quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Tong twisters

O meu irmão Gonçalo enviou-me um mail com estas pérolas da língua Inglesa. Fez-me lembrar os meus bons velhos tempos de professor de Inglês em que eu fazia os meus alunos rir a toda a força enquanto se esforçavam por dizer que a pateta da Sally raramente vende conchinhas do mar à beira de água (Silly Sally seldom sells sea shells by the seashore).
Achei que era minha obrigação, como professor da língua de Shakespeare, partilhar com todos estes testes sobre a proficiência do Inglês oral de cada um.
1. Módulo básico
Em português : Três bruxas observam três relógios Swatch. Que bruxa observa que relógio Swatch?
Em inglês: Three witches watch three Swatch watches. Which witch watches which Swatch watch?
2. Módulo avançado
Em português : Três bruxas "travestis" observam os botões de três relógios Swatch. Que bruxa travesti observa os botões de que relógio Swatch?
Em inglês: Three switched witches watch three Swatch watch switches. Which switched wich watches which Swatch watch switch ?
3. .. e agora para especialistas
Em português : Três bruxas suecas transexuais observam os botões de três relógios "Swatch" suiços. Que bruxa sueca transexual observa que botão de que relógio Swatch suiço?
Em inglês: Three Swedish switched witches watch three Swiss Swatch watch switches. Which Swedish switched witch watches which Swiss Swatch watch switch?
E agora é tempo de pedir desculpa às mentes mais sensíveis que ficaram perturbadas com isto das bruxas suecas travecas a olhar para os botões dos relógios...

O equilíbrio orçamental já não é o que era

Aumentam-se os ordenados dos trabalhadores do Estado acima da inflacção? O equilíbrio orçamental não o permite!
Mantêm-se abertos hospitais que servem populações mais isoladas? O equilíbrio orçamental não o permite!
Baixam-se os impostos sobre as energias que as tornam tão caras? O equilíbrio orçamental não o permite!
Criam-se taxas bonificadas para os empréstimos para educação e formação profissional? O equilíbrio orçamental não o permite!
Comparticipam-se vacinas com uma taxa de sucesso de 100% contra o cancro do colo do útero que mata duzentas mulheres por ano em Portugal? O equilíbrio orçamental não o permite!
Financia-se um número incerto mas provavelmente alto de abortos de vidas humanas sem mal-formações, que não causam perigo de vida para as mães e que resultam de uma relação sexual consentida e desejada em hospitais públicos ou clínicas privadas criadas para o efeito? Com certeza! É só inscrever a verba aqui na dotação da Saúde... É para já!

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Tirapicos

Vale a pena ler o que se anda a escrever pelo Alentejo.

A árvore dos espatafúrdios

Neste momento tenho 6 (sim, SEIS!) Polacos a dormir nos aposentos superiores do Château d'Alvim, que é como quem diz, a suíte de hóspedes, a sala de estar e a biblioteca. Hoje, ao tomar o pequeno almoço, ouvi-os a dormir: um (uma?) ressonava com um tom meio pesado, uma outra (esta claramente rapariga) suspirava de minuto a minuto cada vez mais alto (fez-me lembrar a Inês quando não consegue dormir por ter alguém a ressonar ao pé dela), um/a outro/a devia ter o nariz meio entupido por isso emitia um silvado fininho, por último ainda havia outro/a que emitia uns estranhos estalidos que eu não percebi se haviam de vir da boca se do nariz da criatura.
Em todo o caso fiquei a pensar que, se esta amostra de seis que eu lá tenho é assim, tenho alguma curiosidade de conhecer os outros 40 milhões que vivem ali entre a Alemanha e a Rússia. É que estes ruídos todos fizeram-me lembrar a Árvore dos Espatafurdios, os meus bonecos animados preferidos de quando eu era pequeno... Quando começavam a filmar a árvore ouvia-se assim uns estranhos ruídos dos sonos dos espatafúrdios.

Razões do Paulo

O meu amigo Paulo escreveu um artigo sobre as suas razões para votar Não neste referendo. Vale a pena ler.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Dez reflexões sobre os argumentos do Sim

