nos pensar no que vamos ser e também noc comovem por isso. Não é que a vida seja fácil para estas instituições, mas sempre vão conseguindo patrocínios de empresas em troca de publicidade e de particulares porque são comovem.
Mas os sem abrigo... Ninguém pensa que um dia pode vir a ser sem abrigo. Ninguém se identifica com eles. Os sem abrigo são aqueles que nos incomodam com o seu aspecto e com o seu cheiro.
As instituições que trabalham com sem abrigo têm assim, muito mais dificuldades em angariar fundos de particulares... Goste-se ou não, somos todos emotivos e uma criança ou um velhinho comovem-nos muito mais para dar algum dinheiro.
Mas este trabalho de dar esperança a quem já não a tem, de devolver dignidade a quem julga que a perdeu e de fazer estas pessoas não terem pudor em aceitar as ajudas que lhes são dadas é mesmo muito importante.
Em compensação, a Câmara Municipal não abdica de gastar cerca de €800.000,00 nos bailaricos das festa populares. Eu gosto muito das festas de Santo António, mas tenho noção de que se a CML não der dinheiro, as associações de comerciantes se juntam para fazerem as decorações e os ranchos conseguem patrocínios das empresas em troca da possibilidade. Tenho a plena noção de que não têm que ser os nossos impostos a pagar os bailaricos de Santo António...
Salve-se a honra do convento: ao menos vão reduzir as despesas com a frota de carros da Câmara! Só espero é que não sejam aqueles carros para deficientes e idosos que ajudam estas pessoas a deslocarem-se nesta cidade cheia de colinas e passeios ocupados...

Mal entendidos matinais

Há duas coisas que contribuem enormemente para tantos e tantos mal entendidos que me acontecem pelas manhãs a caminho do trabalho.
A primeira e mais determinante é o facto de eu ser bastante distraído. Eu sinto que "desligo" deste mundo quando saio de casa, faço o caminho todo em piloto automático com a cabeça desligada da realidade e só "acordo" quando chego ao Ministério e comprimento as já minhas amigas Lina e Ana da recepção, com quem troco longas confidências sobre o tempo, o trânsito que apanhei no meu percurso pedestre e as projecções dos grandes eventos do fim de semana, como sejam jogos do SCP, etc.
A segunda coisa é talvez o facto de ser um bocadinho de nada egocêntrico e se alguém sorri, acena ou manda um simpático piropo na rua, eu acho logo que é para mim.
Pois hoje de manhã vi uma engraçada rapariga loura a vir na minha direcção com um enorme sorriso e aqueles acenos de cabeça que significam: "mas o que é que tu andas por aqui a fazer! há séculos que não te via!"
Nestas alturas, toda a minha vida passa num flash para me tentar lembrar de onde é que eu conheço aquela cara que me parece completamente desconhecida... Ainda para mais não sou de esquecer uma loura engraçada, aquele aceno de cabeça que claramente me diz que "há séculos que não nos vemos" deve mesmo querer dizer SÉCULOS...
Estou eu a pensar em todas as situações possíveis e imaginárias onde pudesse ter conhecido esta loura, quando começo a reparar que ela é zarolha... Não, não é zarolha, está a olhar para trás de mim quando eu já vou no meu sorriso 3/4 que já demonstra absoluto reconhecimento! Olho para trás, vinha um homem de fato e quando ela passa por mim diz: "Olá Tio! O que é que anda a fazer por aqui!"
Concluí que não era eu o tio da loura engraçada...
São os meus mal entendidos matinais!

