sexta-feira, 2 de março de 2007

Um ano!

Fez na Segunda um ano que cheguei a Portugal, regressado da China. Não é uma data nem para comemorar (já sinto saudades de viver na China) nem para chorar (gosto muito de viver com os meus amigos de sempre e família em Portugal), mas é certamente uma data para lembrar... Pensar o tanto que aconteceu este ano...
Pensar o tanto que pode acontecer num ano, faz-me também pensar sobre o que será de mim dentro de um ano. Onde estarei a viver? A fazer o quê?
Como são perguntas que não têm resposta agora e que só o tempo responderá, não me vou inquietar a pensar nelas, mas uma coisa é certa, este ano não teria sido o mesmo sem as pessoas de quem gosto:
- A família e amigos "de antes."
- Os amigos da China.
- Os amigos que fiz neste último ano.
A todos eles, obrigado por este bom ano!

Procissões

A Quaresma é a altura das Procissões do Senhor dos Passos, das reconstituições do caminho da Cruz com oração em comunidade.
Para além do seu objectivo primário, de serem uma forma de oração comunitária diferente da habitual, as Procissões são também tradições cheias de beleza e solenidade.
Este Domingo realiza-se uma das procissões mais antigas do país, que nunca foi interrompida (nem mesmo durante a I República, embora imagino que aí se fizesse mais discretamente) e que é também um lindíssimo acontecimento, a Procissão do Senhor dos Passos da Graça.
A Procissão sai às 15h da Igreja da Graça, desce a rua da Voz do Operário, depois a rua de São Vicente e depois volta a subir por uma rua que eu não sei o nome até à Igreja da Graça.
Proponho a todos irem. Eu lá estarei porque faço parte da Irmandade - já há dois anos que não consigo lá ir e das últimas vezes que fui já não consegui integrar a Procissão porque cheguei em cima da hora e já não havia mais opas. Este ano vou tentar chegar mais cedo...

quinta-feira, 1 de março de 2007

Os medos

Os marinheiros Portugueses do século XV e XVI temiam o Adamastor, esse gigante criado com o sangue de Urano e transformado por Zeus em rochedo que ficou no Cabo mais a Sul de África, tornando-o "tormentoso".
Esta estória era bem real, ou pelo menos, muito real no imaginário destes marinheiros. Tão real era esta estória que o Rei Dom João II decidiu rebaptizar o Cabo depois do regresso de Bartolomeu Dias ao Reino, chamando-o "Cabo da Boa Esperança."
Esta "esperança", considerou o Príncipe Perfeito, opunha-se ao medo das "tormentas"; é que a esperança faz-nos avançar enquanto que o medo nos faz imobilizar. O medo faz-nos ficar parados, não nos mexermos, não agirmos... O medo rouba-nos a acção!
Já a esperança faz-nos avançar porque vemos que mais à frente pode ser melhor do que aqui. A esperança vem de mãos dadas com o optimismo. Este faz-nos pensar que, mesmo que mais à frente não seja melhor do que aqui, pelo menos já terei visto o "mais à frente."
Bartolomeu Dias venceu o Adamastor, foi mais à frente, viu novas terras e ficou para a História. Mais tarde morreu nesse mesmo Cabo que venceu: é que os medos também são bons avisos, mas as esperanças da Índia, essas já estavam alcançadas!
PS: Vale bem a pena nós, que andamos aqui por Lisboa irmos de vez em quando vencer o Adamastor, no miradouro de Santa Catarina e apanharmos um bocadinho de Sol, embalados por uma amena cavaqueira, e viajarmos em imaginação até lá longe, ao Cabo.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Este mundo...

Este mundo não é assim tão longe do Médio Oriente...
Sugiro este link que em 90 segundos conta a História do Médio Oriente (note-se com atenção como Portugal esteve tantas vezes políticamente ligado ao Médio Oriente).

Este mundo é um guarda-jóias!

Este brilhantíssimo, magnificíssimo, inteligentíssimo, portuguesíssimo, espertíssimo mas, acima de tudo, humilíssimo blog tem o prazer de apresentar em primeira mão uma nova expressão para podermos, com naturalidade e em bom tom, exprimir o nosso espanto perante muitas coincidências: "este mundo é um guarda-jóias!"
Expressões como, "este mundo é um porta-luvas" ou, "este mundo é uma caixa de CDs" também me passaram pela cabeça, mas tinha medo que alguém pudesse pensar que eu me estava a identificar com o manual de instruções do auto-rádio ou com um CD do Cândida Branca Flôr.

Este mundo é um penico!

Uma expressão que me encanita um bocado é aquela que diz: "este mundo é um penico!"
Muita gente me diz isso quando se apercebem de grandes coincidências de termos nas nossas relações muitas pessoas conhecidas, ou de termos estado hospedados no mesmo sítio de um lugar remoto ou de termos tido a mesma experiência improvável.
Mas o que me chateianesta expressão é que, se este mundo é um penico, então o que é que nós somos?