Gostaria de ter sido eu a escrever o post que se segue: vai directo às questões levantadas por muita gente que defende o SIM e fá-lo com humor e ironia. No entanto não fui eu... Nem tudo o que está bem escrito em Portugal fui a escrever (ou será que tudo o que está bem escrito em Portugal NÃO FUI eu a escrever?)...
Foi escrito pelo meu amigo André Folque e eu achei muita piada a estas provocações.
1.º Não devemos obrigar ao nascimento de crianças indesejadas.
Temos todos a certeza de termos sido desejados?
2.º O aborto clandestino é uma vergonha.
Não há crimes que não sejam clandestinos. Deveremos, por isso, dignificar as condições da prática de outros crimes, encorajando a higiene e segurança no trabalho do carteirista ou do falsificador de moeda?
3.º O conceito de vida humana é muito relativo.
Muito mais relativo é o conceito de obra de arte. Se para alguém, a pintura de Paula Rego não é arte, isso dá-lhe o direito de comprar as suas obras e incinerá-las? Se um compositor está ainda nos primeiros compassos da sua criação, posso afirmar que ainda não é arte?
Se depois de ter abortado há seis anos, posso imaginar uma criança a entrar para a primeira classe e se dos despojos do aborto eu poderia até saber que altura teria, conhecer a cor dos seus olhos e do cabelo, como posso determinar que a vida começa às dez semanas? Se o privo de chegar às dez semanas, não estou a privá-lo da vida?
4.º A estigmatização do aborto é uma interferência abusiva do clero católico no mundo secular.
Desse ponto de vista, o mesmo não valeria para todos os Dez Mandamentos?
Sabia que foi o cristianismo que conseguiu erradicar a prática do infanticídio de nascituros do sexo feminino, prática corrente na Antiguidade, até ao século III?
Se houvesse alguma confissão religiosa a defender o aborto, os partidários do Sim diriam tratar-se de uma manipulação clerical das consciências?
Ser católico é ser telecomandado, como querem fazer passar ou os católicos, ao lado de tantos agnósticos, sentem uma especial responsabilidade na defesa dos que não têm voz?
5.º O corpo é meu.
Se assim fosse, o cordão umbilical não serviria para nada. Já pensou que a conversa de que a barriga é minha leva a considerar como simples crime de ofensas corporais a agressão numa mulher de que resulte ‘a perda do feto’? O embrião vale mais ou menos do que uma verruga, uma vesícula preguiçosa ou uma borbulha de acne?
6.º A pena de prisão é um excesso.
Sabia que a própria evasão é também um crime, punido com pena de prisão até dois anos e que quem instigar um preso a evadir-se é punido com pena de prisão até cinco anos? Sabia que se fizer apologia contra a guerra com intenção de impedir o esforço de guerra de Portugal é punido com pena de prisão de um a cinco anos? Sabia que se praticar actos ofensivos do respeito devido aos mortos é punido com pena de prisão até dois anos? Sabia que se desobedecer a um agente policial que ordene a dispersão de uma reunião é punido com pena de prisão até um ano e que se se disfarçar de polícia pode ir parar à cadeia por seis meses? Sabe que se queimar em público a bandeira nacional de um outro país, arrisca-se a cumprir um ano?
Mas sabia que a pena de prisão pode ser substituída por outras penas, como o trabalho em favor da comunidade? Não poderia encontrar-se uma sanção adequada como seria a obrigação de frequência de cursos de planeamento familiar?
Não há crime sem culpa. Já admitiu que a jovem adolescente que aborta por medo da reacção familiar ou a mulher desesperada que não tem meios sequer para sustentar os outros filhos podem ser exculpadas, mesmo no quadro legal vigente?
7.º O aborto é parte da liberdade da mulher.
Faz sentido a liberdade sem responsabilidade? Serão iguais as motivações do aborto em todos os casos? Não sabemos todos de casos de aborto fútil e caprichoso:
«A pílula engorda!»,
«O preservativo tira o prazer!»,
«Afinal, ainda não acabei de pagar o carro!»,
«Disse-lhe que estava grávida, mas ele deu-me um cheque para tratar do assunto. A sogra está doente e ele não tem coragem para deixar a mulher nesta altura!».
8.º A humilhação das mulheres na barra do tribunal.
Quem tem feito a exposição pública das poucas mulheres levadas a julgamento por abortarem ilicitamente com manifestações à porta dos tribunais? E os arguidos em geral, apesar da presunção de inocência, não sofrem humilhação, mesmo quando essa inocência vem a confirmar-se? Vale a pena lembrar, a propósito de humilhação que, não há muito tempo, o homicídio da mulher adúltera era especialmente atenuado, justamente por motivo da humilhação sofrida pelo marido enganado. Recuperar o valor da honra para justificar um crime não será um retrocesso?
9.º Portugal é dos raros países europeus que continua a não permitir o aborto.
Não é verdade. Mesmo em alguns países onde o aborto, sob certos pressupostos, não é punido com pena de prisão, nem por isso se transforma num direito a abortar no Serviço Nacional de Saúde. Sabia que se tiver de tirar um dente, o Serviço Nacional de Saúde não lhe arranja um dentista?
10.º A condenação do aborto é uma imposição de costumes sociais que, em outros tempos, levava a punir o atendado ao pudor e a homossexualidade entre adultos?
Trata-se de uma falácia. Ninguém engravida por manter relações homossexuais nem por andar a exibir publicamente as partes pudendas. Repare na expressão engravida: gerar uma vida. As relações homossexuais entre adultos são ou podem ser um gesto de amor. O atentado ao pudor só incomoda e, mesmo assim, a quem tiver uma sensibilidade muito frágil. Também o adultério foi punido outrora por se considerar que punha em causa a ordem da instituição familiar.
No aborto, ao invés, há alguém que não foi tido nem achado que debalde foi concebido.
André Folque