quarta-feira, 14 de março de 2007

Expressões idiomáticas

Eu sou daquelas pessoas irritantes que que, por dá cá aquela palha, se saem com uma expressão idiomática, o que pode ser muito irritante para um estrangeiro, que não está dentro das nossas expressões, mesmo que sejam fiemente traduzidas.
"The colour of a dunkey running away! What the hell is that???"
Não é que eu não seja um fiel tradutor instantâneo de expressões idiomáticas Portuguesas para línguas estrangeiras, é só que "to the wife of Cesar, being honest is not enough, she must look so" pode não fazer sentido para um Americano, por exemplo, que pensará que desde que a mulher desse Sr. César pareça honesta, não há sentido nenhum em ter que o ser.
Depois há aquelas expressões que, por muito que se queira, nem alguém como eu pode traduzir ("rais vais Ourique's field" soa muito mal!) pelo que têm que ser substituídas por uma expressão que queira dizer mais ou menos o menos ("for a black nail" será uma boa hipótese, por exemplo).
E o giro é também traduzir as expressões deles para Português! Mesmo que "chova cães e gatos" e que eu fique "molhado até à espinha vertrbral", mesmo que as minhas ideias estejam "ao largo" e eu me sinto "maluco que nem um castor", mesmo assim eu gosto de usar expressões idiomáticas que não fazem sentido nenhum para quem me ouve e que o fará evitar "andar uma milha nos meus sapatos" para não parecer que ensandeceu.

terça-feira, 13 de março de 2007

O outro

Fez-me impressão ler as notícias sobre o rapto daquela criança...
Dizia lá que a mulher que raptou a criança o fez para "segurar" o marido, ou seja, fazê-lo ficar com ela. Não o fez porque sempre tinha desejado ter uma criança, não podia e desesperou com os anos de espera para adoptar, pura e simplesmente usou a criança como um meio para acançar o seu fim, atrelar o homem.
Claro que esta estória nos choca a todos, mas fiquei a pensar em todas as vezes em que também vejo os outros como um meio e não como um fim em si mesmo. Parece horrível, não é? Neste caso, o que parece é!
Cada Ser Humano deve ter todos os seus semelhantes num lugar de fim e não num lugar de meio, mas há tantas vezes em que nos esquecemos disso.
Esta criança difícilmente esquecerá que durante um ano e tal foi apenas um meio, um objecto para segurar um homem e que isso a privou durante todo esse ano do contacto com os pais verdadeiros que a queriam mesmo ter.

segunda-feira, 12 de março de 2007

Matrioskas

Depois de há para aí uma semana ter escrito uma série de posts sobre o que era este mundo (concluí que era um guarda-jóias), agora apetece-me escrever sobre o que é a vida.
Parece-me que a vida é como uma Matrioska: é grande, colorida mas só a vamos conhecer melhor se a abrirmos e vermos que tem lá dentro outra Matrioska, mais pequena mas mas mais colorida...
Ao fim de um tempo, também abrimos essa Matrioska e vemos que dentro dela está uma mais pequena, mas com pinturas e cores ainda mais bonitas.
Assim é a vida: ao longo do tempo vamos reduzindo a vida àquilo que é realmente importante. Vamos dando mais importância à nossa relação com o Chefe lá de cima, à vida com a famelguinha, à construção de boas amizades, à realização profissional e tirando as coisas que já não interessam: as zangas, as tricas, os desamores e as discussões.
E enquanto nos centramos no essencial, vamos vendo a vida cada vez mais bonita e colorida.
Esta vida é uma Matrioska!

sexta-feira, 9 de março de 2007

Idealistas

Sou um idealista, confesso que sim!
Mas, muito francamente, não percebo os preconceitos que hoje em dia se têm contra os idealistas! Um idealista não tem necessáriamente que ser um sonhador, sem os pés assentes na terra. Pode perfeitamente ser realista (e se também for realista, melhor ainda).
No fundo, um idealista percebe bem este mundo, mas espera e luta por um mundo melhor.
Eu, por exemplo, acho que não é impossível termos um mundo mais baseado em princípios de paz entre os povos, justiça social e ecologia no qual os homens, as empresas e os governos procurem construir um mundo em que os homens não estejam tão enfiados no seu EU a olhar para o seu umbigo, mas se percebam como parte integrante de um todo global.
Bem sei que este discurso soa mesmo a discurso de um qualquer ganzado do Bloco de Esquerda, com um aspecto propositadamente tribal e símbolos de anarquia e marijuana por todo o lado. Pois nada mais errado! Nunca em toda a minha vida consumi o que quer que fosse de drogas, estou longe, muito longe, de simpatizar com o BE (cruzes canhoto!) e comigo a anarquia não dá mesmo!
Mas acho mesmo que um mundo melhor, mais ideal, pode ser já amanhã. Basta que cada um compreenda que este mundo não tem que ser uma sucessão de mal-entendidos, conflitos. Basta uma pessoa mudar para o mundo já ter mudado mais um bocadinho.