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Escolhas

Não vivemos isolados neste mundo... Vivemos rodeados por uns quantos biliões de pessoas como nós! Todos nós temos ideias, sonhos, vidas e projectos para a nossa vida, sendo que cada escolha que fazemos não pode ser separada das escolhas que os outros fazem; cada uma das nossas escolhas vai influenciar um número indeterminado de pessoas e as escolhas de muitas pessoas influencia também a nossa vida.
Imaginemos que procuramos um emprego: nós escolhemos para onde é que vamos mandar uma carta de apresentação com um Currículo influenciados pelo que pensamos que os receptores dessa nossa missiva vão pensar de nós.
Olhem para mim aqui todo entusiasmado para ir trabalhar como engenheiro aero-espacial para a Agência Espacial Europeia... Tenho um óptimo currículo, gostaria de viver novas experiências e, assim como assim, já ando tantas vezes com a cabeça no espaço, que pareço ser o candidato ideal. Apesar disto acho que eles não aceitavam alguém com a minha formação e experiência em Direito para engenheiro aeronáutico... :-)
E estas escolhas que fazemos, que nos influenciam a nós e a quem nos rodeia, podem até ter resultados que nós não tomamos conta: será que cada pessoa que pega no carro de manhã em vez de ir de metro pensa que está a poluir o ar para si mesmo e para todos os que o rodeiam? Será que ao escolher ir para aquele emprego em vez do outro, essa pessoa pensa em tudo o que vai poder influenciar as pessoas com quem trabalha no que toca a métodos de trabalho e a experiências de vida?
Todas as nossas escolhas, boas ou más, nos conduzem para a frente, nunca para trás... Nunca dá para ir para trás porque o tempo caminha (ou corre) para o futuro pelo que, ao chegarmos aos 100 anos, vamos ser o produto de milhões de escolhas feitas por nós e pelos outros.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

A pedido de muitos fãs da Audrey Hepburn...

Aqui deixo uma foto dela com o já não menos célebre Xeik Al Vim!

Sonhar

Tanto que se fala de serem necessários mais sonhos, mais sonhadores e mais utopias... Para quê?
Sebastião da Gama dizia que "pelo sonho é que vamos" enquanto que António Gedeão que "o sonho comanda a vida, que sempre que um homem sonha o mundo pula e avança como bola colorida entre as mãos de uma criança."
Uma coisa é certa, os poetas gostam de sonhos. Eu acho que é porque eles próprios são sonhadores.
Eu também gosto de sonhos! E gosto dos sonhos como Sebastião da Gama e António Gedeão, não para me alienarem da minha vida, não para me impedirem de sofrer, não para serem uma espécie de droga que me fazem abstrair da realidade... A minha vida só por mim pode ser vivida, o sofrimento faz parte dela e leva-me a valorizar os bons momentos e estar na realidade é aproveitar o tanto que me está reservado, por isso, para que é que eu haveria de querer fugir dela?
Ora o sonho serve mesmo é para viver melhor esta vida que eu tenho. Serve para me fazer acreditar que ela pode ser melhor e constituir um padrão para a minha actuação. Serve também para me fazer acreditar que todo e qualquer dos tantos outros que me rodeiam neste mundo pequenino podem viver melhor e que eu posso fazer qualquer coisa por isso.
E o sonho, às vezes, não serve para nada e não é por isso que deixa de ser bom. É como aquele momento em que estamos com quem nós gostamos e em que nada dizemos, nada fazemos, só estamos... Não serve para nada, mas serve para tanto!
Para isso, como continuava Sebastião da Gama, temos que acreditar nos sonhos porque...
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma dêmos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia-a-dia.
Bons sonhos! Mesmo durante o dia...

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Publicidade

Isto de não ter televisão faz-me ouvir mais rádio e agora até começo a ter pena de não ter televisão que é para ver telenovelas, que era coisa que eu, mesmo antes de ir para a China, já não via desde o Roque Santeiro ou da Tieta do Agreste.
É que a publicidade à nova telenovela da SIC é genial, dá-me mesmo pena não ter televisão...
Laura amou!
Laura casou!
E agora, laura voltou a amar!
Ou noutra versão:
Santiago amou.
Santiago sofreu.
E agora, Santiago voltou!
Isto sempre proferido naquela voz quente e bem articulada de locutar que acaba com um VINGANÇA, a sua nova telenovela da SIC.
Reparem na parcimónia das palavras! Reparem na riqueza lexical! Reparem na conjugação de ideias!
Aquilo do gajo ter sofrido, agora ter voltado e depis se ouvir quase um grito a dizer VINGANÇA atemoriza qualquer criancinha. Até a mim, que completo amanhã 26 anos e meio, me deixa a tremer e me faz trancar as portas e as janelas do meu humilde château!