A Igreja e o aborto

Diziam-me neste fim-de-semana que a Igreja não devia tomar nenhuma posição neste referendo e remeter a sua acção para o campo do teológico, da relação do homem com Deus.
Discordei!
Nunca neste blog usei argumentos que não fossem meramente racionais ou jurídicos para defender o Não ao aborto. De facto, não faço ideia do que pensaria se não fosse Católico porque sempre fui Católico, mas sei que não é preciso ser-se Católico para defender o Não.
No entanto, apesar de eu nunca ter “entrado por aí” aqui no blog, reconheço que o aborto e outros temas políticos e jurídicos, tal como a eutanásia, a guerra ou a pena de morte são temas com muito de teológico. Desses temas não se pode alhear a Igreja e tem que marcar firmemente a sua posição.
De facto, as cartas pastorais, discursos e encíclicas dos não só deste Papa, mas também dos seus predecessores têm sido muito claras nas suas posições. É claro que os Bispos não devem andar aí em comícios e manifestações, mas que devem promover sessões de esclarecimento sobre a posição da Igreja, isso sem dúvida que devem!
Por isso, acho muito estranha a posição de alguns pseudo-intelectuais bem pensantes: quando o Papa João Paulo II e o Senhor Dom José Policarpo se pronunciaram aqui há uns anos contra a guerra do Iraque, elogiaram a sua posição e chamaram-nos defensores da Paz e dos Direitos Humanos, mas agora que se pronunciam pelo direito inalienável à vida humana, acham que não devem sair das sagradas escrituras!

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Querida Minnie...

Querida Minnie (em resposta ao comentário em Crime de Aborto III),
Compreendo perfeitamente os teus argumentos, mas não me deixaram convencido (como já deves ter percebido, tenho origens Beirãs, o que justifica plenamente a minha teimosia - eheheh).
Ao criminalizar uma acção o que se quer precisamente é que as pessoas deixem de actuar dessa forma! Tu começas logo a dizer "uma mulher que queira abortar" mas o que eu quero com a minha defesa do Não é precisamente que as mulheres deixem de abortar e se apercebam da gravidade desse acto.
Também dizes que ninguém pode ajudar uma mulher que queira abortar, mas eu convido-te a vires comigo visitar algumas das muitas instituições que os movimentos pela vida criados aquando do último referendo criaram para ajudarem as mulheres em dificuldades: o Ponto de Apoio à Vida, a Ajuda de Berço, a Ajuda de Mãe, o SOS Grávida, entre outros.
Por outro lado dizes que nos estabelecimentos de saúde legalmente autorizados alguém encaminhará a mulher para quem a possa ajudar, mas isso é partir do princípio de que esses estabelecimentos serão hospitais públicos. No entanto, conhecendo a realidade dos hospitais públicos Portugueses não é difícil concluir que vão proliferar as clínicas privadas do ramo como as tais clínicas de Espanha de que falas. Achas mesmo que nessas clínicas se vão privar do lucro de mais um abortozinho em defesa da vida, tentando convencer a mulher a não abortar?
E agora não me leves a mal que deixe uma provocação, mas o que é que os movimentos pelo Sim criados em 1998 fizeram nestes últimos 9 anos?

Em indecisão profissional: chulo ou Procurador?

Ontem diziam-me que a Dra. Maria José Morgado defende o aborto porque (principalmente) no Norte acontece muito prostitutas, que são trazidas por redes de tráfico humano do Brasil e do Leste da Europa, muitas vezes adolescentes com 14 e 15 anos, praticarem o aborto em condições precárias e assim perderem a vida.
Eu não ouvi as declarações da Senhora Procuradora mas fiquei cá a pensar com os meus botões: se eu fosse um chulo a gerir uma casa de prostitutas imigrantes clandestinas e adolescentes, será que as deixaria ir a um “estabelecimento de saúde legalmente autorizado” praticar os abortos ou será que continuaria a chamar a parteira clandestina que, com a sua choruda avença não tem vantagem nenhuma em reportar o caso às autoridades?
Hummmm… Concluí que mais vale não me tornar chulo que é para não ter que lidar com estas dúvidas existenciais…
E também fiquei eu a pensar: se eu fosse Procurador Geral Adjunto, não tentaria averiguar porque é que essas casas funcionam com conhecimento de todos e ninguém mexe uma palha para as fechar?
Hummmm… Concluí que também mais vale não me tornar Procurador Geral Adjunto que é para não ter que lidar com estas dúvidas existenciais…

O crime do aborto III

É hoje o grande dia, em que eu termino o meu post quase jurídico sobre o aborto (prometo!).
Pois então, havendo claramente um bem a proteger aqui, a vida intra-uterina, resta saber se a criminalização é o meio para o fazer.
Com a criminalização o Estado está a dar uma ideia sobre a gravidade de uma acção e acho que tanto do lado do sim como do não toda a gente está de acordo que o aborto é uma acção muito grave e que deve ser evitada. Ora, se ela for descriminalizada o que o Estado está a dizer é que não é uma acção suficientemente grave para ser criminalizada. Sendo assim, fazer declarações falsas em tribunal ou furtar um auto rádio seriam consideradas acções mais graves do que pôr termo a uma vida intra-uterina.
Por outro lado deixa de se distinguir as mulheres que praticam o aborto em situações de desespero, em que não haverá culpa, daquelas que o fazem como método contraceptivo*, aí sim, com culpa e que aí sim, deveriam ser penalizadas (pergunto-me como será possível que nunca nenhuma tenha sido?).
Por último, vem dizer que o Estado estabelece como prioridade financeira ajudar a matar em vez de ajudar a criar.
Claro que tudo isto são escolhas que o Estado faz, mas será que são estas as escolhas que nós queremos que o Estado faça? Eu cá, NÃO, OBRIGADO!
Pronto, acabei!
*Eu sei que isto parece um contra-senso porque se fosse contraceptivo não tinha havido gravidez, mas dá para perceber a ideia, não dá?