Manual de Segurança

Estou há um ano a trabalhar aqui no Ministério. Trabalho umas 9/10 horas por dia e grande parte do meu trabalho é feito em computador.
Apesar disso, em um ano inteiro a usar este teclado que estou a usar para escrever este post, nunca tinha reparado num autocolante que está aqui muito centralzinho no teclado, à direita das letras e à esquerda dos números e que diz:
Aviso Importante
Para o uso seguro e confortável do seu equipamento,
leia o guia de segurança e conforto.
Fiquei transtornado! Como é que uma coisa que diz aviso importante me pode ter escapado em tantas horas à frente deste teclado? Ainda para mais eu nem sou daqueles experts todos cromos que não olha para o teclado para escrever...
Decidi ir dar uma vista de olhos, a ver se estava a ter algum comportamento que pusesse a minha saúde em perigo.
Primeira coisa que dizia no dito cujo Guia:
"Pode existir risco de lesões físicas graves numa estação de trabalho com o computador!"
E só agora, passado um ano, é que avisam? Vivia eu tão seguramente na China e vim para cá para sofrer lesões físicas graves, é isso?
Ora estas lesões podem incluir lesões no túnel cárpico (e eu, por acaso, até acho que ultimamente o meu túnel cárpico não tem andado muito bem), tenossinovites (acho que se calhar foi isso que eu tive e pareceu-me que o médico me disse otite, só porque estou mais habituado e já estou á espera de ter uma otite e não uma tenossinovite) e outras perturbações muscoesqueléticas. Eu isso também já me tinha apercebido: quando voltei da China estava esquelético e cheio de músculo e agora todo o músculo deu lugar a banha e as calças parece que diminuiram rápidamente.
Nunca me tinha apercebido que ser Assessor Jurídico era uma profissão com tanto risco! Acho que vou pedir seguro de saúde!

quinta-feira, 8 de março de 2007

Dia delas

À minha Mãezinha...
À minha Maninha...
Às minhas Tiazinhas...
Às minhas Priminhas...
À minha Sobrinha...
Às minhas Amiguinhas...
À minha Cunhadinha...
Às minhas Afilhadinhas...
À minha Chefe (repare-se bem no tom reverencial com que eu aqui não uso o diminutivo)...
Às minhas Professorinhas...
Às minhas Leitorazinhas...
Um bom dia da Mulher!
E, já agora, se não tiverem nada combinado para hoje, a minha casinha, tão pequenininha, coitadinha, está a precisar de uma limpezazinha...