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

SNS

Neste Carnaval tive o privilégio de conhecer mais um bocadinho do nosso Serviço Nacional de Saúde. Que privilégio!
Pois é, como sequela da gripe e de me estar sempre a assoar, fiquei com uma otite. Nada que me impedisse de ir para o fórróbódó do Carnaval de Torres Vedras na Segunda à noite, mas quando na Terça, ao tomar o meu duchezinho, me apercebi que estava a sangrar do ouvido, assustei-me e lá decidi ir ao centro de saúde de Sete Rios, supostamente o da minha área de residência.
Lá explicaram-me que aquele Serviço de Saúde era o meu porque eu vivia na freguesia de São Domingos de Benfica. Lá expliquei que nasci na Figueira da Foz e que toda a minha vida vivi na freguesia de Nossa Senhora de Fátima, onde continuava a ter a minha residência para todos os efeitos apesar de estar a viver na Lapa. Com tudo isto, nenhuma relação com São Domingos de Benfica...
Mas pronto, lá fui atendido por uma médica que me mandou para São José.
- São José? Não dá para ir para Santa Maria ou Curry Cabral? - Perguntei eu...
Pois que em toda a mui nobre cidade de Lisboa, São José era o único hospital com urgências de otorrino, pelo que lá fui eu para aquela área de tão fácil estacionamento.
Lá chegado, fui a uma médica que leu a carta da primeira médica e que me disse que eu tinha que ir ao otorrino. Perante essa novíssima informação que me deixou deveras surpreendido, lá me dirigi ao balcão, onde me mandaram esperar na sala de espera. Ora a sala de espera era do tamanho do meu gabinete no Ministério mas enquanto que o meu gabinete só tenho que partilhar com a Maria João, uma saudável Arquitecta Paisagista, aquela sala eu tive que partilhar com uma multidão de gente, com criancinhas de colo e tudo, com as mais variadas gripes e outras maleitas que me pareceram altamente contagiosas pelo que eu meti os olhos no meu livro e tentei respirar o mínimo indispensável para não morrer enquanto esperava, sendo que de vez em quando, quando precisava mesmo muito de inalar fundo, respirava através da camisola.
Quando expus esta situação ao médico, explicando-lhe que era contraproducente ir com uma otite para o hospital se saía de lá com uma gripe ou um fungo na pele, ele riu-se e disse que era para as pessoas não irem demasiado para lá!
Mas quem é que no seu juízo perfeito vai a um hospital Português sem precisar absolutamente de lá ir??? Aliás, quem é que no seu juízo perfeito vai lá se puder pagar uma clínica arejada e bem lavada? E para que é que essas pessoas que podem pagar clínicas privadas têm que estar a pagar um balúrdio todos os meses para um serviço que nunca vão usufruir porque é demasiado mau para isso?
Fico contente que o senhor Ministro tenha dito que o SNS tinha dinheiro para todos aqueles abortos e muito mais, isso quererá dizer que também terá dinheiro para construir umas salas maiorzinhas e mais ventiladas nas urgências dos hospitais, certo?

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Cenas brutais!

Uma certa e determinada pirata a soldo do Bush decidiu capturar o Sheik Al Vim e sem dó nem piedade manteve-o refém no seu puff até chegarem os agentes da CIA.
Assim acabou o Carnaval deste desventuroso Sheik em Portugal.
Constou-me até que foi ao ver estas cenas brutais contra um Sheik Beduíno desarmado e sem defesa possível que o Presidente do Irão, Mahmud Ajmadinejad, disse que este país só terminava seu o programa nuclear se os EUA também terminassem com o seu próprio programa nuclear...
Absolutamente compreensível, do meu ponto de vista!
Note-se só a brutalidade com que o fino salto da pirata se crava na anca do Sheik! Se estiverem crianças por perto enquanto lerem este post, não as deixem ver estas cenas!

Carnaval em Torres Vedras

O Sheik Al Vim, na sua visita a Portugal, decidiu não perder o internacionalmente famoso Carnaval de Torres Vedras e, de facto, foi mesmo algo a não se perder...
Desde um grupo que estavam mascarados de garrafas e um deles de saca-caricas, até um outro saído do filme dos Flinstones até um outro grupo que, vá-se lá saber como é que surgiu com essa ideia, mas estavam todos mascarados de tampões. É verdade, estavam mesmo de tampões, com uma espuma branca à volta deles e um cordão a sair por baixo! É claro que isso impedia-os de dançar e devia ser quente como tudo...
No próximo ano estou lá batido outra vez. Por agora, já vai sendo tempo de 4.ª feira de cinzas...
Boa Quaresma!

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

O Sheik Al Vim e o seu harém


Desmentido

Que se faça saber que certos e determinados rumores que andam por aí a correr de que o Sheik Al Vim teve um relacionamento de indole amorosa com a Traveca Vanda são mentira...
É que a Sodona Traveca é uma Senhora de respeito e deu-lhe tampa!
Não posso dizer que sempre tenha sido o fã n.º 1 do Carnaval. Acho que fiquei traumatizado com a ocasião desde que a senhora minha Mãe me enviou, nos tenros 5 aninhos, mascarado de saloia para o colégio. Não, eu não troquei o O pelo A e não, não queira escrever saloio (isso até teria sido giro) - a senhora minha Mãe enviou-me mesmo com um vestido de saloia...
Pois é, com o seu sentido prático achou que se a Mariana tinha ido no ano anterior de saloia, até se aproveitava o fato e se mandava também o Diogo - este sentido prático das Mães de muitos filhos faz sofrer terrivelmente os mais novos.
Depois de muitos anos de espírito atormentado pelo assunto, lá ultrapassei o trauma e hoje em dia voltei a gostar do Carnaval - apesar de, de vez em quando, ainda ouvir ressoar a pergunta "mas tu és um menino?" nos ouvidos.
De tal maneira estou curado que no Sábado até consegui mascarar-me com um vestido e um pano na cabeça para a festa da Beatriz. Está bem, o vestido era de homem e o pano era um turbante, porque ia mascarado de Beduíno do deserto com um fato que comprei no Egipto, mas mesmo assim, já foram passos de gigante para ultrapassar o meu trauma do Carnaval…
Até pode ser que dentro de uns 20 anos eu me consiga mascarar outra vez de saloia, mas não prometo nada!
Bom Carnaval a todos!