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Depressão...

Só para dizer que estou em depressão profunda. No ano passado, neste mesmo dia, estava eu quase no início da minha digressão pela China. Até me lembro muito bem de onde é que dei os Parabéns ao mano mai' velho: na Casa Cultural de Yang Shuo, na sala de computadores, mesmo antes de jantar (cá devia ser pouco depois do pequeno almoço).
Estava apenas no início daquela que seria umas das mais enriquecedoras experiências artístico-culturais da longa história do Império do Meio: a minha longa caminhada de mochila às costas a dormir em pousadas com muita ventilação natural e retretes chinesas... Tenho saudades!

Parabéns Tiago!

O varão da família faz hoje 35 anos! Xiii! 35 já é muito ano junto numa só pessoa... para mim ainda me falta quase uma década para lá chegar, graças a Deus e a todos os Santos!
Mesmo assim, para a idade já provecta que tem, ele até nem está muito mal... Claro, uma dorzinha nas cruzes e este tempo húmido e frio não lhe faz muito bem, mas ninguém nunca lhe daria mais de 34, está muito bem conservado. Com a ajuda da Jade, claro está, que tem cuidado muito bem dele.
Mano velhote: Parabéns e que contes ainda mais do que estes que fazes. E até logo, claro!

Conversas de rua

Todos os dias passo à mesma hora, pelas 9.15, aqui numa ruazinha ao lado do Ministério quando venho para cá. Pois, passando no mesmo sítio todos os dias à mesma hora, é natural que me vá cruzando com as mesmas pessoas, com quem acabam por se gerar conversas.
Uma dessas pessoas é uma senhora velhinha com quem troco sempre aquelas palavras que as pessoas trocam sempre que não se conhecem: palavras sobre o tempo, sobre os buracos na rua, sobre aquele carro que foi assaltado mesmo ali ao pé, sobre a saúde da vizinha que caiu por causa das obras ali na Travessa da Arrochela, etc. O típico...
Vai daí, vinhamos hoje a comentar as obras na tal rua, quando ela começa a elogiar o meu já famoso Capote: "O Senhor vê-se logo que é do Alentejo, gosto tanto de ver o seu casaco! Assenta-lhe muito bem..."
Virgem Santa! Todo eu me arrepiei! Chamarem-me casaco ao capote! É o mesmo que chamar motoreta a uma Harley Davidson!
"Muito obrigado!- Respondi eu- o CAPOTE é Alentejano, mas eu sou de Lisboa e a minha família até é mais da Beira*..."
Logo ali trocámos referências de Beirões, porque a Senhora também era do distrito de Viseu, de Sernancelhe, conhecia muito bem o Senhor Prior que encontra água com uma vareta e gosta sempre muito de encontrar conterrâneos. Despedimo-nos já de beijinhos, maiores amigos e com uma cumplicidade só possível a quem é, ainda que vagamente, ali das Serras.
* Tiago, parabéns mas poupa-me às discussões sobre onde é que é Ourém, please!

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Mar azul

Mar azul, Mariana?

O crime do aborto II

Antes de mais, uma resposta ao anónimo das 9.52AM do post de ontem: concordo absolutamente que ideias contrárias enriqueçam o debate e agradeço o teu contributo. Não vou responder hoje porque quero mesmo acabar o post de ontem e o tempo não dá para tudo, mas prometo responder ainda esta semana.
Ora, continuando o post de ontem sobre se o aborto deve ou não ser crime, sendo que basta ler dois ou três posts meus anteriores com o mesmo marcador para se perceber qual vai ser a minha conclusão… eheheh
Explicado o que é um crime, resta explicar uma coisa fundamental: porque é que algumas acções são tipificadas como crime, porque é que outras deixam de o ser e porque é que há ainda outras que nunca são?
As sociedades mudam e com elas as ideias do que deve ou não ser crime, mas em geral um crime é uma acção que uma dada sociedade num dado momento considera que é de tal maneira reprovável que quem agir dessa forma deve ser punido. Assim, acções como a heresia e a sodomia eram consideradas crimes há uns séculos mas a escravatura e os duelos eram aceites. Por outro lado, furtar ou matar sempre foram crimes e fazer um tapete ou comer uma couve nunca foram.
Resta então saber o que leva uma autoridade com poderes de legislar, num dado período de tempo, a criminalizar uma conduta… Há uma fio condutor em todas as criminalizações: elas visam proteger um bem considerado muito importante à sociedade e concluem que a melhor forma de proteger esse bem é criminalizando-o.
Claramente, o bem que se visa proteger com a criminalização do aborto é a vida intra-uterina. Os motivos são mais do que óbvios: é uma vida absolutamente indefesa, tem uma composição genética completa, se a “deixarem em paz” e esta tiver saúde suficiente para vingar, virá a ser uma pessoa completa que trará com as suas qualidades e defeitos mais ou menos contributos para a sociedade.
O facto, em que eu acredito absolutamente, de que a vida humana é sagrada porque vem de Deus e todos os homens são feitos à Sua imagem e semelhança é para aqui verdadeiramente irrelevante no Direito Positivo que temos hoje em dia.
Concluindo qual o bem que deve ser protegido, resta saber se a criminalização é o meio para o fazer…
Infelizmente, ao contrário do que eu tinha pensado, ainda não vai ser hoje que vou acabar este post- todos compreendem que durante as férias o fluxo de trabalho não pára, o que pára é apenas a sua realização… Por isso: to be continued!
P.S. para os MSVistas: de facto o tempo é um recurso tão escasso!