quarta-feira, 7 de março de 2007

Os Chineses e o Mandarim

O Rui, correspondente da Lusa em Pequim, publicou hoje um artigo na Lusa que diz o seguinte:
China
Cerca de metade dos chineses não sabe falar a língua oficial do país
2007-03-07, 11h55
Pequim, 07 Mar (Lusa) - Apesar de o mandarim ser a língua oficial da República Popular da China, quase metade dos chineses não sabe falar o idioma, segundo dados que a agência noticiosa oficial chinesa Nova China hoje divulgou.
Um recente estudo do Ministério da Educação chinês mostra que apenas 53,06 por cento das 500 mil pessoas entrevistadas conseguem "comunicar efectivamente" em mandarim, refere a Nova China.
A maioria dos chineses que não sabe falar mandarim reside nas áreas rurais, onde só 45 por cento das pessoas falam a língua, contra 66 por cento nas cidades.
Os chineses têm a mesma língua escrita e os mesmos caracteres, mas a pronúncia de caracteres idênticos varia de região para região, criando diversos dialectos.
O estado chinês tem vindo desde o início do século XX a tentar instituir o mandarim como língua nacional, através do sistema escolar, mas a televisão deu também uma ajuda à popularização do conhecimento e uso da língua.
O estudo apurou ainda que 70 por cento dos chineses com idades entre 15 e 29 anos falam mandarim, em comparação com apenas 31 por cento das pessoas entre os 60 e os 69 anos.
RBV.
Fonte: Agência LUSA
Pois eu fico muito admirado que, mesmo assim, quase metade dos Chineses saiba falar Mandarim. Em Shantou, a minha cidade, considerada pequena mas mesma assim com os seus 4 milhões de habitantes, contavam-se pelos dedos das mãos os lojistas, taxistas, condutores de motas, etc. que percebiam Mandarim.
É claro que também há sempre aquela hipótese de considerar que eles não percebiam o MEU Mandarim...

Parabéns RTP!

Eu ainda sou do tempo em que só havia uma televisão em Portugal: a Érre Tê Pê!
Muito bem que era uma televisão bicéfala, com 2 canais, mas acho que também não precisávamos de mais. Tinhamos umas boas duas ou mais horas de bonecos animados Sábados e Domingos de manhã e o "brinca brincando", com o Lecas, à tarde mesmo depois dos tê-pê-cês. E se os ditos cujos tê-pê-cês não estivessem acabados quando começava o Lecas, podiamos sempre ir fazendo ao mesmo tempo, que ele até ajudava.
Ainda antes do Lecas, quem fazia o Show das nossas tardes era o avô Cantigas. E não é que eu uma vez conheci o avô Cantigas?
Ai pois é! No tempo em que o casino da Figueira da Foz fazia as matinés das Quartas-feiras, possibilitando aos pais todos passarem uma tarde tranquila de praia sem os catraios a pedir bolachas americanas, o avô Cantigas foi lá encantar os miúdos em férias. Foi um xitex! Eu, que parecia que estava sempre ligado à corrente eléctrica, mal ouvi o avô a pedir a algumas crianças para ir ao palco, corri sala fora como se não houvesse amanhã e saltei para o palco como se disso dependesse a salvação da Humanidade. É que dependia mesmo, era o avô Cantigas!
Devo confessar que ainda hoje, apesar de já não ter televisão em casa, continuo a preferir a RTP a todos os outros canais. É que a RTP é "desde sempre", os outros canais já vieram tarde demais... E ainda para mais chegaram com pérolas como o Big Show Sic e a Xica da Silva: não foi o melhor começo, pois não?
Hoje a RTP faz meio século: PARABÉNS ÉRRE TÊ PÊ!

terça-feira, 6 de março de 2007

Dia de anos do blogadíssimo

No dia em que cheguei à China, apaguei, sem querer, todo o blogadíssimo porque o blogspot lá estava em Chinês e eu carreguei nos sítios errados. Nessa altura, mandei um mail ao Tiago para ele ressucitar o pobre coitado defunto blog e eu começar a escrever sobre a China.
Vai daí, fiquei sem saber qual o aniversário deste brilhantíssimo, inteligentíssimo, magnificíssimo mas, acima de tudo, humilíssimo blog. Mesmo depois de consultar uns amigos mais organizados e com melhores registos que eu, só cheguei à conclusão de que o blogadíssimo tinha nascido entre março e Maio do ano da graça de 2004.
Vai daí, andei à procura de um Santo patrono para este blog cuja celebração fosse nessa altura e acabei por escolher Santo Anselmo, pelo que a partir de agora, eu, Diogo, pela graça de Deus Senhor do Blogadíssimo, decreto e faço valer como Lei que o dia de anos deste blog passará a ser celebrado a 21 de Abril.
Ora, porquê o Santo Anselmo?
Corria o ano escolar da Graça de 1997/98 e eu encontrava-me no último ano do Liceu quando me foi dado estudar, em Filosofia, o Proslogium, a obra em que este Santo e Doutor da Igreja expõe o argumento ontológico da existência de Deus. Digo, em abono da verdade, que esta obra gerou polémica na turma 12ºG do Liceu D. Filipa de Lencastre, uns defendo esse argumento e outros rebatendo-o com os argumentos também usados por São Tomás.
Acho que foi Santo Anselmo que me provocou o gosto pela Filosofia que ainda hoje tenho (nos 10º e 11º anos tinha detestado a Introdução à Filosofia) e é por isso mesmo que o dia de anos do blogadíssimo passa a ser o dia 21 de Abril. Tenho dito!