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Médico

Estava a ser injusto ao esquecer outra visita que eu tive: a do médico! Eu não fui para médico porque achava que não conseguiria ter um sorriso pronto e encorajador perante os doentes porque fico tão deprimido com as doenças dos outros como com as minhas.
É mesmo uma coisa que me ultrapassa, mas eu detesto doenças! Não acho que alguém goste, mas ainda no outro dia uma amiga me dizia que não se importaria nada de ficar uns dias em casa a ler e a ver televisão, enquanto que eu dava tudo para nunca ficar doente.
Voltando à minha (falta de) vocação para médico... Este médico entra com ares de poucos amigos, ralha-me por não ter chamado um médico na 2.ª mas só ontem (mas só ontem é que me lembrei que a minha gripe poderia ser, afinal de contas, uma amigdalite e que ia precisar de um atestado médico a certificar que tinha estado doente).
Ora, para ser assim um médico mal encarado, eu também poderia ser médico! O meu avô, por exemplo, deixou o curso de medicina porque não podia ver uma pinga de sangue, enquanto que a mim o sangue não faz impressão nenhuma. E bem sei que fico mal disposto só de ver os outros doentes, mas se este médico também era um mal disposto, porque é que eu não haveria de ser?
Lembrei-me de uma outra médica a que uma vez fui, que atendeu o telefone para falar de assuntos pessoais enquanto me atendia. Como é óbvio, eu interrompi a conversa para lhe dizer que considerava ser aquela atitude de uma inqualificável mal-educação e que eu, como Advogado (que era na altura) nunca atenderia o telefone para falar de assuntos pessoais enquanto atendia um cliente.
Isto faz-me pensar na vocação que os nossos médicos sentem. Lá marrões, terão que ser, porque conseguiram entrar naqueles cursos com notas espatafúrdias, mas, para mim, ser médico, é muito mais do que ser marrão!

Mais dois dias de molho!

Pois é, depois de ter vindo trabalhar na Terça-feira piorei e lá voltei para casa dos Papás* para me curar durante dois dias. Infelizmente os meus amigos Hélders não me visitaram desta vez, pelo que estive dois dias a ler o Civilizations, a ver mais não sei quantos episódios da Ally MacBeal e a dormitar enterrado em mantas no sofá.
Por companhia tive a minha sobrinha Constança que tem uma característica muito peculiar. Quando eu queria falar com ela, ela queria desenhar mas quando eu me embrenhava na leitura ou em mais um episódio da Ally, ela vinha logo com enormes conversas das quais eu pouco compreendia porque ela fala muito rápido e a engolir as palavras. Ora, quando eu punha o marcador no livro ou o pause no DVD e lhe fazia uma qualquer pergunta, logo ela perdia o interesse na conversa e voltava para as suas artes!
Começo-me a convencer que, estando doente, não sou a melhor companhia do mundo. Um dos Hélders enervou-se e disse que eu o estava a tentar converter e a minha sobrinha só quer falar comigo quando eu não respondo!
Estou contente da vida de ter voltado ao trabalho! Mesmo que seja só por um dia antes do fim-de-semana.
*Toda a gente precisa de mimo quando está doente!

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

O que está errado na fotografia?

Hummm... O que é que estará errado nesta fotografia? Será a amizade entre estas duas senhoras? Não, elas de facto são amigas... Será a lindíssima parede branca por trás delas? Bem, de facto hoje em diz essa parede já tem uma estante mas á época em que esta fotografia foi tirada ainda não tinha...
Ah! Já sei! É o facto de aparecerem duas garrafas de vinho vazias mesmo em frente da Francisca (a da camisola azul e cinzenta). Pois é, ela passa a vida a dizer que ah e tal e coiso não bebe alcóol, que o alcóol é o caminho para a perdição, que se nós fossemos asizadinhos não lhe tocávamos sequer, etc..
Mas eis que ela apanhou duas garrafas, na altura cheias, à frente e zumba! Sem mais cerimónias esvaziou-as enquanto o diabo esfrega um olho. Um despesão, é o que eu posso dizer desta senhora e da sua relação com o vinho! Para ela não há aquela coisa do copo meio cheio ou meio vazio. Primeiro está cheio e depois, quando nós não notamos, já ele está vazio!
Mas pronto, ela hoje faz anos e eu até lhe permito beber mais duas ou três garrafinhas se quiser... Olha, e já agora, querida Francisca: MUITOS PARABÉNS!