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

O crime do aborto

Se perguntarem a uma pessoa "normal" o que é um crime, ela vai responder o mais óbvio: é uma acção que te vale a cadeia se fores "apanhado". No entanto, se perguntarem a alguma dessas pessoas tenebrosas que tiraram o curso de Direito (nas quais eu me incluo), esta vai dizer algo incompreensível como: um crime é uma acção típica, ilícita, culposa e punível, o que, para as tais pessoas normais é o mesmo que falar Árabe no dialecto do Cairo (não vá alguma pessoa normal compreender Árabe padrão).
Vai daí, tirando todas as muitas teorias que sobre isto se construiram, um crime é uma acção deste género:
- Típica porque está tipificada, ou seja, elencada na Lei, no caso de Portugal, no Código Penal.
- Ilícita porque sobre essa acção a Lei faz um juízo reprovativo, proibindo-a.
- Culposa porque só o facto de a pessoa a praticar não é suficiente, é preciso que o tenha feita com intenção (dolo) ou, em certos crimes, que tenha agido sem o zelo que lhe era exigível.
- E punível porque a essa acção, uma vez que o tribunal venha a considerar que esta aconteceu com a tal culpa, corresponde uma pena qualquer.
Dado que os magnos interesses da Nação exigem a minha atenção noutras áreas, e dado que os inteligentíssimos, espertíssimos, fantastiquíssimos mas, acima de tudo, humilíssimos leitores deste blog também hão-de ter mais que fazer, terei que acabar este post amanhã, mas hoje já fica aqui vagamente delineado o que é um crime para o Direito Português.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Sim, estou preto!

Mas se há coisa que me chateia mesmo é que certas e determinadas pessoas se recusem a admitir que depois de 5 dias de praia, eu pareço um verdadeiro Egípcio, de tão preto que estou!

E aqui deixo um voto de protesto em nome da minoria Sueva que ainda existe neste país, e que é tantas vezes gozada e posta a ridículo pela maioria Romano-Moura que não compreende os esforços que temos que fazer para não sermos confundidos com uma parede ou uma folha de papel.

Ele são horas e horas estendidos na praia, a sofrer com o calor.... Ele são constantes bezuntadelas com cremes de factores elevados, senão ficamos encarnados e lá se vão as noites bem dormidas e os dias de praia seguintes... Ele são banhos e mais banhos de mar para aguentarmos os efeitos do calor em organismos mais propensos às temperaturas que agora se fazem sentir e que nos fazem pensar que afinal não nascemos no país errado...

E que me não chamem bife, que eu sou um puro sangue lusitano! Só é pena é que não seja um luso-árabe como 90% da população originária deste país.

E depois do voto de protesto, uma palavra de boas vindas a todos os emigrantes Ucranianos, Russos e demais gente eslava que faz com que nós, verdadeiros Suevos, nos sintamos uns privilegiados na praia!

Sim, estivémos lá!

E quem é que se atreve a duvidar de que estive em óptima companhia?

Sim, estive lá!

Mas quem é que se atreve a duvidar de que eu estive no Egipto?

Egipcios e Portugueses

Estava eu no Egipto, metido na minha vidinha e tão longe da realidade nacional, quando de repente se me faz luz para perceber as enormes semelhanças entre os Egípcios e os Portugueses.
Aqui há 10 anos, poucas eram as mulheres Egípcias que usavam véu; hoje elas são a maioria. Os motivos para isso são uns quantos, nomeadamente a onda de contestação que a actividade supostamente anti-terrorista do Iraque está a causar em todo o mundo Islâmico e que tem gerado uma onda de radicalismo naqueles países que eram tradicionalmente mais tolerantes.
Mas o que um amigo Português a viver no Egipto me contou foi que outro dos motivos para isso é que os Egípcios estão a seguir o exemplo dos Árabes e dos outros povos do Golfo. Como estes são países ricos e desenvolvidos, os Egípcios querem ser "modernos" como eles e então ser moderno é tapar as mulheres da cabeça aos pés.
Ora isto faz-me lembrar Portugal. Nós, que até temos a melhor lei do aborto da Europa, uma lei que defende a vida humana mas contempla os casos em que não pode ser exigível às Mães continuarem com a gravidez, agora queremos mudar porque os outros, os ricos, os desenvolvidos, os "modernos" é que sabem. Como com eles pode-se pôr termo à vida humana quase sem limites, há por aí muita gente que acha que a nossa Lei deve ser retrógada.
Ora eu, que sou do 1.º país do mundo a abolir a escravatura e a pena de morte por crimes civis, acho que não temos muitas lições a tirar de países como os EUA, a Inglaterra, a Espanha, etc., no que toca a direitos fundamentais, nomeadamente no que toca ao direito à Vida.

domingo, 28 de janeiro de 2007

Voltei, voltei, voltei de lá...