Cosmo-Lisboa

Aqui há uns 10 anos estava em Paris e li um artigo na point de vue sobre Lisboa.
O artigo era elogioso mas salientava muito o facto de parecer que Lisboa tinha adormecido estendida sobre as colinas à beira-Tejo e estava a acordar aos poucos e poucos. O título, aliás, era, se a memória não me falha "Lisbonne, endormi, se réveille."
A cidade tinha sido capital europeia da cultura e fervilhava então com as obras da Expo-98, a exposição internacional sobre os Oceanos que ia transformar a zona ribeirinha oriental.
Lembro-me de, por essa altura, comentar com os amigos da minha prima Joana, todos eles Franceses, como eu achava que os Franceses eram estranhos porque não se vestiam "normalmente".
De facto, em Portugal a normalidade era o padrão máximo no visual e qualquer Português detectaria outro no Estrangeiro a léguas de distância: se era "beto", estaria a usar os sapatos-vela, as Levis 501 engomadas e a camisa com a manga arregaçada e os dois botões de cima abertos a mostrar o fio de prata com a cruz; se era "chunga" estaria com umas calças roçadas, uns ténis nike pretos e uma tshirt gasta daquelas que já não se usava no resto da Europa desde os anos 80.
A noite era estritamente dividida entre lugares "betos" e lugares "chungas": se uma ida ao "Tê" exigia um status que deveria aparentar ter, pelo menos, dois "des" no nome (nem que fosse só aparência), uma ida ao Bairro Alto levava a que se exclamasse, forçosamente, umas quantas vezes com um "fo..." e se chamasse carinhosamente os amigos de "filhos da p...".
Hoje Lisboa acordou por completo. Betos e chungas, ainda os há, mas a diversidade já é hoje muito maior. O T-Club é um restaurante Chinês e o Bairro Alto já recebe toda a gente. Os programas já incluem mais idas ao teatro, museus, casas de jazz e fado ou, porque não, um fim de semana em Londres ou Madrid graças às low cost.
Lisboa tornou-se metropolitana...
Lisbonne ne dorme plus!

segunda-feira, 5 de março de 2007

As vidas dos outros

Das Leben der Anderen - este é o título original do filme que eu fui ver ao King na passada 6.ª feira e recomendo vivamente. Alemão! Ah pois é, Alemão...
Vá-se lá saber porque obscuros motivos, tenho um certo preconceito contra o cinema Alemão, apesar de já ter visto cinco filmes Alemães até hoje e ter gostado imenso de todos - os três da Sissi, o "adeus lenine*" e este.
Mas não deixem que os preconceitos vos vençam e não percam este filme antes que saia de tela.
Aqui há duas semanas telefona-me a minha amiga Dulce e diz: "Diogo, tens absolutamente que ir ver um filme que se chama "as vidas dos outros", não te vou dizer nada sobre o filme, mas tens mesmo que ir!"
Como confio bastante no gosto da Dulce, lá combinei com a Alexandra um jantarinho e ir ver este filme e os dois gostámos imenso. Para além de nós, foram também outros cinco e todos disseram o melhor possível, por isso note-se uma quase unanimidade em relação à coisa.
Não esperem que vos diga mais nada sobre o filme para além do: "despachem-se e levem cartão jovem, porque o King dá desconto!"
Ah, para quem interessar, porque a mim não me interessa nada: este filme ganhou o óscar para melhor filme estrangeiro. O motivo porque não me interessa nada o que a "academia" diz é que confio tanto nos óscares como na previsão do tempo, às vezes acertam, outras vezes nem por isso. Prefiro o que os amigos, como a Dulce por exemplo, me dizem...
* O meu pudor não me permite escrever lenine com L grande...

sexta-feira, 2 de março de 2007

Um ano!