Contsipadíssimo com Mórmons

Na Quinta Feira chovia a potes enquanto eu estava a vir para o Ministério, pelo que cheguei cá com os pés ensopados. Tirei os sapatos e as meias, pu-las a secar em frente ao ar condicionado e passei todo o dia descalço - a D. Lurdes até dizia que agora já o Ministério contratava assessores pé-descalços...
Na 6.ª comecei a espirrar tímidamente: um espirrito aqui, outro ali... Mas no Sábado já a espirração era tão frequente e tão potente, que assustava quem estivesse ao pé de mim. Não fui à festa de anos da Cristina no frágil para ir para a caminha, mas no outro dia, às sete da manhã, já estava nas urnas como delegado da plataforma "Não Obrigada!"
Foi a gota que fez transbordar o copo. Quer dizer, a gota que fez transbordar o copo até é capaz de ter sido o resultado do referendo... Não sei bem o que foi que me fez mal mas pela noite já começava a escrever o meu testamento. Xano e Tim, como estão a pensar sair de casa dos Pais, acreditem que eram os meus principais legatários no que toca à minha pouca e pouco valiosa mobília e demais bens domésticos...
Ontem fiquei todo o dia em casa dos meus Pais enrolado em mantas a ler Júlio Dinis, a ver a Ally MacBeal e a ouvir dois simpáticos Mórmons que me foram visitar. Tão queridos! À porta eu até insisti com eles de que era 100% Católico e que não me convertia nem à lei da bala mas eles tanto insistiram para "rezarmos sobre o assunto" que eu lá os deixei entrar que era para não apanhar mais frio.
Ao fim de mais de uma hora de conversa (até foi óptimo porque pratiquei o Inglês) um deles já estava muito nervoso e dizia que eu estava a tentar convertê-los. Eu pedia-lhe com o meu tom mais cândido e calmo para não se enervar e para notar que eles eram dois contra um e também me estavam a tentar converter... Quando ele já começava a ficar mesmo muito nervoso e a corar muito enquanto eu discorria sobre Fátima, o "irmão" que o acompanhava e que se tinha mantido calmo, lá sugeriu que já era tarde e que talvez devessem ir embora.
Nessa altura, lá voltei à Ally MacBeal e ao Júlio Dinis.
Não sei se esta junção de Ally + Júlio + Mórmons me fez muito bem porque hoje lá decidi vir trabalhar mas ainda não estou muito bem. Se calhar à tarde vou para casa! Desta vez mais vale receber umas Testemunhas de Jeová, ver CSI e ler Eça de Queiróz... Pode ser que me façam melhor!

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

O actor principal

Apresento-vos o actor principal do próximo Domingo! O feto de 10 semanas!
A pergunta que ele nos faria é, pura e simplesmente: será que, não tendo eu qualquer malformação grave, tendo "surgido" de uma relação consentida entre os meus Pais e não provocando perigo para a minha Mãe, esta pode decidir que eu morra?
Nos últimos dias levantou-se a dúvida sobre se este actor principal seria uma vida humana. Fernanda Câncio disse que era uma vida, mas não humana: pergunto-me então se é uma planta ou um animal... Cara Fernanda Câncio: é óbvio que é uma vida humana! Já parece que voltamos aos tempos do Padre António Vieira em que este tinha que explicar que os Índios eram Humanos porque a maioria das pessoas não o sabia! Nem os mais arreigados defensores do SIM, desde que inteligentes, o negam!
O que os defensores do SIM inteligentes ponderam é o peso da sua vida por oposição aos inconvenientes com o seu nascimento...
Mas será que se pode pesar o outro prato da balança? No outro prato da balança está um peso que nós não conhecemos e que pode ir desde mulheres realmente necessitadas que temem pelas condições de vida do filho, pela sua alimentação, cuidados de saúde e educação até às mulheres a quem agora "não dá jeito" porque ainda querem "ser livres" de encargos e puder viajar à vontade, sem carrinhos nem fraldas.
Mas se há mulheres realmente necessitadas, como se diz acima, porque não ajudá-las? Nos últimos 8 anos os movimentos que então se constituiram pela defesa do NÃO criaram numerosos organismos de apoio às Mães em necessidade e aos seus filhos enquanto que movimentos pelo SIM, que diziam proteger os direitos das mulheres, nada fizeram.
Mas mais do que novas instituições do género, que serão muito bem vindas, o que agora precisamos mesmo de criar são novas mentalidades nas Mães, nos Pais, nos Avós, nos Patrões...
Não vamos facilitar este esforço só porque permitimos uma acção que ceifa uma vida humana. Duas vidas humanas. Três vidas humanas. Centenas de vidas humanas... De pessoas como o nosso actor principal!