Apesar do originalíssimo, fantastiquíssimo, especialíssimo mas, acima de tudo, humilíssimo título deste post, não estive em França (mas a música é bela, não é?)!
Desde que, com muita pena minha, abandonei os inteligentíssimos, cultíssimos e intelectualíssmos leitores deste humilíssimo blog, o que se passou na minha vida foi o seguinte:
- Viagem Lisboa - Madrid - Cairo: Por pouco já não ia fazendo esta última viagem, uma vez que aproveitei a minha estadia de algumas horas em Madrid para ir almoçar com o meu grande amigo Rui que, como anda sempre a viver no Estrangeiro raramente tem o fantástico prazer de estar comigo (haja humildade neste blog, venho mais convencido que nunca!) e ia perdendo o avião!
- Estadia de 5 dias em Hugarda, no Mar Vermelho, só mesmo para o Sol, Mar e Senorqueling- acabei de aportuguesar o nome e mais tarde explico o que é e quão fantástico o é fazer no Mar Vermelho.
- Estadia de, supostamente, 1,5 dias no Cairo para ver as pirâmides, o Museu do Cairo, os quarteirões Copta e Islâmico, umas quantas Mesquitas, etc.
- Regresso a Portugal para ir directamente para a Casa de Retiros de Santo Inácio, na Praia Grande, fazer Exercícios Espirituais (um dia destes ainda acabo em Jesuíta- o que diria o meu avôzinho Pombal se voltasse à terra!).
- Da Praia Grande para Lisboa para participar na marcha pelo Não ao Aborto. Devo confessar que, apesar de optimista, tinha em consideração o tempo por isso não esperava tanta gente! Mas digo-vos que estavam à vontade umas 20 mil pessoas, para mais, nunca para menos... Fiquei muito contente com este meu regresso a Lisboa e com este banho de multidão!
Agora vou ali trabalhar um bocadinho que já estou cansado de tantas férias! eheheh
Como é óbvio, tenho muito mais a contar sobre o que andei a observar no Egipto, mas este post Domingueiro é só mesmo para anunciar que o blogadíssimo está de volta!

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Pausa no blogadíssimo

Pois já estou em véspera de ir de férias*!
Estou mesmo a precisar de descansar, de não me preocupar com nada e de não ter obrigações durante os próximos 10 dias. Ora, o meu conceito de descanso é deixar o telemóvel muito bem desligadinho em Lisboa, é não ir à internet, é não ler jornais, não ver televisão, não saber notícias bombásticas nem fofocas escaldantes.
Eu até nem era totalmente assim, porque mesmo de férias gostava de dar uma vista de olhos nos jornais, mas as coisas mudaram e agora já nem as notícias quero saber. No fundo, sobre o que é que lá se lê? Sobre o Bush que vai enviar mais tropas para o Iraque e engrossar um erro que o foi desde o início? Sobre o braço de ferro entre a Administração da PT e a SONAE que lá continua por causa da OPA? Sobre a corrupção no futebol, pedofilia na Casa Pia, desenvolvimento de armas nucleares no Irão e na Coreia e outras novidades fantásticas como estas?
Poupem-nos! A mim e às minhas férias, claro!
Mas agora chega o probleminha: dado que este blog é feito a uma só mão e essa mão vai estar bem longe dos teclados, ele vai necessáriamente estar parado até dia 28 de Janeiro. É uma vida dura, mas alguém a tem que viver...
E perguntam-se vocês: mas onde vai estar o autor deste brilhantíssimo, giríssimo, divertidíssimo, inteligentíssimo, cultíssimo mas, acima de tudo, humilíssimo blog?
Então eu já não respondi? Vou estar em FÉRIAS! :-)
* Infelizmente sem a my precious, Ana, essa está algures num daqueles SPAs da Sony com massagens próprias para máquinas.

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

My poor lovely precious

Coitadinha da my precious! Está doentinha! De cada vez que se liga faz um barulho estranho e depois fica lá uma coisa a piscar a dizer que aquilo tem um erro. E isto acontece-me em véspera de férias - que falta de consideração!
Fui com ela à Sony e lá disseram-me que levavam 2 semanas a 1 mês a tratar do assunto e que podia ser à volta de €150,00! Disse-lhes que, por muito que eu gostasse da my precious, se fosse esse preço exorbitante não valia a pena arranjarem porque eu preferia comprar uma nova: esse preço foi o que ela me custou há mais de um ano!
É que a garantia que me deram na China era só de um ano (que já passou) e ainda para mais cá em Portugal só dão a garantia de 6 semanas para coisas compradas fora da UE! Como é que é possível? Desde que a máquina fosse da mesma marca, e ele confirmou-me que a my precious era genuina, deveria ser dada a mesma garantia.
Enfim... Agora é ir de férias sem máquina e esperar que o preço seja maneirinho!