Fez na Segunda um ano que cheguei a Portugal, regressado da China. Não é uma data nem para comemorar (já sinto saudades de viver na China) nem para chorar (gosto muito de viver com os meus amigos de sempre e família em Portugal), mas é certamente uma data para lembrar... Pensar o tanto que aconteceu este ano...
Pensar o tanto que pode acontecer num ano, faz-me também pensar sobre o que será de mim dentro de um ano. Onde estarei a viver? A fazer o quê?
Como são perguntas que não têm resposta agora e que só o tempo responderá, não me vou inquietar a pensar nelas, mas uma coisa é certa, este ano não teria sido o mesmo sem as pessoas de quem gosto:
- A família e amigos "de antes."
- Os amigos da China.
- Os amigos que fiz neste último ano.
A todos eles, obrigado por este bom ano!

Procissões

A Quaresma é a altura das Procissões do Senhor dos Passos, das reconstituições do caminho da Cruz com oração em comunidade.
Para além do seu objectivo primário, de serem uma forma de oração comunitária diferente da habitual, as Procissões são também tradições cheias de beleza e solenidade.
Este Domingo realiza-se uma das procissões mais antigas do país, que nunca foi interrompida (nem mesmo durante a I República, embora imagino que aí se fizesse mais discretamente) e que é também um lindíssimo acontecimento, a Procissão do Senhor dos Passos da Graça.
A Procissão sai às 15h da Igreja da Graça, desce a rua da Voz do Operário, depois a rua de São Vicente e depois volta a subir por uma rua que eu não sei o nome até à Igreja da Graça.
Proponho a todos irem. Eu lá estarei porque faço parte da Irmandade - já há dois anos que não consigo lá ir e das últimas vezes que fui já não consegui integrar a Procissão porque cheguei em cima da hora e já não havia mais opas. Este ano vou tentar chegar mais cedo...

quinta-feira, 1 de março de 2007

Os medos

Os marinheiros Portugueses do século XV e XVI temiam o Adamastor, esse gigante criado com o sangue de Urano e transformado por Zeus em rochedo que ficou no Cabo mais a Sul de África, tornando-o "tormentoso".
Esta estória era bem real, ou pelo menos, muito real no imaginário destes marinheiros. Tão real era esta estória que o Rei Dom João II decidiu rebaptizar o Cabo depois do regresso de Bartolomeu Dias ao Reino, chamando-o "Cabo da Boa Esperança."
Esta "esperança", considerou o Príncipe Perfeito, opunha-se ao medo das "tormentas"; é que a esperança faz-nos avançar enquanto que o medo nos faz imobilizar. O medo faz-nos ficar parados, não nos mexermos, não agirmos... O medo rouba-nos a acção!
Já a esperança faz-nos avançar porque vemos que mais à frente pode ser melhor do que aqui. A esperança vem de mãos dadas com o optimismo. Este faz-nos pensar que, mesmo que mais à frente não seja melhor do que aqui, pelo menos já terei visto o "mais à frente."
Bartolomeu Dias venceu o Adamastor, foi mais à frente, viu novas terras e ficou para a História. Mais tarde morreu nesse mesmo Cabo que venceu: é que os medos também são bons avisos, mas as esperanças da Índia, essas já estavam alcançadas!
PS: Vale bem a pena nós, que andamos aqui por Lisboa irmos de vez em quando vencer o Adamastor, no miradouro de Santa Catarina e apanharmos um bocadinho de Sol, embalados por uma amena cavaqueira, e viajarmos em imaginação até lá longe, ao Cabo.