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Tong twisters

O meu irmão Gonçalo enviou-me um mail com estas pérolas da língua Inglesa. Fez-me lembrar os meus bons velhos tempos de professor de Inglês em que eu fazia os meus alunos rir a toda a força enquanto se esforçavam por dizer que a pateta da Sally raramente vende conchinhas do mar à beira de água (Silly Sally seldom sells sea shells by the seashore).
Achei que era minha obrigação, como professor da língua de Shakespeare, partilhar com todos estes testes sobre a proficiência do Inglês oral de cada um.
1. Módulo básico
Em português : Três bruxas observam três relógios Swatch. Que bruxa observa que relógio Swatch?
Em inglês: Three witches watch three Swatch watches. Which witch watches which Swatch watch?
2. Módulo avançado
Em português : Três bruxas "travestis" observam os botões de três relógios Swatch. Que bruxa travesti observa os botões de que relógio Swatch?
Em inglês: Three switched witches watch three Swatch watch switches. Which switched wich watches which Swatch watch switch ?
3. .. e agora para especialistas
Em português : Três bruxas suecas transexuais observam os botões de três relógios "Swatch" suiços. Que bruxa sueca transexual observa que botão de que relógio Swatch suiço?
Em inglês: Three Swedish switched witches watch three Swiss Swatch watch switches. Which Swedish switched witch watches which Swiss Swatch watch switch?
E agora é tempo de pedir desculpa às mentes mais sensíveis que ficaram perturbadas com isto das bruxas suecas travecas a olhar para os botões dos relógios...

O equilíbrio orçamental já não é o que era

Aumentam-se os ordenados dos trabalhadores do Estado acima da inflacção? O equilíbrio orçamental não o permite!
Mantêm-se abertos hospitais que servem populações mais isoladas? O equilíbrio orçamental não o permite!
Baixam-se os impostos sobre as energias que as tornam tão caras? O equilíbrio orçamental não o permite!
Criam-se taxas bonificadas para os empréstimos para educação e formação profissional? O equilíbrio orçamental não o permite!
Comparticipam-se vacinas com uma taxa de sucesso de 100% contra o cancro do colo do útero que mata duzentas mulheres por ano em Portugal? O equilíbrio orçamental não o permite!
Financia-se um número incerto mas provavelmente alto de abortos de vidas humanas sem mal-formações, que não causam perigo de vida para as mães e que resultam de uma relação sexual consentida e desejada em hospitais públicos ou clínicas privadas criadas para o efeito? Com certeza! É só inscrever a verba aqui na dotação da Saúde... É para já!

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Tirapicos

Vale a pena ler o que se anda a escrever pelo Alentejo.

A árvore dos espatafúrdios

Neste momento tenho 6 (sim, SEIS!) Polacos a dormir nos aposentos superiores do Château d'Alvim, que é como quem diz, a suíte de hóspedes, a sala de estar e a biblioteca. Hoje, ao tomar o pequeno almoço, ouvi-os a dormir: um (uma?) ressonava com um tom meio pesado, uma outra (esta claramente rapariga) suspirava de minuto a minuto cada vez mais alto (fez-me lembrar a Inês quando não consegue dormir por ter alguém a ressonar ao pé dela), um/a outro/a devia ter o nariz meio entupido por isso emitia um silvado fininho, por último ainda havia outro/a que emitia uns estranhos estalidos que eu não percebi se haviam de vir da boca se do nariz da criatura.
Em todo o caso fiquei a pensar que, se esta amostra de seis que eu lá tenho é assim, tenho alguma curiosidade de conhecer os outros 40 milhões que vivem ali entre a Alemanha e a Rússia. É que estes ruídos todos fizeram-me lembrar a Árvore dos Espatafurdios, os meus bonecos animados preferidos de quando eu era pequeno... Quando começavam a filmar a árvore ouvia-se assim uns estranhos ruídos dos sonos dos espatafúrdios.

Razões do Paulo

O meu amigo Paulo escreveu um artigo sobre as suas razões para votar Não neste referendo. Vale a pena ler.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Dez reflexões sobre os argumentos do Sim