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Vacina para o cancro II

E agora, sem ser em pergunta para os médicos, pergunto mais aos Senhores Ministros da Saúde e das Finanças.
Nas notícias da Lusa, pude ler mais sobre esta vacina e dizia lá o seguinte: "O cancro do colo do útero mata uma mulher a cada dois minutos - uma por dia em Portugal - e destrói a vida sexual, familiar e social das sobreviventes deste carcinoma. Portugal tem a mais alta incidência da Europa deste cancro, cuja principal causa é o vírus HPV, registando 900 novos casos por ano e mais de 300 casos mortais."
Também é dito que a vacina deve ser tomada em três doses e que cada dose custará cerca de €160,00 e que o Estado não comparticipará tal vacina. Eu até compreenderia se me dissessem que o Orçamento de Estado está depauperado e que estamos na miséria, logo o Estado não pode comparticipar nem que seja com 20% ou 30% da vacina. Mas a sério que, depois de ter sido dito que caso o Sim à liberalização do aborto ganhe, o Estado está disposto a comparticipar os abortos, eu já achava que estavamos a nadar em dinheiro.
Como contribuinte, e já que o dinheiro é escasso, prefiro que o Estado comparticipe uma vacina 100% eficaz que pode salvar a vida a 300 pessoas por ano e a saúde de outras 600 que não morrem, a que comparticipe a morte de uma vida humana absolutamente inocente e dotada de um DNA diferente dos seus Pais.

Vacina para o cancro I

Recebi umas correcçõezinhas ao meu texto sobre a moda, é que a resposta certa era tons fortes e não tons pastel. Bem, então e o que é que eu faço a toda a minha ropua pastel? (verde-sêco é considerado pastel? é que de há pouco tempo para cá recebi ou comprei muitas coisas verde-secas- estou numa de ir prá tropa!).
Mas o que eu de certeza não ouvi mal é que descobriram a vacina para o cancro do colo do útero e que vais estar disponível em Portugal por €160,00. Ora, houve umas coisas que eu não percebi muito bem, o que é natural, dado que sou um bocado ignorante no que toca a Medicina (e não só, mas disfarço muito bem e passo por culto). Eu até perguntaria à minha amiga Ana, que é médica, mas a miúda está a fazer um estágio em Madrid, pelo que lanço as perguntas para os meus leitores da área da saúde:
1. Não sabia que um cancro podia ser iniciado por uma infecção... O que eles disseram foi que este cancro é iniciado por um vírus e que a vacina (100% eficaz, diga-se de passagem) inocula a pessoa contra este vírus. Então e os outros tipos de cancro? São provocados por vírus?
2. Disseram que os rapazes também a podiam tomar porque podiam ser portadores deste vírus, mas dado que eles não têm útero, qual seria a vantagem?
Obrigado a quem me puder responder...

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

Moda

Desde já confesso a minha mais absoluta ignorância em termos de moda! Para mim é mundo misterioso no qual julgo que teria tanta facilidade em entrar como no mundo da física quântica.
Não que eu não goste de estar bem apresentado mas é o próprio conceito de moda e os chamados “gurus da moda” que eu me vejo impossibilitado de compreender.
Eu, inocentemente, achava que moda era o que um grupo de pessoas, em determinado momento, veste mais.
Assim, por exemplo, há a moda punk e imagino que de vez em quando se use mais ter a crista cor-de-laranja e noutras tê-la azul-forte. Há a moda beto que há uns anos era estar penteadinho e de padronizados sapatos-vela castanhos ou azul-marinhos e hoje será mais ter um penteado propositadamente despenteado e uns ténis “diferentes” mas que acabam por ser iguais a tantos outros.
Mas consta que não é assim… Consta que a moda tem mais que se lhe diga…
Hoje, no “sexo forte” da RFM uma das perguntas feitas ao desgraçado que se aventurou nessa guerra era “qual ia ser o tom da moda Primavera-Verão deste ano”, sendo que a resposta certa era os “tons pastel”.
Mas como é que eles sabem o que as pessoas vão querer usar a partir de dia 21 de Março? O mais provável é mesmo usarem o mesmo que no ano passado com mais uma coisinha ou outra que compraram agora, que isto a economia não está para grandes despesas…
E isso é moda para quem? Para punks ou para betos? Para góticos ou para skaters? Para tios ou para mitras? Estou mesmo a a imaginar um gótico a entrar numa loja e a dizer: “eu queria estas calças em tom preto pastel, sff!”
E se eu não quiser usar tons pastel e quiser usar a tshir azul forte que comprei há pouco tempo, sou um quota para todo o sempre? E se os meus ténis cor-de-laranja ainda estiverem impecáveis, terei que comprar uns em tom rosa pastel só para estar na moda?
Pois eu vou continuar a usar os mesmos fatos, as mesmas camisas, os mesmos mocassins e as mesmas gravatas que usava no ano passado de 2.ª a 5.ª, as mesmas camisas, camisolas e sapatos-vela que usava no ano passado à 6.ª e as mesmas tshirts, long-sleeves e ténis que usava no ano passado ao fim-de-semana! Não tenho lá tons pastel, recuso-me a comprar e mais nada!

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Campanha do referendo

O meu amigo Francisco mandou-me o telejornal de ontem da RTP em que ele próprio aparecia muito bem e muito composto (Parabéns pequenote!) a entregar as assinaturas por um movimento do "Não" (ia lá a minha, muito bonitinha e bem cuidada) mas o que eu vi acabou por me deixar bastante indignado.
Então não é que a estrutura de notícias sobre o referendo foi esta:
- Começaram a falar sobre o aborto ao minuto 20.43 para mostrar que o Primeiro Ministro vota sim no referendo;
- Ao minuto 21.32 focaram as campanhas do PCP e do BE pelo sim, claro está;
- Ao minuto 23.40 mostraram a entrega das assinaturas pela parte dos movimentos do sim.
Com tudo isto estiveram, no total, a falar quase 6 minutos sobre as iniciativas dos que fazem campanha pelo sim no referendo.
No fim, entre os minutos 26.27 e 28.10, bem menos de 2 minutos, lá condescenderam em falar sobre o não que não só apresentou muito mais movimentos espalhados por todo o país, como entregou muito mais assinaturas!
Às 28.10, inserido na mesma notícia, começaram a falar com o senhor da CNE sobre a contagem das assinaturas, pelo que terminaram de falar sobre as posições diferentes.
A isto eu chamo parcialidade jornalística e só tenho pena que com os meus impostos eu esteja a pagar essa parcialidade. O que os canais de televisão, estações de rádio e imprensa escrita pertencentes a grupos privados fazem, é lá com eles, mas uma televisão paga por todos nós deveria ser imparcial também nesta questão do tempo.

Mulheres na prisão?

Já tinha avisado que ia voltar ao tema do aborto e ora aqui está ele de volta.
Talvez seja impressão minha, mas parece-me que os defensores do "sim" tendem a usar muitas falácias para defender a sua opinião e uma das maiores é a da maldade da prisão das mulheres que recorrem ao aborto.
E essa ideia é uma falácia por três motivos:
1. O mais óbvio é que não há registo em Portugal de uma mulher estar presa por recorrer ao aborto, o que, na minha modesta opinião, até é bastante estranho tendo em conta os valores astronómicos que os movimentos do sim apresentam sobre o número de abortos em Portugal;
2. A existência de uma moldura penal para o aborto é uma forma de o Estado dizer que não concorda com aquela actuação, que não concorda e que acha reprovável que se ponha fim a vidas humanas só porque isso apetece a quem as gerou. Isto, é claro, sendo que nos casos em que uma mulher o tenha feito num acto de desespero, sem ter a consciência do que estava a fazer, não haverá culpa, logo não haverá crime;
3. A não existência desta moldura penal, implica que os médicos com poucos escrúpulos, as parteiras de vão de escada que se aproveitam de situações de debilidade e as enfermeiras que com isso compactuam, toda essa gente que ceifou uma vida humana inocente, não sejam deevidamente punidos.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Vamos cantar as Janeiras...

Ontem fui renovar o meu há muito caducado passaporte ao Governo Civil durante a hora de almoço. Para não estar horas a secar à espera, decidi ir uma hora antes, ou seja, às 12h, em vez de ir às 13h, quando deve haver mais gente.
Saiu-me o tiro pela culatra.
É que ontem houve um rancho que decidiu ir cantar as Janeiras à Governadora Civil e a maioria dos funcionários decidiu ir assistir. Graças a Deus que houve uma funcionária que não pareceu gostar muito das Janeiras e manteve-se no seu posto, senão tinha ficado a ouvir as Janeiras enquanto morria de fome por mais uma boa hora!

Aula de boas maneiras no autocarro

Uma das coisas que eu mais gosto de fazer de manhã é de vir a pé para o trabalho, pensando na minha vida, no post do dia, falando com o "Chefe" lá de cima, etc.
Infelizmente, hoje, devido à chuva, fui obrigado a apanhar um autocarro e comigo ia a Su Im, a Coreana do couchsurfing que agora está lá em casa. Quando entrámos no autocarro sentámo-nos mas na paragem seguinte ia entrar muita gente e entre eles duas senhoras de idade. Dado que o autocarro estava cheio, eu sugeri à Su Im levantarmo-nos para dar o lugar.
Pois nesse momento, um senhor dos seus trinta anos não se fez rogado a sentar-se e só se levantou para deixar uma das senhoras passar para o lado da janela para que ele pudesse ficar confortavelmente instalado na cadeira da saída.
A Su Im observou baixinho que na Coreia toda a gente era ensinada a deixar as pessoas de idade sentarem-se nos autocarros. Eu respondi-lhe, de forma bem mais audível para que o dito homem de trinta anos percebesse bem o meu Inglês:
"- Em Portugal também somos assim educados, mas há umas pessoas que não se importam de ser mal-educadas e não fazem caso dessas coisas."

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

E você?

Vale a pena ler o que o meu amigo Luís, o sem pavor, anda por aí a escrever...