Gostaria de ter sido eu a escrever o post que se segue: vai directo às questões levantadas por muita gente que defende o SIM e fá-lo com humor e ironia. No entanto não fui eu... Nem tudo o que está bem escrito em Portugal fui a escrever (ou será que tudo o que está bem escrito em Portugal NÃO FUI eu a escrever?)...
Foi escrito pelo meu amigo André Folque e eu achei muita piada a estas provocações.
1.º Não devemos obrigar ao nascimento de crianças indesejadas.
Temos todos a certeza de termos sido desejados?
2.º O aborto clandestino é uma vergonha.
Não há crimes que não sejam clandestinos. Deveremos, por isso, dignificar as condições da prática de outros crimes, encorajando a higiene e segurança no trabalho do carteirista ou do falsificador de moeda?
3.º O conceito de vida humana é muito relativo.
Muito mais relativo é o conceito de obra de arte. Se para alguém, a pintura de Paula Rego não é arte, isso dá-lhe o direito de comprar as suas obras e incinerá-las? Se um compositor está ainda nos primeiros compassos da sua criação, posso afirmar que ainda não é arte?
Se depois de ter abortado há seis anos, posso imaginar uma criança a entrar para a primeira classe e se dos despojos do aborto eu poderia até saber que altura teria, conhecer a cor dos seus olhos e do cabelo, como posso determinar que a vida começa às dez semanas? Se o privo de chegar às dez semanas, não estou a privá-lo da vida?
4.º A estigmatização do aborto é uma interferência abusiva do clero católico no mundo secular.
Desse ponto de vista, o mesmo não valeria para todos os Dez Mandamentos?
Sabia que foi o cristianismo que conseguiu erradicar a prática do infanticídio de nascituros do sexo feminino, prática corrente na Antiguidade, até ao século III?
Se houvesse alguma confissão religiosa a defender o aborto, os partidários do Sim diriam tratar-se de uma manipulação clerical das consciências?
Ser católico é ser telecomandado, como querem fazer passar ou os católicos, ao lado de tantos agnósticos, sentem uma especial responsabilidade na defesa dos que não têm voz?
5.º O corpo é meu.
Se assim fosse, o cordão umbilical não serviria para nada. Já pensou que a conversa de que a barriga é minha leva a considerar como simples crime de ofensas corporais a agressão numa mulher de que resulte ‘a perda do feto’? O embrião vale mais ou menos do que uma verruga, uma vesícula preguiçosa ou uma borbulha de acne?
6.º A pena de prisão é um excesso.
Sabia que a própria evasão é também um crime, punido com pena de prisão até dois anos e que quem instigar um preso a evadir-se é punido com pena de prisão até cinco anos? Sabia que se fizer apologia contra a guerra com intenção de impedir o esforço de guerra de Portugal é punido com pena de prisão de um a cinco anos? Sabia que se praticar actos ofensivos do respeito devido aos mortos é punido com pena de prisão até dois anos? Sabia que se desobedecer a um agente policial que ordene a dispersão de uma reunião é punido com pena de prisão até um ano e que se se disfarçar de polícia pode ir parar à cadeia por seis meses? Sabe que se queimar em público a bandeira nacional de um outro país, arrisca-se a cumprir um ano?
Mas sabia que a pena de prisão pode ser substituída por outras penas, como o trabalho em favor da comunidade? Não poderia encontrar-se uma sanção adequada como seria a obrigação de frequência de cursos de planeamento familiar?
Não há crime sem culpa. Já admitiu que a jovem adolescente que aborta por medo da reacção familiar ou a mulher desesperada que não tem meios sequer para sustentar os outros filhos podem ser exculpadas, mesmo no quadro legal vigente?
7.º O aborto é parte da liberdade da mulher.
Faz sentido a liberdade sem responsabilidade? Serão iguais as motivações do aborto em todos os casos? Não sabemos todos de casos de aborto fútil e caprichoso:
«A pílula engorda!»,
«O preservativo tira o prazer!»,
«Afinal, ainda não acabei de pagar o carro!»,
«Disse-lhe que estava grávida, mas ele deu-me um cheque para tratar do assunto. A sogra está doente e ele não tem coragem para deixar a mulher nesta altura!».
8.º A humilhação das mulheres na barra do tribunal.
Quem tem feito a exposição pública das poucas mulheres levadas a julgamento por abortarem ilicitamente com manifestações à porta dos tribunais? E os arguidos em geral, apesar da presunção de inocência, não sofrem humilhação, mesmo quando essa inocência vem a confirmar-se? Vale a pena lembrar, a propósito de humilhação que, não há muito tempo, o homicídio da mulher adúltera era especialmente atenuado, justamente por motivo da humilhação sofrida pelo marido enganado. Recuperar o valor da honra para justificar um crime não será um retrocesso?
9.º Portugal é dos raros países europeus que continua a não permitir o aborto.
Não é verdade. Mesmo em alguns países onde o aborto, sob certos pressupostos, não é punido com pena de prisão, nem por isso se transforma num direito a abortar no Serviço Nacional de Saúde. Sabia que se tiver de tirar um dente, o Serviço Nacional de Saúde não lhe arranja um dentista?
10.º A condenação do aborto é uma imposição de costumes sociais que, em outros tempos, levava a punir o atendado ao pudor e a homossexualidade entre adultos?
Trata-se de uma falácia. Ninguém engravida por manter relações homossexuais nem por andar a exibir publicamente as partes pudendas. Repare na expressão engravida: gerar uma vida. As relações homossexuais entre adultos são ou podem ser um gesto de amor. O atentado ao pudor só incomoda e, mesmo assim, a quem tiver uma sensibilidade muito frágil. Também o adultério foi punido outrora por se considerar que punha em causa a ordem da instituição familiar.
No aborto, ao invés, há alguém que não foi tido nem achado que debalde foi concebido.
André Folque

A Igreja e o aborto

Diziam-me neste fim-de-semana que a Igreja não devia tomar nenhuma posição neste referendo e remeter a sua acção para o campo do teológico, da relação do homem com Deus.
Discordei!
Nunca neste blog usei argumentos que não fossem meramente racionais ou jurídicos para defender o Não ao aborto. De facto, não faço ideia do que pensaria se não fosse Católico porque sempre fui Católico, mas sei que não é preciso ser-se Católico para defender o Não.
No entanto, apesar de eu nunca ter “entrado por aí” aqui no blog, reconheço que o aborto e outros temas políticos e jurídicos, tal como a eutanásia, a guerra ou a pena de morte são temas com muito de teológico. Desses temas não se pode alhear a Igreja e tem que marcar firmemente a sua posição.
De facto, as cartas pastorais, discursos e encíclicas dos não só deste Papa, mas também dos seus predecessores têm sido muito claras nas suas posições. É claro que os Bispos não devem andar aí em comícios e manifestações, mas que devem promover sessões de esclarecimento sobre a posição da Igreja, isso sem dúvida que devem!
Por isso, acho muito estranha a posição de alguns pseudo-intelectuais bem pensantes: quando o Papa João Paulo II e o Senhor Dom José Policarpo se pronunciaram aqui há uns anos contra a guerra do Iraque, elogiaram a sua posição e chamaram-nos defensores da Paz e dos Direitos Humanos, mas agora que se pronunciam pelo direito inalienável à vida humana, acham que não devem sair das sagradas escrituras!

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Querida Minnie...

Querida Minnie (em resposta ao comentário em Crime de Aborto III),
Compreendo perfeitamente os teus argumentos, mas não me deixaram convencido (como já deves ter percebido, tenho origens Beirãs, o que justifica plenamente a minha teimosia - eheheh).
Ao criminalizar uma acção o que se quer precisamente é que as pessoas deixem de actuar dessa forma! Tu começas logo a dizer "uma mulher que queira abortar" mas o que eu quero com a minha defesa do Não é precisamente que as mulheres deixem de abortar e se apercebam da gravidade desse acto.
Também dizes que ninguém pode ajudar uma mulher que queira abortar, mas eu convido-te a vires comigo visitar algumas das muitas instituições que os movimentos pela vida criados aquando do último referendo criaram para ajudarem as mulheres em dificuldades: o Ponto de Apoio à Vida, a Ajuda de Berço, a Ajuda de Mãe, o SOS Grávida, entre outros.
Por outro lado dizes que nos estabelecimentos de saúde legalmente autorizados alguém encaminhará a mulher para quem a possa ajudar, mas isso é partir do princípio de que esses estabelecimentos serão hospitais públicos. No entanto, conhecendo a realidade dos hospitais públicos Portugueses não é difícil concluir que vão proliferar as clínicas privadas do ramo como as tais clínicas de Espanha de que falas. Achas mesmo que nessas clínicas se vão privar do lucro de mais um abortozinho em defesa da vida, tentando convencer a mulher a não abortar?
E agora não me leves a mal que deixe uma provocação, mas o que é que os movimentos pelo Sim criados em 1998 fizeram nestes últimos 9 anos?

Em indecisão profissional: chulo ou Procurador?

Ontem diziam-me que a Dra. Maria José Morgado defende o aborto porque (principalmente) no Norte acontece muito prostitutas, que são trazidas por redes de tráfico humano do Brasil e do Leste da Europa, muitas vezes adolescentes com 14 e 15 anos, praticarem o aborto em condições precárias e assim perderem a vida.
Eu não ouvi as declarações da Senhora Procuradora mas fiquei cá a pensar com os meus botões: se eu fosse um chulo a gerir uma casa de prostitutas imigrantes clandestinas e adolescentes, será que as deixaria ir a um “estabelecimento de saúde legalmente autorizado” praticar os abortos ou será que continuaria a chamar a parteira clandestina que, com a sua choruda avença não tem vantagem nenhuma em reportar o caso às autoridades?
Hummmm… Concluí que mais vale não me tornar chulo que é para não ter que lidar com estas dúvidas existenciais…
E também fiquei eu a pensar: se eu fosse Procurador Geral Adjunto, não tentaria averiguar porque é que essas casas funcionam com conhecimento de todos e ninguém mexe uma palha para as fechar?
Hummmm… Concluí que também mais vale não me tornar Procurador Geral Adjunto que é para não ter que lidar com estas dúvidas existenciais…

O crime do aborto III

É hoje o grande dia, em que eu termino o meu post quase jurídico sobre o aborto (prometo!).
Pois então, havendo claramente um bem a proteger aqui, a vida intra-uterina, resta saber se a criminalização é o meio para o fazer.
Com a criminalização o Estado está a dar uma ideia sobre a gravidade de uma acção e acho que tanto do lado do sim como do não toda a gente está de acordo que o aborto é uma acção muito grave e que deve ser evitada. Ora, se ela for descriminalizada o que o Estado está a dizer é que não é uma acção suficientemente grave para ser criminalizada. Sendo assim, fazer declarações falsas em tribunal ou furtar um auto rádio seriam consideradas acções mais graves do que pôr termo a uma vida intra-uterina.
Por outro lado deixa de se distinguir as mulheres que praticam o aborto em situações de desespero, em que não haverá culpa, daquelas que o fazem como método contraceptivo*, aí sim, com culpa e que aí sim, deveriam ser penalizadas (pergunto-me como será possível que nunca nenhuma tenha sido?).
Por último, vem dizer que o Estado estabelece como prioridade financeira ajudar a matar em vez de ajudar a criar.
Claro que tudo isto são escolhas que o Estado faz, mas será que são estas as escolhas que nós queremos que o Estado faça? Eu cá, NÃO, OBRIGADO!
Pronto, acabei!
*Eu sei que isto parece um contra-senso porque se fosse contraceptivo não tinha havido gravidez, mas dá para perceber a ideia, não dá?